Capítulo 15

O Idiota Caçador de Garotas: Estratégia Reversa Contra o Inimigo Mortal Miau imperdível 4438 palavras 2026-07-31 04:44:46

A bainha do quimono da jovem arrastava-se pelo chão.

Tokiko Yamagami adentrou a parte mais profunda do cômodo, ficando na ponta dos pés para retirar o guarda-chuva de papel oleado que repousava horizontalmente no suporte de espadas.

— Perdi um guarda-chuva seu, mas devolvo um ainda melhor... — murmurou ela, quase deixando-o cair nas mãos, e resmungou: — Rei das Ovelhas, você ganhou muito com isso.

À primeira vista, parecia um simples guarda-chuva de papel oleado, mas na verdade escondia um segredo.

A superfície luxuosa exibia pinturas de construções antigas, cobertas com óleo de paulownia e cuidadosamente secas, tornando-a impermeável.

Yamagami segurou firme o cabo e puxou com força—

Na primeira tentativa, a lâmina oculta não saiu.

A lâmina afiada escondida no guarda-chuva reluzia com uma lâmina cortante.

Ela retirou a espada por partes, o pulso cansando ao ponto de quase perder o controle daquela arma bela e fria, mas imponente — a espada-guarda-chuva.

— Muito bem, sem ferrugem — comentou, tocando a lâmina com leve satisfação.

Era algo que seria entregue a alguém; não podia estar sujo ou enferrujado, para não envergonhá-la.

De modo desajeitado, recolheu a lâmina e envolveu-a novamente no guarda-chuva, abraçando-o contra o peito, caminhando até o telefone fixo pendurado na parede e discando uma série de números da linha interna.

— Tut, tut, tut...

Após três toques, a adjunta de Momiji Ozaki atendeu com eficiência.

Tokiko Yamagami falou diretamente:

— Nana, preciso ir à residência particular da oficial Momiji.

Do outro lado da linha, a mulher respondeu prontamente, sem hesitar:

— Já estou providenciando, líder.

Ela não questionou o motivo, aceitando de imediato.

A ligação da linha interna do topo foi encerrada, e Nana largou o que fazia para contatar Momiji Ozaki e organizar o transporte para a líder.

Diferente das vezes em que Yamagami fugia disfarçada, dessa vez ela saía como chefe da máfia portuária, a caminho da residência particular de Momiji Ozaki em Yokohama.

Era uma construção tradicional japonesa, afastada da agitação, rodeada por um ambiente tranquilo e de estilo antiquado.

— Está tudo pronto? — perguntou a jovem vestida com quimono, inclinando a cabeça para olhar para Shigeno, que não a acompanharia desta vez.

A identidade ao sair exigia uma companhia diferente.

Shigeno respondeu, com a cabeça baixa:

— Já transmiti suas instruções à oficial Ozaki.

Yamagami assentiu levemente, ainda um pouco preocupada:

— O Rei das Ovelhas virá, não é?

— Claro — respondeu Shigeno prontamente, sem pensar: — Nakahara Chūya tem grande respeito pela oficial Ozaki. Se ela o convocou, ele não faltará.

Satisfeita, Yamagami disse:

— Pode ir, então.

Ele não seria necessário ali.

Nana a acompanharia até a residência da oficial Ozaki.

Não havia motivo para preocupações quanto à segurança.

Shigeno respondeu com respeito.

Yamagami, abraçando o guarda-chuva de papel oleado, entrou no carro. Nana deu um passo à frente, curvando-se para ajeitar a bainha do quimono que havia escapado para fora do veículo.

— Ah — murmurou, olhando para baixo e se acomodando no assento, comentando: — Faz tempo que não saio assim.

Quase havia esquecido.

O quimono é diferente das roupas comuns para sair.

É algo muito mais complicado.

Nana fechou a porta em silêncio, dirigiu-se ao banco do motorista, ajustou os óculos de sol e disse:

— A senhorita Momiji já está esperando em casa.

Yamagami assentiu:

— Hoje é o dia de descanso da oficial Ozaki. Ela tem algum compromisso?

— Nada especial — respondeu Nana calmamente, ligando o carro —, se for para destacar algo, é que ela vai ensinar dança de salão ao senhor Nakahara.

Recentemente, havia um evento importante, e Nakahara Chūya precisava aprender dança de salão.

Ele integrou a máfia portuária há menos de meio ano.

Com tarefas diárias intensas, não tinha muito tempo para aprender, então só estudava habilidades quando realmente precisasse.

— O Rei das Ovelhas já planejava visitar a oficial Ozaki hoje?

Yamagami ficou surpresa:

— Pensei que ele ainda estivesse fora.

Convocá-lo diretamente na posição de chefe poderia chamar atenção.

Ela só queria devolver o guarda-chuva.

