Capítulo 15 - Aniquilação Total
Enquanto Lin Tai organizava os moradores da aldeia para coletar ervas medicinais, Liu Yong apareceu. Vendo um jovem ao lado, Lin Tai esperou que todos partissem para a colheita antes de se aproximar dele e perguntar: “Rapaz, o que o traz aqui?” Talvez o garoto quisesse cortar o cabelo, mas bastava pedir à mãe para aparar com a tesoura.
“Su Li subornou o secretário Chen para que você se tornasse o vice-chefe do novo centro. Vá lá e coloque-a em seu devido lugar.” Liu Yong despejou as palavras de uma só vez.
Lin Tai franziu a testa. Não se surpreendeu ao saber que Su Li presenteava o secretário Chen; afinal, ele mesmo trocava grãos com Su Li. Preferia usar os grãos para ajudar os moradores, não para presentear o secretário.
A fusão das duas aldeias em um único centro era algo positivo. Ser vice-chefe não era problema para ele. Mas o que havia com esse garoto à sua frente? Não diziam que Su Li tratava muito bem o povo da aldeia Da Liu?
Curioso, perguntou: “Você não gosta de Su Li?”
“Minha mãe foi picada por uma formiga venenosa, tomou o remédio dela e morreu. E além disso, ela é mulher, não merece ser chefe de centro.” Liu Yong respondeu convicto.
Lin Tai sabia que, apesar de Su Li distribuir remédios, muitos ainda morriam... Em sua própria aldeia, sem remédios, morreram ainda mais. Se Su Li não era adequada, o que dizer dele mesmo?
Ele tentou explicar: “A maioria das pessoas mordidas não sobrevive, mesmo com remédio. Na nossa aldeia, muitos morreram sem sequer tomar o remédio. Não é culpa da Su Li.”
Liu Yong ficou vermelho: “Ela é uma mulher!”
Lin Tai ficou ainda mais intrigado: “Você, que nasceu depois dos anos 2000, é mais antiquado do que eu, dos anos 90?”
Liu Yong não entendeu, e sua franja parecia até se eriçar: “Como um homem pode defender uma mulher? Você é um covarde!” Saiu furioso em direção à sua casa.
Lin Tai bufou. Covarde? Ele, que já caçou traficantes na fronteira, seria chamado de covarde? Só faltava isso.
Contudo, não subestimou Liu Yong. Subiu em sua motoneta cor-de-rosa e partiu para a casa de Su Li. Na fronteira, alguns jovens já traficavam drogas e matavam policiais antes dos quinze anos; era melhor avisar Su Li.
Su Li viu de longe o futuro vice-chefe do centro chegando em sua casa montado numa motoneta cor-de-rosa.
Com gentileza, disse: “Você veio? Entre, sente-se um pouco.”
Lin Tai pensou: Não fazia muito que ela zombava dele. Agora que seria superior, mudava de atitude?
Afastando pensamentos dispersos, Lin Tai falou sério: “Liu Yong, da sua aldeia, veio me acusar de você ter subornado o secretário Chen para fundir Pitangueira à sua base e me nomear vice-chefe. Ele está muito insatisfeito, culpa você pela morte da mãe e ainda disse que você é inadequada por ser mulher. Você tem filhos e gatos em casa; é melhor tomar cuidado.”
Su Li percebeu que, mesmo sabendo que não seria chefe, ele ainda se preocupava com sua família. Sorrindo com ainda mais doçura, respondeu: “Ele? Já notei que seria um problema. Fique tranquilo, sei lidar com isso. Já que está aqui, fique para o almoço.”
Wang Shuqin, vendo que o rapaz não disputaria mais o cargo com Su Li, passou a simpatizar mais com ele, ainda mais pela preocupação demonstrada com Youyou e Goudan. Entusiasmada, disse: “Isso mesmo, rapaz! Você é tão correto, tem que almoçar conosco. Se eu tivesse uma filha, queria um genro como você.”
Lin Tai ficou até com as orelhas vermelhas, sendo puxado para sentar-se por Wang Shuqin e Zhang Yuan.
Sentaram-se todos para um almoço caloroso, sem saberem que o verdadeiro perigo já se aproximava...
