Capítulo 66: O Repórter (Segundo capítulo do dia – por favor, adicione aos favoritos)
— Garoto! Eu estava justamente procurando por você por causa daquele episódio de agressão a policiais! E quem diria que agora você já está no hospital, atacando os profissionais da saúde! — disse He Chaoyun, aproveitando a colaboração da chefe das enfermeiras para colocar mais uma acusação pesada sobre Jiǎng Yǒunán.
Com essas palavras de He Chaoyun, todos ali — inclusive Lin Xiaoshuang, os colegas de classe, Xu Yishan e a chefe das enfermeiras — olharam surpresos para Jiǎng Yǒunán: “Quem diria! Quando foi que esse gordinho ficou assim tão ousado? Até ousou agredir policiais?”
— Mentira, isso é calúnia! — Jiǎng Yǒunán saltou quase meio metro, gritando vermelho de raiva: — Vocês têm provas? Se continuarem me difamando, vou contar tudo para os seus chefes!
— Você está falando de Hé Dōnglái? — He Chaoyun olhou friamente para Jiǎng Yǒunán, que pulava e gesticulava como um palhaço, e respondeu com sarcasmo: — Ele foi levado anteontem pelo pessoal da comissão de disciplina. Como, você ainda não sabia disso?
— O quê? Levado embora? — Dessa vez, Jiǎng Yǒunán ficou realmente assustado. Tirando os “pais” aleatórios que o sistema Tao Pai Wang lhe enviava, Hé Dōnglái era seu maior protetor; embora Hé Dōnglái só o ajudasse por causa de Hè Guǒwǔ, que talvez nunca aparecesse, ainda assim era útil — pelo menos, enquanto ele estivesse por perto, He Chaoyun não ousaria agir assim, todo cheio de si.
Jamais teria imaginado que Hé Dōnglái, com aquela cara de justo, também fizesse parte dos corruptos! Mas Jiǎng Yǒunán não se entregaria tão facilmente. Num piscar de olhos, ele se jogou no chão e começou a gritar:
— Polícia está inventando acusações! Polícia batendo nas pessoas!
— Você... — He Chaoyun, vendo Jiǎng Yǒunán se fazendo de vítima, só pôde apontar para ele, impotente, sem ousar se aproximar. Sabia bem do que Jiǎng Yǒunán era capaz em uma briga. Felizmente, alguém apareceu para tirá-lo daquela situação.
Afinal, ali era a ala de cuidados especiais do hospital, frequentada por gente rica e influente. Diante de tanto alvoroço, impossível que ninguém viesse intervir.
— O que está acontecendo aqui? — E quem apareceu foi justamente Dong Míngtāo, o diretor do Hospital Popular da Província de Tiannan!
Dong Míngtāo não era um homem qualquer. Como diretor do Hospital Popular Provincial, seu cargo era equivalente ao de vice-secretário de gabinete. No campo acadêmico, era uma autoridade em oncologia, com discípulos espalhados por toda a província de Tiannan. Por fim, ainda era tio materno de He Chaoyun, ou seja, podia ser chamado de tio ou de padrinho.
— Tio... — He Chaoyun, ao ver Dong Míngtāo, aproximou-se imediatamente para cumprimentá-lo.
— O que está acontecendo? O que você está fazendo aqui? — Dong Míngtāo foi direto, perguntando a He Chaoyun.
— É sobre o caso do atirador terrorista. Vim coletar informações da vítima — respondeu He Chaoyun, sinceramente. — Mas acabei encontrando esse sujeito aqui.
He Chaoyun apontou para Jiǎng Yǒunán: — Foi ele quem me atacou daquela vez!
Dong Míngtāo seguiu a direção do dedo de He Chaoyun e encarou Jiǎng Yǒunán. Ao ver o homem que havia violentado seu sobrinho, não conseguiu esconder a expressão de desagrado.
Ainda assim, Dong Míngtāo sabia que aquele não era o momento para tal assunto e, por fim, disse: — Todos para meu escritório agora!
...
