Doze contas de pérolas
A mente de Lígia Ji ficou atordoada, incrédula, ergueu as mangas e constatou que seu pulso estava vazio. O bracelete de contas em si não devia valer muito, senão já teria sido levado por seu pai para ser vendido. Mas era o único objeto deixado por sua mãe.
Lígia Ji correu de volta ao supermercado Yongle, procurou o bracelete, nada. Depois, voltou à loja de conveniência onde fizera a entrevista, igualmente sem sucesso.
Sem se conformar, retornou à casa de Aurélio Fu, vasculhou os cantos do sofá, revirou o quarto, depois foi ao banheiro buscar. Eram os lugares onde costumava ficar na casa de Aurélio Fu, que, com sua obsessão por limpeza, mantinha tudo impecável, sem sequer uma pilha de objetos onde pudesse esconder algo. Ela, por hábito, guardava suas coisas pessoais em um saco pendurado atrás da porta.
Não deveria ter se perdido.
Sentada no sofá, Lígia Ji tentou recordar, analisando os lugares por onde havia passado. Voltando mais atrás... só restava a Pequena Massa da Família Jiang.
Ela tirou do bolso o cartão de fidelidade do restaurante, ligou para o número de contato no verso. O telefone foi atendido rapidamente, uma voz jovem e clara respondeu:
— Alô, Pequena Massa da Família Jiang, como posso ajudar?
— ...Estrela? — Lígia Ji franziu o cenho. — Por que não está na escola?
Do outro lado, Estrela Jiang ficou surpreso, levantou-se de sobressalto:
— Você! É aquela cliente... a senhora que veio com o senhor Fu... irmã, colega? — Trocou de tratamento num piscar de olhos.
— Irmã nada, respeito acima de tudo — retrucou Lígia Ji.
— ...Irmã — admitiu ele, obediente. — Hoje é o aniversário da escola, fiz uma palestra de manhã e pedi licença para voltar para casa.
Lígia Ji olhou o calendário no celular; de fato, era o aniversário da Escola Estadual Beiwan. Todos os alunos aguardavam ansiosamente esse dia: não tinham aulas, podiam jogar bola, participar das atividades dos clubes; Aurélio Fu sempre estava estudando, e ela, sempre dormindo.
— Certo — murmurou Lígia Ji. — No dia em que fui ao restaurante, perdi algum objeto... um bracelete de madeira preta, por exemplo.
— Não, já verifiquei — respondeu Estrela Jiang rapidamente. — E lembro que naquele dia você não estava usando bracelete.
— Não estava? — Lígia Ji franziu ainda mais o cenho.
— Tenho ótima memória — falou ele, apressado. — Naquele dia você usava um casaco preto com capuz, jeans escuros, tênis brancos; por baixo, o uniforme da escola. Vi a gola do uniforme. Se não é colega, está no segundo ou terceiro ano?
— Chega, Sherlock Estrela — interrompeu Lígia Ji.
No outono e inverno, ela sempre usava o uniforme por baixo, não por causa das regras, mas porque não tinha outras roupas.
— Perdeu o bracelete? Quando foi? Posso ajudar a procurar.
— Não tem nada a ver contigo, vou desligar.
— Espera, não desliga... espere! — O rapaz do outro lado estava tão aflito que sua voz quase se partiu, mas Lígia Ji não desligou de verdade.
Dois segundos de silêncio.
Só se ouviu o ruído vago da ligação.
— ...Irmã — chamou Estrela Jiang, num tom abafado. — Quando volta para comer na minha casa?
Lígia Ji hesitou:
— Vamos ver.
— Então vai voltar mesmo? — Sem uma resposta clara, ele insistiu: — Posso perguntar seu nome?
— Meu nome? — Lígia Ji arrastou a resposta, piscando devagar. — O avô do Ming viveu até os cento e três anos, mas Ming morreu aos dezessete. Sabe por quê?
— Por quê?
Lígia Ji riu baixinho:
— Porque perguntava demais.
Desligou o telefone.
