Capítulo Treze

Eu Me Tornei a Namorada Grávida do Jovem Instruído Riacho do Sino 3842 palavras 2026-07-31 05:04:38

Soltou a mão como se tivesse levado um choque; o homem não disse mais nada, levantou-se sorrindo e saiu pela porta. Ela também se apressou para se lavar, e Tang Tang foi buscar o leite que haviam pedido lá fora para ela.

— Tang Tang, quer que eu te sirva um copo também?

A menina balançou a cabeça apressadamente:

— Eu não bebo.

Ao ver a cunhada cobrir a boca só de falar em leite, ela soube o quanto a criança não gostava daquela bebida. Um leite tão gostoso, cremoso e perfumado, por que não gostar?

— Então vem cá, a cunhada vai pentear seu cabelo.

— Tá bom.

Desta vez, a criança pegou o pente feliz e sentou-se ao lado dela.

Normalmente, o cabelo da menina era preso num rabo de cavalo baixo; às vezes, como os braços das crianças são curtos, o cabelo nem ficava bem penteado. Ontem ela tinha acabado de dar banho na menina e hoje, gentilmente, alinhou as mechas, pensou um pouco e dividiu o cabelo em duas tranças.

— Tem presilha ou enfeite de cabelo?

— Não tem.

Su Xin franziu a testa. A sogra sempre comprava tecido para a nora, mas não comprava nenhum enfeite para a própria filha? Que situação era aquela? Ela estava ficando cada vez mais curiosa.

— Então hoje vai assim, quando a cunhada voltar do trabalho a gente compra um enfeite para você.

— Sério?

— Sério.

A sogra apareceu e viu que ela estava trançando o cabelo de Tang Tang, mas não disse nada. Sentou-se silenciosamente para comer, comendo pouco como quem dá comida para gato, terminou primeiro e saiu primeiro.

O sogro também viu que ela estava penteando o cabelo de Tang Tang. Pela primeira vez, a filha sorria tão feliz. A menina ficava mais bonita e animada sob as mãos habilidosas dela.

— Aqui está seu dinheiro de bolso.

Tang Tang pegou pela primeira vez o dinheiro dado pelo pai, e ainda era uma nota grande, além de cupons de tecido. Antes que ela pudesse perguntar surpresa, o pai já saiu com a pasta na mão.

A menina olhou para a cunhada com os olhos arregalados; Su Xin acariciou sua cabeça e sorriu:

— Que tal eu guardar para você? Quando eu voltar do trabalho, a gente vai ao grande armazém escolher tecido para fazer uma roupa nova para você.

— Tá bom.

O sogro deu tanto dinheiro e cupons, devia ser isso mesmo, né? Essa família não podia falar diretamente? Ficam o tempo todo num jogo de adivinhação, tão infantil.

Não importava como eles fossem, ela agora estava com um apetite enorme e comeu mais no café da manhã: ovos, leite, pães no vapor, e ainda levou o que sobrou para viagem. Li Shaotian viu aquilo e percebeu de repente que ela não voltaria para almoçar, provavelmente não tinha vontade de ir ao refeitório.

— Su Su, você vai almoçar só isso?

— Sim.

— Então coma no refeitório.

Ele achava que ela queria economizar, e disse de imediato:

— Eu vou economizar, e com o que ganho no trabalho extra, dá para cobrir as despesas.

— É que eu não quero ir.

Ela não era mão de vaca, tinha dinheiro suficiente para o bebê e não ia se privar de comer.

— Então amanhã eu compro mais para você.

— Isso já é suficiente.

Os sogros comiam muito pouco, quase como quem alimenta um gato.

Ele a acompanhou até o trabalho, e ao meio-dia, a mãe dela como sempre apareceu para levar comida.

— Mãe, eu trouxe comida, não precisa vir todo dia.

Frituras e pães, até nutritivos.

— Amanhã você deve mudar de turno, volta para casa no almoço, eu digo para a sua casa antiga, a casa dos seus pais.

— Meu pai?

— Não se preocupe, ele pode ficar de cara feia, mas não vai te expulsar. Sua casa fica muito longe da casa dos sogros, e você não pode ficar no trabalho descansando direito.

— Meu sogro disse que vai me arranjar outro emprego.

— Sério?

