Capítulo Quatro
No campus, sua silhueta volumosa atraía muitos olhares curiosos. Uma moça jovem e bonita caminhando pela universidade com aquele barrigão despertava cochichos: quem seria aquela estudante grávida?
Na sala do curso de Economia, ela aguardava silenciosamente sob uma grande árvore próxima. Como nunca havia convivido pessoalmente com aquele homem, sentia-se inquieta. Em suas memórias, a dona original do corpo era extremamente submissa a ele, aceitando quase tudo o que ele dizia. Mas ela não possuía aquele temperamento; caso contrário, não estaria ali.
O sinal tocou e os estudantes saíram da sala em um fluxo contínuo. Logo, ela o avistou. Ele caminhava acompanhado por uma colega, ambos de cabeça baixa, conversando. O perfil do rosto dele era atraente, com um sorriso leve nos lábios. Estudante de uma universidade de prestígio em uma época em que esse diploma era um passaporte garantido para a estabilidade, não era de se estranhar que a antiga dona do corpo se sentisse inferior, a ponto de evitar encontrá-lo por diversas vezes.
Hum, que se dane o sentimentalismo. Ela estava ali para exigir responsabilidade. Com uma gravidez tão avançada, qualquer decisão precisava ser compartilhada; não era um problema apenas dela.
— Li Shaotian.
Ela o chamou e, quando ele levantou a cabeça, caminhou até ele. O homem ficou surpreso ao vê-la ali. Numa tarde ensolarada de abril, vestindo roupas velhas, ela surgiu diante dele, encontrando seus olhos límpidos.
— Susu, você... veio me procurar, não foi?
— Sim, preciso falar com você.
O homem olhou ao redor e disse à colega:
— Assine a chamada para mim.
— Você vai matar aula? — A colega, que era muito bonita, olhava curiosa para Lin Suxin, observando-a atentamente.
— Vai me ajudar ou não?
— Vou.
Li Shaotian ainda tinha uma aula, mas decidiu faltar. Ele indicou uma direção a Lin Suxin:
— Vamos encontrar um lugar ali para conversar.
— Está bem.
Ela ainda usava aquele casaco largo, que parecia totalmente inadequado para o clima. O homem notou sua cintura volumosa e sua pele, visivelmente pálida e amarelada. Ele ia à frente e ela atrás; de vez em quando, ele olhava para trás para conferir se ela o acompanhava, diminuindo o passo sempre que a distância aumentava.
Havia um grande estádio no campus, e ele a levou até lá. Algumas pessoas jogavam basquete na quadra, mas as arquibancadas estavam vazias. Ele subiu os degraus e apontou para um assento:
— Sente-se, podemos conversar com calma.
Lin Suxin, exausta pelo peso da barriga, sentou-se em um lugar espaçoso. Respirou fundo e decidiu ser direta.
— Estou grávida. — Ignorando a expressão de choque dele, continuou: — Quase sete meses. Fui ao hospital para interromper a gestação, mas o médico disse que a presença e a assinatura do pai são obrigatórias, caso contrário, não realizam o procedimento.
Se fosse a antiga dona do corpo, estaria de cabeça baixa, incapaz de articular tais palavras. Mas Lin Suxin o encarava diretamente, sem ver dúvida em seu rosto, apenas perplexidade. Ela terminou de falar e esperou, dando-lhe tempo para processar a informação. Ele ficou inerte por uns cinco ou seis minutos antes de finalmente reagir.
— Sete meses... o bebê já poderia sobreviver fora.
— Está me culpando por não ter resolvido antes? — Pensou ela. Se tivesse vindo antes, ela não teria chegado a este ponto.
— Não quis dizer isso. — Uma expressão de dor surgiu em seu rosto enquanto seu olhar pousava na barriga dela. Ele compreendeu, enfim, por que ela usava aquele casaco largo naquele calor. Sozinha, ela devia ter sentido muito medo.
— Já passa das cinco, que tal irmos ao hospital fazer um exame? Você deveria ter me procurado antes.
— É tarde demais. Escolha uma data próxima e peça dispensa para me acompanhar. Já está tudo acertado com o médico, só preciso da sua assinatura.
Susu, que sempre fora tão gentil e dócil, estava agora decidida a não seguir com a gravidez.
— Você... quer ir atrás dele?
Lin Suxin hesitou, demorando a entender a que ele se referia. Em suas memórias, ele a vira conversando com outro rapaz e, por ciúmes, acreditou que ela o estava traindo, o que levou ao término. Ele achava que ela queria se livrar do bebê para ficar com o outro. Como a antiga dona do corpo era ineficiente em sua comunicação!
— Não. Não há nada entre mim e ele; estávamos apenas na mesma situação, por isso conversamos.
Ela explicou-se com clareza, sem ambiguidades. Ele respirou fundo, e seu semblante pareceu aliviar-se, embora logo fosse substituído por um desapontamento complexo.
— Que situação?
— Ele não passou na universidade.
— Você se importa com isso?
