Quatro

Mestre das Palavras Malignas Lian Luo 3621 palavras 2026-03-31 13:03:57

Sobre uma mesa velha e manca, a luz fraca e trêmula de um lampião de álcool improvisado iluminava o ambiente. Era uma garrafa restante que Sitú Tian usou, prestes a expirar em três dias, por isso ele desistiu da ideia de guardá-la para emergências e fez ali um objeto que mal servia para iluminar.

— Slater? Já dormiu? — Sitú Tian não conseguia se mexer direito, preso entre duas crianças, mas seus olhos permaneciam fixos em um canto da pequena cabana, profundos e sombrios.

Aquela criança... parecia meio deslocada.

Sitú Tian havia atravessado para este lugar apenas há dois dias, mas graças à tempestade de neve, a família estava temporariamente impedida de sair. Principalmente porque não tinham roupas ou botas adequadas para o frio, tornando impossível andar na neve.

Cinco crianças e um pai, presos num espaço limitado, se encaravam de olhos arregalados dia após dia, sempre se cruzando, especialmente porque Sitú Tian, que não tinha muito a dizer, tentava forçar conversas para entender melhor as crianças da casa.

Sim, pelo menos já não estavam tão perdidos como quando chegaram.

O caçula, o quinto, gostava de encolher-se no canto úmido e frio da parede, indiferente a qualquer coisa que dissessem. Durante as refeições, ao contrário dos outros que brigavam e disputavam a comida, ele comia sozinho, segurando uma tigela pequena, sem se importar mesmo quando o quarto irmão pegava as poucas fatias de carne.

— Slater? — chamou Sitú Tian, sem obter resposta.

Seus olhos eram bons, e à luz tênue do fogo, ele viu os joelhos pequenos tremendo sob a manta fina e furada.

Ele estava claramente com frio, mas não queria se juntar aos outros para se aquecer.

Ele ainda era tão pequeno...

— Slater? Não vai responder? Então vou até aí. — Tirando delicadamente a mão de Si Lang, Sitú Tian já se preparava para avançar, carregando o gorducho do quarto no cinto.

Nesse momento, o quinto encolhido no canto mexeu-se.

Abriu os olhos, de um azul profundo e gelado, e por um instante seu olhar foi assustador.

— Estou bem — disse ele friamente.

Ou seja, posso ser ignorado.

Mas Sitú Tian já estava à sua frente, com o pequeno gorducho pendurado nele.

— Venha dormir comigo. Tem um rato comedor de gente no canto. — Esse era um papo bobo que costumava usar para convencer os irmãos mais novos quando eram crianças.

Slater ficou em silêncio.

Seu corpo congelado não conseguiu resistir ao gesto daquele homem.

Mas, verdade seja dita, era realmente quente.

A mão do homem acariciou suas costas com suavidade.

— Durma — disse em tom baixo.

— Oh.

— Boa noite, Slater.

Ele não respondeu, apenas permaneceu em silêncio.

Cinco segundos depois, uma pequena “bocada” de amor apareceu na testa dele.

Criança fechada como ele precisava de muito carinho!

— ... — Ele foi beijado na testa pelo homem?

— Hehe, não pense demais, durma — disse Sitú Tian, colocando o pequeno, que estava com o rosto completamente congelado, em seu colo, cobrindo-o bem. Antes de fechar os olhos, não esqueceu de estender a mão negra para continuar seu velho hábito de apertar o rosto dele.

A sensação era boa, só que ele estava um pouco magro.

Slater: “... Você é quem pensa demais.”

Ele sentiu que era a primeira vez que se arrependeu de não ter falado.

Numa família tão estranha, só composta por homens, talvez só Long Chen, o caçula vigoroso e despreocupado, fosse capaz de chamar Sitú Tian de pai sem pensar duas vezes, e quanto mais chamava, mais natural parecia, com um grau de doçura acima de quatro estrelas.

Agora ele estava largado no colo do homem, com os dois bracinhos curtos apertando firme a cintura de Sitú Tian, dormindo como um porco morto na balança.

E o filho mais carismático, o que Sitú Tian gostava de verdade, era sem dúvida o quarto, Long Chen.

Apesar da idade, esse garotinho não tinha vergonha de ser fofo.

Primeiro, Long Chen era muito simpático, gordinho, com bochechas redondas. Depois de comer bem, sua barriga formava várias ondas grandes, bem desenhadas. Apertar essa gordura era um prazer!

Os dragões gigantes, enquanto imaturos, preferem viver isolados em vales e florestas, escondidos em suas cavernas, ganhando peso sem sair, o que é digno de elogio.

Há muitos rumores sobre eles: são preguiçosos e misteriosos, odeiam cidades barulhentas, detestam montanhas nevadas frias e preferem a natureza tranquila. Mas na verdade... eles são muito trabalhadores! Só que isso vale para quando são adultos.

Antes disso, sua aparência imatura é o maior desastre do continente de Luoya! Quem quer andar por aí com uma cara de velho de sessenta anos e ser apertado?

São a raça mais poderosa, mas não têm um pingo de imponência! Sem um bom corpo, não dá pra bancar o valentão.

Baixinhos e barrigudos! Até beber água gelada engorda, é impossível encarar!

Long Chen também não queria passar vergonha vivendo na casa dos outros, mas diante da situação atual... ele teria que aguentar mais um tempo, até crescer e se vingar! Dragão vai dominar o mundo!

Ele era filho legítimo de um dragão divino, mas não recebeu seu território para ganhar peso.