A mulher ficou muito feliz, já tinha pensado nisso antes, mas não esperava que os sogros tomassem a iniciativa.

— Sério. Vou trabalhar como costureira no grande armazém, perto de casa e com um horário mais curto.

— Ótimo, ótimo, isso é bom.

A mulher respirou aliviada.

— Lá as costureiras são profissionais, você vai aprender com o mestre. Ter uma habilidade é a base para a vida.

— Sim, pode ficar tranquila.

A mãe de Lin cuidou da loja para ela ao meio-dia, e ela cochilou na cadeira. Embora fosse uma cadeira, dormiu profundamente. Ao sair do trabalho à tarde, estava cheia de energia e foi de ônibus esperar na porta da escola primária.

Cerca de meia hora depois, Li Tang saiu da escola com a mochila. Ao ver que estava esperando na porta, voou como um passarinho feliz até ela.

— Cunhada.

Levantando-se dos degraus:

— Vamos, a cunhada vai te levar para passear.

— Tá bom.

O ônibus estava lotado e não tinha mais lugar para sentar; Li Tang segurou o corrimão, com medo que a cunhada fosse jogada com a freada brusca. Viu um menino de uns dez anos sentado ao lado, e baixinho falou com ele:

— Irmão, pode ceder o lugar para minha cunhada? Ela está grávida do meu priminho.

O menino olhava pela janela, mas ao ouvir, virou-se, ficou surpreso por um momento e logo levantou-se, sorrindo e se desculpando por não ter percebido a tempo que deveria ceder o lugar para uma grávida.

— Obrigada, irmão.

A cunhada conseguiu um assento. Sentando-se, Su Xin agradeceu ao garoto. As duas foram de ônibus até a rua comercial. Naquela época, a rua comercial ainda não era tão próspera, mas numa grande cidade já mostrava sinais do futuro desenvolvimento.

Não havia quase empresas privadas, mas já existiam pequenas barracas. Uma senhora empurrava uma carroça vendendo picolés; Su Xin comprou um para ela e outro para a cunhada.

— Você quer de feijão vermelho ou de feijão verde?

— De feijão verde.

Li Tang se sentia relaxada com a cunhada, por isso teve coragem de falar com estranhos; gostava de estar junto com ela. A cunhada sempre a consultava e nunca a menosprezava por ser criança.

Com um picolé na mão, as duas entraram no grande armazém. Hoje o objetivo era comprar tecido para Li Tang. Su Xin foi direto ao balcão de tecidos.

— Escolha, nesta época do ano só se fazem camisas. Tem muitos tecidos estampados, escolha o que mais gostar.

A menina comportada examinava os tecidos lado a lado, tão variados e bonitos que era difícil decidir. Antes, as roupas eram feitas pela mãe ou adaptadas de suas roupas. Era a primeira vez que ela escolhia e estava mesmo indecisa.

— Cunhada, eu não sei qual escolher.

— Escolha o que gostar. Não tenha pressa, escolha com calma.

— Cunhada, depois que comprar o tecido, você vai fazer a roupa para mim?

A menina inclinou a cabeça, os olhos brilhando ao olhar para ela.

— Sim, eu vou fazer. A blusa será uma camisa, e a calça, um jardineiro.

— Jardineiro?

— Isso, não gosta?

— Gosto. Minha colega usa uma jardineira marrom clara, fica tão bonita.

— Então vamos escolher marrom claro?

— Sim.

— Marrom claro combina com off-white ou rosa claro. Qual você prefere? Ou esse laranja aqui também é bonito.

O tecido laranja não tinha flores, mas laranjas inteiras e cortadas, e gomos, muito adequado para uma menina.

— Sim, quero esse, é mais bonito.

Comprou o tecido para Li Tang e também um par de tênis brancos da marca Huili para ela. A menina ficou muito feliz e não parava de tagarelar no caminho.

Jantaram no refeitório e chegaram em casa quase às sete da noite. Ontem ela já havia cortado o tecido para sua própria roupa e planejava costurá-la mais tarde. O calor aumentava a cada dia e ela precisava de uma roupa fina.

Li Tang não queria entrar no quarto; sentou-se numa banqueta à mesa de chá para fazer a lição de casa enquanto Su Xin cortava o tecido na mesa de jantar, depois costurava na máquina.

