Capítulo 11: Velhas Rancores (Novo Livro em Busca de Recomendações)

O Senhor do Grande Cataclismo do Renascimento Plagiador Literário 2313 palavras 2026-02-08 16:13:25

— Que pena... — lamentou.

O comboio retomou a marcha.

Montada em seu cavalo, Liu Yan suspirou:

— Não encontramos nenhum manual secreto de artes marciais e até moedas de prata foram raras. Só nos restou cortar a cabeça do sujeito e ver se há alguma recompensa por ele no condado da Montanha Negra.

— Isso é o normal. Raramente um veterano leva seus segredos de kung fu consigo, não quer facilitar para inimigos, não é? — Qian Sanwu comentou calmamente, demonstrando uma atitude um pouco mais amigável em relação a Fang Xian.

Pessoas habilidosas são respeitadas em qualquer lugar.

Não importava se Fang Xian tivera apenas sorte ou não; seu domínio do arco bastava para conquistar respeito.

— Eu, no entanto, acho que esse homem talvez tivesse cúmplices à espreita — Fang Xian lançou um olhar atento ao redor.

— Está sendo cauteloso demais... Entre salteadores, não existe amizade verdadeira. Se ele tivesse nos surpreendido e ferido mortalmente um ou mais de nós, talvez o restante dos bandidos avançasse em massa. Mas agora, sabendo que somos duros de lidar, ninguém mais virá arriscar a vida à toa... — Liu Yan explicou detalhadamente.

De fato, a viagem seguiu tranquila até chegarem à cidade de Montanha Negra.

A muralha, construída inteiramente de blocos de pedra negra, erguia-se imponente e, entre as pedras, não se via sequer uma fresta.

Dentro dos muros, a cidade mostrava-se ainda mais próspera e movimentada que o condado de Yan Feng.

— Após esta entrega, todos poderão descansar por três dias, antes de voltarmos a nos reunir para partir... — anunciou Qian Sanwu, finalmente deixando transparecer um pouco de alívio no rosto.

Ao ouvirem isso, todos os guarda-costas sorriram; alguns já combinavam de ir juntos se divertir em casas como a "Mansão do Perfume Embriagante".

— Ah! — exclamou alguém de repente, enquanto uma pequena confusão se formava na rua à frente.

— O que houve? — Fang Xian apressou o passo e viu uma mãe e sua filha sendo postas para fora de casa, ambas chorando abraçadas.

Dentro da casa, ainda se escutavam sons de arremesso e destruição.

Logo, alguns brutamontes surgiram, cercando um administrador de queixo ornado por uma verruga negra:

— Quem não paga o que deve acaba assim, família Qin! Seu marido morreu de doença, mas a dívida não desapareceu!

— Deus do céu, a dívida cresceu tanto com os juros que já não conseguimos pagar... — lamentou a mulher, chorando.

— Hmph, dou mais três dias. Se não pagarem, tomaremos a casa e venderemos vocês duas à Casa da Primavera! — disse o administrador, semicerrando os olhos enquanto lançava olhares cobiçosos às duas. — Com a Casa He An não se brinca. Ninguém nunca deixou de pagar o que devia.

Fang Xian observou ao redor e, baixando a voz, perguntou a Liu Yan:

— Casa He An? Quem são eles?

— Apenas um dos grupos subordinados ao Portão de Jade Verde. Mesmo sendo uma seita de segunda linha, não é algo com que um lutador comum possa se meter... — respondeu Liu Yan em voz baixa.

— E a autoridade? Não faz nada? — espantou-se Fang Xian.

— Ora... meu jovem, você talvez não saiba, mas desde o caso do Louco Chu, o governo do Reino Yuanwu perdeu muito poder. Agora, na prática, cada condado é dominado por uma seita, e os guerreiros agem como querem. É o normal — respondeu Liu Yan, como se fosse óbvio.

