Capítulo 22: Departamento Especial de Operações no Fim dos Tempos
Sim, mesmo com o aviso de Su Li, eles não tiveram tempo de construir instalações à prova de terremotos para acomodar tanta gente.
A maioria dos moradores colaborou, montando barracas no terreno aberto nos dias anteriores ao terremoto, mesmo enfrentando grandes dificuldades. Contudo, sempre há alguns que se julgam mais espertos, acreditando que as autoridades estão exagerando. Afinal, pensavam eles, nunca antes se conseguiu prever um terremoto com tanta antecedência; agora, depois das perdas causadas pelas tempestades e dos danos aos equipamentos, querem que acreditemos que a previsão é certeira?
Esses não acreditavam, outros não suportavam mais as barracas e queriam voltar para casa.
O quê? Quer me obrigar a ficar ao relento numa barraca? Vou denunciá-lo.
No fim, alguns simplesmente se recusaram a obedecer.
Casas resistentes a terremotos eram poucas, sem contar os bens materiais. Entre cem mil habitantes, mais de trinta mil morreram, restando pouco mais de sessenta mil.
Cada uma dessas pessoas era um ser humano concreto. He Li também era uma pessoa comum antes. Ele não conseguia imaginar quantas famílias foram destruídas. Não conseguia enxergá-los apenas como números.
Mas não havia nada que pudesse fazer. Começou a duvidar da própria capacidade, da própria postura, se teria feito o suficiente.
O secretário Chen bateu em seu ombro:
— He, não se abata tanto. Acabei de receber um contato da liderança estadual, disseram que em outros lugares morreu mais da metade das pessoas, mesmo tendo sido avisados. Talvez até sejamos elogiados desta vez.
O grandalhão He Li, careca, ouvindo aquela fala desprovida de sensibilidade, caiu em prantos:
— Não quero prêmio, não quero prêmio, queria apenas que os mortos voltassem à vida...
Os olhos do secretário Chen também se avermelharam:
— Um homem do seu tamanho chorando como criança, hein?
De repente, o secretário pareceu lembrar de algo e ficou tenso:
— He, melhor não dizer essas coisas. Estamos num mundo pós-apocalíptico, se os mortos voltarem à vida... não seriam... zumbis?
He Li se arrepiou inteiro, esquecendo da tristeza. Aquilo sim era assustador, o velho Chen sempre dizia o que não devia, especialmente à luz do dia:
— Vamos falar da reconstrução, então. Os corpos que não forem encontrados, paciência, mas os que estiverem, melhor cremar. Nunca se sabe que vírus pode aparecer num mundo assim.
O secretário Chen concordou plenamente:
— Tem razão, melhor cremar logo. Depois montamos casas de chapa provisórias para os que perderam suas casas terem onde se abrigar.
Enquanto ele pretendia discutir mais detalhes com He Li, alguém entrou avisando:
— Secretário Chen, chefe da base, há uma mulher dizendo ser da Divisão Especial de Situações Pós-Apocalípticas, quer falar com vocês.
O secretário Chen e He Li trocaram olhares, levantaram-se e foram abrir a porta pessoalmente para recebê-la.
— Olá, olá!
As saudações de ambos se sucederam rapidamente.
— Olá a vocês, meu nome é Li Zhixia, sou chefe da Divisão Especial de Situações Pós-Apocalípticas da província de Jiang, meu cargo equivale ao maior líder provincial.
— Saudações, chefe, por favor, entre e sente-se — disse o secretário Chen, ainda mais humilde e com certo tom bajulador.
Li Zhixia vestia-se de forma atraente, com aparência de celebridade da internet, mas exalava autoridade. O secretário Chen já ouvira falar dela, então não ficou tão surpreso.
Mas estava curioso: o que ela veio fazer ali?