Por isso convocou em nome de Momiji Ozaki, para evitar complicações.

Não esperava que fosse tão conveniente assim.

— No início do próximo mês haverá um banquete, organizado por Joseph Alio — Nana virou o volante, desviando com segurança do tráfego, enquanto dirigia à residência da oficial Ozaki —. Ele é o parceiro que a organização quer conquistar neste momento. Tem uma rede de contatos internacional bastante sólida. Se conseguirmos colaborar com ele, o preço de aquisição de armas poderá cair vinte por cento.

— Joseph Alio... — Yamagami ficou pensativa —. Lembro que ele é um senhor muito rico, com fortuna acima de um bilhão de dólares, que convertido para ienes...

— Quanto mesmo? — perguntou Nana.

— Quinhentos bilhões — respondeu Nana em tom grave —. Um bilionário de altíssimo nível!

Parece mesmo.

Yamagami assentiu:

— Está tudo bem então?

— Com a senhora à frente da máfia portuária, não tememos nenhum concorrente! — Nana disse com firmeza.

A jovem no banco de trás franziu um pouco a testa, uma sombra de melancolia pairando sobre seu rosto delicado.

— Acho que meus poderes especiais não funcionam muito bem. Perdi algo.

Era uma situação estranha.

Ela nunca perdia nada.

— Deve ser porque perder algo levará a um futuro mais favorável para a líder! — Nana falou com convicção, depois perguntou:

— Posso ser indiscreta? O que a líder perdeu?

O topo da máfia portuária é onde a líder mora e trabalha.

Pessoas de fora não têm acesso diário.

Até a limpeza é feita por membros confiáveis da organização.

Eles não ousariam descartar as coisas de Yamagami.

— Um guarda-chuva — Yamagami respondeu, um pouco incomodada —. Alguns meses atrás, trouxe um guarda-chuva comigo.

Com medo de esquecê-lo no antigo apartamento, trouxe-o para o topo, pensando em devolvê-lo a Nakahara Chūya quando saísse.

Mas nunca o encontrou, nem se lembrou disso depois.

— Guarda-chuva? — Nana ficou confusa, hesitando —. A líder está falando daquele guarda-chuva pesado, cinzento, que não combina nada com o ambiente do topo?

Yamagami ficou surpresa:

— Você já viu?

Nana olhou pelo espelho retrovisor para Yamagami, desviou o olhar e tossiu levemente:

— Aquele guarda-chuva... lembro que foi Takenouchi quem o levou.

Naquela ocasião, Osamu Dazai disse que era o guarda-chuva dele.

Nana não pensou muito, apenas viu ele levar o guarda-chuva.

— Então era o irmão mais velho! — Yamagami compreendeu de repente.

Não era de se admirar que nunca encontrasse o guarda-chuva emprestado por Nakahara Chūya.

Ela suspirou baixinho, resignada:

— Se é do irmão mais velho, não tem jeito.

Apesar dos seus poderes especiais estarem sempre ativos, quando há toque direto, a habilidade que anula poderes tem prioridade sobre todos os demais.

Não havia o que fazer.

— O irmão mais velho é mesmo insuportável — murmurou Yamagami —. Se vai usar o guarda-chuva, podia avisar, me fez procurar por horas.

Ela quase duvidou da própria memória.

Nana não comentou nada.

Silenciosa, conduziu o carro até a residência particular de Momiji Ozaki e estacionou em local apropriado.

A porta do carro se abriu.

Nana ergueu a mão para proteger a cabeça de Yamagami, ajudando-a a descer, e perguntou:

— Líder, quer que eu leve o que está nas suas mãos?

Yamagami hesitou, balançando a cabeça:

— Não precisa.

De qualquer forma, logo será entregue.

— Senhorita Yamagami.

Momiji Ozaki estava a poucos metros, segurando um guarda-chuva.

Ao lado dela, um jovem era um pouco mais baixo que ela.

Ela fechou o guarda-chuva e baixou levemente a cabeça.

Nakahara Chūya tirou o chapéu, segurando-o contra o peito em sinal de respeito.

— Oficial Ozaki — cumprimentou Yamagami, que abraçava o guarda-chuva de papel oleado, olhando para Nakahara Chūya com olhos vermelho-escarlate, pausando a voz: — Nakahara Chūya.

Não podia chamá-lo de Rei das Ovelhas.

Era preciso separar as identidades.

— Senhorita Yamagami — Momiji Ozaki sorriu e avançou, segurando suavemente a mão dela.

O guarda-chuva pesado aumentou seu peso, pressionando a mão esquerda de Yamagami.

Ela não conseguiu segurar a espada-guarda-chuva, que escorregava pelo quimono impregnado com óleo de paulownia.

Sem pensar, Nakahara Chūya se curvou para segurá-la.