Porque seus verdadeiros pais o desprezavam completamente.

Um olhar já os irritava, dois olhares queriam chutá-lo para longe, três olhares significavam bater até quase matar e largar na montanha nevada para morrer.

Já teve quase todos os ossos quebrados, a dor era inesquecível. Quando quase morreu, foi encontrado por Tian, que cuidava de lenha na montanha, e que o acolheu no vilarejo para protegê-lo, planejando treiná-lo para ser uma lenda entre os futuros ladrões divinos. Mas não deu certo.

Porque ele foi transportado!

Sitú Tian era um professor exemplar, cuidava dos irmãos quando crianças, e agora que cresceu e dava aulas, priorizava a educação moral das crianças, e jamais permitiria que seus filhos tomassem um caminho errado.

Mesmo que eles fossem filhos do corpo anterior, não podia deixá-los roubar.

Na manhã seguinte, os lenhadores e caçadores do vilarejo começaram seu trabalho. Vestiam casacos grossos de algodão e botas de lã feitas pelas donas de casa, com seus cantis de bebida pendurados na cintura.

Ao passarem pela porta da casa mais velha da vila, seus passos rangiam e pararam por um instante, depois continuaram, mas mais devagar.

— Hm? Por que aquele homem ainda não levou os filhos embora? Vai ficar aí até quando?

— Esqueceu, Rosa? O chefe da vila já permitiu que fiquem até o próximo mês.

— Tsc, de qualquer forma, ninguém mora numa casa tão velha de graça, né? Ele aguenta mesmo. Mas não entendo por que as pessoas da vila não gostam dele. — Ele apontou com o polegar para a direção da cabana.

A reputação dele era tão ruim que todo dia tinha gente querendo que ele pegasse as coisas e sumisse.

— Você está errado, irmão. Não são as pessoas da vila, são os homens da vila. — As mulheres ficavam felizes com a chegada daquele homem diferente, como um frango assado branco, incluindo suas esposas.

Os homens cuspiram no chão, carregando os machados nos ombros.

— Um rostinho bonito inútil!

Além de Sitú Tian, as crianças na casa tinham sentidos aguçados. Os homens na rua não se importavam em falar alto e fazer barulho, o que era realmente irritante.

Até o mais calmo dos filhos queria pegar uma faca enferrujada e sair para descontar a raiva, já que era raro dormir uma noite tranquila no ano.

— Não é fácil pra gente!

Eles sabiam melhor do que ninguém o quão branco era o rosto daquele homem.

Long Chen levantou as pálpebras, arqueou as costas com força e, com uma atitude dominante, expulsou Slater do colo do homem, conquistando a posição mais alta.

O garoto fechado deveria ir dormir no canto da parede.

O peito estava quente, muito mais confortável que um travesseiro feito de trapos.

Mas a barriga enrugada tremia com seus movimentos, deixando Long Chen irritado. Ele chutou o cobertor, querendo descontar a raiva de ter sido espancado na disputa da comida na noite anterior no homem encolhido sob ele.

— Que idiota, não tem nada de bom! Até os velhos agricultores te xingam! Se você não lavar o rosto por uma semana, vai ser chamado de rostinho bonito!

— E eu ainda tenho que te chamar de pai?

— Que raiva! (Nem sei quem foi que chamou animado ontem à noite...)

Long Chen se levantou de um salto, olhando furioso para o homem que dormia pacificamente, guardando sua mágoa em silêncio.

— Você podia ser mais lento? Por que eu sou acordado e você dorme tão profundamente? Por que não me deu mais carne ontem? Por que não me deixou comer até ficar cheio?

Si Lang, meio acordado, olhou para Xiong Mao que limpava as lentes dos óculos, e perguntou com os olhos: “O que o quarto está aprontando agora? Já de manhã e ele já está fazendo barulho...”

— Está descontando a raiva — disse o segundo irmão, ajeitando os óculos.

Na casa, o quarto só conseguia intimidar o quinto que os ignorava, e o pobre homem inocente.

Se não fosse ele, quem seria?

O terceiro irmão assentiu, virou-se e voltou a dormir.

— Não, espere...

— Ontem à noite, acho que eu não estava dormindo aqui, né?

— Quarto, você vai explicar isso.

Quando Long Chen ia acordar o homem para mexer um pouco com ele, sentiu um arrepio nas costas e viu o rosto sorridente do garoto de rosto infantil olhando para ele com “doçura”.

Instantaneamente, arrepios cobriram suas costas, mas ele não ia perder a pose!

Endireitou a coluna e olhou ferozmente para ele.

— O que você está olhando? Vai dormir logo!

— Hehehe... tão animado logo cedo, que bonitinho~~

— PÁ! — A bunda de Long Chen levou um tapa forte.

— Auuu! Maldito! — Ele ficou rígido, tapando a bunda, pulou do colo do homem e saiu correndo porta afora, enquanto o vento gelado soprava forte.

Sitú Tian logo acordou por causa do frio.

— O que aconteceu? — esfregando os olhos ainda sonolento, sentou-se... Hm? O cobertor parece um pouco molhado. — Onde está o quarto?

Xiong Mao, com expressão calma, disse:

— Ele fez xixi na cama.

— ...

O autor gostaria de dizer:

O primeiro irmão: Yan (Lava)

O segundo irmão: Xiong Mao (Panda)

O terceiro irmão: Si Lang (Lobo Prateado)

O quarto irmão: Long Chen (Dragão)

O quinto irmão: Slater (=3=)

Papai... Ele é um bom homem...