Doze

Mestre das Palavras Malignas Lian Luo 3696 palavras 2026-03-31 13:04:26

A Cidade de Orter, abreviada pelos habitantes locais e pelos moradores das cidades vizinhas simplesmente como a Cidade Principal, é um dos principais polos de logística de importação e exportação e um nó de transporte vital próximo à costa oeste do Continente de Loya.

Os arredores da Cidade de Orter são ricos em milho e soja, com uma indústria pesqueira também muito desenvolvida. Graças à proximidade com o mar, o clima é agradável e ameno durante as quatro estações, e o ar é puro, o que faz com que muitas pessoas gostem de construir suas casas perto das praias.

Com o passar do tempo, a cidade acabou se dividindo de uma forma clara: a parte leste tornou-se uma zona de entretenimento e comércio, enquanto a parte oeste passou a ser a área residencial genuína.

É claro que, independentemente do porte da cidade, as disparidades de riqueza sempre se fazem presentes. Mesmo em Orter, onde todos se aglomeram na mesma área residencial, as condições das moradias variam drasticamente.

Neste momento, Situ Tian, usando uma máscara de proteção contra poeira costurada às pressas e um chapéu de papel improvisado, equilibrava-se em um banquinho bambo, ocupado até não poder mais dentro do apartamento de dois quartos e sala, com cerca de 46 metros quadrados, que acabara de alugar na zona oeste.

Por não possuírem uma identidade legal, o grupo de seis — um adulto e cinco crianças — teve que se contentar com as sobras dos registros de imóveis. Os trâmites foram muito mais burocráticos e inúteis do que para os estrangeiros comuns, exigindo ainda um depósito de segurança salgado para garantir a estadia. Era extremamente frustrante.

Mas não havia como evitar. Eles eram, de fato, imigrantes ilegais, sem qualquer documento.

Situ Tian e os cinco "bolinhos" passaram quase um dia inteiro no escritório de intermediação imobiliária até decidirem por este lugar, pois todas as outras opções disponíveis no sistema só seriam atualizadas na tarde seguinte. Imóveis econômicos e acessíveis simplesmente não são disponibilizados para quem não tem documentos.

Situ Tian cerrou os dentes, engoliu a vontade de chorar e bateu o martelo, pagando o depósito de segurança para seis pessoas e o aluguel de um mês.

Dói no coração... cem moedas de prata, o suficiente para sustentar a família inteira por mais de meio ano na cidade pequena, em Orter mal serviam para alugar um local de condições medianas.

Mas ele podia esperar; as crianças, não. Como pai, ele não suportava ver seus filhos exaustos, dormindo amontoados nos bancos rígidos da agência, sem um teto sobre suas cabeças. Não havia mais espaço para hesitação; ele precisava agir com determinação.

— Long, não fique tão alto, você vai cair.

— Cof... estou bem, logo termino aqui. — Long Duns, com uma toalhinha branca amarrada na cabeça, equilibrava-se sobre um armário de segunda mão, limpando o vidro no alto. O antigo almanaque dizia que hoje era um bom dia para subir em lugares altos, ser diligente e que coisas boas aconteceriam! Será que teriam carne de porco cozida com batatas no jantar? Ele limpou o canto da boca, esperando ansiosamente pela boa notícia.

Do outro lado, sob a proteção do mais velho, Si Lang saltou para cima do armário e, na ponta dos pés, tentou pendurar uma cortina estampada com cenouras que ele encontrara em uma loja de variedades — diziam que o conjunto estava parado há quatro anos sem ninguém comprar. Como o quadro da janela não possuía ganchos ou varões, ele teve que usar percevejos comprados em uma loja de descontos para fixar suas cenouras. Apesar das condições precárias, ele estava radiante: — Yan, veja se esta posição está boa?

O mais velho, Yan, silenciou por um momento e aconselhou em voz baixa: — Deixe que eu cuido disso, Lang. — Ele evitou fazer comentários sobre o resultado, pois não queria desanimar o irmão.

— Não! Eu quero fazer sozinho! — O terceiro irmão geralmente era obediente, mas quando se tratava de cenouras, tornava-se obstinado.

— Lang?

— Yan, eu consigo! — O terceiro afirmou com seriedade. — O pequeno Mao não está organizando a estante sozinho também?

— Entendido. Vou ajudar o papai com a varanda.

— O papai vai ficar muito feliz! Hehe!

— Hehe. — Situ Tian ajeitou o chapéu de papel e sorriu, sem impedir a ajuda (ou seria bagunça?) dos filhos. Apenas deu recomendações sobre segurança e deixou que eles se divertissem.

Neste mundo estranho e sem parentes, seus filhos eram sua única companhia e amparo emocional. Crianças obedientes e sensatas eram sua maior felicidade. Ele só precisava dar apoio, não impor pressão. Por isso... mesmo que Long Duns limpasse o vidro deixando marcas estranhas e o terceiro cobrisse a casa com cenouras, Situ Tian elogiou a todos com entusiasmo. Às vezes, o resultado não importa; o que vale é a intenção dos filhos.

— Podemos plantar flores na varanda? — O quinto, Slater, segurava um punhado de sementes e agachou-se ao lado do banquinho de Situ Tian, puxando suavemente a barra de sua calça.

— Claro que podemos. — Situ Tian desceu, tirou as luvas e limpou com a palma da mão um pouco de terra na ponta do nariz de Slater. — O que você quer plantar, Slater?

