Capítulo 1

O Idiota Caçador de Garotas: Estratégia Reversa Contra o Inimigo Mortal Miau imperdível 4049 palavras 2026-07-31 04:44:37

O sol está maravilhoso.

A água também está fresca e agradável.

O corpo afunda lentamente, e a consciência começa a se turvar.

— Irmão! — Na margem, uma criança manhosa reclama sem parar, protestando: — O sol está forte hoje, levante-se logo!

O jovem, totalmente submerso na água, abriu os olhos. Seus cabelos negros, levemente ondulados, pareciam incrivelmente suaves sob a água; os olhos cor de íris, primeiro, olharam para o céu através da superfície, depois se voltaram para o “menino” que o acompanhava pela margem.

— Irmão, você está sempre brincando sozinho. Não disse que desta vez sairia comigo?

Dazai Osamu soltou algumas bolhas, suspirando sem som.

O jovem encharcado subiu pela margem do rio Tsurumi, as roupas molhadas ainda pingando gotas.

— Irmão! — O menino manhoso calou-se de repente, e seus traços delicados se abriram num sorriso radiante, aproximando-se com alegria.

Dazai Osamu baixou os olhos para ela e disse:

— Kogari.

Ela parou obedientemente a dois passos de distância e cumprimentou:

— Irmão, gostou da brincadeira de entrar na água hoje?

O boné marrom de jornaleiro escondia o cabelo negro na nuca, fios macios caíam sobre o pescoço, e o rostinho bonito, sob a aba do chapéu, se erguia.

— Se não fosse por certo alguém que não parou de me importunar — Dazai Osamu sorriu, meio sério, meio brincando —, a brincadeira teria sido perfeita.

Kogari Tokiyama sentiu-se um pouco culpada, mas logo se defendeu:

— A culpa é sua! Disse que hoje ia sair comigo, mas fugiu para brincar sozinho na água!

Um absurdo!

Promete e não cumpre!

A criança irritada era mais baixa que Dazai Osamu, mas seus olhos, de um vermelho profundo, brilhavam ainda mais, cheios de energia diferente do “irmão”.

Ele riu baixo:

— Você é mesmo uma pestinha.

Sempre o atrapalhando.

Tagarelando sem parar.

— Ei! — Kogari Tokiyama virou-se para os mafiosos à sua retaguarda e ordenou: — Não vão buscar roupas limpas para o meu irmão trocar?

O “menino” pequeno, de jardineiras, comandava os adultos sem cerimônia.

Os mafiosos altos se curvaram para obedecer.

— Senhor Dazai, por aqui, por favor.

Ele respondeu sem se importar, a água escorrendo continuamente do cabelo e das roupas.

O carro preto da Máfia do Porto, responsável por transportar Kogari, estava sempre pronto, com roupas de troca para Dazai Osamu e sua paixão pelas “brincadeiras na água”.

A porta do carro se abriu.

Quando Dazai Osamu ia entrar, viu pelo canto do olho Kogari pisando sorrateiramente em sua sombra e, sorrindo, sacudiu os cabelos com força.

— Ei! — Kogari, apanhada desprevenida pelas gotas, reclamou — Irmão!

Dazai Osamu inclinou a cabeça inocentemente:

— Cabelo molhado é tão desconfortável.

Kogari fez beicinho, limpando as gotas do rosto.

— Se continuar me provocando, vou ficar brava — ela ajeitou a aba do boné, certificando-se de que o disfarce estava intacto, e enfatizou: — Eu brava sou terrível! Você nunca viu, irmão!

Dazai Osamu prolongou a resposta, sorrindo:

— Gostaria de ver.

Kogari inflou as bochechas, descontente.

O celular do mafioso vibrou.

Ele deu dois passos para trás e atendeu em voz baixa:

— Sim, entendi.

— Senhor Dazai, é para o senhor.

Dazai Osamu pegou o telefone sem entusiasmo:

— Alô, doutor Mori?

A voz preguiçosa, zero motivação para o trabalho.

— Sim, sim... entendi — respondeu distraidamente, até que de repente se animou: — Oh?

O jovem sorriu de canto.

Kogari piscou, surpresa ao ver o irmão, sempre desinteressado pelo trabalho, sorrir ao telefone.

— Irmão?

— Kogari.

Dazai Osamu desligou, jogando o celular para trás sem olhar:

— Volte para a agência.

Deu um tapinha no boné de Kogari e a manga do casaco balançou nos ombros.

Virou-se e se foi!

Kogari Tokiyama ficou incrédula.

Ela fitou suas costas indignada e perguntou:

— O que tem ocupado tanto o irmão ultimamente?

— O senhor Dazai anda preocupado com os Carneiros.

O mafioso designado para protegê-la respondeu sinceramente.

— Carneiros? — A mascote-chefe, normalmente alheia aos inimigos da organização, estranhou: — Não parecem grande coisa, por que o irmão teria de lidar com eles pessoalmente?

— Ele colaborou com o Rei dos Carneiros recentemente.

Kogari suavizou o semblante:

— Ah? São amigos?

Maeno hesitou:

— Acho que não.

— Não?

Kogari já impaciente, ergueu o boné e pressionou:

— Então? É fornecedor da organização? Ou negociante?

Do contrário, não via motivo para o irmão cooperar.

— Não... — Maeno respondeu cauteloso: — Na verdade, o Rei dos Carneiros é nosso inimigo. O senhor Dazai só trabalhou com ele temporariamente para resolver uns problemas.

