Capítulo 4: A Dádiva

Renascida no Apocalipse: Primeiro, Mato Meu Marido Zhang Dexi 2361 palavras 2026-02-09 16:24:06

Depois do banho, Su Li foi discretamente até a mansão número 25 e recolheu todos os suprimentos do local, incluindo o carro do homem barrigudo, guardando tudo em seu espaço. No dia seguinte, algumas confusões aconteceram no condomínio, mas todas foram resolvidas pela associação de moradores. A presidente, Zhu Ping, chegou a bater em sua porta perguntando se ela tinha visto o homem barrigudo. Su Li, fingindo surpresa, respondeu que não, ainda demonstrando preocupação com o sumido.

Contagem regressiva para a tempestade: quatro dias.

Aproveitando um momento em que o condomínio estava deserto, Su Li saiu de fininho. Chegou a um local completamente vazio antes de retirar o carro do barrigudo do espaço e dirigir até o porto.

Ela estacionou fora do cais e entrou a pé. O calor era insuportável, então tomou uma dose de elixir refrescante e bebeu um copo de água do poço do espaço, sentindo-se muito melhor.

À medida que avançava, enormes contêineres coloridos se alinhavam diante de seus olhos. Antes, só tinha visto guindastes e contêineres pela televisão, mas nunca se impressionara tanto. Agora, mergulhada naquele oceano de aço, sentiu-se minúscula.

Sem hesitar, começou a guardar os contêineres em seu espaço, organizando-os por categoria.

Havia roupas, itens de uso diário, eletrônicos, petiscos, carnes congeladas, remédios, fertilizantes, carros, minérios, carvão — de tudo um pouco, suprindo a falta de recursos para estocar provisões.

Depois de guardar uma parte dos contêineres, decidiu ir embora. Apesar de o porto ser inundado com as chuvas iminentes, se as autoridades conseguissem recolher os suprimentos a tempo, mais pessoas poderiam sobreviver por mais algum tempo.

Seguiu de carro até o maior shopping da cidade.

O shopping era o berço das “compras a custo zero”; impossível não ir. Controlou-se para não exagerar e pegou apenas roupas, acessórios, alimentos e um pouco de ouro de que realmente gostava ou precisava.

No subsolo, havia várias lojas de artigos para animais — pegou tudo para Doguinho. Doguinho era o nome que dera ao seu gato de raça, que mais parecia um cão de tão comportado.

No mercado de materiais de construção e no de móveis, recolheu um pouco mais. Adorava móveis de madeira bem trabalhada e pressentia que os materiais de construção teriam grande utilidade no futuro.

Também passou em alguns postos de combustível, onde recolheu bastante gasolina e diesel.

De volta em casa, encheu a tigela de Doguinho com água do poço, serviu as sobras de comida e, dessa vez, acrescentou uma tigela de ração para gatos. Doguinho cheirou a ração, torceu o focinho e virou-se para devorar as sobras.

Gatos selvagens não gostam de ração. Su Li não podia fazer nada; o importante era que a água do poço também surtia efeito no animal, que agora exibia pelos mais brilhantes a cada dia, quase se transformando de algodão para seda. Deixou que comesse o que quisesse.

No primeiro dia de chuva, Su Li manteve sua rotina de treinar e cultivar, bebendo a água do poço todos os dias. Agora, estava forte como dois homens adultos, o corpo visivelmente mais robusto, especialmente as coxas e o peito.

Pelo alto-falante, ressoou a voz de Zhu Ping, convocando novamente a reunião de ajuda mútua do condomínio. Desta vez, quase ninguém respondeu, e Su Li nem se deu ao trabalho de ir.

Porém, Zhu Ping veio até ela, vestindo uma capa de chuva, batendo à sua porta: “Por que não veio à reunião, menina? Só com todos participando poderemos nos ajudar.”

Sua voz era suave, reconfortante, a água escorrendo pelas bochechas secas até o pescoço enrugado, lembrando a Su Li a doçura da própria avó, ainda que a velha Zhu Ping lhe causasse certa estranheza.

