Onze

Mestre das Palavras Malignas Lian Luo 4128 palavras 2026-03-31 13:04:21

Céu escuro, noite silenciosa.

A moradia temporária destinada à família de seis pessoas de Situ Tian situava-se na zona residencial a oeste da pequena cidade. As paredes externas da vila ostentavam os padrões de boas-vindas e os slogans calorosos característicos do local. O interior era composto por dois andares: o térreo abrigava a sala de estar, o banheiro e o chuveiro, enquanto o andar superior continha os quartos e o depósito.

Não havia cozinha em nenhum dos dois andares, o que deixou Situ Tian, ao mesmo tempo, aliviado e com uma ponta de melancolia indescritível.

As noites em Lienterson eram abafadas e inquietas. Exceto pelos habitantes nativos, os residentes temporários eram permitidos ali apenas após o devido registro. Comparada às grandes cidades densamente povoadas, a taxa de segurança da pequena cidade era notavelmente alta.

Contudo, sempre há exceções.

Slate estava encostado na moldura alta da janela, ouvindo os movimentos estranhos que surgiam intermitentemente no andar de cima. Ele estalou os dedos silenciosamente, revelando faíscas de uma chama prateada que refletiam o luar sereno.

Em seu ombro franzino, um pássaro de bico longo e asas brancas tremulantes inclinou a cabeça. Após um encontro profundo de olhares com os olhos escuros de Slate, a ave coçou o topo da cabeça com a ponta da garra, arrancando algo que parecia uma raiz de grama de uma pluma rebelde, e entregou-a com um movimento ágil.

— Lorde Asas de Luz, mensagem urgente. — O pássaro possuía um equilíbrio impecável, mantendo-se firme.

Slate assentiu em silêncio. Além do Grande Ancião, ninguém mais no clã tinha o hábito de usar a Raiz de Cangyuan para transmitir informações. Assim que as chamas em suas pontas dos dedos tocaram a humilde raiz, uma fumaça densa surgiu. A fumaça subiu rapidamente, formando uma sequência de caracteres arcaicos e complexos que flutuaram diante de Slate antes de se dissiparem no ar.

Após receber a mensagem, uma careta passou pelo rosto bonito e ainda infantil de Slate. O culpado por tê-lo amaldiçoado com o feitiço de encolhimento fora finalmente identificado. Então, fora mesmo o grupo das Asas Sombrias. Era previsível, mas ainda assim, decepcionante.

Logo em seguida, seus dedos traçaram um arco gracioso no ar úmido, extraindo uma fileira de gotículas cristalinas que purificaram o último traço de inquietação da atmosfera. No mesmo instante, o pássaro desapareceu de seu ombro. Tudo parecia ter voltado ao estado de minutos atrás, sem qualquer alteração.

A raça humana era belicosa e possuía convicções rígidas. Antigamente, eram os mais unidos do continente, vivendo em mútua ajuda, otimistas e progressistas. Entretanto, não se sabia quando, aquelas pessoas gentis aprenderam a usar meios escusos para forçar os outros a aceitarem suas próprias crenças como as únicas corretas.

As Sombras haviam conspirado com os Liches, assinando acordos de cooperação para enfrentar o povo da Luz, que, tendo perdido sua fé, tornara-se cego. Superficialmente, a vitória das Sombras parecia garantida. Mas será que as vantagens oferecidas pelos Liches eram fáceis de obter?

"Reese, será que essa vitória efêmera é realmente tão importante para vocês?"

Slate saltou da janela, voltando-se para o luar como um véu, um sorriso gélido desenhando-se em seus lábios. "Rei Lich, não deixe que sua ambição seja grande demais. Cuidado para não acabar sendo consumido por ela."

"O que é a Raiz de Erba, os seis gramas de Barbie, a Erva de Bambu de Neve, os três gramas de Huanghe... os ingredientes para quebrar a maldição dos Liches são os itens mais raros e preciosos do mundo, quase inexistentes até mesmo nos registros antigos da Biblioteca da Luz."

"Então, mesmo sabendo, não há como agir? Não admira que sejam tão audaciosos. Eles já previram a reação do meu clã e acreditam que a vitória é certa? Heh, ingênuos."

Slate limpou um fio de sangue escarlate que escorria pelo canto da boca, seus dedos movendo-se com destreza. Uma breve resposta, impulsionada pelo forte poder de vontade das Asas de Luz, foi transmitida diretamente ao Templo Principal.

"Truques vulgares, indignos de nota."

— Lorde Asas de Luz! — O pássaro, que desaparecera momentos antes, retornou preocupado. — Como o senhor está? Deixe-me chamar Xiang! A Técnica da Roda de Gelo dele certamente aliviará sua dor. Por favor, não continue sofrendo sozinho...

— É apenas o retrocesso da maldição, não é nada. — Embora sentisse como se inúmeras chamas intensas ardessem em seu peito, devorando suas células vitais, Slate fez um gesto displicente para impedir que o pássaro assumisse forma humana para verificar seus ferimentos. — Vá investigar aqueles ingredientes; não se preocupe comigo.

— Mas... seu corpo já está...

