Capítulo 13 - Mao Mei
Dogão correu por um tempo na aldeia e seus pelos já estavam cobertos de poeira. Ao subir a montanha, ficou ainda mais escuro e não deixava mais ninguém pegá-lo no colo.
Margarida vestia mangas compridas, usava um chapéu de palha e carregava um cesto de bambu, liderando o caminho. Apesar do porte roliço, movia-se com grande agilidade, percorrendo os trilhos da montanha com rapidez. Entre todos da aldeia, era uma das que mais conhecia os segredos da floresta. Os pomares dos outros moradores ficavam próximos ao sopé, onde passavam os dias cuidando das árvores ou trabalhando.
Na casa de Margarida não havia pomar; ela subia a montanha porque gostava de colher verduras silvestres, frutas e brotos de bambu frescos. Às vezes, também apanhava chá e flores de madressilva para infusionar, mas desta vez a enchente levou tudo de sua casa, nem uma tigela sobrou, só recuperou alguns utensílios do quintal. Raiz-de-isatis ela nunca havia colhido; era trabalhoso preparar, e na farmácia da cidade se comprava um saco por poucos trocados, não valia a pena o esforço.
Caminharam mais de dez quilômetros até chegar ao local da raiz-de-isatis, uma campina plana onde algumas plantas brotavam dispersas, florescendo como colza. Margarida, ofegante, comentou que as folhas jovens também são comestíveis, mas ela não apreciava muito o sabor.
Suli sentiu admiração por Margarida; hoje em dia poucos na aldeia ainda se dedicavam a colher produtos do mato. A casa de Margarida era grande, e só com a hospedaria já tinha uma boa renda. Mesmo assim, subir a montanha só pelo prazer de buscar comida era coisa de gente extraordinária.
Vendo o olhar admirado de Suli, Margarida sorriu sem jeito: “Desde pequena saía com minha avó explorando a montanha. Por aqui há tesouros em todo canto, já me acostumei.”
Logo foi a vez de Margarida admirar Suli. Suli tirou da mochila uma pá de engenheiro e, com movimentos rápidos, extraiu uma raiz-de-isatis inteira, tão veloz que deixava rastros no ar. Não é possível, será que as moças da cidade agora são todas assim? Parecem até formigas brancas, evoluídas...
Margarida sentiu-se desafiada... Ao ver a rapidez de Suli, decidiu não perder para ela, afinal, era uma aldeã legítima.
E assim, com força e determinação, ambas arrancavam as plantas. Margarida, vendo Suli colher cada vez mais, ficou aflita—só podia ser a pá dela que era melhor. Logo terminaram de colher todas as raízes da campina e Margarida levou Suli à procura de madressilva.
Diante do vasto campo de madressilva, Suli sentiu que valera a pena. Não pretendia transplantar a planta inteira para seu espaço, agiu como Margarida: colheu um cesto e depois cortou ramos para propagação.
Sob a luz do sol poente, ambas desceram a montanha com cestos cheios, atraindo olhares de toda a aldeia. Margarida cumprimentava quem encontrava, dizendo que a raiz-de-isatis e a madressilva poderiam curar o veneno das formigas. Se as infusões funcionassem, não esqueceriam de Suli, pois fora ela quem mandara avisar. Na primeira vez que disse isso, olhou furtivamente para Suli e só relaxou ao ver que ela não mostrava reação.
Margarida notou que Suli não arrancou toda a madressilva, percebendo que ela queria deixar parte para os aldeões. Não errou em sua dedução.
Não pergunte por que não fala diretamente com Suli; ela viu nas novelas que grandes líderes não respondem perguntas, cabe aos subalternos deduzir seus pensamentos. Assumiu para si o papel de braço direito, ajudando a promover Suli. Esta já distribuíra arroz e remédios antes. Agora que a ordem começava a ruir, Suli certamente queria tornar-se líder da base local.
Margarida sentia-se satisfeita; quando Suli distribuiu remédios, ninguém sabia se curariam o veneno das formigas, mas hoje Dona Quitéria disse que esses dois remédios poderiam ajudar. Margarida entendeu na hora: Suli e seus companheiros já tinham resultados de pesquisa, senão Dona Quitéria não arriscaria dizer que “podem” funcionar.
Embora ninguém de sua família tenha sido mordido desta vez, Margarida ficou aflita ao ver tantas mortes na aldeia. Agora, com madressilva e raiz-de-isatis secas, poderia preparar infusões. Também plantaria logo as sementes da raiz-de-isatis e os ramos de madressilva.
Os aldeões ficaram muito animados com a notícia, planejando subir a montanha no dia seguinte. À noite nem pensar; a floresta não é lugar seguro, entre animais selvagens e quedas fatais, ainda mais sem hospital por perto.
Ao chegar em casa, Suli encontrou a família de Tiago descarregando mercadorias de um caminhão: tambores de água de 2,2 metros de diâmetro e 2,6 de altura. Cada um comportava dez toneladas de água; acima disso, os tambores foram requisitados pelo governo.
Os tambores foram dispostos no quintal, cem no total. Um homem ajudava na descarga, aparentando mais de 1,85m, musculoso, barba cheia, semblante austero. Ao ver Suli, aproximou-se e apresentou-se: “Segundo Tiago, você é a líder deles. Sou Leonardo, do povoado da Boca, tenho uma fábrica de plásticos na cidade. Gostaria de conversar com você.”
Dona Helena veio receber os cestos e a pá de Suli.
Suli entregou as coisas a Dona Helena e disse a Leonardo: “Vou lavar as mãos. Espere na sala de estar, já venho.”
Tiago levou Leonardo à sala, serviu chá e uma travessa de amendoins cozidos, depois voltou a descarregar os tambores. “Irmão, você já trabalhou o dia todo, aproveite para descansar. Eu continuo aqui.”
Suli sentou-se diante de Leonardo: “Sobre o que gostaria de conversar?”
Leonardo foi direto: “Senhorita Suli, sou portador de habilidades especiais, mais forte e ágil que qualquer pessoa comum, manuseio todo tipo de arma sem dificuldade. Sou ex-militar e, por entregar muitos tambores de água, ganhei o direito de formar uma base. Vocês estão bem organizados, imagino que também tenha habilidades. Que tal se juntar à minha base? Eu te faço vice-líder.”
Suli riu com desdém; em sua aldeia, já distribuía arroz e remédios, tudo para ser líder de base. O próprio Luís, para compensar a relação, mandou seu primo, o chefe da aldeia, relatar ao governo; talvez em breve alguém viesse oferecer-lhe o direito de montar uma base.
“Esse direito não vale muito agora, talvez em alguns dias eu mesma tenha um. Se você tem habilidades, deveria ser meu vice-líder.” O número de vice-líderes é decidido pelo líder; se quisesse, até Dogão poderia ser vice-líder.
Leonardo franziu o cenho: “Senhorita Suli, nossas aldeias já têm poucos moradores, depois do ataque das formigas, menos ainda. Se formarmos duas bases, seremos mais fracos que as outras. Na cidade já existe uma base com cem mil pessoas. Minhas habilidades são fortes e sou local. Sendo homem, consigo mais reconhecimento, garantido maior estabilidade.”
Suli respondeu com indiferença: “Estamos no século XXI e você ainda se apega ao feudalismo? Pergunte aos aldeões daqui alguns dias se preferem seguir comigo ou com você.”
Dona Quitéria, ouvindo isso, sentiu-se alarmada; deveria entregar logo madressilva fresca aos aldeões com feridas, para que preparassem infusões durante a noite.