Capítulo Quinze

O Jovem Mestre Regrete Não Ter Agido Antes Vinte dias claros 3609 palavras 2026-07-31 05:10:33

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Yang Shuiqi voltou do Pavilhão à beira d’água para a sala de estudos. Como chegara cedo, ainda quase não havia ninguém ali; até Xiao Yin estava ausente. Mais uma vez, ela era a primeira a chegar.

Ainda estava pensando em como se desculpar quando Xiao Yin aparecesse, mas, antes que ele chegasse, surgiu alguém que ela não desejava ver.

Ao ver Huang Mingyan aproximar-se, Yang Shuiqi virou o rosto, recusando-se a dar-lhe atenção.

O que teria para conversar com ela?

Vendo aquela atitude, Huang Mingyan sentiu a mágoa crescer ainda mais. Já estava prestes a se virar e ir embora quando a criada ao seu lado a lembrou:

— Senhorita... a senhora prometeu isso ao mestre ontem.

— Eu sei! Precisava me lembrar? — Huang Mingyan teve o passo de fuga bloqueado e seu rosto ficou vermelho de raiva.

Yang Shuiqi finalmente entendeu a situação. Observando o rosto corado de Huang Mingyan, perguntou sem pressa:

— Você veio se desculpar comigo?

Aquelas palavras fizeram o rosto de Huang Mingyan ficar ainda mais vermelho. Que tipo de pessoa era aquela? Se não fosse por seu pai, ela achava que Huang Mingyan se desculparia com ela? Ao ver aquela expressão presunçosa, aquele ar de quem triunfara sobre os outros, Huang Mingyan quase desmaiou de raiva.

Como a hora da aula se aproximava e os alunos logo começariam a chegar, ela cerrou os dentes, pensando em abrir a boca de uma vez e acabar logo com aquilo. Contudo, assim que entreabriu os lábios, Yang Shuiqi disse:

— Ah, já entendi. Você quer se desculpar comigo, não é? Não há necessidade de a distinta senhorita se dar ao trabalho de falar. Eu a perdoo. Sua tarefa está cumprida.

Ela não estava realmente arrependida, e Yang Shuiqi tampouco tinha interesse em ficar esperando enquanto ela se arrastava por meio dia para dizer “desculpe-me”. Quando a aula começasse e as pessoas chegassem, se alguém as visse, diriam outra vez que Yang Shuiqi estava maltratando Huang Mingyan.

Era sempre assim. Bastava o nome de Yang Shuiqi aparecer ligado ao de outra pessoa para que todos concluíssem que, mais uma vez, ela estava maltratando alguém.

Huang Mingyan quase achou que tinha ouvido errado.

O que ela dissera?

Quando olhou para Yang Shuiqi, viu apenas uma expressão indiferente; em seus olhos não havia sequer o menor vestígio de emoção.

Aquele olhar chegou a assustá-la.

— Você... não seja tão convencida! Se não fosse pelo meu pai...

— Quer repetir tudo? Ser repreendida outra vez pelo seu pai e depois vir se desculpar diante de mim? Já participei dessa encenação uma vez, o que é suficiente. Se houver uma segunda, também me cansarei — disse Yang Shuiqi com indiferença, interrompendo o que Huang Mingyan ainda pretendia dizer.

Huang Mingyan realmente se calou.

Foi justamente nesse momento que Xiao Yin entrou. Um sorriso imediatamente surgiu nos olhos de Yang Shuiqi, que deixou Huang Mingyan de lado.

A mudança brusca de atitude chegou a fazer Huang Mingyan estalar a língua de surpresa. Até então, ela não sabia que Yang Shuiqi era capaz de mudar de expressão tão depressa.

Por outro lado, também nunca vira o rosto de Yang Shuiqi tornar-se tão frio quanto instantes antes.

Talvez fosse por ter herdado o sangue cruel da família Yang. Mesmo alguém de aparência tão inofensiva, quando olhava para os outros daquela maneira, fazia o coração alheio disparar sem motivo aparente.

Huang Mingyan balançou a cabeça e deixou o assunto de lado. Afinal, já havia cumprido o que seu pai lhe ordenara. Embora ainda não tivesse pronunciado um pedido de desculpas, Yang Shuiqi já lhe dera uma saída; portanto, sua tarefa também podia ser considerada concluída.

Mesmo assim, não conseguiu evitar um suspiro de alívio. A princípio, pensara que, depois de Yang Shuiqi encontrar seu ponto fraco, certamente seria atormentada por ela. Quem poderia imaginar que tudo terminaria com tamanha facilidade?

Ela se virou e foi sentar-se em seu lugar. Ao erguer os olhos, porém, percebeu que havia alguém parado não muito longe.

Du Heng?