Do outro lado, Estrela Jiang ficou olhando para o aparelho, depois, dolorosamente, baixou a cabeça e bateu com a testa na mesa, uma, duas, três vezes.
A irmã...
Realmente...
Deixa a pessoa inquieta.
*
Lígia Ji desligou o telefone.
O sorriso que se formara em seus lábios foi se apagando lentamente.
Se Estrela Jiang estava tão certo, então o bracelete já estava perdido quando ela foi à Pequena Massa da Família Jiang.
Ela já deduzia onde ele poderia ter caído.
Naquele dia, no casamento de Carlos Cheng, saiu às pressas, esbarrou num garçom e provavelmente foi nessa hora que o bracelete caiu.
Lígia Ji achou o contato do Hotel Século Dourado online e ligou. O atendente educado explicou que, se um garçom encontrasse um objeto perdido, entregaria imediatamente ao responsável pela festa, recomendando que ela ligasse direto para os noivos.
Sem alternativa, Lígia Ji ligou para Carlos Cheng.
No dia em que ressuscitou, não conseguiu contato de jeito nenhum, mas dessa vez a ligação foi atendida.
Do outro lado, uma voz preguiçosa:
— Alô?
Algo ficou preso em sua garganta, Lígia Ji não sabia como começar.
— Não vai falar? Quer que eu adivinhe? — Ele riu.
Lígia Ji limpou a voz:
— Perdi um bracelete no seu casamento, está com você?
Carlos Cheng ficou sério, sentou-se direito:
— Parece que sim, mas quem é você?
Ao saber que o bracelete estava com ele, Lígia Ji respirou aliviada:
— A dona do bracelete.
— E depois?
— Com muito esforço, fui ao seu casamento.
— ...
— Tão misteriosa, nem diz o nome?
Carlos Cheng riu de novo:
— Como vou saber se você não é uma farsante?
Lígia Ji ficou em silêncio:
— Carlos Cheng, é meu, devolva.
Chamando o nome completo, clara e tranquila.
Carlos Cheng apertou os olhos.
No monitor à sua frente, reproduzia-se o vídeo da mesa de assinatura do casamento, um minuto repetido várias vezes.
Na imagem, uma garota de casaco largo chega apressada, é abordada:
— Ei, menina, veio ao casamento?
— Sim.
— Com os pais? Já assinou?
Ela se aproxima, pega a caneta, abaixa a cabeça e assina um “Ji”.
O capuz cobre o rosto, só o queixo aparece, boca firmemente cerrada; só em um breve instante, ao levantar a cabeça...
Uma imagem nebulosa.
Muito parecida com a menina de suas lembranças.
Mexendo com o coração.
Quase queria alcançar a tela, afastar o capuz e ver seu rosto.
Carlos Cheng pensou um pouco:
— Tudo bem, mas hoje estou ocupado. Amanhã, seis e meia da noite, no terceiro andar do novo restaurante Chuan Teng Fu da Rua Fuxing, me encontre lá.
Lígia Ji não duvidou, respondeu imediatamente:
— Está bem.
*
À noite, Aurélio Fu chegou em casa no horário habitual.
Assim que entrou, Lígia Ji se levantou do sofá, guardou o celular, foi lavar as mãos. Tinha acabado de lavar, estava prestes a ir à cozinha pegar comida quando ouviu alguém bater à porta.
Aurélio Fu saiu do quarto para atender.
Fora entregadores, era a primeira vez que alguém vinha à sua casa; Lígia Ji não resistiu à curiosidade e espiou.
Ao abrir a porta, Aurélio Fu estranhou:
— Por que não avisou que vinha?
O homem do lado de fora era alto, vestia um casaco verde com um toque artístico, voz divertida:
— Não disse que era importante? Quis trazer logo.
— Não esqueceu hoje?
— Voltei para buscar, trouxe também o relatório anual de vendas.
— Não era para entregar amanhã?
— Já que estou aqui, falar no corredor é frio, deixa eu entrar.
Sem disfarçar suas intenções, entrou decidido.
