Capítulo 035: Oppa Jiang You Nan
Na manhã seguinte, quando os primeiros raios de sol tocaram seu rosto, Nan Jiao não pôde deixar de se virar para o outro lado. No entanto, logo sentiu que sua mão direita agarrava algo incrivelmente macio, uma sensação tão agradável que acabou apertando com força de novo.
— Humm... — O resultado desse gesto foi um suspiro delicado e feminino, um som que, desde a noite anterior, já lhe era bastante familiar...
Nan Jiao recordou-se de como, na véspera, tentara embebedar Wang Fangfei, sem sucesso. Fora ele mesmo quem acabou bêbado primeiro! Isso significava que ainda estavam deitados no gramado do parque!
Ao pensar nisso, o sono desapareceu instantaneamente. Num pulo ágil e contínuo, levantou-se de pronto e, sem hesitar, adotou uma postura defensiva.
— Com essa megera, não se pode baixar a guarda nem por um instante! — murmurou Nan Jiao. — Basta um descuido e ela já aproveita para encostar o peito na minha mão, tentando se aproveitar de mim!
No entanto... percebeu que, além daquele suspiro, Wang Fangfei não reagiu de nenhuma outra forma.
— Hmpf... Típica pervertida! Até dormindo tenta tirar vantagem de mim! — resmungou, olhando para Wang Fangfei, que ainda dormia profundamente. — Pois bem, vou deixar que se aproveite um pouco da minha mão, só dessa vez!
Dizendo isso, Nan Jiao lançou mão da famosa Garra do Dragão de Wei Xiaobao, atacando os montes gêmeos de Wang Fangfei. Seu rosto, antes carregado de falsa retidão, não conseguiu mais manter a pose nobre, revelando de vez sua natureza lasciva.
— Sou um pequeno sapo... croac, croac, croac! Sou um pequeno sapo... croac, croac, croac!
De repente, o alarme de um celular tocou dentro da bolsa de Wang Fangfei. Ela abriu os olhos de imediato, procurando o telefone, mas deparou-se com a figura rechonchuda de Nan Jiao.
Suas mãos ainda estavam na posição de garras, mas agora seguravam uma blusa... a blusa que ele mesmo vestia até então, claramente recém-tirada.
Em seguida, Nan Jiao sorriu e disse:
— Está frio de manhã, pensei em cobrir você com uma roupa.
Seu sorriso transmitia cuidado, ternura e gentileza, como se fosse o protagonista mais justo de um filme ou novela, prestando atenção à heroína principal.
Com o sol da manhã banhando a cena, tudo parecia perfeito; talvez, se houvesse alguma fã de dramas coreanos por perto, ela teria exclamado: "Oppa!"
— Hã... — Wang Fangfei, porém, olhou para a blusa nas mãos de Nan Jiao, prestes a ser colocada sobre ela, e sua expressão tornou-se um mosaico de surpresa e dúvida — menos emoção. Por fim, não resistiu e tapou o nariz, perguntando:
— Faz quantos dias que você não lava essa roupa? Que fedor!
Nan Jiao não se constrangeu; respondeu com naturalidade:
— Acho que lavei no mês passado! Mas fique tranquila... este mês só usei umas sete ou oito vezes...
Enquanto ele falava, ainda tentava se aproximar, o que fez com que Wang Fangfei arregalasse os olhos, olhando para ele como se fosse um alienígena — afinal, pessoas gordas são as que mais suam!
...
— Você não tem aula? — perguntou Wang Fangfei. — As provas estão chegando!
— Não vou! — respondeu Nan Jiao, fazendo um bico e coçando o traseiro, onde ainda havia a marca nítida do solado de um sapato feminino.
— Então, vou indo. Tome cuidado quando for para casa — disse Wang Fangfei, preparando-se para partir.
— Ei, espere um pouco. — Nesse instante, Nan Jiao chamou Wang Fangfei antes que ela se afastasse.
— O quê? — Wang Fangfei virou-se, intrigada.
— Hm... isto é para você! — Nan Jiao hesitou, depois abriu o zíper da calça e enfiou a mão lá dentro, como se procurasse algo. O pior era que, enquanto procurava, ainda dizia:
— Isso é grande demais, difícil de tirar, espera aí um pouco!
Suas palavras e gestos fizeram Wang Fangfei pensar em sacar o spray de defesa, mas, para sua surpresa, Nan Jiao tirou do cós da calça sete maços de notas de cem vermelhos!
— Aqui, é para você! Use para pagar aquela dívida... E não volte a frequentar aquele tipo de lugar, beber demais não faz bem! — disse Nan Jiao, com preocupação.
Apesar do modo estranho de entregar o dinheiro e dos fios de cabelo enrolados em alguns maços, o gesto de Nan Jiao, dando-lhe de uma vez sete mil reais, emocionou Wang Fangfei. Homens já haviam lhe dado dinheiro antes, mas sempre em troca de favores; Nan Jiao, porém, simplesmente lhe dava o dinheiro, preocupado apenas com seu bem-estar.
Pela primeira vez na vida, Wang Fangfei sentiu-se verdadeiramente cuidada por um homem — mesmo que esse homem fosse um... bem, um adorável gordinho!
— Se quiser beber, vá à minha casa. Só precisa pagar pelo álcool, não vou cobrar taxa de acompanhante — declarou Nan Jiao, sério.
— Ah... — Wang Fangfei virou o rosto, sem palavras; a emoção que sentira foi destruída em um piscar de olhos pelo gordinho inconveniente.
...
Os dois seguiram juntos pelo parque. Wang Fangfei guardava o dinheiro em sua bolsa; ela não era uma donzela tímida, mas sim alguém que fazia de tudo para ganhar a vida, sem vergonha de aceitar dinheiro quando necessário.
Nan Jiao vinha logo atrás, lutando para fechar o zíper da calça, que parecia emperrado, mas não se importava nem um pouco, continuando a caminhar pela trilha de pedrinhas como se nada fosse.
— Que audácia! — Na entrada do parque, um BMW vermelho estava estacionado, com um homem extraordinariamente bonito ao volante: era Tang Yongming, herdeiro do Grupo Tang, que dias atrás tentara conquistar Lin Xiaoshuang no ponto de ônibus.
Ao presenciar aquela cena impactante, Tang Yongming mal podia acreditar: aquele mesmo gordinho que vira com uma bela mulher dias atrás, agora estava com outra tão atraente quanto a primeira. E aquele jeito de sair do parque, fechando o zíper enquanto andava, dava a impressão de terem acabado de se divertir ao ar livre!
Vale lembrar que o Parque da Rua da Liberdade era famoso por ser, de dia, local dos idosos com seus leques, e, à noite, território dos jovens que deixavam ali suas camisinhas...
(Continua...)