Capítulo 5
“JOGO TERMINADO!”
A tela do jogo exibiu a tela de encerramento, acompanhada por uma música de fundo alegre.
Tokoyama Kogami segurava firmemente o controle, olhando para a tela com um olhar de descontentamento.
“Você nunca jogou antes?” Nakahara Chuuya perguntou surpreso.
Ele pensava que o irmão de Dazai havia desafiado-o por estar familiarizado com jogos de luta e ter muita confiança nisso.
No entanto, a atuação desajeitada de Kogami indicava que ela não tinha muita noção das técnicas especiais do personagem que controlava.
“Não pode simplesmente ficar apertando soco e chute sem parar,” Chuuya inclinou o corpo de lado, olhando para o controle de Kogami, explicando: “Cada personagem tem seus golpes secretos. Quando a barra de energia estiver cheia, escolha o momento certo para usar; assim você pode tirar bastante vida do inimigo.”
O ombro do jovem que se aproximava encostou-se casualmente em Kogami.
Ela franziu levemente o cenho e desviou para perto de Dazai, com um tom ameaçador, mas tímido: “Não fique se achando! Você só ganhou de mim, mas o meu irmão é muito melhor do que eu!”
Chuuya arqueou uma sobrancelha, confuso de verdade: “Eu? Me achando?”
Ele ainda fingia inocência!
Tokoyama Kogami bufou alto e virou-se para Dazai, dizendo: “Irmão, vingue-me!”
Seus olhos vermelho-vivo brilhavam com a intensidade de uma joia sob o sol, lançando um olhar feroz para Nakahara Chuuya.
Ele ficou sem entender.
Na primeira vez que se encontraram, eles até se deram bem.
“Irmão, derrote o Rei das Ovelhas por mim!” Kogami agarrou a roupa de Dazai, insistindo: “Tem que dar uma surra nele!”
Dazai afagou a cabeça dela e mastigou o doce na boca: “Então vem para o meu lado.”
“Hm?” Kogami piscou curiosa e trocou de lugar obedientemente.
Do meio do sofá, ela se mudou para o lado direito de Dazai, entre ele e Chuuya.
Com as mãos delicadamente apoiadas no colo, ela virou a cabeça: “Irmão, já estou pronta.”
Ela tinha algo para pedir?
Seus olhos vermelho-vivo não piscavam enquanto olhavam para Dazai.
“Hmm... você fica aqui para me apoiar,” Dazai pensou um pouco e sorriu: “De qualquer forma, Chuuya é fraco, vai perder rápido.”
Chuuya resmungou: “Quem é o fraco, você vai ver daqui a pouco!”
Ele apertou com força o botão de seleção e escolheu um personagem familiar: “Não chore se perder, não vai querer passar vergonha na frente da sua irmãzinha.”
“Irmão não perde!”
Kogami rebateu sem pensar.
Chuuya olhou para ela e bufou irritado.
Na última vez, ela não tinha essa atitude.
Assim que Dazai apareceu, a pequena imediatamente mudou de postura.
*
Os sons intensos do jogo e as discussões dos dois adolescentes se alternavam.
Trinta e três vitórias para cada um.
Empate técnico.
Kogami, concentrada em contar as vitórias de Chuuya e Dazai, com os olhos pesados, mal conseguia segurar o quadro branco de contagem que estava em seu colo.
“Ploc.”
A caneta caiu no quadro, fazendo um leve som.
Ela se recostou no braço do sofá e adormeceu.
Chuuya olhou para ela e disse: “Ei, ela dormiu.”
Dazai, olhando para a tela de encerramento, largou o controle e se recostou preguiçosamente: “Chuuya perdeu para mim, então o relatório da missão fica contigo.”
“Quando eu perdi para você?”
Chuuya o encarou com raiva.
Dazai fingiu surpresa: “Não foi na última partida?”
“Quem disse que aquela foi a última?” Chuuya, insatisfeito, respondeu: “Vamos de novo!”
*
Ele não era pior que Dazai!
Só perdeu um pouco no final; na próxima, a vitória seria dele com certeza!
“A contadora já caiu,” Dazai espreguiçou, levantando os braços lentamente: “Agora ninguém vai contar as vitórias.”
Chuuya franziu a testa: “A gente pode contar sozinho.”
Não era nada difícil.
Mas ele certamente não admitiria ter perdido para Dazai.
“Será que Chuuya não aceita perder assim?” Dazai cobriu a boca com a mão, fingindo estar surpreso, deixando Chuuya irritado.
Ele aumentou a voz: “Quem não aceita perder?”
Dazai levantou o dedo indicador na frente dos lábios.
Chuuya parou por um momento.
“Não acorde ele, a fase de crescimento das crianças é muito importante.”
Dazai lançou um olhar para Chuuya e provocou: “Se não crescer alto como você, vai ser um anãozinho a vida toda, que triste.”
“Eu ainda estou crescendo, viu?”
Chuuya retrucou.
Kogami, que estava sonolenta no sofá, mexeu-se um pouco, franzindo o cenho e emitindo um som indistinto: “Umm...”
O jovem de cabelos avermelhados ficou sem palavras.
Dazai sorriu e apontou para os documentos sobre a mesa, depois fez um gesto com a mão.
Chuuya cerrou os dentes e ficou em silêncio.
Bufou, pegou os papéis que havia trazido e saiu a passos largos.
“Cliq.”
Dazai fechou a porta do escritório novamente.
Ele virou-se para Kogami, o sorriso desaparecendo, seus olhos vermelho-vivo baixos observando-a.
“Ela consegue dormir em qualquer lugar...”
Sem expressão, ele pegou o casaco ao lado e colocou sobre Kogami, tirando o capuz que atrapalhava e deixando o cabelo solto cair.
