Capítulo 40: Gritando até perder a voz
Ao ouvir que He Chaoyun havia desligado as câmeras de segurança, Jiang Younan virou-se imediatamente para a porta da sala de interrogatório e gritou: "Socorro! Estão matando alguém!"
Por estar sendo assado e, tomado pela emoção, Jiang Younan acabou caindo no chão; mas ele não se importou com a dor da queda, continuou gritando, pois sabia exatamente o que He Chaoyun pretendia fazer com ele. Naquele momento, Jiang Younan parecia um traidor vil de dramas sobre a resistência contra a ocupação japonesa, sem qualquer preocupação com a dignidade, apenas tentando salvar a própria pele e implorar por misericórdia.
"Hehehehe... Pode gritar!" He Chaoyun ficou ainda mais excitado ao ver Jiang Younan chamando por ajuda, mas com o rosto marcado pelas feridas, sua expressão era completamente distorcida. Falou friamente para Jiang Younan: "Vou ser honesta: esta sala de interrogatório tem um excelente isolamento acústico, não importa o quanto você grite, nada vai sair daqui; além disso, as câmeras foram desligadas, então ninguém saberá o que acontecer aqui dentro! Pode gritar até perder a voz, ninguém vai se importar!"
"Você está falando sério?" Jiang Younan, ao ouvir isso, deixou-se cair no chão junto com a cadeira, completamente desesperado.
"Por acaso eu preciso mentir para você?" Assim que He Chaoyun terminou de falar, brandiu o bastão policial e o golpeou diretamente na cabeça de Jiang Younan, sem qualquer compaixão, numa postura que não temia matar alguém.
Um grito de dor ecoou pela sala de interrogatório, acompanhado por sangue quente e vermelho que espirrou.
Via-se uma figura alta e magra sendo derrubada por um soco; e quem mais poderia ser senão He Chaoyun?
"Como você conseguiu soltar as algemas?" He Chaoyun perguntou, surpreso, a Jiang Younan. O motivo de ter ido sozinho enfrentar Jiang Younan era justamente porque ele estava algemado.
"Ai ai! Trinta anos do lado leste do rio, trinta do lado oeste!" Jiang Younan respondeu de forma provocadora. "Eu aprendi técnicas de fuga do Palácio Zhongnanhai, acha que vou te contar?"
Embora dissesse que não contaria, Jiang Younan não parava de explicar detalhadamente o quanto tinha sofrido para dominar essa arte de escapar, fazendo questão de que He Chaoyun prestasse atenção.
Mas He Chaoyun não estava nem aí. Naquele momento, Jiang Younan brandia o bastão policial que havia tomado, com uma expressão tão vil que qualquer pessoa sentiria vontade de bater nele, mas He Chaoyun, ao contrário, ficou assustado e tentou fugir.
Vendo Jiang Younan se aproximar passo a passo, He Chaoyun virou-se rapidamente e começou a gritar: "Socorro! Estão matando alguém!"
He Chaoyun repetiu exatamente as palavras que Jiang Younan havia gritado antes, até o tom era igual; diante desse plágio descarado, Jiang Younan decidiu pagar com a mesma moeda.
"Hehehehe... Pode gritar!" Jiang Younan, ao ver He Chaoyun clamando por ajuda, ficou ainda mais animado. O tom, o riso, junto com seu rosto cheio de gordura, faziam dele a imagem de um oficial japonês de filmes de resistência, pronto para atacar moças. Jiang Younan, com sarcasmo, disse: "Esta sala de interrogatório tem um excelente isolamento acústico, não importa o quanto você grite, nada vai sair daqui; além disso, as câmeras foram desligadas, então ninguém saberá o que acontecer aqui dentro! Pode gritar até perder a voz, ninguém vai se importar!"
Jiang Younan terminou de falar e começou a golpear He Chaoyun com o bastão policial.
Mas Jiang Younan não era tão audacioso quanto He Chaoyun, evitava golpes na cabeça, acreditando estar sendo misericordioso, limitando-se a atacar partes mais sensíveis. Enquanto batia, dizia: "Sabe por que só eu posso te bater? Porque você não treinou bem as artes marciais, então agora vou te ensinar o manual secreto do mundo marcial, que todos querem aprender!"
Dizendo isso, Jiang Younan introduziu o bastão policial na parte traseira de He Chaoyun, causando-lhe tanta dor que ele desmaiou.
Depois de terminar, Jiang Younan sentou-se novamente na cadeira, e, de algum modo, conseguiu recolocar as algemas em si mesmo.
Menos de meio minuto depois, a porta da sala de interrogatório foi aberta; afinal, ninguém no departamento queria que alguém morresse ali. O policial que abriu a porta se dirigiu à sala: "Chaoyun, já se divertiu? Não vá causar uma... morte..."
Ao dizer "morte", o policial hesitou, e só conseguiu terminar a frase com esforço, ficando sem palavras em seguida. Pois presenciava uma cena estranha: He Chaoyun estava desfigurado, caído no chão, com o bastão policial atravessando-o, enquanto Jiang Younan permanecia algemado à cadeira, incapaz de se mover.
"Rápido, socorra-o!" vendo o policial atordoado, Jiang Younan alertou com boa intenção, e o outro policial, ao ouvir, recobrou-se imediatamente.
O desdobramento foi que He Chaoyun foi levado às pressas ao hospital proctológico de Tiankou, enquanto Jiang Younan ficou cercado por vários policiais, e até He Donglai veio pessoalmente à sala de interrogatório.
Como não havia gravação, os policiais não sabiam ao certo o que havia acontecido ali, então tentaram arrancar alguma informação de Jiang Younan. Sentados ao redor dele, ouviam-no dizer: "Esse sujeito é realmente pervertido, entrou e começou a se bater sozinho, depois usou o bastão policial para se atacar, tudo isso é demais para alguém puro como eu!"
"É melhor você confessar, não ache que vai conseguir enganar a todos!" É claro que não acreditaram em Jiang Younan.
"Estou dizendo a verdade! Caso contrário, estando algemado à cadeira, como eu poderia pegar o bastão?" Jiang Younan manteve uma postura de quem não admitiria nem sob tortura.
"Não precisamos perder tempo com ele", disse um policial irritado. "Vamos mostrar a ele as 'regras' daqui!"
Esse policial era Li Yunfeng, da equipe de He Chaoyun, e suas "regras" significavam usar violência para forçar uma confissão.
He Donglai entendeu perfeitamente o que estava sendo dito e não se opôs; em seu coração, sempre favoreceria o lado da polícia, pois, se alguém ousava bater em um policial comum, amanhã poderia bater nele, o vice-diretor!
Mas, nesse momento, a porta foi abruptamente aberta, e um policial entrou correndo, gritando: "Ninguém pode bater nele, ninguém!"
(continua...)