Capítulo 2

O Idiota Caçador de Garotas: Estratégia Reversa Contra o Inimigo Mortal Miau imperdível 4013 palavras 2026-07-31 04:44:38

“Como a senhora Hikari pretende lidar com o Rei dos Carneiros?”

Hikari Tokiyama escondeu-se atrás do muro, espiando com curiosidade. “Fiquem quietos, estou pensando.”

Pensando em quê? Ela certamente encontraria uma solução para enfrentar o Rei dos Carneiros, só precisava de um pouco de tempo.

“Hã? Por que ele parou?” Hikari apoiou-se no muro, espiando novamente, confusa.

O rapaz de jaqueta verde-militar parou de andar, as mãos enfiadas nos bolsos, olhando de lado para uma floricultura.

“O que ele está olhando?” murmurou Hikari, intrigada. “Será que vai comprar flores?”

O Rei dos Carneiros comprando flores seria para alguém especial?

Hikari não desviou os olhos nem por um instante, observando fixamente.

Seu olhar, descarado e sem disfarce, era audacioso.

Chuuya Nakahara soltou um suspiro baixo e devolveu o olhar com frieza.

“!”

O coração de Hikari pulou, e ela rapidamente se escondeu atrás do muro.

“O Rei dos Carneiros nos viu!” disse ela, acenando nervosamente para trás. “Saiam daqui, rápido!”

“Hã?” Maeno ficou sem reação.

Hikari, impaciente, quase pulou de ansiedade. “Rápido! Se o Rei dos Carneiros nos vir juntos, ele vai me dar uma surra!”

Mesmo que não soubesse que ela era a chefe da Máfia da Orla, só de vê-los juntos, o Rei dos Carneiros a tomaria por membro da máfia.

E logo levaria uma bela surra!

Ela não queria apanhar à toa!

“E você, senhora Hikari...?”

“Se vocês forem embora, eu estarei segura!” respondeu sem pensar.

Os rapazes trocaram olhares, hesitaram um pouco, mas acabaram se afastando.

Nenhum deles era páreo para o Rei dos Carneiros.

Se ficassem ali, só atrapalhariam a chefe.

Tac, tac, tac...

O som dos saltos dos sapatos se aproximava, passo a passo.

Hikari colou as costas na parede, o coração acelerado.

“É você.”

A voz de Chuuya Nakahara soou quase certa.

Ele bloqueava a saída do beco, de costas para a luz, o rosto encoberto pela sombra.

Hikari se encolheu, recuando instintivamente, até sentir o muro atrás de si.

Sem saída.

Assumindo uma postura firme, mas com a coragem vacilante, declarou: “Sou eu! E daí!”

Chuuya Nakahara inclinou levemente a cabeça, intrigado. “Por que está me seguindo?”

A voz grave do rapaz subiu um pouco de tom pela dúvida.

Ele não estava irritado?

O coração de Hikari aliviou-se um pouco, ela o observou com cautela.

“Veio me cobrar despesas médicas?” O olhar de Chuuya pousou no rosto de Hikari, a voz um tanto constrangida. “Doeu muito aquela hora?”

Testa, olhos e nariz estavam vermelhos.

Será que aquele peteleco realmente doeu tanto para que esse pirralho viesse atrás de mim?

“Não quero seu dinheiro!” Hikari respondeu bruscamente. Ajustando o boné, ergueu o olhar rubro para Chuuya, os olhos brilhando de astúcia: “Na verdade... vim pedir desculpas! Por ter esbarrado em você sem querer!”

Brilhante!

Que oportunidade perfeita para dar uma lição no Rei dos Carneiros!

“Você quer comprar flores, não é?” disse Hikari rapidamente. “Para quem vai dar? Eu compro pra você!”

Chuuya ficou surpreso.

Antes que pudesse recusar, a menina já o contornava, correndo até a floricultura à frente.

