Capítulo 19
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— Senhor Kogami, seu exame médico ainda não terminou.
Moriowai pegou a ficha de exame de Kogami, baixou o olhar e lançou um rápido olhar para a coluna de gênero preenchida por Nakahara Chūya.
A caligrafia extravagante e cheia de vida contrastava com o estilo ao lado.
Ele girou a caneta esferográfica na mão, coçou a cabeça na ponta da caneta, fingindo não ter visto a discussão acalorada entre o jovem e a jovem, e perguntou: “Vamos continuar?”
Kogami prendeu a respiração, agarrou o boné de Nakahara Chūya e o jogou no chão com força.
Seus longos cabelos pretos e brilhantes voaram para trás, o chapéu largo de feltro se abriu e caiu macio ao lado.
“Continuar o quê, continuar?”
Ela olhou furiosa para o boné no chão, levantou o pé para pisar —
Após hesitar várias vezes, o pé levantado não desceu.
Kogami virou a cabeça e resmungou pesadamente, abaixando o pé.
No fim, ela não pisou no boné, poupando o objeto do seu odiado dono de alguns vestígios de sapato.
“Vou procurar o irmão para ele me ajudar a me vingar!”
Ela se abaixou para pegar o boné caído, bateu a poeira e ajeitou o boné na cabeça desajeitadamente, enfiando o cabelo dentro dele. “O irmão não é como esse médico inútil! Ele jamais deixaria o Rei das Ovelhas me maltratar!”
Falando isso, lançou um olhar irritado para Moriowai.
O médico de cabelos negros piscou inocentemente.
Sorrindo, disse: “Relações entre jovens são complicadas; talvez eu, que sou de outra geração, não deva me meter.”
Kogami resmungou pesadamente.
Moriowai olhou para o boné no chão e perguntou pensativo, sorrindo: “Senhorita Kogami, você não queria pisar no boné do senhor Chūya pouco antes?”
Ele inclinou a cabeça, curioso: “Por que mudou de ideia no fim?”
Kogami ficou em silêncio.
Moriowai ficou ainda mais curioso.
Ele esperou pacientemente pela resposta.
“... Porque é de muito mau gosto.” Ela murmurou impaciente.
Moriowai piscou, com uma expressão meio surpresa e meio atônita.
Ela, indignada, perguntou: “Que tipo de reação é essa?”
“Eu só acho que o culpado é o Rei das Ovelhas, não o boné!” Kogami respondeu rapidamente. “Pisá-lo às escondidas só para descarregar a raiva é muito idiota! E de muito mau gosto!”
Ela era, afinal, a líder de uma organização!
Ficar brava a ponto de querer repreender seu subordinado, mas só pisar no boné dele às escondidas para aliviar a raiva era insuficiente!
“Muito fofa a senhorita Kogami~”
O canto da boca de Moriowai se ergueu, e ele não conseguiu esconder a alegria estampada no rosto.
Ele animadamente disse: “Já que o senhor Chūya não está mais aqui, senhorita Kogami, quer trocar de roupa por algo mais confortável para continuar o exame?”
Moriowai largou a ficha do exame e, de algum lugar, tirou rapidamente um conjunto rosa de uniforme de enfermeira fofo, mostrando para Kogami: “Senhorita Kogami, aqui tem um uniforme super adequado para usar na sala de exame!”
Kogami, ocupada arrumando o cabelo, nem olhou e respondeu: “O doutor que vista, então.”
Ela ia procurar o irmão!
Kogami pegou o boné de Nakahara Chūya, bufando, e saiu apressada da sala de exame.
“Ah...”
Moriowai suspirou profundamente, triste: “Um uniforme tão fofo, e a senhorita Kogami não quer nem olhar para ele.”
“Bem feito!”
Uma garotinha loira vestida com um vestido vermelho saiu atrás da divisória médica, zombando sem cerimônia: “Só o Rintarou mesmo que gosta dessa roupa.”
Moriowai resmungou: “Mas é tão fofo, Alice, você não acha?”
Alice virou o rosto, cruzou os braços e resmungou pesadamente.
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— Irmão!
Kogami entrou no escritório de Dazai Osamu, toda indignada, e reclamou para o jovem que estava deitado no sofá com uma máscara nos olhos, cochilando abertamente no escritório: “O Rei das Ovelhas está me maltratando!”
O jovem levantou um lado da máscara, revelando seus olhos cor de falcão, e olhou para a pequena Kogami, toda cheia de raiva e ressentimento.
Seus olhos estavam ligeiramente vermelhos.
Ele levantou a mão, tocou levemente a bochecha esquerda dela e perguntou distraidamente: “Como ele te maltratou?”
Na bochecha esquerda de Kogami havia uma leve marca de dedo, quase desaparecendo.
“Ele não tem nenhum senso!” Kogami segurou firme o boné em seus braços e resmungou: “Não deixava ele ir embora, e quando não deixava, ele sumia!”