Kogari se espantou:

— Irmão teve problemas? Por que ninguém me contou?

Maeno, delicado:

— Talvez não quisesse preocupá-la.

A verdadeira razão envolvia o antigo chefe.

Melhor não comentar.

— Então o tal Rei dos Carneiros é nosso inimigo? O irmão também não gosta dele? — Kogari confirmou.

Maeno lembrou dos conflitos passados entre a Máfia do Porto e os Carneiros e assentiu com firmeza:

— Sim, ele é nosso inimigo.

— O inimigo do meu irmão é meu inimigo!

Kogari seguiu pela trilha à beira do rio.

Virando a cabeça, perguntou:

— Que tipo de pessoa é o Rei dos Carneiros?

Conhece o inimigo, vence cem batalhas.

Antes de agir, precisava saber com quem lidava.

— É um homem muito difícil! — Maeno ficou tenso. — Melhor deixar para o senhor Dazai!

Kogari lançou-lhe um olhar de reprovação:

— Covarde!

— Nem viu o sujeito e já está com medo?

Maeno quase chorou.

Não era medo do Rei dos Carneiros.

Era medo de Kogari enfrentar Nakahara Chuuya e eles não conseguirem protegê-la.

Aí, não só Dazai não os perdoaria, como o conselheiro Mori e a líder Ozaki também não.

— Medroso!

Kogari resmungou e continuou andando.

Mas antes que pudesse insultar de novo, trombou em alguém na esquina.

— Ai! Que dor!

A dor surda se espalhou pelo corpo.

Kogari segurou o nariz, os olhos ficando vermelhos e a voz entrecortada:

— Não olha por onde anda?

Deu dois passos atrás, furiosa, e olhou para frente —

O rapaz de cabelo ruivo e olhos azuis olhava para baixo, mãos nos bolsos da jaqueta.

Fitou Kogari, o semblante ligeiramente frio:

— Não foi você que se distraiu olhando para trás?

Kogari ficou sem resposta.

Com o nariz doendo, os olhos rubros e brilhantes, fixou-o com raiva.

— Você também não olhava por onde andava!

Respondeu, contrariada.

Nakahara Chuuya ia dizer algo, mas ao notar a expressão delicada, quase chorosa dela, conteve-se.

Se dissesse mais alguma coisa, ela choraria ali mesmo.

— Ficou sem palavras? — Kogari fungou e baixou a mão, tentando mostrar que não doía.

Mas com o nariz e os olhos vermelhos, não convencia ninguém.

Nakahara Chuuya hesitou.

Não sabia lidar com crianças manhosas.

Perguntou:

— O que você quer?

Kogari se surpreendeu, avaliando-o desconfiada.

Tão bravo um instante atrás, e de repente, tão calmo?

— Vai pedir desculpa? — arriscou ela.

Chuuya arqueou a sobrancelha, entre um sorriso e um deboche:

— Se eu pedir desculpa, você vai pedir também?

O coração de Kogari disparou e ela protestou alto:

— Por que eu pediria desculpa?

— Pirralha.

Chuuya estendeu a mão.

O corpo de Kogari enrijeceu; queria recuar, mas os pés não obedeciam. Gaguejou:

— Vai, vai me bater?

A mão do rapaz se aproximava.

Assustada, fechou os olhos e encolheu o pescoço.

Mas, de repente, sentiu um toque seco na testa, a dor se espalhando.

Kogari tremeu as pestanas, abrindo os olhos devagar.

Chuuya sorriu de modo travesso:

— Moleca, quando estiver pronta para me pedir desculpa, venha me procurar.

Kogari segurou a testa latejante, meio abobalhada.

Ele deu a volta e seguiu seu caminho.

— Vocês não vão fazer nada? — Kogari virou-se, incrédula, para os mafiosos que a protegiam.

Pisou forte, furiosa:

— Ele me agrediu! Eu! A chefe de vocês!

Que raiva!

Ele não só bateu nela, como ainda deu um peteleco!

Não iria perdoá-lo!

— Kogari, ele é o Rei dos Carneiros.

Maeno observou Chuuya ao longe, cauteloso:

— Ele odeia a Máfia do Porto. Se descobrir quem você é...

A expressão de Kogari mudou.

A voz fraquejou:

— O que... o que ele faria?

— Provavelmente nos mataria.

Maeno estava sério.

Kogari congelou.

— Melhor voltarmos para a agência? — sugeriu Maeno, sincero. — Lá, haverá mais gente para protegê-la.

Ela ficou em silêncio. Após um tempo, disse:

— Não... não vou voltar.

— Kogari? — Maeno se surpreendeu.

Temendo que ela desconhecesse o perigo de Chuuya, insistiu:

— O Rei dos Carneiros é um homem aterrorizante. Ele invade nossos portos sozinho, mata mafiosos que enfrentam os Carneiros e sai ileso.

— Não é um inimigo que possamos derrotar.

Kogari apertou os lábios, ajeitou o boné e disse, séria:

— Mas ele é inimigo do meu irmão!

— Se eu resolver o inimigo do meu irmão, estarei ajudando!

Determinada, apressou-se atrás de Chuuya.

— O quê? Mas... nós não conseguimos vencê-lo!

Nem com vários grupos dariam conta.

Kogari olhou para trás, impaciente:

— Você é burro? Quem disse que vou lutar com ele?

Seria tolice enfrentar alguém no que ele é melhor.

Nem os tolos fariam isso.

— É claro que vou usar a cabeça!