Capítulo 15
A bainha do quimono da jovem arrastava-se pelo chão.
Tokiko Yamagami adentrou a parte mais profunda do cômodo, ficando na ponta dos pés para retirar o guarda-chuva de papel oleado que repousava horizontalmente no suporte de espadas.
— Perdi um guarda-chuva seu, mas devolvo um ainda melhor... — murmurou ela, quase deixando-o cair nas mãos, e resmungou: — Rei das Ovelhas, você ganhou muito com isso.
À primeira vista, parecia um simples guarda-chuva de papel oleado, mas na verdade escondia um segredo.
A superfície luxuosa exibia pinturas de construções antigas, cobertas com óleo de paulownia e cuidadosamente secas, tornando-a impermeável.
Yamagami segurou firme o cabo e puxou com força—
Na primeira tentativa, a lâmina oculta não saiu.
A lâmina afiada escondida no guarda-chuva reluzia com uma lâmina cortante.
Ela retirou a espada por partes, o pulso cansando ao ponto de quase perder o controle daquela arma bela e fria, mas imponente — a espada-guarda-chuva.
— Muito bem, sem ferrugem — comentou, tocando a lâmina com leve satisfação.
Era algo que seria entregue a alguém; não podia estar sujo ou enferrujado, para não envergonhá-la.
De modo desajeitado, recolheu a lâmina e envolveu-a novamente no guarda-chuva, abraçando-o contra o peito, caminhando até o telefone fixo pendurado na parede e discando uma série de números da linha interna.
— Tut, tut, tut...
Após três toques, a adjunta de Momiji Ozaki atendeu com eficiência.
Tokiko Yamagami falou diretamente:
— Nana, preciso ir à residência particular da oficial Momiji.
Do outro lado da linha, a mulher respondeu prontamente, sem hesitar:
— Já estou providenciando, líder.
Ela não questionou o motivo, aceitando de imediato.
A ligação da linha interna do topo foi encerrada, e Nana largou o que fazia para contatar Momiji Ozaki e organizar o transporte para a líder.
Diferente das vezes em que Yamagami fugia disfarçada, dessa vez ela saía como chefe da máfia portuária, a caminho da residência particular de Momiji Ozaki em Yokohama.
Era uma construção tradicional japonesa, afastada da agitação, rodeada por um ambiente tranquilo e de estilo antiquado.
— Está tudo pronto? — perguntou a jovem vestida com quimono, inclinando a cabeça para olhar para Shigeno, que não a acompanharia desta vez.
A identidade ao sair exigia uma companhia diferente.
Shigeno respondeu, com a cabeça baixa:
— Já transmiti suas instruções à oficial Ozaki.
Yamagami assentiu levemente, ainda um pouco preocupada:
— O Rei das Ovelhas virá, não é?
— Claro — respondeu Shigeno prontamente, sem pensar: — Nakahara Chūya tem grande respeito pela oficial Ozaki. Se ela o convocou, ele não faltará.
Satisfeita, Yamagami disse:
— Pode ir, então.
Ele não seria necessário ali.
Nana a acompanharia até a residência da oficial Ozaki.
Não havia motivo para preocupações quanto à segurança.
Shigeno respondeu com respeito.
Yamagami, abraçando o guarda-chuva de papel oleado, entrou no carro. Nana deu um passo à frente, curvando-se para ajeitar a bainha do quimono que havia escapado para fora do veículo.
— Ah — murmurou, olhando para baixo e se acomodando no assento, comentando: — Faz tempo que não saio assim.
Quase havia esquecido.
O quimono é diferente das roupas comuns para sair.
É algo muito mais complicado.
Nana fechou a porta em silêncio, dirigiu-se ao banco do motorista, ajustou os óculos de sol e disse:
— A senhorita Momiji já está esperando em casa.
Yamagami assentiu:
— Hoje é o dia de descanso da oficial Ozaki. Ela tem algum compromisso?
— Nada especial — respondeu Nana calmamente, ligando o carro —, se for para destacar algo, é que ela vai ensinar dança de salão ao senhor Nakahara.
Recentemente, havia um evento importante, e Nakahara Chūya precisava aprender dança de salão.
Ele integrou a máfia portuária há menos de meio ano.
Com tarefas diárias intensas, não tinha muito tempo para aprender, então só estudava habilidades quando realmente precisasse.
— O Rei das Ovelhas já planejava visitar a oficial Ozaki hoje?
Yamagami ficou surpresa:
— Pensei que ele ainda estivesse fora.
Convocá-lo diretamente na posição de chefe poderia chamar atenção.
Ela só queria devolver o guarda-chuva.
Por isso convocou em nome de Momiji Ozaki, para evitar complicações.
Não esperava que fosse tão conveniente assim.