Na cidade de Hang, o domínio de Zhu Ping já se estendia por todo o condomínio World Trade Binjiang. Era como se ela tivesse instalado câmeras em cada canto do condomínio; tudo podia ser visto por ela, e nesse território, seu poder de combate dobrava.
Bastava alguém reclamar dela e, no dia seguinte, a pessoa morria de forma estranha. Entre os mortos, estavam familiares de fãs leais e amigos próximos.
Essas pessoas sabiam que alguns de seus parentes ou amigos tinham alguma queixa sobre a professora Zhu... Ainda assim, sabiam que muitos no condomínio idolatravam Zhu Ping, e as críticas só eram feitas em voz baixa, dentro de casa.
Mesmo assim, morriam...
Ao se encontrarem para missões fora do condomínio, descobriram que todos que haviam falado mal de Zhu Ping... morreram.
Uma pessoa, apenas por comentar que Zhu Ping gostava de rapazes mais jovens, desapareceu. Uma criança, ao apontar para Zhu Ping e dizer “essa vovó é incrível”, também sumiu.
A morte de parentes e amigos fez com que a idolatria por Zhu Ping cessasse de imediato; nem os poderes dela conseguiam mais mascarar o terror.
Quem saía do condomínio em missão era avisado de que qualquer crítica à professora Zhu resultaria em morte...
Em casa, porém, era preciso fingir adoração. Quem tentava fugir era encontrado e executado por Zhu Ping.
Sentiam novamente o sufoco absoluto de viver sob o domínio dela.
Por outro lado, alguns se tornaram completamente alienados, e passaram a idolatrar Zhu Ping de forma total. Chegavam a denunciar parentes que não a respeitavam, sugerindo a execução, embora o medo de serem implicados também pesasse nessas atitudes.
Mães idosas, pais velhos, adolescentes, crianças tagarelas — todos eram conduzidos à praça de execuções diante da administração do condomínio.
Eram todos covardes? Não. Alguns, como Su Li, tentaram fugir com a família. Mas, sem poderes especiais, não tinham chance contra Zhu Ping e seus subordinados.
Dez famílias combinaram fugir juntas; cinco conseguiram escapar, cinco foram capturadas e decapitadas.
Os que ficaram assistiram, diante da administração, seus antigos vizinhos sendo executados. Não se sabe quem foi o primeiro, mas logo todos se ajoelharam perante Zhu Ping.
Vendo os vizinhos ajoelhados, Zhu Ping relaxou o semblante tenso. Afinal, havia esperança para alguns; pelo menos os que se ajoelharam tinham salvação.
Os cinco que escaparam foram rotulados como homicidas de vizinhos, incluindo a família de Su Li e Zhang Tu, e Zhu Ping emitiu uma ordem de captura em nome da base Trovão.
Enquanto Su Li almoçava tranquilamente na aldeia Da Liu, a ordem de captura da base Trovão ainda não teria efeitos imediatos na distante província de Jiang.
Lin Tai, após o almoço, estava satisfeito. Observando os vegetais frescos à mesa, suspeitou que Su Li possuía algum espaço especial para cultivo — um poder raríssimo, conforme sabia por antigos colegas militares.
Se o secretário Chen fosse tão discreto quanto ele e não denunciasse a habilidade de Su Li, mantendo-a ali, as aldeias de Pitangueira e Da Liu jamais passariam fome. Ele voltou feliz para casa, contente pelo povo.
Su Li, por sua vez, começava a se preocupar. Se realmente assumisse como chefe de centro, teria que garantir o sustento básico dos moradores sob sua responsabilidade.
Em vinte dias, ocorreria um grande terremoto. Não sabia se a província de Jiang seria muito afetada...
Precisava organizar logo a construção de estruturas resistentes.
Naquele momento, a vinte quilômetros da aldeia Da Liu, na aldeia Pedra Verde, uma rainha de cupins, com cerca de um metro de comprimento e setenta centímetros de largura, emergiu da terra...
Um mar negro e denso de cupins cobriu toda a aldeia Pedra Verde; todas as portas foram corroídas pelo ácido das formigas, restando apenas esqueletos brancos e aterradores...
Pedra Verde... aniquilada!