Capítulo 1: O Imortal Fang (Novo livro, por favor, adicione aos favoritos e recomende!)
A vida não oferece reprises.
Mas, após a morte, talvez exista uma próxima existência!
Fang Xian sabia disso muito bem, pois ele próprio era um “viajante entre mundos”.
Desde que morreu em sua vida anterior, veio parar neste mundo.
De manhã cedo, o despertador tocou no horário marcado.
Fang Xian levantou-se, lavou-se e, ao olhar para o rosto pálido no espelho, com olheiras e bolsas sob os olhos, não pôde evitar um sorriso amargo, murmurando para si mesmo:
“Quem foi que disse que ao atravessar mundos se ganha poderes especiais e uma vida de sucesso?”
Ele havia provado, com mais de vinte anos de experiência em sua nova vida, que até mesmo uma pessoa que atravessa mundos pode continuar sendo um fracassado!
Este era um mundo de tecnologia avançada, onde até viagens interestelares eram possíveis, com um nível de civilização muito além do que conhecera em sua vida anterior.
Portanto, todas aquelas ideias de enriquecer ao viajar para o passado, fabricar fertilizantes ou aço de forma artesanal, podiam ser descartadas de imediato — pura fantasia!
Como a história se desenvolveu de maneira completamente diferente, nem mesmo os métodos de enriquecimento urbano serviam — uma decepção!
Quanto a transportar clássicos da civilização anterior?
Ora… Fang Xian lamentava não ser capaz nem de recitar de cor o primeiro capítulo de algum dos grandes romances clássicos, e ainda que lembrasse o enredo, não tinha o talento literário para recontá-los perfeitamente.
Sem contar que, neste mundo interestelar, havia uma quantidade imensa de obras culturais, mestres de todos os gêneros, tornando impossível destacar-se apenas com memórias de outra vida!
O mais importante era que Fang Xian percebeu que sua própria atitude também havia mudado; em resumo, não é assustador ser um fracassado, o assustador é quando até seu coração se conforma com isso.
“Se for para passar a vida nas camadas inferiores, que assim seja; afinal, cada dia a mais é lucro... Viver uma vida simples é a verdadeira felicidade, sobreviver já é uma bênção...”
Depois de uma breve sessão de autoilusão, Fang Xian aceitou com facilidade o fato de ser um perdedor na vida. Precipitou-se para saciar a fome, abriu a porta de casa.
Morava em um prédio de dois andares de concreto, sendo o segundo andar residencial e o térreo ocupado por uma loja. Na placa um tanto desgastada lia-se, em letras apagadas: “Casa de Penhores Fang”.
Esse era o maior patrimônio e fonte de renda diária de Fang Xian.
“Uma pena... Com tantos planetas por explorar, imóveis pouco valem... Mas por que me preocupar tanto? O negócio é trabalhar um pouco todo dia, buscar uma esposa que não seja bonita, mas aceitável, ter alguns filhos, e assim a vida passa...”
Olhando para o salão vazio, Fang Xian preparou um chá verde e não se importou.
Sua casa de penhores era assim: quase sem movimento, suficiente para não passar fome, mas também não prosperar.
“Parece que hoje também não haverá clientes. Talvez seja melhor fechar e jogar online, ainda tenho uma missão em ‘Lenda dos Tempos Antigos’...”
Neste mundo avançado, jogos de realidade virtual cem por cento imersivos já existiam, proporcionando sensações reais, e muitos moradores da periferia se entregavam a esse vício, incapazes de distinguir entre o virtual e o real, casando-se no jogo e planejando viver assim para sempre — não eram casos raros.
Embora Fang Xian não fosse tão viciado, também usava esse entretenimento para passar os dias.
“Hehe... Talvez seja exatamente isso que os poderosos das áreas de elite querem: para aliviar tensões e conflitos, anestesiam gente como nós com jogos virtuais... Divisão social, avanço civilizatório...”
Murmurou, logo em seguida sorriu amargamente:
“Mas de que adianta enxergar tudo isso? Sou só um ninguém, sem poder, sem vontade de mudar. Que seja o que for...”
