Capítulo Quinze

Eu Me Tornei a Namorada Grávida do Jovem Instruído Riacho do Sino 4257 palavras 2026-07-31 05:04:39

Mudou de local de trabalho, desta vez ficava justamente no caminho da escola dele, sem precisar dar volta, podia buscá-la e deixá-la facilmente. Li Shaotian a levou até o portão, que ainda não estava aberto, e uma preocupação surgiu em seus olhos.

— Susu.

— Vai logo, eu espero o portão abrir sozinha.

— Mas...

— Eu não sou mais criança, não tem o que se preocupar. Vai logo.

— Tudo bem, então, cuide-se.

Li Shaotian acelerou a bicicleta, virou a esquina e olhou para trás uma última vez. Sua esposa estava sentada nos degraus, o sol iluminando seu perfil, as bochechas lisas e brilhantes pareciam reluzir com uma beleza suave.

Quase perdeu o equilíbrio, mas se recompôs e seguiu pedalando para a escola. Su Xinxin sentou-se calmamente nos degraus e começou a tomar seu café da manhã. Quando terminou, levantou-se e deu umas voltas; logo a secretária do sogro chegou.

— A senhora é a camarada Lin Su Xinxin?

— Sim.

— Vamos, os funcionários entram pela porta dos fundos. Eu a levarei até o gerente do comércio.

— Está bem.

A secretária a entregou ao gerente, que, por causa do relacionamento com o sogro, foi muito cordial, até um pouco bajulador. Ele a conduziu até uma mulher de meia-idade, responsável pela costura.

— Mestre Feng, esta é a nova camarada Lin; daqui pra frente, será sua aprendiz.

Provavelmente já havia sido informada antes, mas Mestre Feng ainda mostrava um semblante desagradável. Ela acenou com a cabeça, aceitando a nova aprendiz, e, depois que o gerente saiu, murmurou baixinho.

— Acham que qualquer um pode ser costureiro... subestimam demais nossa profissão.

Ao lado, outra mulher que estava enfiando uma agulha respondeu baixinho:

— Não fique chateada, se não é seu talento, ensine o básico da costura.

— Só posso me consolar assim.

Su Xinxin fingiu não ouvir a conversa entre as duas mestras. Mestre Feng tirou um pedaço de tecido preto, o abriu e revelou um pequeno papel com as medidas do cliente. Su Xinxin, que estava ao lado, viu claramente.

— Você sabe usar a máquina de costura?

— Sei.

— Sabe cortar calças?

— Sei.

Mestre Feng afastou-se, um pouco irritada. Essa novata estava muito confiante.

— Você vai cortar essa calça, quero ver seu nível.

— Tudo bem.

Ela realmente teve coragem de aceitar o desafio. Mestre Feng ficou surpresa, e outra mestra, Hao, não resistiu e falou:

— Velha Feng, não seja impulsiva. Se ela estragar, você terá que pagar.

Lin Su Xinxin permaneceu em silêncio, esperando calmamente. Mestre Feng parecia estar sob pressão, e sua irritação aumentou.

— Quero ver até onde vão suas palavras.

Su Xinxin sorriu para a mestra:

— Posso começar?

— Pode.

Com um giz especial para marcar linhas nas mãos, segurava uma régua em uma mão e o giz na outra. Depois de olhar o papel com as medidas, já tinha tudo claro em sua mente.

Era uma calça feminina, com abertura lateral, um método de costura praticamente abandonado no futuro, mas comum na época. Na universidade, o professor havia ensinado isso como parte da história, e ela já havia tentado fazer antes.

Organizou o tecido, segurou a régua e começou a marcar linhas. Conforme desenhava, as linhas surgiam no tecido limpo. A raiva inicial de Mestre Feng foi desaparecendo, até sumir por completo.

Ela realmente sabia o que fazia, e suas marcas eram firmes e fluidas, sem hesitação, demonstrando muita habilidade. Depois de marcar, pegou a tesoura e cortou sem demora.

Rapidamente, uma calça foi cortada. Sem fazer perguntas, levou o tecido até a máquina de arremate, trocou a linha por uma da mesma cor e começou a arrematar as bordas com habilidade, algo incomum em famílias comuns.

Su Xinxin ficou em silêncio, depois de arrematar, foi para a máquina de costura começar a montar a peça. No início, teve dificuldades, precisou de duas tentativas para fazer a máquina funcionar.

Cortava com maestria, mas parecia não estar tão familiarizada com a máquina de costura manual — afinal, no futuro, todas são elétricas, quem usaria esse tipo de roda manual?

