Capítulo 41: Contexto (Segunda atualização, peço que adicionem aos favoritos)
Aquele que havia gritado era, naturalmente, Tiago Chen. Se não fosse por ele ser um policial veterano, os demais colegas já teriam partido para cima dele com socos.
— Saia para fora! — Hé Donglai disse, já sem paciência, dirigindo-se a Tiago Chen, e saiu da sala de interrogatório, visivelmente irritado.
Assim que saiu, voltou-se para Tiago Chen e perguntou:
— Fale logo! Por que não podemos mexer com ele? E se eu quiser mesmo assim? — Hé Donglai estava profundamente insatisfeito com Tiago Chen; até as coisas que já estavam tácitas ele ousava contestar?
Tiago Chen percebeu o desagrado do chefe, mas naquele momento não podia se importar com isso. Disse prontamente:
— Este João Nan tem costas quentes.
— Costas quentes? — Hé Donglai já havia estado na casa de João Nan, e pelo estado deplorável daquela residência, não conseguia enxergar que tipo de influência ele teria. — Por acaso é mais do que He Chao Yun? O pai de He Chao Yun é diretor na prefeitura!
O cargo de diretor poderia variar muito de importância — desde um chefe de gabinete de um departamento do governo central até um diretor de vila. Mas o pai de He Chao Yun, sendo chamado de diretor na prefeitura, certamente não ocupava posição inferior à de Hé Donglai.
Antes que Hé Donglai pudesse concluir, Tiago Chen segurou seu braço direito, aproximou-se e sussurrou algumas palavras em seu ouvido.
...
Quando Hé Donglai e Tiago Chen voltaram à sala de interrogatório, viram João Nan imobilizado sobre a mesa por dois policiais, enquanto Leonir Yunfeng, de cassetete em punho, ameaçava:
— Agora não quer falar? Sem problema. Eu vou te fazer pagar caro por isso!
Na delegacia, havia mil e uma formas de dobrar alguém.
— Vocês não podem fazer isso... — João Nan gritava, pressionado sobre a mesa. — Isso é contra a lei! Vocês não podem agir acima da lei!
Enquanto gritava, remexia suas nádegas volumosas. Se fosse uma mulher sedutora, aquele rebolado seria uma tentação explícita, capaz de despertar o instinto primitivo de qualquer homem; mas como se tratava de um gordo, mais parecia que temia que Leonir Yunfeng o obrigasse a apanhar sabonete no chão.
— Para crimes como o seu, nós... — Leonir Yunfeng estava prestes a dizer "não precisamos de provas", quando Hé Donglai avançou rapidamente e, sem hesitar, estalou uma bofetada em seu rosto, cortando-lhe a frase.
O tapa deixou Leonir Yunfeng atônito, assim como os demais policiais. Ninguém entendeu o que havia dado em Hé Donglai.
Logo depois, ouviram-no bradar com ar solene:
— O que somos nós? Somos policiais! Vocês acham que agindo assim honram o uniforme que vestem?
— Mas... ele agora há pouco... — Leonir Yunfeng tentou mencionar o caso de He Chao Yun, mas foi interrompido.
— O que ele fez? Vocês têm provas? — indagou Hé Donglai. — Onde está a gravação do interrogatório?
— Quando He Chao Yun entrou, ele desligou a câmera — respondeu um policial.
— Desligou? Quem deu esse direito a ele? Se ele manda desligar, vocês desligam? Quem deu esse direito a vocês? — Hé Donglai disparou, mirando o policial que respondeu, com perguntas incisivas.
Todos sabiam as respostas, mas ninguém se atreveu a abrir a boca. Quem respondesse seria tolo — que o diga o policial que, ao tentar responder, só recebeu mais perguntas e bronca. Até Leonir Yunfeng, que queria defender He Chao Yun, preferiu se calar.
Felizmente, o objetivo de Hé Donglai não era encontrar culpados, então mudou de assunto:
— Somos policiais do povo, e jamais podemos recorrer à tortura ou pressão. Sem gravação, não há prova de que o senhor João Nan tenha cometido crime algum. E, além disso, está claro que ele estava algemado à cadeira por um erro de procedimento — não havia sequer possibilidade de crime!
O recado estava dado: sem provas, João Nan era inocente. Mais — Hé Donglai enfatizou que o algemamento foi um equívoco, declarando, nas entrelinhas, a total inocência de João Nan.
Com a palavra final de Hé Donglai, a situação estava resolvida.
Ele se aproximou de João Nan, que, àquela altura, já estava sentado numa cadeira que Tiago Chen trouxera. Sua postura era a de alguém absolutamente seguro de si.
Vendo tal cena, Hé Donglai só se convenceu ainda mais. Aproximou-se e, com tom cordial, declarou:
— Foi falha nossa. Por isso, cidadãos de bem, como o senhor João, acabam passando por constrangimentos!
— Não foi nada, não foi nada! — respondeu João Nan, abrindo um largo sorriso e acenando as mãos, repetindo várias vezes que não se importava.
— O senhor é realmente... — Hé Donglai ia elogiá-lo pela generosidade, mas João Nan o interrompeu:
— Se erraram, basta corrigir. Desde que me indenizem adequadamente, nem me preocupo com os traumas físicos e psicológicos.
— Ora, mas que coisa! — Pensaram todos os policiais, inclusive Tiago Chen, xingando mentalmente em uníssono. — Você, que bateu em policial e se envolveu com prostituição, ainda quer ter razão? Devíamos era te deixar em paz, mas você vem pedir indenização!
Esse desprezo era compartilhado até por Hé Donglai, que, no entanto, não podia demonstrar. Limitou-se a tentar apaziguar:
— Indenização, conforme a lei, não cabe... Afinal, foram só algumas horas...
— Como é? — Assim que ouviu que não haveria indenização, João Nan escorregou da cadeira para o chão, chorando alto e berrando: — Vocês feriram meu corpo e minha alma! Amanhã não terei coragem de sair de casa! E se vocês resolverem prender inocentes de novo? Assim, nem conseguirei mais frequentar a universidade, nem conquistar moças... Como minha pátria será próspera? Como a humanidade vai se multiplicar?
João Nan incorporava o papel de vítima sem medo algum, chorando, fazendo escândalo e ameaçando. Com ar de desafio, insistiu:
— Se o Estado não pode indenizar, que aquele tal de He arque com os custos! Basta trazê-lo à delegacia, usar todos os instrumentos de tortura conhecidos, dos bancos de ferro ao cutelo de cão, e ele pagará!
— Já chega, moleque! — gritou Leonir Yunfeng, furioso.
— Paz! — Hé Donglai interveio com outra bofetada, exclamando: — O senhor João tem razão. Quem erra deve ser punido! Vocês querem mesmo dizer que nunca pensaram em abusar do poder?
O discurso de Hé Donglai era irretocável, e sua expressão de retidão só reforçava sua imagem de defensor da justiça. Mas, no fundo, ele pensava: “Não percebe que esse gordo tem proteção? O homem anda com guarda-costas do Palácio Zhongnanhai! O próprio chefe de polícia, ao telefone, confirmou que isso já aconteceu!”
(Continua...)