Capítulo 46: O Homem Honesto
Zhang Ying, desesperada, só pôde segurar Jiǎng Yǒunán com todas as suas forças em seus braços.
Naquele momento, o rosto de Jiǎng Yǒunán estava extremamente pálido, era evidente para qualquer um que ele não estava nada bem.
— Jiǎng Yǒunán, você está bem? — perguntou Zhang Ying, ansiosa, ao ver tal cena.
— Não estou, nada bem — respondeu Jiǎng Yǒunán, começando a tossir forte. Isso assustou ainda mais Zhang Ying, que se apressou a bater suavemente em suas costas, tentando deixá-lo mais confortável.
Assim que Jiǎng Yǒunán conseguiu recuperar o fôlego, continuou:
— Durante a briga, ele me acertou na têmpora. Acho que não vou aguentar...
Zhang Ying, embora não fosse médica, sabia que a têmpora era um ponto vital. Segundo a medicina moderna, um golpe ali pode ser fatal ou causar concussão, levando à perda de consciência. Ao ouvir que Jiǎng Yǒunán fora atingido justamente ali, ela rapidamente procurou o celular na bolsa, pronta para ligar para o serviço de emergência.
No entanto, assim que tirou o telefone, Jiǎng Yǒunán segurou sua mão, impedindo-a.
— O que foi? Está sentindo algo mais? — Zhang Ying, ainda mais aflita, não compreendia a atitude dele.
— Não adianta, não vai dar tempo — Jiǎng Yǒunán balançou a cabeça e disse: — Professora... eu sou um mau aluno, não sou?
— Não... você não é um mau aluno, é o mais corajoso que já conheci — respondeu Zhang Ying. A atitude dele ao protegê-la há pouco era prova suficiente disso.
— Então... você aceitaria ser minha namorada? — perguntou Jiǎng Yǒunán. Com receio de ser mal interpretado, aguentando a dor que o fazia quase cuspir sangue, ele explicou: — Eu sou baixo, pobre, desajeitado, cheguei a essa idade sem nunca ter tido uma namorada... Será que a professora realizaria o último desejo da minha vida?
— Sim, sim... eu aceito... — Zhang Ying estava prestes a responder, quando, de repente, a porta da casa de Jiǎng Yǒunán se abriu, desviando sua atenção por completo.
Tudo o que acontecera naquele dia era demasiado chocante para Zhang Ying. Ela estava como um coelhinho assustado, qualquer movimento a fazia sobressaltar.
— Cara do molho de soja... — Chen Jie entrou apressado, pronto para se desculpar com Jiǎng Yǒunán, mas imediatamente ficou paralisado ao ver aquela cena tão estranha. Ele ficou sem saber o que pensar.
Afinal, esse gorducho e a bela mulher estavam ali, abraçados e de porta aberta, e ainda chamaram-no às pressas para testemunhar a cena?
— Venha ajudar, rápido! — Mas para Zhang Ying, que estava completamente perdida, a chegada de Chen Jie foi como um fio de esperança. — Alguém quis matar Jiǎng Yǒunán, ele está gravemente ferido, ajude-o!
Embora Zhang Ying tenha sido breve, Chen Jie, policial experiente, entendeu de imediato que algo grave acontecera. Jiǎng Yǒunán, uma pessoa importante protegida por seguranças especiais, fora vítima de uma tentativa de assassinato e estava seriamente ferido. Isso não era, sem dúvida, um grande caso?
Culpando-se por ter chegado tarde, Chen Jie correu até Zhang Ying e Jiǎng Yǒunán para verificar os ferimentos do rapaz, mas por mais que puxasse, não conseguia separar Jiǎng Yǒunán do abraço de Zhang Ying.
Sem alternativa, Chen Jie e Zhang Ying uniram forças e conseguiram finalmente afastar Jiǎng Yǒunán dos braços dela.
— Veja logo como estão os ferimentos dele... — Zhang Ying pediu, ansiosa, mas calou-se de repente. Viu Jiǎng Yǒunán com a expressão de um devasso, babando — exatamente como naquela vez em que se aproveitara dela!