— No início do próximo mês haverá um banquete, organizado por Joseph Alio — Nana virou o volante, desviando com segurança do tráfego, enquanto dirigia à residência da oficial Ozaki —. Ele é o parceiro que a organização quer conquistar neste momento. Tem uma rede de contatos internacional bastante sólida. Se conseguirmos colaborar com ele, o preço de aquisição de armas poderá cair vinte por cento.
— Joseph Alio... — Yamagami ficou pensativa —. Lembro que ele é um senhor muito rico, com fortuna acima de um bilhão de dólares, que convertido para ienes...
— Quanto mesmo? — perguntou Nana.
— Quinhentos bilhões — respondeu Nana em tom grave —. Um bilionário de altíssimo nível!
Parece mesmo.
Yamagami assentiu:
— Está tudo bem então?
— Com a senhora à frente da máfia portuária, não tememos nenhum concorrente! — Nana disse com firmeza.
A jovem no banco de trás franziu um pouco a testa, uma sombra de melancolia pairando sobre seu rosto delicado.
— Acho que meus poderes especiais não funcionam muito bem. Perdi algo.
Era uma situação estranha.
Ela nunca perdia nada.
— Deve ser porque perder algo levará a um futuro mais favorável para a líder! — Nana falou com convicção, depois perguntou:
— Posso ser indiscreta? O que a líder perdeu?
O topo da máfia portuária é onde a líder mora e trabalha.
Pessoas de fora não têm acesso diário.
Até a limpeza é feita por membros confiáveis da organização.
Eles não ousariam descartar as coisas de Yamagami.
— Um guarda-chuva — Yamagami respondeu, um pouco incomodada —. Alguns meses atrás, trouxe um guarda-chuva comigo.
Com medo de esquecê-lo no antigo apartamento, trouxe-o para o topo, pensando em devolvê-lo a Nakahara Chūya quando saísse.
Mas nunca o encontrou, nem se lembrou disso depois.
— Guarda-chuva? — Nana ficou confusa, hesitando —. A líder está falando daquele guarda-chuva pesado, cinzento, que não combina nada com o ambiente do topo?
Yamagami ficou surpresa:
— Você já viu?
Nana olhou pelo espelho retrovisor para Yamagami, desviou o olhar e tossiu levemente:
— Aquele guarda-chuva... lembro que foi Takenouchi quem o levou.
Naquela ocasião, Osamu Dazai disse que era o guarda-chuva dele.
Nana não pensou muito, apenas viu ele levar o guarda-chuva.
— Então era o irmão mais velho! — Yamagami compreendeu de repente.
Não era de se admirar que nunca encontrasse o guarda-chuva emprestado por Nakahara Chūya.
Ela suspirou baixinho, resignada:
— Se é do irmão mais velho, não tem jeito.
Apesar dos seus poderes especiais estarem sempre ativos, quando há toque direto, a habilidade que anula poderes tem prioridade sobre todos os demais.
Não havia o que fazer.
— O irmão mais velho é mesmo insuportável — murmurou Yamagami —. Se vai usar o guarda-chuva, podia avisar, me fez procurar por horas.
Ela quase duvidou da própria memória.
Nana não comentou nada.
Silenciosa, conduziu o carro até a residência particular de Momiji Ozaki e estacionou em local apropriado.
A porta do carro se abriu.
Nana ergueu a mão para proteger a cabeça de Yamagami, ajudando-a a descer, e perguntou:
— Líder, quer que eu leve o que está nas suas mãos?
Yamagami hesitou, balançando a cabeça:
— Não precisa.
De qualquer forma, logo será entregue.
— Senhorita Yamagami.
Momiji Ozaki estava a poucos metros, segurando um guarda-chuva.
Ao lado dela, um jovem era um pouco mais baixo que ela.
Ela fechou o guarda-chuva e baixou levemente a cabeça.
Nakahara Chūya tirou o chapéu, segurando-o contra o peito em sinal de respeito.
— Oficial Ozaki — cumprimentou Yamagami, que abraçava o guarda-chuva de papel oleado, olhando para Nakahara Chūya com olhos vermelho-escarlate, pausando a voz: — Nakahara Chūya.
Não podia chamá-lo de Rei das Ovelhas.
Era preciso separar as identidades.
— Senhorita Yamagami — Momiji Ozaki sorriu e avançou, segurando suavemente a mão dela.
O guarda-chuva pesado aumentou seu peso, pressionando a mão esquerda de Yamagami.
Ela não conseguiu segurar a espada-guarda-chuva, que escorregava pelo quimono impregnado com óleo de paulownia.
Sem pensar, Nakahara Chūya se curvou para segurá-la.
Ele ergueu os olhos para os vermelhos e caídos, sentindo-se um pouco constrangido.