Desde quando ele estava ali? E o que observava com tamanha atenção, a ponto de parecer incapaz de se mover?

Seguindo o olhar dele, Huang Mingyan viu que observava Xiao Yin e Yang Shuiqi.

Yang Shuiqi erguia o rosto e dizia alguma coisa a Xiao Yin. Só era possível ver sua boca movendo-se sem parar.

— Segundo irmão Xiao, ontem realmente aconteceu algo em minha casa. Um criado me disse que meu pai havia contraído uma doença grave. Fiquei tão aflita que me esqueci de lhe contar...

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Mesmo naquele momento, Yang Shuiqi não ousava dizer a verdade. Afinal, todos sabiam que Yang Yi estava gravemente doente e se recuperava em casa. Dizer aquilo não era exatamente uma mentira.

Xiao Yin não lhe deu atenção. Depois de se sentar em seu lugar, disse:

— Você tinha seus assuntos e, por isso, faltou ao compromisso. Não há nada de censurável nisso. O que isso tem a ver comigo? Porém, daqui em diante, também não voltarei ao Pavilhão à beira d’água.

Por fim, Xiao Yin pronunciou, em tom frio e grave:

— Senhorita Yang, cuide-se.

Cuide-se.

Ao ouvir aquelas palavras, o corpo de Yang Shuiqi estremeceu.

Baixando os olhos para Xiao Yin, viu apenas o homem sentado com a postura impecável e as costas retas. O contorno de seu perfil era firme e elegante, mas em seus olhos amendoados, que normalmente pareciam conter ternura, não havia emoção alguma.

Yang Shuiqi percebeu de repente que, dessa vez, Xiao Yin estava realmente furioso. No passado, por mais que acontecesse, sempre havia alguma emoção em seu rosto. Mesmo que fosse desgosto ou aversão, ainda era uma reação. Agora, porém, nem mesmo isso restava, como se ela fosse apenas uma desconhecida com quem ele não tinha qualquer familiaridade.

Ela se tornara apenas uma entre as incontáveis pessoas no coração dele.

Naquele momento, nem sequer era digna de ser odiada por Xiao Yin.

Vendo que ele não desejava dizer mais nada, Yang Shuiqi não insistiu. Apenas baixou a cabeça e voltou para o assento ao lado.

Sentia-se um tanto desanimada e permaneceu em silêncio por algum tempo.

Então sentiu alguém cutucá-la pelas costas. Ao se virar, viu uma pessoa de rosto pouco familiar olhando para ela.

Era um jovem.

Depois de pensar por um longo tempo, lembrou-se de quem ele era. Não seria o herdeiro da mansão do duque Rong? O que queria com ela? Eles nunca haviam trocado uma palavra e não se conheciam.

Como havia mais rapazes do que moças, a fileira destinada aos rapazes não comportava todos, e alguns precisavam sentar-se entre as moças. Yang Shuiqi ocupava o último lugar da fileira feminina, e atrás dela estava sentado um rapaz.

— Você precisa de alguma coisa?

Ao ouvir o tom claramente hostil de Yang Shuiqi, Du Heng não se irritou. Apenas sorriu e disse:

— Você é uma pessoa sem razão. Como sofreu uma contrariedade com Xiao Yin, agora quer descontá-la em mim.

Yang Shuiqi achou aquele homem completamente absurdo. Mal o conhecia, e ele já tentava agir como se fossem íntimos?

Embora não tivesse qualquer relação com ele, ouvira falar de Du Heng em maior ou menor medida.

Du Heng era o herdeiro da mansão do duque Rong. Tinha dezenove anos e era o único filho do duque Rong e da princesa Huawen. Sua beleza era incomparável. Infelizmente, assim como Yang Shuiqi, era uma almofada bordada: bonito por fora, inútil por dentro. Tinha uma boa família e uma bela aparência; quanto ao resto, era medíocre em todos os aspectos.

Ainda assim, embora os habitantes da capital não gostassem de Yang Shuiqi e evitassem aproximar-se dela, Du Heng, apesar de também ter uma reputação pouco lisonjeira, era tratado de modo diferente. Naquele momento, muitas pessoas desejavam estabelecer uma aliança matrimonial com sua família.

A sociedade era realmente injusta com as mulheres. Estavam em situações semelhantes, mas ele vivia com bastante conforto.

E ela? Diziam que todos queriam vê-la cair, e era exatamente isso que acontecia.

Percebendo que a expressão de Yang Shuiqi ficava cada vez mais estranha, Du Heng esforçou-se para recordar o que poderia ter feito:

— Yang Shuiqi, eu nunca o ofendi. Por que está me olhando desse jeito?

Yang Shuiqi voltou a si e respondeu, mal-humorada:

— Por que me cutucou?