Os olhos de Dazai repousaram no boné dela; ele se sentou devagar e disse: “Oh... Chūya é tão mal assim?”
“Pois é!” Kogami, satisfeita por ter o irmão a seu lado, fungou e disse baixinho: “Ele insiste em fazer o exame comigo, não consigo expulsá-lo! Até o médico ajuda ele!”
É demais! Realmente demais!
Se não tivesse medo de expor sua identidade, ela teria tirado o boné dele e mandado o Rei das Ovelhas ficar parado para apanhar.
“É realmente demais...”
Dazai falou friamente.
Ele tocou o rosto de Kogami, e o leve contato deixou apenas a sensação de frescor da ponta dos dedos.
A temperatura da pele dos irmãos nunca foi muito alta.
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Um toque tão direto só fazia Kogami sentir um leve formigamento no rosto, nada de frio.
“Irmão, me ajuda a me vingar!”
Kogami gritou com convicção.
Dazai ignorou.
Ele pegou um fio de cabelo que havia caído do boné e mostrou para ela. Kogami se assustou, apressou-se a ajeitar o boné na cabeça.
“Que boba.”
Ele cutucou a testa dela e, segurando o rosto, disse: “Depois de tantos anos, você ainda não sabe como reclamar direito.”
As marcas estavam no rosto, mas ela nunca ia direto ao ponto.
“Eu não sei reclamar, mas o irmão vai me ajudar!” Kogami conferiu as bordas do boné, certificando-se de que estava seguro e que sua identidade não seria revelada, e sorriu radiante: “Porque o irmão me ama mais!”
Dazai abaixou o olhar.
Ele acariciou a cabeça dela, suspirou e se levantou: “Vamos.”
“Para onde?” Ela piscou e seguiu os passos do irmão.
O jovem de cabelos negros e olhos cor de falcão sorriu maliciosamente: “Claro que vamos arrumar um problema para o maldito Chūya.”
Os olhos de Kogami brilharam.
Ela exclamou feliz: “Viva o irmão!”
“O baixinho é realmente demais.”
Dazai arrastou as palavras, zombeteiro: “Enquanto eu não estava, ele ficou maltratando nosso bobo.”
Ele caminhou adiante, o casaco pendurado no ombro balançando suavemente.
“Nossa criança boba não é muito esperta, nem atlética; enfrentando o cérebro simples e corpo forte do Chūya, só pode voltar chorando para mim.”
Kogami fez bico, um pouco desafiadora: “Eu não chorei.”
“Mesmo?”
Dazai olhou para ela e riu: “Mas seus olhos ficaram vermelhos de raiva.”
Kogami emburrou.
Ao passar pela janela, ela olhou seu rosto refletido no vidro, procurando provas de que seus olhos não estavam vermelhos.
Mas falhou.
Nenhum vidro, por mais limpo que fosse durante o dia, consegue refletir todos os detalhes do rosto.
Ela resmungou indignada, culpando Chūya.
“Irmão, como vamos nos vingar do Rei das Ovelhas?”
Kogami estava cheia de vontade: “Vamos armar umas armadilhas para ele! Pregar peças!”
Dazai não disse sim nem não.
Ele apenas perguntou: “O que você quer fazer?”
Kogami inclinou a cabeça, pensativa.
“Tem que ser algo que o Rei das Ovelhas não consiga lidar, né?” Ela preocupada: “Ele não tem medo de nada?”
“Claro que tem.”
Dazai sorriu: “O poder especial do Chūya só funciona em contato direto. Se encontrarmos algo que ele não possa resolver rápido, podemos dar uma boa lição nele.”
Kogami bateu palmas animada.
“Irmão é incrível!”
Ela continuou elogiando: “Pensar numa ideia tão boa! Realmente é meu irmão!”
Dazai resmungou com orgulho.
Enquanto Kogami batia palmas, lembrou-se que quase todos que já desafiaram o irmão tiveram finais ruins.
Ela ficou preocupada e puxou a manga dele suavemente: “Irmão, vamos só nos vingar um pouquinho, tá?”
Dazai olhou para ela.
Kogami ficou envergonhada e sussurrou: “O Rei das Ovelhas é meio mau... mas não tanto assim. Vamos só nos vingar um pouquinho...”
Ela fez um gesto pequeno com a mão, tímida: “Um pouquinho...”
Dazai cutucou a cabeça dela com um olhar severo: “Boba, você acha que o Chūya é fácil de lidar? Ele é um inseto que não morre! Se não pensarmos numa estratégia perfeita, nem sonhe em pegá-lo de surpresa!”
Kogami cobriu a testa e murmurou: “Ele é tão forte assim?”
Por que ela não percebia?
Só ouviu dizer que o Rei das Ovelhas era feroz.
Mas, pensando bem, ele quase nunca foi agressivo com ela.