O jovem tossiu levemente, querendo dizer algo para aliviar o clima.
Yamagami simplesmente soltou a mão:
— Fica com ele.
— Hm? — Ele ficou surpreso, sentindo o peso nas mãos, desviando o olhar da líder, respondendo baixo: — Sim.
Não precisava mais carregar o pesado guarda-chuva-espada.
Seus passos ficaram muito mais leves.
Ela passou por Nakahara Chūya, o vento da primavera levantando seus longos cabelos soltos.
Fios tocavam seu pulso, desprotegido pelas luvas.
Ele segurava o guarda-chuva de papel oleado com uma mão, recuando um passo em silêncio.
— Oficial Ozaki, mesmo no dia de folga, precisa trabalhar? — perguntou a jovem de quimono à frente, erguendo a cabeça para olhar Momiji Ozaki, falando em voz baixa, com a entonação levemente alongada.
Nakahara Chūya e Nana caminhavam lado a lado atrás delas.
Ambos eram subordinados de Momiji Ozaki e já tinham lidado com Yamagami antes.
O jovem acenou com a cabeça para a adjunta, que respondeu com a mesma cortesia.
— Não tenho tarefas hoje — respondeu Momiji Ozaki, sorrindo levemente e perguntando: — Por que a senhorita Yamagami disse isso?
Piscou os olhos com naturalidade e afirmou:
— Você vai ensinar Chūya a dançar, não é? Dias de folga não são realmente folgas.
O olhar de Momiji Ozaki era suave, e ela sorriu:
— Para mim, ensinar esse rapaz meio lerdo a dançar também é um prazer no dia de descanso.
Yamagami inclinou a cabeça, sem entender.
Pensou por um momento e perguntou:
— Até onde ele já aprendeu? Já sabe dançar?
Momiji Ozaki olhou para trás.
Nakahara Chūya respondeu em voz baixa:
— Memorizei os passos, mas ainda estou meio desajeitado.
Afinal, ele treinava sozinho, sem parceira.
Lembrar os passos e manter o ritmo já era um feito.
Quanto a dançar bem no banquete...
O antigo “Rei das Ovelhas”, agora “Controlador da Gravidade”, disse de forma sutil:
— Saber a habilidade não significa que precise mostrar.
— Posso assistir? — Yamagami perguntou diretamente, sem rodeios.
Momiji Ozaki olhou para o jovem desconfortável atrás dela, levantou a manga para tapar a boca e sorriu:
— Seria uma honra.
Nakahara Chūya suspirou silenciosamente.
Ser parte da máfia é diferente de ser um simples “moleque de rua”.
Por que ele precisava aprender dança de salão e ainda mostrar para a líder?
Não seria melhor aprender só o suficiente para a ocasião?
— Sigam-me — disse Nana, guiando Yamagami até o melhor lugar para assistir.
O quarto japonês era tranquilo, com aroma de chá no ar.
Tokiko Yamagami segurava a xícara, bebendo com prazer enquanto observava Nakahara Chūya concentrado praticando os passos sozinho.
— O que acha, senhorita Yamagami? — Momiji Ozaki sorriu, abaixando-se para colocar um prato de doces japoneses.
— Ele tem uma expressão muito séria — respondeu Yamagami, pegando um doce para morder, depois acrescentou: — Parece que está segurando uma senhora de oitenta anos, com medo de derrubá-la.
Momiji Ozaki não conseguiu conter o riso.
Sentou-se ao lado de Yamagami, sorrindo:
— Essa expressão é tão importante quanto a dança em si. Chūya ainda precisa praticar.
— Movimentos rígidos! Expressão séria! — Yamagami zombou sem cerimônia: — Ele parece que não vai dançar, mas sim dar uma surra em alguém. Que garota ousaria dançar com ele?
O Rei das Ovelhas era realmente patético.
Se o irmão mais velho estivesse aqui, ele mostraria o que é um passo e expressão perfeitos!
Ela baixou a cabeça, mordendo o doce e tomando um gole de chá.
Momiji Ozaki pensou por um momento e falou sorrindo:
— Quer tentar?
— Hm? — os olhos vermelho-escarlate piscaram levemente.
Yamagami ficou confusa:
— Tentar o quê?
— Testar os passos de Chūya — Momiji Ozaki olhou de maneira significativa para ele —. Também é uma oportunidade para esse rapaz desajeitado aprender a cuidar e proteger a líder.
— Eu? — Tokiko Yamagami arregalou os olhos, olhando para Nakahara Chūya, que balbuciava contando os passos, incrédula: — Dançar com ele?
Está brincando?
Se o Rei das Ovelhas pisasse no meu pé, ele me quebraria!
Isso é um ataque à líder! Crime grave!