Ele ergueu os olhos para os vermelhos e caídos, sentindo-se um pouco constrangido.

O jovem tossiu levemente, querendo dizer algo para aliviar o clima.

Yamagami simplesmente soltou a mão:

— Fica com ele.

— Hm? — Ele ficou surpreso, sentindo o peso nas mãos, desviando o olhar da líder, respondendo baixo: — Sim.

Não precisava mais carregar o pesado guarda-chuva-espada.

Seus passos ficaram muito mais leves.

Ela passou por Nakahara Chūya, o vento da primavera levantando seus longos cabelos soltos.

Fios tocavam seu pulso, desprotegido pelas luvas.

Ele segurava o guarda-chuva de papel oleado com uma mão, recuando um passo em silêncio.

— Oficial Ozaki, mesmo no dia de folga, precisa trabalhar? — perguntou a jovem de quimono à frente, erguendo a cabeça para olhar Momiji Ozaki, falando em voz baixa, com a entonação levemente alongada.

Nakahara Chūya e Nana caminhavam lado a lado atrás delas.

Ambos eram subordinados de Momiji Ozaki e já tinham lidado com Yamagami antes.

O jovem acenou com a cabeça para a adjunta, que respondeu com a mesma cortesia.

— Não tenho tarefas hoje — respondeu Momiji Ozaki, sorrindo levemente e perguntando: — Por que a senhorita Yamagami disse isso?

Piscou os olhos com naturalidade e afirmou:

— Você vai ensinar Chūya a dançar, não é? Dias de folga não são realmente folgas.

O olhar de Momiji Ozaki era suave, e ela sorriu:

— Para mim, ensinar esse rapaz meio lerdo a dançar também é um prazer no dia de descanso.

Yamagami inclinou a cabeça, sem entender.

Pensou por um momento e perguntou:

— Até onde ele já aprendeu? Já sabe dançar?

Momiji Ozaki olhou para trás.

Nakahara Chūya respondeu em voz baixa:

— Memorizei os passos, mas ainda estou meio desajeitado.

Afinal, ele treinava sozinho, sem parceira.

Lembrar os passos e manter o ritmo já era um feito.

Quanto a dançar bem no banquete...

O antigo “Rei das Ovelhas”, agora “Controlador da Gravidade”, disse de forma sutil:

— Saber a habilidade não significa que precise mostrar.

— Posso assistir? — Yamagami perguntou diretamente, sem rodeios.

Momiji Ozaki olhou para o jovem desconfortável atrás dela, levantou a manga para tapar a boca e sorriu:

— Seria uma honra.

Nakahara Chūya suspirou silenciosamente.

Ser parte da máfia é diferente de ser um simples “moleque de rua”.

Por que ele precisava aprender dança de salão e ainda mostrar para a líder?

Não seria melhor aprender só o suficiente para a ocasião?

— Sigam-me — disse Nana, guiando Yamagami até o melhor lugar para assistir.

O quarto japonês era tranquilo, com aroma de chá no ar.

Tokiko Yamagami segurava a xícara, bebendo com prazer enquanto observava Nakahara Chūya concentrado praticando os passos sozinho.

— O que acha, senhorita Yamagami? — Momiji Ozaki sorriu, abaixando-se para colocar um prato de doces japoneses.

— Ele tem uma expressão muito séria — respondeu Yamagami, pegando um doce para morder, depois acrescentou: — Parece que está segurando uma senhora de oitenta anos, com medo de derrubá-la.

Momiji Ozaki não conseguiu conter o riso.

Sentou-se ao lado de Yamagami, sorrindo:

— Essa expressão é tão importante quanto a dança em si. Chūya ainda precisa praticar.

— Movimentos rígidos! Expressão séria! — Yamagami zombou sem cerimônia: — Ele parece que não vai dançar, mas sim dar uma surra em alguém. Que garota ousaria dançar com ele?

O Rei das Ovelhas era realmente patético.

Se o irmão mais velho estivesse aqui, ele mostraria o que é um passo e expressão perfeitos!

Ela baixou a cabeça, mordendo o doce e tomando um gole de chá.

Momiji Ozaki pensou por um momento e falou sorrindo:

— Quer tentar?

— Hm? — os olhos vermelho-escarlate piscaram levemente.

Yamagami ficou confusa:

— Tentar o quê?

— Testar os passos de Chūya — Momiji Ozaki olhou de maneira significativa para ele —. Também é uma oportunidade para esse rapaz desajeitado aprender a cuidar e proteger a líder.

— Eu? — Tokiko Yamagami arregalou os olhos, olhando para Nakahara Chūya, que balbuciava contando os passos, incrédula: — Dançar com ele?

Está brincando?

Se o Rei das Ovelhas pisasse no meu pé, ele me quebraria!

Isso é um ataque à líder! Crime grave!