A antiga dona do corpo, claro, importava-se. Criada sob a pressão do pai, desenvolvera uma personalidade insegura e covarde. Quando descobriu que a família dele era influente e que ele havia passado em uma universidade de elite, sentiu-se inferior. Mas a atual Lin Suxin não se importava. Ela agia com estratégia, forçando-o a ouvir o médico. Pela reação dele, duvidava que ele assinasse a autorização após a consulta. Ser direta e exigir casamento seria passivo demais. Ela não era a antiga Suxin; se viessem a viver juntos, ele precisaria entender, desde o primeiro dia, que ela havia mudado.
Se, após ouvir o médico, ele insistisse em arriscar a vida dela para interromper a gestação, então o casamento não valeria a pena. Bastaria que ele assumisse as responsabilidades financeiras e o registro das crianças. Ele ainda era estudante, e seus pais certamente não ignorariam a situação. O filho não era apenas dela, e ela não carregaria o fardo sozinha.
— Não vamos falar disso agora. Quando você tem tempo para me levar ao hospital?
— Lin Suxin — ele disse, com a voz grave e autoritária. — Se não queria o bebê, por que esperou tanto? É uma vida. Com sete meses, o bebê já respira e tem batimentos cardíacos.
Ela levantou o olhar e viu a raiva estampada no rosto dele. Ele rapidamente assumira o papel de pai, tratando o bebê como seu sangue. Ele devia ter sentimentos pela antiga dona do corpo. Agora, ela não sabia até onde essa união chegaria.
— Desenvolvimento deficiente.
As duas palavras o deixaram mudo. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, o olhar carregado de arrependimento.
— Então... amanhã. Amanhã eu irei atrás de você.
— Às oito da manhã, na entrada da Maternidade Municipal. — Ela recusou a oferta de companhia imediata e marcou o encontro.
— Está bem.
Com o compromisso selado, ela se levantou para partir. Sem olhar para trás, começou a caminhar. O homem a seguiu, mantendo uma distância constante, até saírem do campus, meia hora depois.
— Susu, vamos jantar?
Ela não se virou:
— Não. Se ficar mais tarde, perderei o ônibus.
Ele a observou caminhar até o ponto, entrar no ônibus e vê-lo desaparecer. Sentia um peso no peito, como se uma pedra estivesse sufocando sua respiração. Recordava-se de cada detalhe: ele era três anos mais velho, chegaram juntos ao campo de reeducação. Ela era tímida, sorria para todos e sempre limpava o local, lavava a louça e nunca reclamava do excesso de trabalho.
Como eram da mesma cidade, ele a protegia quando a importunavam, e logo se tornaram próximos. Ela sempre concordava com tudo, mas, no último ano, tornou-se silenciosa. No aniversário dela, ele até comprara uma galinha selvagem, esperando que pudessem conversar.
Mas, então, ele a vira conversando intimamente com aquele outro rapaz. Quando exigiu uma explicação, ela não disse nada. Ele explodiu de raiva, sentindo-se traído. Após beber, perdeu o controle, e ela simplesmente sugeriu que agissem como se nada tivesse acontecido. Ela nunca explicava seus pensamentos, deixando-o sempre no escuro.
"Como se nada tivesse acontecido." Aquelas palavras queimaram sua razão. Terminaram ali mesmo, e ele voltou para a cidade, convencido de que fora trocado.
Mas agora, ela aparecera grávida. E, desta vez, não o deixou no escuro. Ela explicou que não fora traição, mas uma complicação no desenvolvimento do bebê. Seria só isso? Se ela não o amava mais, por que carregar o filho dele por sete meses? Ele tinha vinte e cinco anos, e a ideia de constituir família não lhe parecia distante.
Sem jantar, ele comprou uma garrafa de licor e voltou ao dormitório. Seus sete colegas ainda não haviam retornado. Ele bebia sozinho, e quando os outros chegaram, o quarto estava impregnado de álcool.
— Meu Deus, velho Li, o que você está fazendo? Você terminou um namoro? Quem é a moça?
Os colegas tentavam ajudá-lo, mas ele era como um peso morto. O mais velho do grupo, agindo como um mentor, perguntou:
— O que aconteceu? Problemas em casa?
Li Shaotian levantou o rosto, com os olhos turvos e a voz embargada:
— Por que as mulheres podem ser tão cruéis?
— Você foi abandonado? — perguntou um. — Com as suas condições, como alguém te abandonaria?
Os outros tagarelavam, curiosos, mas a cabeça de Li Shaotian parecia prestes a explodir. Pensar no hospital no dia seguinte era como levar uma facada. Sua pequena, que antes era silenciosa, agora tinha vontade própria, mas a usava para pedir que ele assinasse a interrupção da gravidez.
— Se uma mulher não ama mais um homem, ela também não quer o filho dele? — perguntou ele.
Alguém respondeu:
— Claro. Se ela não quer o homem, certamente não vai querer o filho dele.
Aquelas palavras atingiram o coração de Li Shaotian como uma lâmina. Ele baixou a cabeça, sentindo uma dor profunda, e não disse mais nada, deixando que a noite o consumisse em silêncio e agonia.