Capítulo 55: A Missão de Kariman

Super Herdeiros Porquinho Puro 2540 palavras 2026-02-07 13:13:12

Enquanto falava, Nan envolveu Fangfei em seus braços de repente, e ela, sem saber por quê, não esboçou nenhuma reação de resistência. Fangfei não era do tipo que temia a morte; se alguém tentasse abusar dela, certamente resistiria até o fim. Mas quem a segurava agora era Nan, um sujeito sem altura, sem dinheiro, sem beleza, um gorducho desajeitado, e mesmo assim ela não conseguia se opor.

Era evidente que nada mais íntimo poderia acontecer ali mesmo, mas passar uma noite juntos, deitados, apenas abraçados, era possível. Os dois permaneceram em silêncio num canto da fábrica abandonada, trocando algumas poucas palavras. Nan explicou a Fangfei sobre Kaliman, dizendo que ele não era uma má pessoa, apenas alguém com quem tinha uma espécie de “parentesco”.

Fangfei, por causa de um pai problemático, desde pequena já conhecia as durezas da vida. Enquanto outros sonhavam sentados em salas de aula, ela já enfrentava muitos sofrimentos, por isso sabia discernir o que precisava ou não saber. Assim, não fez grandes perguntas sobre as explicações de Nan; bastava-lhe confiar que ele poderia protegê-la, e isso já era uma forma de confiança.

O ombro de Nan era largo e, ao se aninhar nele, Fangfei sentia-se segura; tudo parecia envolto em doçura e conforto.

Ao amanhecer, quando a luz do sol atravessou o telhado danificado da fábrica e bateu no rosto de Nan, ele despertou. Olhou para Fangfei, que dormia em seu peito, os lábios levemente franzidos, os cílios tremulando involuntariamente, e achou que ela também tinha seu lado encantador.

No entanto, vendo Fangfei dormir tão profundamente, os pensamentos de Nan começaram a se agitar. Ele estendeu a mão em direção ao corpo dela, mas, quando quase a tocava, mudou de direção abruptamente e caiu no chão, segurando as próprias partes íntimas, gemendo de dor.

Por causa da situação de Kaliman, era difícil para ele reunir-se com Nan, então, naquele dia, Nan e Fangfei permaneceram na fábrica, fazendo-lhe companhia. Diante daquela espécie de cativeiro, Nan só podia descontar sua frustração no bife à sua frente, comendo sete pedaços antes de passar para as costeletas de cordeiro.

Mais tarde, a van parou numa rua movimentada do centro de Tiankou, onde, à noite, aquele tipo de veículo era tão comum que não chamava a atenção de ninguém.

— Nan — chamou Kaliman, mantendo o tom habitual.

— Sim — respondeu Nan, que, apesar de saber que Kaliman era um mercenário sanguinário, percebia certa preocupação em seu olhar.

— Pode descer aqui. Eu vou resolver aquele sujeito que quer te prejudicar! — disse Kaliman, e ao mencionar o “patrão”, seus olhos brilharam de ferocidade.

— Primeiro, acabe com as partes baixas dele, só depois faça o resto! — Nan assentiu, concordando com o plano e participando da estratégia; quando se tratava de inimigos, ele nunca demonstrava piedade.

Mas Nan não perguntou quem era o alvo; afinal, se soubesse, seria cúmplice — e, sem saber, poderia alegar inocência depois.

— Certo — disse Kaliman. Satisfeito, discretamente colocou uma pistola nas mãos de Nan. — Guarde isto para se proteger.

— Uma arma! — Nan ficou radiante ao receber a pistola de Kaliman. Sabia que portar armas era crime em sua terra, mas, sendo um rapaz que sofrera bullying a vida inteira, sempre sonhara em ter uma.

Sem cerimônias, guardou imediatamente a arma no peito e olhou para o céu, como se nada tivesse acontecido. Mesmo que Kaliman o denunciasse ali, ele jamais admitiria.

Kaliman, ao perceber a atitude de Nan, sentiu-se orgulhoso. Era exatamente assim que um mercenário deveria ser: mesmo flagrado com provas irrefutáveis, nunca confessaria nada.

Satisfeito com o “filho”, era hora de falar da “nora”.

— E aquela garota, você ainda não conseguiu conquistá-la? — perguntou Kaliman.

— Bem… — Nan ficou sem palavras. Afinal, ao longo do dia, o comportamento deles não era o de um casal. Não era por falta de vontade dele, mas porque Fangfei não lhe dava oportunidade. Como disfarçar isso diante de alguém tão astuto como Kaliman?

— Garoto, acha que me engana? — Kaliman sorriu, como quem já sabia de tudo. — Mas ouvi dizer que ela se dispôs a aceitar o pedido de Dandan só para te salvar. Isso me deixou satisfeito… Portanto, trate de apressar as coisas. Da próxima vez que eu voltar ao país, quero segurar meu neto!

Dito isso, Kaliman entrou na van e partiu para eliminar a ameaça ao “filho”.

Na mente de Nan, porém, uma voz soou: “Ding-dong! Você recebeu a missão de Kaliman: da próxima vez que ele voltar, deve ter um filho com Fangfei! Recompensa: 100 yuan! Castigo por falhar: perda permanente da capacidade de ser pai!”

— O quê? Que tipo de missão é essa?! — gritou Nan consigo mesmo, dirigindo-se a Meilin.

— Prezado cliente, não se aborreça — respondeu Meilin, aparecendo diante de Nan. — Esta é uma das promoções da nossa empresa! Veja, depois de gastar 998 yuan, você ainda pode ganhar missões de cashback que permitem receber dinheiro de volta. Não é maravilhoso?

Ao ouvir isso, Nan entendeu: era como um cupom promocional de compra, onde, ao gastar 100, você ganha 10 de volta e acaba voltando para comprar mais. Só que, neste caso, o “cashback” vinha acompanhado de uma punição terrível!

Nan já lidava com o site Taoba há bastante tempo e sabia que, uma vez aceita a missão, não havia como desistir. Então virou-se para Fangfei e disse:

— Vamos! Vamos para o hotel fazer um filho!

— Toma! — Fangfei lhe deu um tapa no rosto, chamando-o de vulgar, e saiu apressada, tomando um táxi.

— Senhor, está tentando conquistar uma moça? — perguntou outro taxista, parando diante de Nan. Jovens à volta observavam, ansiosos para testemunhar uma cena romântica digna de novela.

— Sim! — respondeu Nan, sem hesitar. Mas, ao invés de entrar no táxi, sacou uma nota de um yuan e correu para o ponto de ônibus.

— Mas que droga!

— É mesmo um pobretão!

— Os contos de fadas são mesmo mentira!

Nan recebeu todos os comentários com indiferença, como se fossem elogios. Ele não parou no ponto de ônibus; continuou correndo em direção ao Hotel Rosa do Sul, pois lá dentro avistara Ying, que estava… em um encontro às cegas.

(continua)