Lígia Ji viu Aurélio Fu de cara fechada e ficou sem saber se deveria cumprimentar ou se esconder no quarto.
Mas o visitante, ao vê-la, sorriu com olhos brilhantes:
— Ei, Lígia Ji.
— ...Quem é você?
— Su Linqing, amigo do Aurélio Fu.
Su Linqing acabara de voltar ao país, já ouvira fofocas dos colegas: desde que Aurélio Fu retornara da Alemanha, saía do escritório todo dia às seis, sem falhar. Para outros, normal, mas para alguém que sempre trabalhava até as onze da noite, inclusive feriados, era aterrorizante.
Na empresa, tudo parecia tranquilo, mas rumores corriam soltos: alguns achavam que alguém na família estava doente; outros, que ele próprio estava à beira da morte. Mas ninguém suspeitava de romance.
Afinal, Aurélio Fu era solteiro há dez anos, muitos queriam se aproximar, nenhum conseguiu.
Não era bem questão de ser asceta, pois nem sequer tinha desejo para reprimir; era mais contido, como se o coração fosse de pedra.
Mas Su Linqing ouviu do motorista Chen: no dia da volta ao país, Aurélio Fu levou para casa uma garota molhada e a deixou dormir lá.
Isso era mais raro que florescer uma árvore morta.
Su Linqing tinha certeza de que era Lígia Ji.
E acertou.
...
Su Linqing aproximou-se, entregou os documentos:
— Aurélio Fu pediu que eu providenciasse seu RG e registro, confira se está certo.
Lígia Ji hesitou, pegou os documentos:
— Obrigada.
— Não há de quê, não foi trabalho.
Su Linqing a examinou discretamente, um pouco decepcionado, mas manteve o sorriso nos olhos:
— Faz tempo que queria te conhecer, mas estava na Alemanha a trabalho. Hoje finalmente consegui.
Ele estendeu a mão para cumprimentar; Lígia Ji hesitou e levantou a mão.
Ao tocar seus dedos frios, ouviu-se uma voz cortante:
— Lavou as mãos antes de tocar nela?
A frase saiu instintivamente, fria, com um toque de irritação.
Como se ela fosse algo raro, intocável.
Ambos ficaram surpresos, olharam para Aurélio Fu parado no hall.
— ...Não tem problema — disse Lígia Ji.
Su Linqing recolheu a mão, riu:
— Esqueci que ele tem mania de limpeza, vou lavar as mãos.
Lançou um olhar significativo para Aurélio Fu e foi ao banheiro.
Lígia Ji examinou o novo RG.
Seu aniversário era 11 de fevereiro de 1996; o RG mostrava 11 de fevereiro de 2006.
— Como soube meu aniversário?
Aurélio Fu massageou as têmporas:
— Consultei seu RG antigo.
— E a foto?
O RG antigo estava para vencer, a foto era da sétima série; a do novo, ela nunca tinha visto.
— Foi tirada no terceiro ano — respondeu Aurélio Fu.
Lígia Ji lembrou.
Para ela, era coisa de duas semanas atrás: durante o estudo noturno, o professor anunciou que todos deveriam ir ao auditório tirar a foto para o vestibular.
Antes de receber a foto... ela morreu.
Lígia Ji tirou do bolso o RG falso que fizera, comparou sob a luz, resmungou:
— Seu amigo faz documentos bem realistas.
— É verdadeiro.
— Eu sei, se alguém perguntar, digo que é.
...
Aurélio Fu veio e tomou o RG falso de suas mãos:
— Quando fez isso? — Perguntou, com um leve toque no dedo, olhando para ela:
— ...Até coisas ilegais você faz. Corajosa.
Lígia Ji percebeu:
— ...É verdadeiro? Então pode imprimir dinheiro?
— Você pensa mesmo — Aurélio Fu foi à cozinha, cortou o RG falso e jogou fora.
Lígia Ji desviou o olhar, empurrou o certificado de estudante universitária para o fundo do bolso.
...Ainda bem que não tirei agora, senão teria sido cortado também.