Todos pensaram isso, mas ninguém falou. A manhã inteira Mestre Feng não mexeu, apenas observou Su Xinxin completar todo o processo sozinha, do corte à costura. Depois, ela ligou o ferro e passou a calça, deixando-a perfeitamente lisa.

— Mestre, o que acha?

Ela viu todo o processo atentamente e a calça estava impecável. Olhou para o rosto da nova aprendiz, que mantinha a calma, sem a intenção de se exibir.

— Você já aprendeu antes?

— Sim.

— Não é de se admirar. Muito bom. Já que está aqui, faça seu melhor.

— Certo.

A nova aprendiz era bastante tranquila, indiferente ao elogio ou crítica. Su Xinxin tinha um propósito ao vir para cá: costurar permitia que ela ficasse sentada, diferente de vender verduras, que exigia ficar em pé e carregar coisas. Aqui, ao menos, suas pernas descansavam, e aprender algo que não a deixasse enferrujada era muito bom.

Não tinha grandes expectativas, então não ficou desapontada. Trabalhar aqui antes de dar à luz era para poder abrir sua própria loja no futuro. Seu corpo original não tinha habilidade para costura, precisava de um lugar para aprender, assim poderia explicar à família que poderia se virar sozinha.

O horário era adequado: das 9h às 12h e das 15h às 17h30, perto de casa, a menos de meia hora de ônibus, muito conveniente.

Na hora do almoço, foi direto à escola da cunhada, onde Li Tang já a esperava. As duas comiam no refeitório, um ambiente livre e prático. Terminavam, limpavam a boca e não precisavam se preocupar com mais nada.

— Ainda dá para descansar um pouco em casa.

— Manhã, você dorme que eu te aviso a hora.

— A que horas você sai à tarde?

— Às duas.

— Então vamos no mesmo horário.

Vendo como ela cortava calças com tanta habilidade, Mestre Feng passou para ela toda a responsabilidade da costura das calças. Sua atitude melhorou muito, sorrindo com um ar de bajulação — provavelmente o gerente havia conversado com ela. Su Xinxin não contestou, aceitou com um sorriso.

— Não precisa se apressar. Uma ou duas calças por dia estão de bom tamanho.

Ela podia até dar uma relaxada, mas estava feliz. Acenou para a mestra e à tarde cortou algumas peças, depois ficou sentada, tranquila.

— Xiao Lin — Mestre Meng falou com um sorriso afável —, há quantos meses está grávida?

— Quase sete meses.

— Essa barriga parece que vai estourar a qualquer momento. Aqui tem licença maternidade, cem dias. Quem te designou esse trabalho?

Su Xinxin ia responder que não sabia, quando o gerente chegou:

— Olha, a Xiao Lin acabou de chegar, por favor, cuidem bem dela, mestras.

Sem precisar perguntar, as duas entenderam na hora. Pensaram que a garota não precisava de cuidados especiais, era forte e habilidosa. Não era qualquer uma que tinha talento e ainda um bom respaldo familiar. Felizmente, hoje não a tinham incomodado.

— Fiquem tranquilas, vamos ensinar tudo. Xiao Lin já tem habilidade, pode se virar sozinha.

— É? — o gerente olhou para ela com admiração e encorajou com o olhar —. Bom trabalho. Vou indo, e Xiao Lin, se precisar, pode me procurar.

— Obrigada.

No fim do expediente, Li Shaotian foi buscá-la, sem precisar esperar o ônibus, levou-a de bicicleta. Atrás deles, Mestre Feng balançava a cabeça, e Mestre Meng deu um tapinha nela.

— Quem você acha que está por trás dela?

— O gerente pediu para cuidarmos melhor dela, não tem erro.

— Só saber costurar calças não basta, o difícil é fazer blusas. A parte de cima tem muitas variações, só quem sabe costurar blusas pode se dizer costureiro. Muitas donas de casa sabem fazer calças.

— Depende do talento dela — as duas trocaram algumas palavras e foram embora.

Su Xinxin foi levada pelo marido até a mercearia. Surpresa, perguntou:

— Vai comprar comida para cozinhar em casa? É tão prático comer no refeitório.

— Não. Vou buscar Tang Tang para almoçar lá.

— Então por que veio aqui?

— Para comprar alguns lanchinhos, ouvi dizer que grávidas ficam com muita fome.

Ele falava sem olhar para ela, mas dava para ver que as orelhas estavam vermelhas. Comprando guloseimas para a esposa, por que ficar tímido?

— Prefere biscoitos ou bolo de arroz?

— Não quero nenhum dos dois. Os dois são muito oleosos, e eu já estou no final da gravidez. Não quero que o bebê fique grande demais. Que ele se desenvolva bem basta, engordar depois que nascer.