Li Zhixia entregou-lhe um envelope:
— Aqui está o reconhecimento unânime das lideranças da província de Jiang para vocês. O aviso de vocês foi muito oportuno e reduziu enormemente as perdas da província. Podem ver, Longhu será emancipada de Ying como cidade independente, agora será a cidade de Longhu. O senhor continuará como secretário, foi promovido.
Tomou um gole de chá preparado pelo secretário Chen e continuou:
— Quanto a você, He, tem duas opções. A primeira é continuar como chefe da base de Longhu. Tanto o seu nível quanto o da base sobem de D para C, e você receberá um quilo de biomassa evoluída de primeira categoria todo mês. A província também enviará suprimentos mensais.
— E qual é a segunda opção? — pensou He Li, ansioso para não ser chefe de base. Queria contribuir para sua terra natal, mas achava o peso da responsabilidade grande demais.
Li Zhixia sorriu confiante:
— A segunda opção é entrar para a Divisão Especial de Situações Pós-Apocalípticas da província de Jiang.
He Li era exatamente o tipo de talento raro: ataque, defesa e cura, tudo em um.
— Se aceitar, promoveremos outro portador de poderes para chefe da base de Longhu. Você e sua família se mudam para a cidade de Chang, e todos os suprimentos de que precisarem eu garanto. Você terá uma cota de dez quilos de biomassa evoluída por mês. Seu único trabalho será cumprir as missões que eu lhe der.
— Não quero sair de Longhu, chefe Li, desculpe-me — respondeu He Li diretamente. Por mais pesado e cansativo que fosse o cargo, não confiava em deixar outro portador de poderes administrar sua terra natal, tendo ouvido falar de como alguns chefes tratavam mal os moradores. Ele e sua família não queriam sair dali. Os dois idosos da casa eram teimosos.
O sorriso de Li Zhixia vacilou um instante, mas logo voltou ao normal:
— Tudo bem, nossa divisão não é lugar em que qualquer portador de poderes pode entrar. Espero que não se arrependa depois.
Ela não ficou incomodada. Um poder especial a mais ou a menos não fazia falta no mundo pós-apocalíptico. E, preso ali, com o tempo, He Li seria ultrapassado por outros membros da divisão especial. O abismo entre eles só aumentaria. Às vezes, uma decisão trivial determina o destino de alguém.
He Li ainda se arrependeria.
Seu próximo destino era a Base Aurora, dizem construída no topo de uma montanha. O chefe daquele lugar devia ser excêntrico, provavelmente traumatizado pela tempestade anterior e, por isso, escolheu um terreno alto.
Seu alvo ali era um gato capaz de pressentir terremotos com vinte dias de antecedência — um poder extremamente raro. Com o gato na divisão especial, poderiam prever perigos com antecedência e, com uma equipe de elite, eliminar as ameaças. Que mérito poderia lhe escapar nessa situação?
Ao chegar em frente à Base Aurora, viu um grupo de camponeses, claramente sem muita instrução, construindo animadamente a pequena base improvisada — quase cômico. Que sorte daquele gato ter aparecido ali.
Segundo os registros, o chefe Su Li e Lin Tai eram ambos portadores de poderes comuns de combate e manejo de armas.
Mao Mei viu a estranha parada em frente à base e se aproximou:
— Mocinha, está procurando alguém?
Mocinha... Li Zhixia achou engraçado por dentro, fazia tempo que não a chamavam assim.
Mas, como chefe da divisão especial, precisava manter a postura:
— Olá, eu sou a chefe Li da Divisão Especial de Situações Pós-Apocalípticas, vim falar com o chefe Su Li.
— Ah, veio procurar nosso chefe? Venha, acompanhe-me, vou levá-la ao novo prédio administrativo. Su Li tem estado por lá ultimamente.
Enquanto caminhava, Mao Mei pensava consigo mesma: essa moça olha tão alto quanto o céu, mas finge ser educada. Realmente tem ares de autoridade. Será que Su Li vai dar conta dela?