Ele coçou o rosto, murmurando: “Só estava olhando.”

Não pretendia realmente comprar flores para Rantou.

Afinal, já foram inimigos; só passar por ali era suficiente.

Não era amigável a ponto de levar flores para o túmulo de um antigo adversário.

“Embrulhe um buquê para presente, rápido!” Hikari olhou nervosa para fora, e antes que Chuuya chegasse perto, abaixou a voz: “Vocês têm bichinhos por aqui?”

“Bichinhos?” O atendente, escolhendo flores, ficou surpreso. “A senhorita quer repelente?”

“Não.” Hikari estava ansiosa.

Lançando olhares para fora, temendo que Chuuya ouvisse seu plano, disse: “Quero bichinhos! Não importa para quê!”

O atendente, sem entender, perguntou: “Minhocas servem?”

Alguns clientes compravam minhocas para usar como isca.

“Minhocas? Serve!” Vendo Chuuya se aproximar pelo canto do olho, Hikari pegou apressada a caixinha oferecida pelo atendente, virou-se de costas, abriu para conferir.

Argh.

Hikari inspirou fundo, sentindo frio na barriga.

Aquelas minhocas, enroladas numa massa, davam arrepios.

“Vai ser você mesmo!”

Respirou fundo, o rosto lindo estampando um sorriso triunfante, murmurou baixinho: “Rei dos Carneiros.”

O seu reinado terminou!

Derramou todas as minhocas do potinho dentro do buquê embrulhado.

Hikari sacudiu bem o buquê, fazendo todas as minhocas se esconderem no fundo.

Não importava para quem o Rei dos Carneiros pretendia dar as flores.

Quando a pessoa abrisse o buquê e encontrasse aquele monte de minhocas...

Hehehe!

O Rei dos Carneiros certamente brigaria com essa pessoa!

“Você comprou mesmo as flores?” Chuuya, com as mãos nos bolsos, olhou para o buquê bem embalado.

Sentiu-se um pouco estranho.

“Claro,” Hikari sorriu, respondendo animada: “Disse que ia te compensar, não disse?”

Deu um passo à frente e empurrou o buquê no peito de Chuuya.

“Tome, não precisa de troco.”

E empurrou ao atendente uma nota de dez mil ienes.

Puxou Chuuya pelo canto do casaco, ansiosa: “Vamos logo.”

Precisava sair da loja antes que o Rei dos Carneiros percebesse qualquer coisa.

“Você pagou demais.”

Chuuya, com o buquê nos braços, parecia desconfortável. “Não precisa tanto por um buquê.”

Nunca tinha feito algo assim antes, de levar flores para alguém.

“Não tem problema, você não ia entregar as flores?” Hikari temia que ele descobrisse logo o truque, então o puxava com pressa para fora. “Vamos, senão a pessoa vai se irritar.”

Chuuya ficou em silêncio e não explicou nada.

“Tchau.” Hikari mal podia esperar para se afastar dele.

Apesar da vontade de ver a reação do Rei dos Carneiros ao encontrar as minhocas, só de ter dado uma lição nele para aliviar o irmão, já estava satisfeita.

Virou-se, saltitante, e alguns fios do cabelo longo escaparam do boné.

“Espere.” Chuuya a chamou.

Hikari parou, fingindo naturalidade. “Mais alguma coisa?”

Ele hesitou, olhando para o buquê nos braços. “Obrigado pelas flores.”

Ainda bem que não descobriu.

Hikari respirou aliviada. “De nada, foi um presente de desculpas.”

Idiota.

Era uma lição da Máfia da Orla para o Rei dos Carneiros.

Para que ele soubesse: esse é o destino de quem enfrenta a Máfia da Orla e causa problemas ao irmão.

“Como você se chama?” Chuuya perguntou de repente.

Hikari ficou apreensiva.

Será que ele queria guardar o nome dela, para cobrar depois se descobrisse o truque?