“Embora o baixinho seja irritante, ele realmente não é um adversário fácil.”
Dazai entrou no território de Nakahara Chūya com facilidade, mexendo aqui e ali para encontrar onde poderia armar uma armadilha.
Kogami olhou ao redor curiosa: “Irmão, você vem aqui sempre?”
Ela nunca tinha vindo ao local de trabalho do Rei das Ovelhas.
O escritório era parecido com o do irmão, mas a mesa e as estantes tinham objetos diferentes.
“Olha, todos os relatórios do Rei das Ovelhas já foram escritos.”
Kogami largou o boné e folheou os relatórios que Nakahara Chūya havia preenchido.
Uma pilha organizada, cada palavra mostrava o quanto Chūya estava impaciente e se esforçando para escrever os relatórios.
Ela sorriu baixinho: “A letra do Rei das Ovelhas está ficando cada vez pior.”
Daquela quase arrumadinha, foi para uma caligrafia extravagante, parecia querer ocupar espaço com letras grandes para escrever menos conteúdo.
Ela teve uma ótima ideia.
“Vou mandar o líder Momiji devolver todos os relatórios com letra feia para reescrever!” Ela cutucou o nome do remetente no relatório, satisfeita, quase cantando.
Essa era a prerrogativa da líder!
Dazai agachado num canto do escritório de Nakahara Chūya, mexendo em algo.
Kogami começou a pensar e murmurou: “Não posso só deixar o irmão fazer tudo, eu também tenho que ajudar.”
O que poderia fazer?
Ela vasculhou e tirou alguns cartões de visita de Nakahara Chūya.
Provavelmente eram usados para se apresentar a membros fora da máfia do porto.
“O Rei das Ovelhas é... um porco!!”
Ela pegou a caneta de Nakahara Chūya e escreveu com seriedade essas palavras, ainda sentindo que não era suficiente.
Desenhou uma ovelha com um focinho de porco.
Perfeito!
Kogami olhou o cartão que fez, colocou sobre o boné de Nakahara Chūya e resmungou: “Vai lá e se vire com isso!”
Vai ser um porco agora!
“O que mais posso fazer?” Kogami olhou ao redor e murmurou: “O escritório do Rei das Ovelhas é tão vazio... Ele não tem objetos pessoais?”
Que estranho.
O escritório do irmão tinha coisas que ele gostava, como bandagens e videogames.
O do Rei das Ovelhas só tinha documentos de trabalho e livros de estudo.
“Kogami, vamos.”
Dazai chamou na porta.
Kogami voltou à realidade, correu até ele: “Irmão, já terminou?”
“Claro.”
Ele sorriu, levantando o canto da boca: “Deixei algumas surpresinhas para o Chūya.”
Kogami, curiosa: “Que tipo de surpresinhas?”
“Coisas que vão deixar o Chūya todo atrapalhado, desconfortável, tão furioso que vai parecer um Godzilla berrando!” Dazai fechou a porta e apontou para cima deles.
Kogami olhou para cima: “Vai cair alguma coisa na cara dele quando ele abrir a porta?”
“Boba, algo tão simples não mostraria o esforço que tive para bolar uma ideia genial contra o Chūya.”
Dazai fez beicinho: “E só cair coisas na porta não vai pegar o baixinho.”
Kogami piscou: “Então o que é?”
“Um tipo especial de armadilha.”
Dazai cantarolava feliz: “Na primeira vez que ele abrir a porta, nada acontece; na segunda, também não.”
Kogami ficou confusa.
Perguntou: “Quando então vai funcionar?”
Dazai sorriu e arrastou as palavras: “Claro que vai ser quando... Chūya voltar ao escritório, sem nenhum cuidado, se preparando para sair de novo.”
Quando entra em um lugar novo, a pessoa fica naturalmente alerta.
Mesmo sendo um lugar familiar para Chūya, depois de tanto tempo lutando com Dazai, ele não se deixaria pegar por truques simples.
Quando ele percebe que o lugar é seguro e sai...
Ele não terá mais atenção para o local “seguro”.
“Deve dar para gravar umas boas reações.” Dazai cantarolava.
— — —
Quando Nakahara Chūya voltou ao escritório, já era noite.
Ele entrou apressado e viu um boné familiar, cuidadosamente colocado sobre a mesa de madeira maciça.
A luz da lua iluminava a mesa.
Havia um pequeno papel sobre o boné.
Ele pegou e arqueou as sobrancelhas: “Meu cartão de visitas?”
Virou para o outro lado.
“Rei das Ovelhas é um porco!!”
Estava escrito em caracteres japoneses e hiragana, dispostos de cima para baixo.
No espaço ao lado, desenharam uma ovelha com focinho de porco.
Ele não conseguiu evitar um sorriso: “Garotinha.”
Só uma garotinha escreveria uma coisa dessas.