Su Linqing, após lavar as mãos, não quis ir embora, aproveitou a ausência de Aurélio Fu, que foi guardar documentos, e convidou-se para jantar, entrou na cozinha:
— Fique aí, eu mesmo pego a comida.
Disse que ia servir, mas abriu dois armários altos e não achou os pratos.
Lígia Ji, não sendo dona da casa, sentiu-se desconfortável, levantou-se, abriu a gaveta de baixo e pegou três pratos:
— Estão aqui.
— Ah, mudaram de lugar? Antes ficavam em cima — Su Linqing olhou para o topo da cabeça dela.
— ...Tenho um metro e sessenta e cinco — respondeu Lígia Ji, séria.
Su Linqing sorriu, não a contradisse, olhou para os pratos:
— Este não é o prato de Aurélio Fu.
— ?
— Ele é difícil, só usa o mesmo prato — Su Linqing procurou no armário.
— Esse prato eu dei quando ele se mudou, único presente que gostou, foi difícil conseguir: porcelana branca da dinastia Song, com oito lados, uma beleza.
— ...
O prato branco angular, quebrado no chão, com o comentário de Aurélio Fu: “Feio, me dá enjoo”, ficou marcado na memória.
Lígia Ji segurou o ombro dele:
— Não procure.
— Por quê?
— O prato, eu quebrei.
— ...
Su Linqing ficou rígido, sorriu sem graça:
— Tudo bem, acontece. E agora, ele usa este?
Analisou o padrão do prato, semicerrando os olhos:
— Bem delicado, é da Rostrand sueca...
— Não — Lígia Ji falou devagar — Comprei no supermercado, sessenta e seis reais e oito centavos, segunda unidade pela metade do preço.
...
O sorriso de Su Linqing sumiu.
*
Normalmente, Lígia Ji e Aurélio Fu jantavam sem conversar.
Lígia Ji preferia comer rápido, Aurélio Fu era mais reservado, quase silencioso.
Su Linqing era diferente, falava por três, evitava assuntos de trabalho, contava histórias engraçadas de viagens, como quando saiu com dois técnicos, não entendeu o menu, pediu ao acaso e viu o garçom trazer três garrafas de vinho e um buquê; se Aurélio Fu estivesse, nada disso teria acontecido... um homem frio e impiedoso que voltava ao país sem aviso...
Lígia Ji ouvia distraída, observando Aurélio Fu.
O homem, de óculos de aro fino prateado, comia devagar, elegante e distante.
Su Linqing dizia que ele gostava do prato, Aurélio Fu negava; um dos dois mentia.
Com o jeito de Aurélio Fu, se realmente gostasse do prato, não teria perdoado Lígia Ji facilmente.
Talvez, só usasse o prato quando Su Linqing vinha, levando-o a acreditar que seu presente era apreciado...
Satisfeita com sua dedução, Lígia Ji continuou a comer.
Só que o cabelo caía ao lado do rosto, atrapalhando, entrando na comida.
Irritada, Lígia Ji pegou um elástico do bolso, prendeu apressadamente o cabelo atrás.
Su Linqing falava:
— Você não sabe, Aurélio Fu negocia sem tradutor, queria ter um cérebro assim...
Ao ver o rosto de Lígia Ji, ficou atônito e assobiou.
Um som alto.
— ?
Na verdade, ao conhecer Lígia Ji, Su Linqing ficou um pouco decepcionado.
Nada nela chamava atenção: magra, franja cobrindo os olhos, casaco masculino feio e velho, quase invisível na multidão.
Provavelmente era uma parente de Aurélio Fu, deixada sob seus cuidados, o que tornava a visita inútil.
Até ela prender o cabelo, revelando o rosto.
...
Uma surpresa instantânea.
Uau.
Cílios longos, olhos claros, olhar frio e alongado, lábios apertados.
Alva e pura.
Como cristais de gelo na janela de inverno, provocando compaixão.
Talvez por controlar demais a alimentação, era magra, ossos leves, traços infantis, ainda não madura.
