Capítulo 82: A Casa Foi Roubada!

Super Herdeiros Porquinho Puro 2282 palavras 2026-02-07 13:13:29

“Venha, coma um pouco de mingau.” Jiang Younan pegou uma colherada de mingau de carne de caranguejo, soprou suavemente para esfriar e depois levou à boca de Su Xueqing. Jiang Younan alimentava Su Xueqing com pequenas porções, enquanto ela, dócil, permanecia deitada na cama, deixando-se cuidar por ele. Se alguém visse Su Xueqing, normalmente conhecida por seu temperamento feroz, mostrando esse lado delicado e feminino, certamente pensaria que estava enlouquecendo.

Mas, de qualquer modo, era impossível que Su Xueqing comesse todo o café da manhã, que era suficiente para duas pessoas. A maior parte acabou sendo devorada por Jiang Younan. Satisfeitos após a refeição, Jiang Younan disse a Su Xueqing: “Descanse mais um pouco, aproveite para repousar; vou arrumar a casa para você.”

Após a confusão causada pela briga do dia anterior, a casa de Su Xueqing estava um caos; só a porta do quarto tinha metade da parte superior completamente destruída. Além disso, pistolas detonadas, balas e outros objetos estavam espalhados pelo chão, sem falar nos móveis quebrados ou derrubados.

Apesar de ser preguiçoso, Jiang Younan sabia fazer tarefas domésticas. Como diz o ditado, “filho de família pobre amadurece cedo”; Jiang Younan cresceu sem pai nem mãe, então era natural que soubesse cuidar da casa, e fazia isso muito bem.

Su Xueqing, deitada na cama, não sentia sono. Apenas observava Jiang Younan, acompanhando seus movimentos pelo quarto, e sentiu algo inexplicável — uma sensação que nunca experimentara antes, mas que reconhecia como um calor reconfortante.

“Talvez seja isso que chamam de sentir-se em casa”, murmurou Su Xueqing, sorrindo levemente.

À tarde, Jiang Younan voltou para casa. Embora Su Xueqing já estivesse quase totalmente recuperada, esse não era o motivo principal. O verdadeiro motivo era o telefonema das quatro vizinhas que jogam mahjong, alertando-o.

Na sociedade moderna, mesmo que os vizinhos estejam separados apenas por uma porta, essa barreira impede muita comunicação e aproximação; muitos nem sequer se conhecem, quanto mais trocar telefones. Mas essa realidade não se aplicava a Jiang Younan, que morava em um prédio antigo. Lá, todos eram da geração anterior: alguns eram interesseiros, outros avarentos, alguns fofoqueiros, outros mesquinhos. Jogavam mahjong sem se preocupar com o sono dos demais.

Mas, apesar de tudo isso, mantinham as virtudes da velha geração. Era comum pedir ajuda entre vizinhos, compartilhar óleo ou sal, como quando Jiang Younan comprava macarrão instantâneo na vendinha da esquina. O dono, conhecendo a situação dele, reclamava se Jiang Younan não pagava tudo, mas, depois de resmungar, ainda lhe dava uma salsicha de presente.

Tudo isso era carinho genuíno, e Jiang Younan sabia disso muito bem.

Naquela tarde, as vizinhas estavam prestes a jogar mahjong no corredor, quando perceberam que a casa de Jiang Younan parecia ter sido invadida por ladrões!

Esse achado foi alarmante; imediatamente ligaram para Jiang Younan, contando o ocorrido.

Sem alternativa, Jiang Younan correu para casa.

Quando chegou, as vizinhas estavam zelando pela porta, com grande entusiasmo, para impedir que novos ladrões aproveitassem a situação.

“Tia Mei, tia Lan, tia Ju, tia Zhu, muito obrigado! Quando eu tiver tempo, vou convidar vocês para um almoço!” Jiang Younan agradeceu às quatro.

“Somos todos vizinhos, não precisa agradecer. Vai, entra logo e vê como está tudo”, disse tia Mei, acenando com a mão, e logo voltou ao mahjong com as outras.

Jiang Younan empurrou a porta, cuja fechadura fora arrombada pelo ladrão. “Que canalha!”, murmurou furioso, e correu para o quarto; ao ver que o notebook ainda estava lá, suspirou de alívio: “Ainda bem, não levaram o computador. Se tivessem levado, o conteúdo faria com que eu virasse notícia amanhã.”

Mesmo assim, o quarto estava completamente revirado: roupas espalhadas pelo chão, gavetas, armários, latas de arroz e até buracos atrás da cama, tudo vasculhado.

O pior foi que, apesar de ver como ele era pobre, o ladrão não deixou nem duzentos reais para trocar a fechadura!

Diante dessa situação, Jiang Younan sentiu-se ainda mais frustrado: essas poucas coisas eram tudo que ele tinha, e cada uma era preciosa e útil para ele, mesmo que nenhuma tivesse valor material.

Por exemplo, o abajur quebrado no chão era o mesmo que Jiang Younan usava nas noites de estudo; sem ele, talvez jamais tivesse entrado na Universidade Tianan. — O quê? Ele morava sozinho, poderia simplesmente acender a luz? Não se preocupe com esses detalhes.

Outro exemplo era o pote de plástico de macarrão instantâneo tombado. Era apenas um recipiente usado, mas Jiang Younan sempre comprava só macarrão de pacote, e contava com aquele pote para preparar suas refeições todos os dias. O plano era usá-lo por um mês antes de jogar fora.

Além disso, havia muitos outros objetos valiosos para ele. Jiang Younan olhou para tudo aquilo, sentindo-se ainda mais deprimido.

“Pare de suspirar.” Meilin, vestindo um robe casual, surgiu de repente no quarto e disse: “Relaxe, pessoas gordas têm seu valor, fortuna perdida volta outra vez!”

“É fortuna de mil quilos, não de mil moedas!”, Jiang Younan respondeu, batendo no próprio abdômen. “Não importa o quanto eu tente emagrecer, essa barriga sempre volta.”

“Tudo tem o mesmo sentido!” Meilin estava prestes a animá-lo mais, quando viu Jiang Younan suspirar novamente.

“Vê se toma jeito, ainda é homem, não é?” Meilin balançou a cabeça, resignada, e por fim disse: “Se for preciso, eu te arranjo um pai novo.”

Recentemente, com as promoções do site Pai Virtual, Meilin havia faturado uma boa quantia e seu bolso estava bem abastecido; até comprou diversas roupas novas e cosméticos. Por isso, prometeu com confiança presentear Jiang Younan com um pai.

“É verdade?” Jiang Younan ouviu a oferta de Meilin e seus olhos brilharam; apesar de perguntar com dúvida, já estava acessando o site Pai Virtual sem perder tempo.

(Continua...)