Desligou o console conectado à televisão.
Dazai, entediado, pegou o celular e começou a jogar Snake.
“Irmão...”
Uma voz suave sussurrou em seu sonho.
Dazai virou a cabeça para Kogami, que dormia encolhida no casaco com cheiro dele, murmurando seu nome no sono.
Ele desviou o olhar e colocou a mão sobre a cabeça dela, acariciando-a suavemente: “Durma.”
A luz do sol da janela iluminava os irmãos no sofá.
Eles se encolhiam naquele pequeno canto, como nos últimos anos, quando vagavam juntos, dependendo um do outro.
*
Quando a noite caiu, Dazai sentou-se no braço do sofá, lendo à luz do luar.
“Irmão... Irmão?”
Tokoyama Kogami esfregava os olhos e sentava-se lentamente, o casaco escorregando pelo sofá.
Ela se curvou para pegar o casaco de Dazai e olhou ao redor procurando uma figura familiar.
“Irmão!”
Dazai respondeu calmamente, virando a página do livro sem desviar o olhar: “Sonhou?”
Kogami abraçou o casaco e inclinou a cabeça, pensando: “Acho que sim?”
Tentando se lembrar.
Ela sorriu feliz: “Sonhei com você, irmão!”
“Oh?” Dazai levantou a voz, interessado: “Sonhou o quê?”
Será que ela ia reclamar de novo?
*
“Sonhei com o presente de aniversário que você me deu no ano passado!” Kogami se aproximou de Dazai, seus olhos bonitos curvados num sorriso radiante: “Era o que eu sempre quis!”
Ele inclinou a cabeça, apoiando o rosto na lombada do livro, fingindo lembrar: “Hmm? Eu te dei um presente no ano passado?”
“Claro que sim!” Kogami ficou um pouco ansiosa: “Você não lembra? Me deu um caranguejo eremita!”
Um caranguejo eremita bem pequeno.
Kogami ainda o mantinha no aquário, alimentando-o diariamente.
“É mesmo?” Dazai ficou surpreso e sorriu: “Não me lembro.”
Kogami baixou a cabeça, desapontada: “Ah, que chato...”
No aniversário de Kogami há um ano, ela ainda não era líder da máfia do porto.
Por ordem do antigo líder, ela e Dazai foram separados por dois meses, sem se verem por muito tempo.
Finalmente, aproveitando o aniversário para sair, ainda era seguida por sete ou oito mafiosos, que na verdade a “protegiam” e “vigiavam”.
“Você realmente não lembra, irmão?”
Ela perguntou baixinho.
Naquele dia, às margens do rio Tsurumi, o corpo de Dazai flutuava na água, quando ouviu a voz de Kogami se aproximar.
Ele subiu lentamente na margem, tirou um pequeno caranguejo eremita do bolso do casaco e o colocou na palma da mão dela.
“Este é o presente do irmão?”
A Kogami de doze anos segurou o pequeno caranguejo com alegria, radiante de felicidade.
Ela sempre quis ter um caranguejo eremita.
Mas antes, onde eles vagavam, não havia mar.
Ela só sabia que o caranguejo gostava de procurar conchas e “casas” para si.
“Não sei quando ele entrou no meu bolso,” disse o garoto de quatorze anos, molhado da cabeça aos pés, balançando a manga despreocupadamente: “Se for incômodo, joga ele de volta no rio.”
A pequena garota segurou o caranguejo com cuidado, seus olhos bonitos brilhando de felicidade, sorrindo radiante: “Eu não vou jogar fora, é um presente do irmão!”
Dazai olhou para ela e desviou o olhar: “Fica com ele então.”
“É um presente de aniversário do irmão!”
Kogami levantou o pequeno caranguejo com alegria, exibindo orgulhosa: “Vocês não têm um, né?”
Os guardas enviados pelo antigo líder ficaram em silêncio, ela nem se importou.
“De hoje em diante, você é ‘Pequena Flor’!”
Kogami acariciou a concha do caranguejo, contente: “Pequena Flor, eu vou cuidar bem de você.”
O caranguejo, que antes vivia no mar, agora, sob os cuidados de Kogami, tinha um aquário grande, areia fina e comida garantida, vivendo uma vida confortável e segura.
“Eu sempre cuidei bem da Pequena Flor,” Kogami fez um bico, um pouco triste: “Mas o irmão já não lembra.”
O jovem encostado no sofá suspirou e se endireitou, levantando a mão enfaixada para pousar sobre a cabeça dela: “Estou brincando, não esqueci.”
Se ele tivesse mesmo esquecido o caranguejo que entrou no bolso por acaso, poderia esquecer.
Mas o caranguejo que deu a Kogami ele havia buscado numa praia perto de Yokohama; desajeitado e tímido, assim como ela, fugia das pessoas.
“Você ainda lembra por que queria um caranguejo, irmão?”
Kogami agarrou a roupa dele firmemente, olhando-o insistente.
Dazai sorriu levemente e baixou os olhos: “Porque certa bobinha tem alergia a frutos do mar e fica olhando eu comer caranguejo, com inveja, pensando que não pode comer, então resolveu criar um.”
“Não era inveja não,” Kogami resmungou, animada: “Só queria ter um caranguejo que o irmão não pudesse comer.”
Dazai bufou.
Sua irmã boba era como um caranguejo eremita frágil, sem concha dura para se proteger, incapaz de viver sozinha no mundo.
Mas o caranguejo não sabia que a “concha” em que se abrigava era apenas uma aparência frágil.
Cheia de rachaduras.
Que podia se quebrar a qualquer momento.
A “concha” só podia proteger temporariamente o pequeno animal que estava dentro, até se partir completamente.