— Está tudo bem, pode ir. Os dados detalhados estão no depósito do Templo, no bolso do roupão do Ancião Si Nei. — O olhar de Slate era sereno, mas carregava uma autoridade apaziguadora que acalmou o pássaro. Essa era a força da fé das Asas de Luz, algo que nenhuma maldição poderia apagar.

— Sim... — Com os olhos lacrimejando, o pequeno pássaro bateu as asas e desapareceu novamente.

Mesmo o mais astuto dos Reis Liches jamais imaginaria que o pergaminho lendário contendo os maiores segredos da raça humana estivesse guardado no bolso do roupão do Terceiro Ancião — um roupão com estampa de árvore de Natal, tão feio que parecia uma fantasia de palhaço.

Após a partida do pássaro, Slate caminhou suavemente escada acima.

No depósito do segundo andar, alguns ladrões reviravam os pacotes com entusiasmo. A família de Situ Tian tornara-se famosa na cidade recentemente, e muitos itens de valor haviam sido trocados por preços baixos. Estarem na mira de uma quadrilha local era esperado; durante o jantar, Situ Tian até pensara que, se os ladrões não aparecessem logo, a família teria que ir embora no dia seguinte.

O terceiro filho protegia sua coleção de cenouras, escondendo-as sob a cama. O que ninguém lhe contara era que seus bonecos e pijamas não atrairiam nem o mais faminto dos ladrões.

Após vasculhar por um tempo, um dos ladrões exclamou, irritado: — Que porcaria é essa? Chefe, o senhor não está nos enganando? Não achamos nada de valor!

O líder da quadrilha estava igualmente frustrado: — Rapaz, não é nossa primeira vez. Acha que sou esse tipo de pessoa?

"Talvez a informação do Urso Preto estivesse errada."

No quarto ao lado, Xiong Mao, que fingia dormir, sentiu a sobrancelha tremer. O codinome dele era Panda Preto, não Urso Preto...

Outro ladrão retrucou: — Acho impossível, chefe. Vimos as crianças dessa casa chegarem hoje com um saco cheio de moedas e joias. Pareciam quinhentas moedas de prata!

— É verdade. — O chefe acariciou o queixo e decidiu invadir o quarto ao lado. — Vamos ver se há algo lá.

— Mas invadir um quarto com um homem e várias crianças... não é um pouco demais?

— Cala a boca! Temos princípios profissionais: apenas roubamos, não ferimos!

— Então vamos.

Colando a orelha na porta, Situ Tian segurava um bastão lança-chamas recomendado por Wells, o coração batendo disparado. De repente, os passos pararam, e ele ouviu uma voz masculina sussurrar, chocada: — Como tem uma criança aqui? Como vocês cuidaram da porta?

Criança?!

A última corda da sanidade de Situ Tian rompeu-se. Ele olhou para a cama: o segundo filho protegia o primeiro, o primeiro protegia o terceiro, e o quarto segurava o almanaque. Havia quatro. Faltava um... Slate?

Situ Tian largou o bastão, pegou uma faca de cozinha e chutou a porta.

— Não toquem no meu filho!

— Não se aproxime! — Os ladrões recuaram, arrependidos de terem levado apenas chaves de fenda.

— Vamos conversar, não se irrite — disse um deles, com as pernas trêmulas diante da faca afiada.

Situ Tian, com uma expressão feroz, perguntou: — Onde está meu filho?

Slate apareceu por trás da cintura do líder da quadrilha, revelando metade do rosto: — Estou aqui... papai... tosse...

Um fio de sangue escorreu pelos lábios de Slate, inflamando a fúria de Situ Tian. Sem se importar com a superioridade numérica ou de tamanho dos adversários, ele avançou.

— Vocês o machucaram!

— Não, foi um mal-entendido!

— Cale a boca!

— Uau, chefe, corra!

— Nós nem o tocamos! Foi ele quem se aproximou! — O líder tentava se defender enquanto lutava com sua pequena chave de fenda.

Situ Tian, movido pelo desespero, não lutava com técnica, mas com ferocidade. O líder logo ficou ferido.

— Eu juro, eu só encostei nele! — O ladrão estava desesperado; quem diria que o garotinho fosse tão frágil?

— Sumam daqui! — Situ Tian não quis prolongar a luta, preocupado apenas com o filho. — Slate, onde dói? Fale comigo, não guarde para si.

— Estou bem. — Slate foi abraçado pelo homem e envolveu o pescoço dele com os braços pequenos. — Obrigado.

— Que bobagem, está sangrando e diz que está bem? — Situ Tian largou a faca e o pegou no colo. — Vamos ao médico.

Slate piscou os olhos, aproximou-se e pressionou os lábios contra o canto da boca do homem, lambendo-os com a língua ágil antes de se afastar.

— Só tomei um pouco de suco de morango. A tia Yusha trouxe de manhã, esqueceu?

— Suco de morango? — Situ Tian, ignorando o fato de ter sido beijado, tentou sentir o sabor. Estava doce, mas não parecia exatamente suco de morango.

— Não acredita? Papai... — A voz de Slate soou grave.

Com uma expressão incomum, Slate suspirou, aproximou-se novamente e, abrindo a boca, prendeu os lábios do homem.

— Papai, experimente direito para ver se é suco de morango... — Ele murmurava enquanto sugava, suas bochechas inflando-se a cada movimento.

Talvez este homem pudesse ser confiável, por enquanto.