Capítulo 14: Mudança
Quando Wang Shuqin ia de casa em casa distribuindo madressilvas, ouviu a voz de Mao Mei na porta de uma das residências: “Ah, o Suzinho colheu bastante madressilva hoje e me pediu para lhe trazer. Tome, experimente, nas casas onde entreguei antes, a dor passou logo após beber.”
Wang Shuqin sentiu-se como se seu trabalho tivesse sido tomado.
Mao Mei ficou conversando por um bom tempo e, ao sair, encontrou Wang Shuqin: “Ora, Wang, também pediram para você distribuir madressilva, não é? Já passei nas casas depois da família de Xiao Mi, vamos continuar?”
“Já entreguei para as casas antes da família de Xiao Mi. Podemos ir para casa agora,” respondeu Wang Shuqin.
“Pois é, aproveito para tomar banho, desde que voltei da montanha não lavei o corpo. Vou indo, Wang, amanhã levo Youyou e Goudan para brincar lá em casa.” Mao Mei despediu-se e foi para casa.
Lin Tai, ao perceber que não conseguiria convencer Su Li, saiu dirigindo o caminhão com o arroz já negociado de volta para casa. Ele conhecia o chefe da vila de Da Liu e planejava ir falar com ele no dia seguinte.
Quando chegou, o chefe da vila estava guiando um homem de pasta em direção à casa de Su Li, mas não encontrou ninguém.
Na noite anterior, Wang Shuqin já havia contado a Su Li sobre as ações de Mao Mei, o que deixou Su Li bastante satisfeita. Wang Shuqin e Mao Mei eram não só proativas, mas também muito flexíveis.
As pessoas que haviam bebido o chá de madressilva na noite anterior já apresentavam bolhas de pus menores, e agora todos na vila enviavam alguém para colher madressilva e isatis nas montanhas.
No caminho, o homem que acompanhava o chefe da vila perguntava sobre Su Li, e todos não poupavam elogios, dizendo que ela era a grande benfeitora da vila Da Liu.
Mao Mei também se misturava ao grupo, reforçando que seria ótimo se Su Li pudesse se tornar a líder da base da vila Da Liu.
O secretário Chen, que liderava o grupo, assentiu, convencido de que Su Li era realmente uma pessoa bondosa e responsável, muito querida pelo povo.
Ao ser avisada, Su Li reuniu a família e recebeu o secretário Chen na porta de casa logo cedo.
Su Li abriu um sorriso treinado diante do espelho: “Secretário Chen, sua visita é uma honra para nosso lar. Preparei chá e petiscos, por favor, entre e sente-se.” Su Li não era uma pessoa naturalmente calorosa; só agia assim quando precisava fingir.
O secretário Chen aceitou satisfeito. Nem todos os líderes de base o tratavam com tanta cortesia; especialmente alguns despertos com poderes, que não tinham o perfil para o cargo e se comportavam com arrogância.
Ele preferia líderes de base como Su Li: gente próxima da comunidade e cordial com as autoridades.
Ele estava ali para avaliar Su Li — mas, na prática, a licença para estabelecer uma base era quase sempre concedida diretamente. Para ele, um chefe de base de vila não era diferente de um chefe da vila. As autoridades superiores não conseguiam supervisionar tudo, então esperavam que as bases, grandes e pequenas, se autogerissem e mantivessem a ordem mínima, desde que os líderes não causassem revolta popular.
Wang Shuqin acordou cedo e preparou uma mesa farta de comida, o que era incomum nestes tempos, mas também uma forma de Su Li exibir seu poder.
Como esperado, os olhos do secretário Chen brilharam ao ver a refeição. O frango estava especialmente apetitoso.
“Secretário Chen, chefe da vila, vamos conversar enquanto comemos,” disse Su Li.
O secretário Chen pegou uma coxa de frango, mordeu e se deliciou. Nem antes do apocalipse comera um frango tão saboroso.
A habilidade de Wang Shuqin na cozinha podia competir com a de um dono de restaurante, e ainda por cima aquele frango cresceu bebendo água do poço do espaço, o que o deixava especialmente tenro.
