Capítulo 11
Após uma grande confusão, Osamu Dazai conseguiu dominar o caranguejo fugitivo.
— Irmão mais velho, vamos sair hoje? — perguntou Tokoyama Kogasa, ainda assustada, olhando para a porta da geladeira fechada. — E se eles escaparem...
Ela não queria voltar ao velho apartamento para encontrar caranguejos rastejando por todo o chão.
— Claro que vamos! — respondeu Dazai com firmeza. — Não podemos desperdiçar a delícia que é o caranguejo! Vamos receber esses convidados com os melhores ingredientes!
Kogasa piscou, confusa:
— Os melhores ingredientes são...?
— Tofu! — exclamou Dazai animado. — Caranguejo com tofu é a melhor combinação para o nabe!
Kogasa ficou curiosa.
Mas ela não podia comer frutos do mar, nem mesmo o tofu do nabe com frutos do mar. Quanto ao “delicioso” que Dazai mencionava, ela só podia imaginar o sabor.
— Irmão mais velho, não esqueça do meu takoyaki — enfatizou, pegando seu boné estilo carteiro e prendendo o cabelo bagunçado por dentro.
Dazai olhou para ela.
Ele bateu no ombro de Kogasa, que o olhou com um olhar meio perdido.
— Você tem um pente? — perguntou baixinho.
Kogasa mexeu nos bolsos da roupa, tirou um pequeno pente de madeira e perguntou:
— Serve este?
Dazai assentiu levemente.
Ele tirou o boné dela e o entregou.
— Irmão mais velho? — Kogasa perguntou, um pouco confusa.
Ele enrolou as mechas de cabelo que caíam sobre os olhos, com um toque suave e firme:
— Vire-se.
— Ah — respondeu Kogasa obedientemente.
Ela virou-se de frente para a parede, segurando o boné.
Sentiu um leve puxão no couro cabeludo enquanto os dentes do pente deslizavam suavemente, desembaraçando os fios negros emaranhados.
Dazai foi delicado.
Ele olhava para o cabelo na palma da mão e, ao encontrar nós, não forçava; apenas usava o pente devagar para soltá-los.
Kogasa olhou para o boné em sua mão e, feliz, disse:
— Irmão mais velho, faz muito tempo que você não penteia meu cabelo.
— Você não sabe fazer isso sozinha? — respondeu ele distraidamente.
Kogasa resmungou:
— Não é a mesma coisa.
O cabelo penteado pelo irmão mais velho não é igual ao que ela mesma arruma.
Dazai deu um leve resmungo enigmático e estendeu a mão:
— Me dá o boné.
Ela passou o boné claro para trás.
Ele o pegou, envolvendo o cabelo cuidadosamente preso, ajeitou mais um pouco e disse com calma:
— Vamos.
Ela tocou o coque sob o boné, radiante:
— Irmão mais velho, você é incrível! Meu cabelo não está bagunçado nem um pouco!
Normalmente, Kogasa só enfiava o cabelo no boné de qualquer jeito.
Enquanto a aparência externa estivesse boa, tudo bem se estivesse bagunçado por dentro.
— Você também deveria aprender a cuidar sozinha — disse Dazai, já colocando o casaco e saindo à frente, sem olhar para trás. — A Senhorita Momiji não quer que você saia tanto, e com certeza não vai ajudar a arrumar isso para você.
Kogasa fez um bico.
O irmão mais velho estava certo.
Na verdade, a dirigente Momiji não aprovava que ela saísse, mas Kogasa sempre encontrava um jeito de escapar. Por causa do posto de líder, Momiji não restringia demais, mas também não ajudaria voluntariamente.
— Mas o irmão mais velho está aqui, não está? — ela correu para alcançá-lo, feliz, sem preocupações. — Você pode me ajudar!
Dazai bufou e respondeu sem piedade:
— Recuso-me.
— Irmão mais velho, irmão mais velho... — Kogasa girava ao redor dele, chamando sem parar.
Dazai suspirou.
Que criança irritante.
— Ah! — de repente, ele gritou, apontando para frente. — Ali tem uma barraca de takoyaki super gostoso!
Kogasa desviou o olhar de imediato:
— Onde? Onde?
— No meio da rua comercial — Dazai segurou seus ombros e olhou firme para ela, com voz séria. — É uma barraca muito famosa! Todo dia tem fila. Se chegarmos tarde, não vamos conseguir nada.
Kogasa ficou ansiosa:
— Então vamos logo comprar.
— Não — Dazai balançou a cabeça pesadamente.
— Você viu o supermercado na rua comercial?
Ela ficou parada, balançando a cabeça.
— O supermercado está em liquidação de Natal!
Ele abaixou a voz, como se fosse um segredo sagrado:
— Você sabe que essas liquidações atraem muitas mulheres lindas que lutam pelas compras para suas famílias. Temos que competir com elas para conseguir os ingredientes certos...
Kogasa arregalou os olhos, assustada:
— Vamos ser esmagadas!
Com certeza!
Dazai assentiu preocupado:
— E se esperarmos elas comprarem tudo, quando formos...
— Irmão mais velho não vai conseguir comprar o que quer — disse Kogasa, apreensiva.
Dazai suspirou suavemente.
Ela fechou o punho, decidida:
— Irmão mais velho, você compra o takoyaki para mim, e eu vou ao supermercado comprar o que você quer!
— Não, não, não... — Dazai apressadamente disse. — Eu vou ao supermercado, você compra o takoyaki.
Kogasa hesitou:
— Mas...
— Só eu sei o que realmente quero comprar — ele bateu no ombro dela e sorriu. — Você também quer comer takoyaki fresquinho, acabado de fazer, não é?