— E daí? Não posso? Agora somos colegas de classe, de qualquer forma. Não posso falar com você?

Yang Shuiqi virou a cabeça e o encarou:

— Você é mesmo uma pessoa sem razão. Eu não disse que não queria falar com você. Apenas perguntei o que queria.

Du Heng inclinou-se para a frente e perguntou em voz baixa:

— O que você aprendeu com Xiao Yin nesses últimos dias?

Yang Shuiqi recuou discretamente:

— Por que está perguntando isso?

— Só estou curioso. Por que ficou tão desconfiada?

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Yang Shuiqi naturalmente não acreditou naquela desculpa, mas tampouco conseguia entender por que ele fazia aquela pergunta. Depois de pensar e repensar, só encontrou uma possibilidade:

— Você também quer pedir que ele o ensine? Pois fique sabendo que não deve nem pensar nisso. Eu cheguei primeiro.

Du Heng riu de tanta irritação:

— Você tem algum problema? Por que eu pediria que ele me ensinasse? Preciso que alguém me ensine? Um teste desses, eu poderia passar até deitado. Já você passa os dias desconfiando de tudo, com medo de que alguém roube seu segundo irmão Xiao, como se todo mundo o considerasse um tesouro.

Temendo que Xiao Yin, sentado ao lado, escutasse, Yang Shuiqi quase chegou a tapar a boca de Du Heng.

Entretanto, Xiao Yin praticava artes marciais e tinha uma audição extraordinária. A conversa dos dois já havia chegado inteira aos seus ouvidos.

Mesmo ouvindo outras pessoas comentarem sobre ele, sua expressão não mudou. Continuou fazendo o que tinha de fazer, com absoluta naturalidade.

Yang Shuiqi espiou-o furtivamente. Como não viu qualquer reação, concluiu que ele não ouvira.

Se não ouvira, então estava tudo bem.

Yang Shuiqi respondeu, irritada:

— Du Heng, você está muito desocupado? E daí que eu o considero um tesouro? Meu pai nem se mete na minha vida; por que você se meteria?

Não tinha nada melhor para fazer?

Depois disso, virou-se para a frente e não voltou a prestar atenção nele.

Du Heng ficou sem resposta. Apenas fez um bico e, por fim, deixou de importuná-la. Voltou para seu lugar e, ao erguer um pouco a cabeça, conseguia ver Xiao Yin.

Talvez fosse apenas impressão sua, mas Xiao Yin parecia menos feroz do que antes.

Du Heng apoiou-se na mesa atrás dele, mas, de repente, alguém bateu em seu ombro. Ele se virou e praguejou:

— Você tem algum problema?

Atrás dele estava Xiao Ji, o segundo filho da família Xiao. A irmã mais velha de Xiao Ji havia se casado com alguém da mansão do duque Rong.

Ele disse:

— Ei, Du Heng, por que você se preocupa com ela? Parece fácil de intimidar, mas, na realidade, ela não aceita perder para ninguém.

Era evidente que as atitudes de Yang Shuiqi em seu primeiro dia o haviam assustado. Mesmo agora, ele ainda guardava certo receio. Além disso, como as duas famílias tinham uma relação de parentesco por casamento, temia que Du Heng não soubesse daquilo e fez questão de alertá-lo.

Quem poderia imaginar que Du Heng responderia:

— Ela não aceita perder? Isso é uma coisa boa.

Ao ouvir aquilo, Xiao Yin chegou a virar a cabeça e olhar para Du Heng e Yang Shuiqi. Contudo, um deles estava ocupado conversando com a pessoa atrás, e a outra permanecia debruçada sobre a mesa, entristecida. Nenhum dos dois percebeu seu gesto.

Depois das aulas, naquele dia, Xiao Yin saiu sem sequer olhar para trás. Yang Shuiqi, sem se dar por vencida, seguiu-o. No caminho, era inevitável que outras pessoas os vissem e começassem a apontar.

— Vejam só, ela está seguindo o segundo jovem mestre outra vez. Não percebe que ele não quer nem lhe dar atenção agora?

— Deixem-na. Ela não tem vergonha nenhuma, e isso não começou hoje. É libertina por natureza. Se o pai não fosse um homem capaz, cedo ou tarde alguém a jogaria no lago para que morresse afogada.

— Parem de falar. Se ela ouvir, vai fazer outro escândalo...

Yang Shuiqi ignorou os olhares variados que lhe lançavam ao redor e apenas continuou de cabeça baixa, seguindo Xiao Yin.

Aos poucos, o número de pessoas ao redor diminuiu. Xiao Yin subiu por uma galeria coberta e, sob o beiral, finalmente parou, incapaz de suportar mais.

— Até quando pretende continuar me seguindo?

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