Aquele, o mais novo da casa, que sempre preferia o silêncio, era quem sempre tocava a parte mais sensível de seu coração. Slater inclinou a cabeça, seus olhos percorreram o rosto do homem até seus lábios, e, envolvendo o pescoço de Situ Tian com seus braços, sussurrou apenas uma palavra: — Flores.

Flores de Yujinlan, com propriedades medicinais, poderiam aliviar a sensação de queimação que surgia em seu corpo cada vez que ele usava seus poderes. Embora não fosse a cura definitiva, era um começo. Para quebrar a maldição, ingredientes raros seriam indispensáveis.

— Flores bonitas? Vamos plantar. Temos vasos em casa?

"Casa"... Situ Tian deixou a palavra escapar. Talvez nem ele mesmo tivesse percebido o quão natural foi, mas para os cinco "bolinhos", aquilo causou um silêncio momentâneo e um peso em seus corações.

— Acho que... temos.

Slater soltou-o discretamente, retirou-se do abraço e caminhou com suas perninhas curtas até a varanda, gesticulando para que o mais velho o ajudasse com um vaso de cerâmica cheio de terra que estava no suporte.

No quarto ao lado, Si Lang se distraiu e caiu do armário, levando Long Duns junto em uma queda desajeitada. Xiong Mao, que ajeitava os óculos, parou por um segundo. Que palavra estranha... para eles.

O terceiro, que rolava no chão, raramente deixou de implicar com o quarto após o tombo. Ele apenas perguntou com um tom de voz incomumente plano e cheio de dúvida: — Long Duns, você sabe o que é um lar?

Long Duns mordeu o lábio com força, seus dedos gordinhos, que seguravam o almanaque, ficaram brancos. — Humpf, quem se importa com essa porcaria! Por que você pergunta para mim e não para ele? Não fui eu quem disse isso. Esta noite, precisarei comer cinco pedaços extras de carne de porco para compensar o trauma na minha alma!

Dito isso, Long Duns largou o pano de limpeza, levantou-se rapidamente e correu para mimar o papai. Ele estava decidido: precisava comer carne de porco, ninguém poderia impedi-lo!

Si Lang sentou-se rapidamente e murmurou: — Idiota, como você pode perguntar uma coisa dessas para ele? Vai acabar revelando tudo.

No entanto, no outro quarto, ouviu-se uma voz infantil e clara, acompanhada pelo charme de Long Duns: — Papai, estou com tanta fome, quero comer carne! Carne de porco cozida serve. — O pequeno homem-dragão gordinho, com olhos brilhantes e lacrimejantes, bloqueou o caminho de Situ Tian, que ia ao banheiro.

— Hmm? Então, Long, vá lavar as mãos e trocar de roupa. Logo vamos sair para comer. — Como haviam acabado de se mudar, a casa só tinha água e eletricidade básica; a empresa de gás só viria no dia seguinte, então não podiam cozinhar. Teriam que sair para buscar comida.

— Sa... sair para comer? Em um restaurante? — Long Duns quase mordeu a língua, repetindo, incrédulo. Ele ouviu direito? O homem, depois de pagar tanto aluguel, ainda tinha dinheiro para levá-los para comer bem?

Originalmente, Long Duns já se preparava para comer pão seco por um tempo. Ele não esperava que, ao ser fofo, uma torta de carne caísse do céu!

— É... é verdade mesmo que vamos a um restaurante? — Long Duns estava chocado com a decisão, e os outros tiveram a mesma reação.

— Sim, vamos a um restaurante. Long, você quer carne de porco? Vi que há um restaurante bom aqui perto. Vão lavar as mãos e o rosto. Yan, você também. — Situ Tian acariciou a cabeça do pequeno dragão, sentindo um nó na garganta. "Filhos, não tenham pressa, o papai logo trará prosperidade para vocês!"

Os cinco foram levados, atordoados, a um restaurante de comida caseira com uma decoração agradável. O prato principal da casa era a carne de porco cozida que Long Duns tanto amava, embora o preço fosse um pouco salgado — afinal, em uma cidade grande, o custo de vida era outro.

Ao folhear o cardápio, tanto Long Duns quanto Si Lang sentiram as pernas fraquejarem.

— Isso...

— Você quer comer...?

— Er...

Os olhares se cruzaram em silêncio. Após um consenso, ambos agarraram o braço de Situ Tian, um de cada lado.

— Papai, acho melhor comermos em casa.

— É, na verdade, os pães cozidos da loja aqui embaixo também parecem bons.

— Vocês não gostaram da comida daqui?

Não gostar? Como assim! Só de olhar as fotos, a boca já estava cheia de água, mas... eles não eram pobres? Na verdade, contanto que pudessem encher a barriga, qualquer coisa servia. Long Duns pensou: "Não quero que você tenha que lavar pratos para pagar a conta!".

Si Lang pensava o mesmo, temendo que o homem tivesse que vender um rim para pagar um almoço.

Situ Tian exibiu um sorriso reconfortante, seus traços delicados iluminando-se instantaneamente: — Deixem que eu escolho os pratos. Não se preocupem, o papai logo vai ganhar dinheiro.

Xiong Mao, observando os dedos de Situ Tian, que estavam cobertos por curativos, entendeu tudo. — Parece que o papai já tem um plano. Então, quero um prato de brotos de bambu refogados e pontas de bambu apimentadas...

— Carne de porco cozida, com o dobro de carne! E o pé de porco e costela com lótus também! Papai...

— Eu quero frango em três xícaras e camarão apimentado!

O mais velho: — Bolinhos de legumes.

O quinto: — Pepino com batata.

— ......... — O que era aquilo?