— Então o que vai comer? Temos leite e maltado em casa, mas são líquidos; é melhor comer algo sólido para matar a fome.

— Quero comer pão enrolado, tipo florzinha.

— Eu volto para casa e faço para você.

— Compre cebolinha, tem que ser pão enrolado com cinco especiarias.

— Entendi.

— A gente ainda tem tempo, quero passar na livraria.

— Vai comprar livro?

— Sim.

Depois de buscar Tang Tang, os três foram à livraria. Ela escolheu dois livros sobre moda e comprou um livro de histórias para Tang Tang. Li Shaotian também comprou um livro de economia, mas parecia ser estrangeiro.

— Esse é raro. Quando eu vim aqui antes, não tinha.

— Vai ficar mais aberto com o tempo. A universidade já oferece muitas línguas estrangeiras, o contato com o exterior será cada vez maior.

Tang Tang gostava muito de ficar com o irmão e a cunhada, se sentia mais à vontade do que com os pais. À noite, depois do banho, segurou a mão da cunhada e sussurrou segredos.

— Cunhada, posso dormir com você hoje à noite?

— Por que quer dormir comigo?

Tang Tang franziu a testa delicada, parecia querer dizer algo, mas não conseguiu.

— Teve pesadelo?

— Não. É que...

— Fala, pode confiar em mim, não tem o que temer.

A criança já sabia ler as entrelinhas, sempre escolhendo as palavras com cuidado e observando as reações dos outros. Era um claro sinal de falta de amor, que a impedia de se abrir.

— Minha colega de carteira, aquela que brigou comigo, viu minha roupa nova e discutiu comigo.

— E daí?

— Ela disse que o pai dela cuida muito bem dela, que até dorme com ela à noite.

— O pai dela dorme com ela? Crianças maiores evitam a mãe e filhas evitam o pai. Mesmo sendo sangue do mesmo sangue, para uma menina de nove anos, a mãe deve ser quem acompanha.

— É, ela disse que o pai dela é melhor que a mãe.

Essas palavras soavam estranhas. Antes que Su Xinxin pudesse responder, Tang Tang continuou:

— Eu não tenho coragem de falar com meu pai, nem de incomodar minha mãe.

— Por isso quer que eu durma com você?

— Sim.

— Tudo bem, você dorme comigo hoje.

— Sério?

— Sério.

Li Shaotian jamais imaginaria que seria expulso do quarto pela irmã. Abraçado ao travesseiro, foi para a sala, balançando a cabeça e sorrindo amargamente. Será que ele tinha casado ou só havia arranjado uma companhia para a irmã? Parecia que os dois formavam o verdadeiro casal, e ele era só um extra.

— Quando os dois filhos nascerem, nem sei para onde vou ser expulso.

Murmurou para si mesmo, deitado no sofá, sem conseguir dormir. Às 22h30 levantou-se para ir ao banheiro e, na volta, ouviu silêncio absoluto no quarto. Com cuidado, abriu a porta e viu a irmã dormindo profundamente na cama, e sua esposa respirando calma e uniformemente. Parecia que ambas estavam profundamente adormecidas.

Fechou a porta cuidadosamente, sentiu uma estranha sensação no peito que não sabia explicar. Pensou um pouco, sem entender, voltou para o sofá e continuou refletindo.

Não tinha estudado psicologia, e suas elucubrações eram vazias. Dormir no sofá era desconfortável, acordava com dores nas costas. Já sem sono, saiu cedo para comprar o café da manhã e voltou para casa, sem imaginar que sua esposa também teria acordado tão cedo.

— Por que não dorme mais um pouco?

— Tenho medo de esmagar a Tang Tang, meu ombro dói de tanto dormir assim.

O homem massageou a própria cintura.

— Eu também acordei com dor nas costas.

Na sala, só os dois estavam; ele se aproximou muito:

— Foi só a noite passada. Hoje você não pode mais dormir com Tang Tang.

— Está me dando ordens? — Ela detestava esse tom autoritário, e instantaneamente entrou em modo de batalha, como uma tigresa protegendo seus filhotes.

— Não, eu não ousaria mandar em você. Estou pedindo. O sofá é curto, não consigo dormir direito.

— Você fala como se fosse coitadinho, por que não vai para o quarto do seu pai? Lá tem duas camas.

— Não vou. — Ele fez uma cara triste — Você é minha esposa, não da Tang Tang.

Su Xinxin não resistiu e riu, com um som zombeteiro. Uma pessoa adulta disputando o lugar para dormir com uma irmã de nove anos?

— É só uma cama, você está exagerando.

Li Shaotian ficou sem palavras. Normalmente participante de debates, agora diante da esposa não sabia o que dizer.