Cansada de fingir, Su Li respondeu sem rodeios: “Não fui porque não quis. Nesses tempos, ninguém sabe quem é quem. Eu vivo muito bem sozinha. Se quiser, tente me arrastar para lá!”

A senhora rechonchuda, antes comovida pelas palavras de Zhu Ping, não aguentou e retrucou, sacudindo as carnes: “Menina, que jeito é esse de falar com a diretora Zhu? A sua mãe não te ensinou boas maneiras?”

“Não, não ensinou”, sorriu Su Li. “E você, com essa barriga enorme e pernas finas, deve ter diabetes. Em vez de emagrecer, fica se metendo na vida dos outros. O que, tomou insulina demais e subiu à cabeça? E sua mãe não te ensinou a não cuidar da vida alheia?”

A senhora ficou sem palavras, sentindo-se injustiçada por ser “atacada” por uma jovem sem educação.

Vendo que ela desistia, Zhu Ping interveio: “Está bem, Xiufen. Se ela não quer, não insista. Vamos chamar os outros.” Sua voz era serena, sem emoção. Virando-se para Su Li, disse: “Não vamos mais incomodar. Se algum dia quiser participar, será bem-vinda.”

Dito isso, afastou-se dignamente, sua silhueta sumindo sob a chuva violenta.

Aquela velha tinha algo de interessante. Na vida anterior, a associação de moradores jamais organizou reuniões de ajuda, nem o nome de Zhu Ping era conhecido. Tudo teria mudado por causa dela?

No passado, com as chuvas cada vez mais intensas, alguns moradores sem suprimentos começavam a recorrer à chantagem moral e até agressão física para tomar dos mais fracos tudo o que pudessem. Especialmente mulheres sozinhas como Su Li eram alvos fáceis, verdadeiras “frutas maduras” prontas para serem espremidas.

Mas, desta vez, algo estava diferente. Já fazia duas semanas de chuva e ninguém a havia incomodado.

Sentada no sofá, ela franzia o cenho, enquanto Doguinho miava ao seu lado. Ignorando-o, o animal pulou em seu colo, dando-lhe tapas carinhosos de vez em quando.

Ela preferiu ignorar o felino pouco brilhante. Vestiu a capa de chuva e, sob a proteção do temporal, foi até o saguão da administração.

Dentro, ouviu Zhu Ping discursar, voz firme: “Acreditamos que o sol voltará a brilhar!”

Os outros moradores, animados, responderam: “Acreditamos que o sol voltará!”

Zhu Ping ergueu a voz: “Acreditamos que a tempestade vai cessar!”

E eles, aos gritos: “Acreditamos que a tempestade vai cessar!”

Do lado de fora, Su Li achou tudo aquilo estranho, sem saber se estava num condomínio ou numa seita.

Zhu Ping, por acaso, não teria sido líder de algum culto motivacional?

Ela ergueu a mão magra: “Companheiros, precisamos acreditar em nós mesmos. Antes eu era só professora de literatura, agora consigo buscar comida. Vocês, mais jovens, conseguem também?”

“Conseguimos! Conseguimos!” Os moradores, já convertidos em “companheiros”, estavam inflamados.

“Vamos! Tomar o supermercado ao lado do metrô!”

“Tomar! Tomar!” No saguão, cada um empunhava uma arma improvisada, cheios de energia.

Felizmente, iam apenas saquear um supermercado abandonado. Era o mais próximo do condomínio, ainda não submerso pela elevação do terreno, mas as partes baixas da cidade provavelmente já estavam debaixo d’água.

Será que faltava um pouco de classe? Por que não falavam em recolher suprimentos ao invés de “saquear”?

Vendo que estavam para sair, Su Li se escondeu em um canto, observando-os marchar em fila ao supermercado.

No fim da fila, Zhu Ping virou sutilmente a cabeça em direção a Su Li.