As duas faziam suas coisas sem se atrapalhar, mas de vez em quando levantavam a cabeça e viam uma à outra; parecia que tinham um sentimento mútuo, olhando o rosto uma da outra, e naquele instante ficavam muito felizes, sorrindo com os olhos semicerrados e os cantos da boca levantados.

Li Tang estava muito feliz esses dias; em casa não havia mais aquele clima opressivo em que não se podia falar nada. Tinha companhia para fazer a lição, alguém para assinar ou explicar o que não entendia. Não precisava mais se preocupar em deixar os pais bravos, porque tinha quem dividisse o peso com ela. No inconsciente, sentia que mesmo que fosse repreendida, não estaria sozinha, então não haveria medo.

As duas trabalhavam em silêncio, e quando Li Tang terminou, mostrou a lição para a cunhada. Su Xin corrigiu e devolveu para ela refazer os erros.

— Pense sozinha primeiro, se em meia hora não conseguir, eu te ensino.

— Tá bom.

Crianças, especialmente as tímidas, temem muito a cara feia e as broncas dos pais. Quando os adultos ficam emburrados ou falam com dureza, a criança fica tão nervosa que nem escuta o que dizem, só fica com medo de levar uma palmada a qualquer momento. Su Xin sempre sorria para a tímida cunhada, por isso a menina se sentia mais relaxada perto dela.

Pensando com cuidado e olhando os exemplos antes dos exercícios, em menos de dez minutos a criança voltou com a lição feita, olhando para a cunhada cheia de expectativa.

— Acertou.

Su Xin havia lido muitos artigos sobre psicologia infantil e educação, e não poupava elogios. Quando a criança acerta sozinha, ela dava um grande joinha sem hesitar.

— Nossa, Tang Tang, que esperta! Você conseguiu sozinha. Muito inteligente.

A menina sorriu largo, mostrando os dentes pela primeira vez diante de um elogio tão direto. Em um instante sua confiança explodiu; achou que poderia fazer tudo se se esforçasse.

— Agora vai escrever os caracteres, depois vou te testar.

— Tá bom.

Enquanto trabalhavam, a menina viu a cunhada costurando e gentilmente trouxe um copo d’água para ela. Su Xin, ao ver a água quente, primeiro ficou feliz, depois preocupada.

— A chaleira é perigosa, da próxima vez me avise que eu que faço.

— Está no lugar baixo, eu alcanço. Não tem problema, cunhada, sempre fiz assim.

Esse casal, tendo a filha na velhice, criou a menina assim, e Su Xin não entendia o motivo. Sentiu pena da garotinha e resolveu cuidar melhor dela naquela casa.

— Minha roupa está quase pronta. Depois faço a sua. Se precisar ficar até tarde costurando, eu termino para você.

— Não precisa, cunhada, não tenho pressa. Você precisa descansar, ainda está grávida do meu priminho.

Ela abaixou a cabeça, não resistiu e beijou a menina na cabeça:

— Como você é tão carinhosa? A cunhada te ama demais.

— Eu também gosto da cunhada.

A menina corou; desde pequena era reservada e não expressava seus sentimentos com palavras fortes.

As duas trabalharam na sala e depois foram juntas ao banheiro tomar banho. Quando saíram, perceberam que a mãe de Tang Tang estava em casa também. Elas saíram do banheiro oeste, e a mulher saiu do banheiro leste.

Ao se encontrarem, Su Xin se surpreendeu e cumprimentou a sogra:

— Mãe, a senhora está em casa?

A mulher assentiu:

— Sim.

As roupas que a cunhada e a menina trocaram estavam empilhadas ali, e Su Xin decidiu lavá-las. A sogra foi para o quarto, e ela murmurou baixinho.

— Será que nessa época não existia máquina de lavar? Quando será que inventaram?

Na vida anterior, ela tinha várias máquinas automáticas em casa, separava roupas íntimas das de fora, só jogava na máquina com detergente. Agora tinham que lavar à mão?

— Cunhada, tem máquina de lavar em casa.

— Onde?

— No banheiro leste.

As duas olharam para o lado leste, e Tang Tang sussurrou:

— Cunhada, você tem coragem de usar aquela máquina?

— Medo de quê? Vamos, me ajuda a pegar as roupas, vamos lavar.