Desanimado, Fang Xian tomou um gole do chá aromático. Quando se preparava para fechar a loja e jogar, uma sombra passou pela porta: um homem magro e alto, de meia-idade, entrou.
Tinha por volta de trinta e poucos, quarenta anos, cabelos desgrenhados como um ninho de passarinho, rosto encovado e olhos vermelhos de cansaço.
“Quantas noites será que passou jogando...”, pensou Fang Xian, mas manteve um sorriso cordial:
“Bem-vindo, senhor, veio penhorar ou resgatar algo?”
“Penhorar!”
O homem jogou um pequeno embrulho preto sobre a mesa. Ao abri-lo, revelou um livro antigo de papel.
“Opa... Uma antiguidade...”
Fang Xian se animou.
Naquele tempo, o armazenamento de informações já era totalmente digital, livros de papel eram raríssimos. Recentemente, havia uma moda retrô entre as classes altas, e tais livros podiam enfeitar ambientes, atingindo bons preços em leilões.
O ramo das antiguidades era assim: pode-se passar anos sem vender nada, mas uma boa venda compensa várias temporadas.
Sem mudar a expressão, Fang Xian colocou luvas e examinou o livro cuidadosamente.
A capa era de um preto escuro, as letras desconhecidas.
Ao abrir, viu que as folhas eram estranhas, amareladas, grossas, e mesmo com as luvas, sentiu uma sensação indescritível ao tocá-las.
“Papel de pergaminho? Só tem sete páginas, mais fino do que imaginei... Mas essas letras, seriam alienígenas?”
Haviam tantas línguas desenvolvidas em diferentes planetas, mas Fang Xian tinha certeza de que não era um idioma local.
Franziu a testa e perguntou:
“Sem conseguir decifrar, não posso confirmar conteúdo, origem, se é uma edição rara... O preço fica complicado. O senhor quer penhor temporário ou definitivo?”
“Definitivo. Nunca mais quero ver esse livro...”
O homem tremia, os olhos revelando um terror profundo.
“Será que é roubo?”
Fang Xian sentiu um frio na espinha, mas não se importou, começou a barganhar, baixando muito o valor, até conseguir o livro por um preço excelente.
“Hoje sim, hoje foi um bom dia!”
Depois de se despedir do homem, Fang Xian fechou a loja, empolgado para examinar seu tesouro.
“Nem na internet achei nada parecido. Deve ser algum idioma obscuro...”
Olhando as letras pretas, retorcidas como minhocas, Fang Xian sentiu-se tonto.
Aquelas letras distorcidas, de um tom estranho, pareciam ganhar vida e se mover lentamente.
“Interessante...”
Fang Xian sabia que havia imagens na internet com ilusões de ótica, cenas paradas que pareciam se mexer.
As letras desse livro pareciam causar o mesmo efeito.
Tirou as luvas, tocou as páginas e a sensação estranha ficou mais forte.
Sua mente começou a divagar, imaginando a origem daquele manuscrito.
Ssssss... Ssssss...
Ruídos ecoaram em seus ouvidos, e diante dos olhos surgiram visões.
Uma mão trêmula, de um dono enlouquecido, copiava algo de um livro gigantesco.
Ao redor do grande livro, um altar coberto de sangue e vísceras criava um clima de terror.
A cena mudou, mostrando o manuscrito passando por várias pessoas, trazendo-lhes terríveis desgraças.
Por fim, ele foi penhorado por seu antigo dono e veio parar em suas mãos.
“Isso é... uma visão? Joguei tanto que não consigo mais distinguir o real do virtual? Não quero acabar num hospício... E esse livro, seria amaldiçoado? Talvez seja um bom chamariz, mas por que penso que é um manuscrito?”
Ofegante, Fang Xian alternava as expressões:
“Preciso dar um nome... ‘Livro do Desconhecido’? ‘Manual Secreto do Mistério’? Não, melhor ‘Cópia do Registro Secreto da Profundidade’. O quê?”
Ao olhar para a capa negra, Fang Xian subitamente congelou.
Aquelas letras antes distorcidas e indecifráveis começaram a se mover e formar palavras compreensíveis: “Cópia do Registro Secreto da Profundidade” — seis grandes caracteres reluziam diante de seus olhos...