Ela hesitou e assentiu devagar.
Dazai tirou uma carteira preta simples do bolso, pegou dinheiro e entregou para Kogasa, animado:
— Hoje, além do nabe de caranguejo, vou fazer uma receita nova!
Kogasa, animada, perguntou:
— Receita nova?
— Isso! — ele disse cheio de confiança. — Nabe de frango energético!
Ele falou com seriedade:
— Você não pode comer frutos do mar, e eu não posso só pensar em mim. Esse nabe de frango é uma receita nova especialmente para você!
Ela piscou, e seu rosto bonito se curvou em um sorriso adorável:
— Obrigada, irmão mais velho!
— Vai logo comprar o takoyaki! — ele bateu na cabeça dela e sorriu. — Quanto mais cedo comprarmos, mais cedo voltamos.
Ela assentiu com força, segurou a aba do boné e correu alguns passos, olhando para trás:
— Irmão mais velho, tome cuidado.
Ele sorriu e assentiu.
Até que Kogasa se perdeu na multidão e desapareceu de vista.
Ele virou os pés, cantarolando alegremente, caminhando em direção ao supermercado.
O supermercado na rua comercial realmente estava com liquidação.
Mas a promoção era só em algumas categorias, e ele poderia evitar a multidão comprando ingredientes mais sofisticados, sem muita confusão.
De qualquer forma, quem pagava era o Sr. Mori.
Como Dazai havia dito, a barraca de takoyaki estava tão movimentada que Kogasa ficou surpresa.
Ela estava no fim da fila, ficando na ponta dos pés para olhar à frente.
Contou rapidamente: havia dezenas de pessoas.
Ela ficou preocupada se, ao chegar sua vez, os ingredientes já teriam acabado.
— Ah... está nevando — disse Kogasa, olhando para o céu com um olhar vazio.
Flocos de neve caíam, pousando em seus cílios, cobrindo-os com uma fina camada branca.
Um guarda-chuva cinza se estendeu para cobri-la, bloqueando sua visão.
— Kogasa.
Ela piscou e virou a cabeça:
— É você, Rei das Ovelhas.
Nakahara Chuuya franziu as sobrancelhas, confuso:
— Por que você sempre me chama assim?
Ele já fazia parte da máfia do porto há algum tempo.
Ninguém mais o chamava de “Ovelha”.
Só Kogasa, sempre que o via, o chamava de “Rei das Ovelhas”.
— Porque quando eu te conheci, você era o Rei das Ovelhas! — respondeu Tokoyama Kogasa com naturalidade.
Nakahara Chuuya suspirou, resignado:
— Mas agora eu já entrei para a organização.
Embora não pudesse dizer que fosse de livre vontade, Chuuya se dedicava ao máximo à máfia do porto.
A maioria das pessoas agora o chamava de “Manipulador da Gravidade”.
“Rei das Ovelhas” era um título do passado.
— Você é você, independentemente de fazer parte da organização ou não — Kogasa olhou para ele, intrigada. — No fundo, nada mudou.
Chuuya continuava sendo seu rival, assim como do irmão mais velho.
Ele sorriu baixinho:
— É verdade.
Por que o Rei das Ovelhas ainda está aqui?
Kogasa lançou um olhar para ele e depois olhou ansiosamente para a fila à frente.
Com medo que o delicioso takoyaki acabasse antes de chegar a sua vez.
— Ontem... — Chuuya tocou a parte de trás do pescoço, desconfortável, desviou o olhar e disse: — Obrigado pelo presente de Natal.
— Você já falou isso — ela respondeu impaciente. — Por que repetir as mesmas coisas...
Uma caixa de presente bem embrulhada foi colocada diante dela, interrompendo suas palavras.
Ela olhou para Chuuya, desconfiada:
— O que é isso?
Uma vingança do Rei das Ovelhas?
Será que, ao abrir, sairia um boneco assustador pulando de dentro?
— É seu presente de Natal — ele olhou rapidamente para Kogasa e colocou a caixa em suas mãos. — É um presente de retribuição.
Ela ficou paralisada, segurando a caixa, sem saber como reagir.
— ...Eu não sei o que você gosta — o jovem ruivo não olhou para ela, falou baixo e meio enrolado. — A oficial de relações públicas disse que isso serviria.
Antes, Chuuya não tinha o costume de trocar presentes de Natal.
Ele não sabia o que seria apropriado.
Só podia perguntar para a pessoa “mais sociável” da organização.
— É realmente para mim? — Kogasa hesitou.
Vendo a reação dela, Chuuya ficou calmo.
Ele assentiu e sorriu:
— Vai abrir ou não?
Kogasa baixou os olhos para o presente inesperado.
Ela ficou quieta por um momento, sentindo-se um pouco culpada, cautelosa e pronta para encontrar defeitos, e então começou a abrir o presente dado por Chuuya.
— Isso é...
Ela inclinou a cabeça e tirou da caixa um cachecol macio, grosso e quente, com uma textura muito agradável ao toque.
Havia até uma pequena etiqueta indicando que era de uma marca famosa.
— Não sei se você vai gostar — Chuuya deu de ombros. — Mas acho que você precisa disso agora.
Ele olhou para as orelhas vermelhas dela, com os dedos e as articulações também um pouco avermelhados por causa do frio.
Não resistiu e apertou a mão de Kogasa, surpreso:
— Suas mãos estão mesmo geladas.
— O que você está fazendo! — Tokoyama Kogasa voltou à realidade, sacudindo a mão e arregalando os olhos, alerta: — Mexendo em mim! Que sem-vergonha!
Chuuya ficou meio perdido:
— Hein?