“Sobre o que aconteceu, desculpe, eu também tive culpa.”

“Meu nome é Chuuya Nakahara. Se você tiver problemas em Yokohama, pode ir...”

Ele pensou um pouco, olhando na direção da Rua do Pilão. “Vá à livraria do Bairro Chinês.”

Aquela rua não era lugar para crianças de fora.

“Diga meu nome lá, e se eu puder, vou ajudar.”

Hikari piscou e sorriu docemente. “Vou lembrar.”

Nunca iria.

Afinal, era chefe da Máfia da Orla; se tivesse problemas, recorreria à sua própria gente, não ao líder da organização rival.

“E o seu nome?”

Chuuya perguntou de novo.

Hikari pensou e respondeu com sinceridade: “Meu nome é Hikari, mas meu irmão me chama de Kogikari.”

Nada demais em responder.

Hikari tinha dois nomes na organização: como chefe, era Hikari Tokiyama, mulher; como “irmão mais novo” de Osamu Dazai, era apenas Hikari.

Dentro da agência, poucos sabiam que o “irmão” de Dazai era a mesma pessoa que a chefe da máfia.

“Hikari?” Chuuya murmurou, intrigado.

Estranhou ela não dar o nome completo.

Deve ter seus motivos.

Chuuya não era curioso; se ela não queria dizer, não insistiria.

“As flores,” ele parou, “obrigado.”

Chuuya virou-se e partiu.

Hikari puxou o boné para baixo, o sombreado escondendo o sorriso tímido no rosto disfarçado de menino.

Entrou num beco, encontrando o olhar preocupado dos guarda-costas.

“Vamos voltar.”

“Sim, senhora Hikari.”

Maeno suspirou aliviado.

Enfim, poderiam voltar.

Quatro altos mafiosos alinharam-se atrás de Hikari Tokiyama, acompanhando-a sem se separar até o escritório.

“Senhora Hikari, voltou.”

O médico de cabelos negros e jaleco branco fez uma leve reverência, sorrindo.

Hikari respondeu sem entusiasmo, tirando o boné.

Os longos cabelos negros deslizaram sedosos pelas costas.

Mori Ogai endireitou-se, sorrindo: “Senhora Hikari, está na hora de trocar de roupa.”

“Entendi.”

Ela balançou a cabeça, jogando o boné de lado.

O sol lá fora era forte, e o boné já sufocava seus cabelos.

Daqui a pouco ainda teria de trocar para o quimono, que incômodo.

“Senhora Hikari.”

O tecido luxuoso do quimono arrastava-se pelo chão.

Momiji Ozaki saiu das sombras, curvando-se para segurar delicadamente a mão de Hikari. Seu sorriso radiante iluminava o rosto belo: “Por favor, venha comigo.”

“Quando a senhora Momiji descobriu que eu saí?”

Hikari ergueu o rosto para Momiji Ozaki, os olhos vermelhos brilhando, traços jovens já mostrando a beleza futura.

“O senhor Ogai não escondeu seu paradeiro.”

Ela riu suavemente, lançando um olhar vermelho para Mori Ogai.

Hikari ficou aborrecida. “Que médico inútil!”

Tinha prometido encobri-la diante de Momiji.

Mori Ogai sorriu constrangido.

Momiji Ozaki viera atrás dele com a espada em punho.

Se ele ficasse calado, a lâmina da Yasha Dourada não teria piedade.

“Médico, terminou meu trabalho?”

A voz de Hikari Tokiyama veio da saleta nos fundos do escritório.

Mori Ogai suspirou, resignado: “Senhora Hikari, como chefe da organização, às vezes deveria cuidar dessas coisas.”

A porta entreaberta da pequena sala foi empurrada.

A garota, de quimono, cabelos longos soltos, entrou séria: “Quer dizer que não fez?”

Mori Ogai, exausto, suspirou mais uma vez.