Mas fazia imaginar: em um ou dois anos, quando crescer, será encantadora.
Su Linqing queria comentar, mas percebeu o olhar frio de Aurélio Fu.
— Meu apartamento não é hospital — disse Aurélio Fu, gelado:
— Se tem problema na boca, vá tratar.
*
Após o jantar, Lígia Ji achou que Su Linqing queria conversar a sós com Aurélio Fu, foi à cozinha lavar a louça.
Su Linqing, sem real motivo para visitar Aurélio Fu, estava lá só para fofocar; não podia deixar a garota trabalhar sozinha, foi ajudá-la.
Mas não conseguiu.
Lígia Ji estava pronta para brigar, levantou o queixo:
— Diga, não confia em mim?
— ...Não é isso.
Aurélio Fu olhou para ele, sinalizando para não insistir; Su Linqing, sem entender o relacionamento dos dois, foi com Aurélio Fu à varanda.
Ao passar pela sala, Su Linqing se assustou com o coelho.
Tão grande!
...
Impossível imaginar o que teve que acontecer para Aurélio Fu permitir que aquele coelho, fora de seus padrões, entrasse em casa.
A varanda era mais fria que o resto da casa, a lua entrava pela janela, espalhando uma camada fina sobre o mármore.
Su Linqing esticou as pernas na espreguiçadeira, hesitou, mas falou:
— Não pode levar ela para cortar o cabelo?
Aurélio Fu olhou para ele, em silêncio.
— O cabelo dela está longo demais, precisa de um corte, criar camadas, e essa roupa...
— Também quer trocar? Melhor comprar roupas para todas as estações, proibir de procurar emprego, mandá-la de volta para a escola, morar aqui, eu pago tudo, levo e busco, quando passar no vestibular, compro um apartamento perto da universidade? — Aurélio Fu falou friamente.
— ...
— Realmente exagerado, você nem é o pai dela.
E eu só sugeri cortar o cabelo, como é que surgiu essa lista?
Aurélio Fu ficou calado, olhando as luzes entre os prédios.
— Qual é o relacionamento de vocês? — perguntou Su Linqing.
Depois de um silêncio, Aurélio Fu respondeu baixo:
— Nenhum.
— Está brincando? Se não fosse nada, ela não moraria aqui — Su Linqing riu.
A noite densa, como maré, inundava os olhos de Aurélio Fu:
— ...Não pergunte.
Su Linqing piscou, endireitou-se:
— Ei, não vai ficar bravo, né? Só fiquei curioso, queria vê-la, não precisa proteger tanto.
De fato, não precisava.
Mas aquilo que foi perdido e recuperado, só de ser olhado por outros, causa inquietação, vontade de agarrar para sempre.
Uma irritação impossível de suprimir.
Vontade de fazer tudo, mas incapaz de fazer nada.
Como há dez anos, nesta época.
A notícia do acidente da garota espalhou-se, a sala cheia de murmúrios, até durante as aulas, conversas abafadas vinham de todos os lados.
— Viu a notícia? Lígia Ji ainda não foi encontrada.
— Já passou meio mês, deve estar morta... não tinha um namorado, Carlos Cheng, cantor?
— Deve estar arrasado.
— Vi Carlos Cheng chorando, várias meninas o consolaram.
...
O rapaz, cercado de sussurros, manteve-se ereto, mas o peso invisível curvava sua postura.
Ela morreu, alguns podiam chorar abertamente.
Outros só podiam ficar sentados, percebendo que a tinta preta do lápis já se espalhava pela folha.
Como saudade e dor crescendo sem controle.
...
— Não estou bravo, é culpa minha — Aurélio Fu movimentou o pescoço, jogou cigarro e isqueiro para ele.
Su Linqing sorriu, acendeu o cigarro.
— Ah, enjoei de comida alemã, sabia do novo restaurante Chuan Teng Fu na Rua Fuxing? Reservei uma sala no terceiro andar, amanhã à noite, Aurélio Fu, vai também?
— Está bem — respondeu Aurélio Fu. — Tanto faz.