Ainda que relutantes, ninguém ousou contrariar Dong Míngtāo, especialmente com a presença da polícia e, em particular, de Su Xueqing, uma policial de peso. Assim, todos, incluindo Jiǎng Yǒunán, foram conduzidos obedientemente ao escritório do diretor.
Dentro da sala, as divisões eram evidentes.
De um lado, estavam He Chaoyun, Su Xueqing e a chefe das enfermeiras. Dong Míngtāo, sentado à mesa, claramente apoiava o sobrinho.
Do outro lado, a situação de Jiǎng Yǒunán era peculiar. Apesar de ter ido com os colegas, estavam divididos: Wang Chen, Xu Fang e outros se encostaram ao canto, mantendo distância dele.
Restou ao lado de Jiǎng Yǒunán apenas Lin Xiaoshuang e, se contarmos Xu Yishan, que parecia não saber de que lado ficar, seriam apenas três pessoas.
— Vocês... — Jiǎng Yǒunán olhou para Lin Xiaoshuang e Xu Yishan a seu lado e, por um instante, sentiu-se emocionado. Naquele momento, percebeu que não estava só... Não era apenas um homem, mas sim um porco capaz de conquistar todas as melhores “hortaliças” do jardim!
A chefe das enfermeiras apontou para Xu Yishan e acusou: — Ela não só resolve assuntos pessoais durante o expediente, prejudicando gravemente o trabalho, como ainda trouxe para cá um vândalo, um marginal, um criminoso! Ter uma funcionária dessas no nosso hospital é uma vergonha para nossa instituição!
— Hum-hum! — He Chaoyun, observando que a chefe das enfermeiras lançava todos os ataques contra Xu Yishan, tossiu duas vezes para lembrá-la de que o alvo principal era Jiǎng Yǒunán.
— E esse gordo desprezível! — advertida, a chefe das enfermeiras rapidamente mudou de alvo e começou a xingar Jiǎng Yǒunán: — Ele é um verdadeiro delinquente, veio ao hospital só para causar confusão. Como alguém justa, não posso tolerar isso e tentei impedi-lo, mas ele partiu para a violência. Se não fosse pelo policial He chegar a tempo, quem sabe o que teria acontecido!
A chefe das enfermeiras discursava sem parar, enumerando todos os supostos crimes de Jiǎng Yǒunán, pintando-o como um verdadeiro demônio, completamente irrecuperável.
Jiǎng Yǒunán, por sua vez, ignorava todas as acusações. Sabia que não adiantava argumentar; estavam claramente tentando arruiná-lo. Em vez de desperdiçar tempo explicando, preferiu discar o número de Dong Erbiao.
Enquanto isso, He Chaoyun também fazia uma ligação e falava algo ao telefone. Su Xueqing, ouvindo por um instante, sussurrou em tom severo: — O que você está aprontando? Não inventa moda.
— Agressão só dá detenção temporária, é pouco para esse gordo aí! Vou chamar a imprensa para divulgar, criar um escândalo — respondeu He Chaoyun, sinceramente.
— De jeito nenhum! Tudo deve ser resolvido conforme a lei! — Su Xueqing não permitiria que He Chaoyun fizesse uma armadilha dessas e correu atrás dele até a porta, mas também não ousava se afastar demais — quem sabe se o gordo não tentaria fugir?
— Estou te dizendo, a sua lei não é suficiente para lidar com esse gordo! — He Chaoyun ficou irritado ao ver Su Xueqing tentando impedi-lo.
— Se nós, policiais, não seguimos a lei, como vamos combater o crime? — Su Xueqing manteve-se firme.
— Hum! Não preciso de você se metendo nos meus assuntos! — He Chaoyun, que normalmente cedia à policial, não estava disposto a fazê-lo dessa vez.
Nesse instante, um grupo de jornalistas chegou à porta do escritório. Eles estavam no hospital para cobrir o caso do atentado contra Qian Xin e, ao serem chamados por He Chaoyun, entraram todos.
— Repita para nossos amigos jornalistas os “fatos” de agora há pouco — disse He Chaoyun, conduzindo os repórteres para dentro do escritório e dirigindo-se à chefe das enfermeiras.
(continua...)