...
Huang Yitian foi levado para a delegacia por Li Tao, que chegara logo depois, junto com Chen Jie. Jiǎng Yǒunán e Zhang Ying também foram chamados como testemunhas. Para alívio de Chen Jie, a presença de Zhang Ying, uma bela mulher, impediu Jiǎng Yǒunán de reclamar do carro da polícia.
Sentado no banco da delegacia, Jiǎng Yǒunán acariciava o rosto, onde ainda havia a marca vermelha de um tapa, mas exibia uma expressão extasiada.
— Hehehe... Essa é minha namorada! — Jiǎng Yǒunán sorria como uma criança inocente. O pior era que, sempre que alguém entrava na delegacia, ele repetia a afirmação, deixando Zhang Ying sem saber se o impedia ou não.
Se não o impedisse, seria alvo dos comentários dele.
Se tentasse impedir, de que adiantaria, diante da desfaçatez daquele gorducho?
Por fim, Zhang Ying decidiu ignorá-lo, sentando-se no outro extremo do banco da delegacia, olhando para fora da janela.
— Querida! — Jiǎng Yǒunán apareceu de repente atrás dela, falando com uma voz melosa: — Por que está ignorando o seu amor? Beijinho!
O “beijinho” de Jiǎng Yǒunán foi tão alto e espalhafatoso que até cuspiu uma bolha de saliva, tornando o casal ainda mais notado na delegacia.
Zhang Ying, morrendo de vergonha, só queria que o chão se abrisse para ela desaparecer. No fundo, culpava Jiǎng Yǒunán por tudo aquilo. Se não fosse pelo recente trauma de quase ter sido morto pelo próprio “pai biológico”, talvez Zhang Ying já tivesse perdido a paciência.
Mas sua compaixão logo seria posta à prova pelos fatos...
...
— Chamamos vocês aqui principalmente para entender o que aconteceu no momento dos fatos. Vocês são testemunhas importantes do caso — disse um policial idoso que os recebeu.
— É nosso dever — respondeu Zhang Ying, mostrando toda a cortesia de uma professora. Ao seu lado, Jiǎng Yǒunán parecia um anjinho, piscando os olhos de modo adorável.
— Hm... esse gorducho é mesmo um fofo — pensou o policial idoso, lançando-lhe um olhar atento. Não era policial de plantão, já estava velho e não participara da operação noturna anterior. Não entendia por que os colegas evitavam tomar o depoimento de Jiǎng Yǒunán.
Em pouco tempo, o policial concentrou-se novamente no trabalho:
— Vocês sabem por que Huang Yitian foi à casa de vocês?
— Huang Yitian? Ele se chama Huang? — indagou Zhang Ying, surpresa, olhando para Jiǎng Yǒunán e depois para o policial. — Ele não estava indo para casa? Eles não são pai e filho?
— Pai e filho? — O policial olhou para Jiǎng Yǒunán, consultou o dossiê em suas mãos e balançou a cabeça: — Não! O filho de Huang Yitian foi morto por ele há tempos, em casa mesmo!
— Como assim? — Zhang Ying virou-se imediatamente para Jiǎng Yǒunán, buscando explicações.
— Quem vai saber... Crianças boas como eu nunca se metem em confusão, como eu poderia conhecer alguém de fora da cidade? — Jiǎng Yǒunán deu de ombros, fingindo desconhecimento. — Talvez ele tenha problemas na cabeça!
Como o caso estava claro, não demorou para que tudo fosse esclarecido. Ao sair, Jiǎng Yǒunán ainda acenou educadamente para o policial idoso, dizendo com voz dengosa:
— Tio policial, até logo...
O policial, achando-o encantador, também acenou e decidiu defender a reputação daquele “bom menino” na delegacia, jurando não deixar que o mal interpretassem. Mal sabia ele que, a partir dali, sua própria imagem de homem sério entre os colegas nunca mais seria a mesma.
(continua...)