— Além disso, o Portão de Jade Verde tem agido cada vez mais baixo ultimamente... Talvez estejam enfrentando problemas internos.

Qian Sanwu acariciou o queixo.

Em geral, quanto maior a seita, mais prezam pela aparência e pela reputação; mesmo que sejam corruptos por dentro, mantêm uma fachada de caridade.

Afinal, não são uma seita demoníaca!

— Talvez... — Fang Xian balançou a cabeça e seguiu adiante.

Sua postura de indiferença chamou a atenção de Liu Yan.

Por norma, os jovens são impulsivos e idealistas, mas Fang Xian demonstrava uma rara lucidez.

— Se realmente não suportar ver tal coisa, pode-se mandar alguma ajuda depois. Mas o mundo é imenso, e há tantas pessoas sofrendo... Como ajudar a todas? — comentou Qian Sanwu, num tom entre lamento e aviso.

Fang Xian permaneceu calado, completou a entrega com o grupo, trocou a roupa de guarda-costas por um traje de guerreiro azul e saiu da hospedaria.

Enquanto os outros, aliviados do peso da missão, saíam em pequenos grupos para se divertir, ele deu uma volta pela cidade, comprou alguns itens e foi até a sede do Portão de Jade Verde, como se informara.

Quanto mais renomada a seita, mais precisa de discípulos para dar movimento ao local; por isso, quase sempre a sede se instala dentro da cidade, facilitando o acesso e a compra de suprimentos.

Afinal, a maioria dos guerreiros, no fundo, são pessoas comuns, ligadas à vida mundana e não eremitas nas montanhas.

No entanto, por estar em decadência, o Portão de Jade Verde não conseguiu um bom território e se vê obrigado a se abrigar na região oeste da cidade, junto com outras seitas de segunda linha.

Fang Xian, disfarçado sob um chapéu de palha, passou a tarde num quiosque de chá nas proximidades e viu vários "conhecidos" indo e vindo — eram justamente os discípulos que derrotara em sua última viagem, o que lhe chamou a atenção.

— Eles não estavam em jornada de treinamento? — murmurou. — Mas faz sentido... Foram derrotados por mim, perderam o ânimo, e alguém ainda se feriu. Voltar para se recuperar é natural...

Murmurando consigo, formou um plano.

***

Neste período, Huoqi estava de péssimo humor.

Receberam a ordem do mestre para viajar, mas nem chegaram ao condado de Yan Feng e já tiveram de retornar humilhados — especialmente porque a irmã mais nova, Ruan Hongling, se feriu. Isso lhe trouxe muitos aborrecimentos.

Até o mestre passou a vê-lo com desdém, deixando-o ainda mais frustrado.

— O clima dentro da seita está estranho ultimamente, recolhendo dinheiro às pressas, comprando ervas raras sem economizar. Parece que vão fazer algo grande...

Enquanto meditava, a própria Ruan Hongling entrou correndo, o braço enfaixado e preso ao peito, mas no rosto misturavam-se ódio e surpresa:

— Irmão, vi aquele que me feriu!

— O quê? Ele ousa vir à Montanha Negra? — Huoqi assustou-se. — Que audácia...

— Irmão, desta vez vingue-me! — implorou Ruan Hongling, ansiosa.

— Mas... O mestre e os protetores estão ocupados. Só com nossa linhagem... — pensou Huoqi, lembrando do vexame anterior.

— Da última vez aquele sujeito teve a ajuda da família Liu, agora está sozinho. Um não pode lutar contra muitos... E, além disso, pedi o auxílio do irmão Yi — os olhos de Ruan Hongling brilhavam de rancor. — Vamos despedaçar o miserável!

— Você conseguiu o apoio do autêntico discípulo do mestre... Isso muda tudo. Iremos juntos, com todos os discípulos, armados!

Huoqi ponderou o poder de ambos os lados e, considerando que estavam dentro da cidade, julgou que não haveria problema algum. Por fim, concordou.