O secretário Chen não perguntou de onde vinham tantos alimentos frescos, apenas elogiava enquanto comia.
Logo entregou a licença de construção da base nas mãos de Su Li e confidenciou: “Trabalhe bem. O governo criou recentemente uma Agência de Gestão de Superpoderes para supervisionar os líderes de base. Quem conseguir proporcionar melhor qualidade de vida ao povo receberá mais apoio.”
Su Li respondeu com um sorriso: “Pode ficar tranquilo, não vou decepcionar o senhor. O Lin Tai da vila vizinha ainda tentou me convidar para ser sua vice-líder de base. Ouvi dizer que, após o ataque das formigas brancas, muita gente morreu por lá. Brinquei dizendo que talvez fosse melhor ele ser meu vice!”
O secretário Chen refletiu. Ele mesmo tinha concedido a licença de base a Lin Tai e sabia das mortes em sua vila; mesmo sendo um desperto, talvez ele não fosse adequado para o cargo. Decidiu que, ao voltar, conversaria com seus superiores. Ele entendeu a indireta de Su Li: tudo dependeria do quanto ela fosse generosa na despedida, pois ele também tinha uma família grande para sustentar.
“Não se preocupe, líder Su. No caminho de volta, vou passar na vila vizinha para verificar a situação.” Ele lançou para Su Li um sorriso sugestivo.
Su Li entendeu de imediato: “Secretário Chen, por favor, continue comendo. Qual o endereço da sua casa? Mais tarde, peço ao Zhang Tu para levar uns produtos típicos do interior. Não repare, são só coisas simples da terra.”
Os olhos do secretário Chen brilharam ainda mais: produtos típicos que precisavam de carro para serem entregues? Comida do campo, hoje em dia, valia mais do que ouro. Ele já se sentia privilegiado por comer macarrão e repolho fervido todos os dias.
Zhang Tu encostou a van na porta e começou a carregar os “presentes” já separados por Su Li.
Enquanto carregava, gritava: “Cem quilos de arroz, trezentos de batata-doce, duzentos de batatas, um casal de galinhas vivas, cem pés de repolho, um saco de madressilva!”
O coração do secretário Chen disparava ao ouvir aquilo. Ele lançou um olhar de advertência ao chefe da vila.
O chefe da vila encolheu o pescoço: “O que será que o Xiao Tu está gritando lá fora? Nem dá para entender direito. Por que não entra para comer conosco?”
O secretário Chen ficou mais tranquilo: “Passei por Kengkou na vinda e, de fato, eles não estão bem. Vou relatar a situação ao comando. O Lin Tai é um desperto; talvez sob sua liderança possa ser mais útil.”
Nos fundos da casa, Liu Yong, um jovem de cabelos longos, escondido atrás de um tonel de água, ouviu toda a conversa.
A mãe dele morreu depois de tomar o remédio de Su Li, e ele acreditava que a família de Su Li tinha muito alimento, mas não repartia com todos, deixando os outros passarem fome. O ódio crescia em seu peito — por que ele não tinha tanto alimento? Por que os outros ainda eram gratos a Su Li? Se fosse ele, distribuiria cem quilos de arroz para cada família e todos se ajoelhariam de gratidão, fazendo dele o chefe da base.
Decidiu que iria contar tudo a Lin Tai; assim, Lin Tai se tornaria vice-líder de Su Li. Com poderes, Lin Tai poderia dar um fim àquela mulher desprezível. Sendo homem, Lin Tai seria um líder muito melhor.
Ouviu dizer, por amigos da cidade, que alguns líderes de base permitiam até que seus subordinados violentassem mulheres.
Ele já estava de olho em Lin Xiaoling, da vila vizinha, havia muito tempo, mas ela o rejeitara. No futuro, planejava se vingar cruelmente, fazendo-a se arrepender.
Se contasse essa informação a Lin Tai, certamente se tornaria seu braço direito.
Lin Tai, sem encontrar o chefe da vila, voltou para casa. Ao ouvir que todos em Da Liu estavam colhendo isatis e madressilva para tratar o veneno das formigas, decidiu tentar o mesmo com sua gente.