011 Técnica desajeitada para conquistar garotas
Tang Baozhu sorriu. Nos últimos dias, ela havia gastado tantas moedas de prata que seu coração doía; afinal, uma única moeda era suficiente para comprar quinze quilos de arroz, e toda a sua mesada estava sendo destinada a sustentar Zhou Yixin.
Antes que os dois subissem ao sótão, Zhou Yixin, calculando o momento certo, entrou apressadamente.
Ao ouvir o movimento, Qin Ruorong agarrou a mão de Tang Baozhu e parou no pé da escada. Ambas se esconderam atrás de um manequim. Qin Ruorong fez um biquinho e sussurrou:
— Olhe só, Zhou Yixin entrou.
As duas, curvadas, observavam o andar de baixo. Zhou Yixin saíra cedo e, ao ver Tang Baozhu sair da mansão da família Tang e seguir direto para o hotel, teve a certeza de que a tal senhorita Ning era, de fato, a moça vinda de Xangai. Tang Baozhu a tratava com tamanha deferência, tratando-a como uma convidada de honra. Ela era linda, elegante, falava com o sotaque característico de Xangai e cada gesto seu era de uma delicadeza cativante.
Os olhos de Zhou Yixin brilhavam ao vislumbrar carros, dinheiro, status e poder. Ele vinha contendo o desejo de abordá-la, temendo que seu status como noivo de Tang Baozhu fosse revelado. Assim que viu a oportunidade, ao notar que Tang Baozhu e Qin Ruorong tinham ido provar roupas, ele aproveitou para se aproximar e se fazer notar.
Zhou Yixin cronometrou o movimento e "esbarrou" em Lin Ruoshui, que escolhia peças. Com o corpo frágil, ela foi pega de surpresa e quase caiu. Zhou Yixin prontamente estendeu a mão, segurou seu braço e a trouxe para perto de si.
— Senhorita, está bem?
Sem alternativa, Lin Ruoshui foi puxada para os braços de Zhou Yixin. Enquanto segurava levemente a roupa dele, ainda sob o choque do susto — e praguejando mentalmente contra a grosseria do rapaz —, ela precisou forçar um sorriso:
— Estou bem. Desculpe-me, eu estava andando apressada.
Zhou Yixin a encarava com uma obsessão evidente, sem piscar, como se tivesse perdido a alma.
— Senhorita, você... é tão linda. Em mais de vinte anos na cidade de Suhe, nunca vi ninguém tão bela. Parece uma fada. Perdoe-me pela minha audácia.
Dito isso, o rosto de Zhou Yixin corou como se estivesse genuinamente tímido, um homem de vinte e poucos anos fingindo ser um rapaz ingênuo e puro.
Acostumada ao mundo dos salões e da vida noturna, Lin Ruoshui já vira de tudo. Ela aproveitou o gancho e respondeu com timidez fingida:
— Agradeço o elogio.
Entre os dois, faíscas começaram a voar através de olhares carregados de intenção.
Na escada, Qin Ruorong, tentando conter o nojo, olhou para Tang Baozhu e levantou o polegar:
— Você realmente prevê tudo, não é?
Tang Baozhu fez um gesto com os dedos, e Qin Ruorong, com um bico de descontentamento, tirou cinco moedas de prata da bolsa e as colocou na palma da mão de Tang Baozhu. Ela soprou as moedas, satisfeita, e as guardou na bolsa.
Lá embaixo, Zhou Yixin ajudava Lin Ruoshui a se levantar, olhando-a com um ar contido.
— A senhorita Ning veio de Xangai, não veio?
Lin Ruoshui olhou para ele:
— Como sabe que sou de Xangai? E como sabe que me chamo Lin?
— Eu adivinhei. Hoje, um vidente me disse que eu encontraria minha alma gêmea, uma senhorita Ning vinda de Xangai. Não esperava que ele estivesse certo.
Lin Ruoshui cobriu a boca e riu levemente:
— É mesmo? Então temos um destino incrível.
— De fato. No vasto mar de gente, encontrar alguém é uma bênção acumulada de vidas passadas. Não sei se a senhorita já ouviu dizer que são necessárias centenas de vezes cruzando caminhos para que um único olhar se encontre.
Lin Ruoshui sentiu o canto da boca tremer. Mesmo com o rosto rígido, ela precisou forçar uma expressão de emoção:
— Com razão, senti que a conhecia assim que o vi.
Os olhos de Zhou Yixin brilharam e ele gesticulou com entusiasmo:
— Exatamente! Eu sinto o mesmo.
— Sim.
Zhou Yixin tateou suas vestes:
— Como é nosso primeiro encontro, eu pretendia preparar um presente, mas fiquei tão eufórico que não trouxe nada. Costumo fazer pequenos animais de palha, não sei se a senhorita gostaria...
Dito isso, ele fez surgir na palma da mão um gafanhoto trançado. Embora Lin Ruoshui achasse aquilo infantil, ela aplaudiu com energia, fingindo surpresa:
— Uau, que incrível! Você sabe fazer mágica? Esse passarinho é tão fofo!
— É um gafanhoto, daqueles que saltam.
— Ah, é mesmo? É adorável, igual a você.
Zhou Yixin ficou em silêncio por um segundo. Coçou a cabeça, exibindo um sorriso puro:
— É sua primeira vez em Suhe, não é? Deixe-me levá-la para passear. Conheço os lugares mais bonitos da cidade.
— Claro, seria um prazer que você me guiasse.
— Como pode ser um incômodo? Para mim, é uma honra.
Os dois saíram da loja de roupas conversando alegremente. Qin Ruorong não conseguiu mais se segurar e caiu na gargalhada, chegando a lacrimejar:
— Baozhu, como você pôde se interessar por esse idiota do Zhou Yixin? Que horror! Com essa técnica de sedução tão barata, você realmente caiu na lábia dele.
Embora não quisesse admitir, Tang Baozhu tinha que concordar: a dona original do corpo era de uma ingenuidade singular para ter sido enganada por um homem assim. Ela revirou os olhos, desanimada:
— É como a pesca de Jiang Taigong, quem quer cai na rede. Quanto tempo você acha que ele demora para romper o noivado?
— Três dias?
— Eu aposto nesta tarde.
— Impossível. Eles mal se conheceram, ele seria tão apressado assim?
— Quer apostar?
— O que vamos apostar?
— Dez moedas de prata.
— Feito. Vou ganhar tudo de volta com juros.
Tang Baozhu deu um tapinha na bolsa com indiferença. Ao se endireitar, esbarrou em alguém e, pela inércia, quase caiu escada abaixo. Alguém segurou seu pulso com firmeza, puxando-a de volta.
Tang Baozhu recuperou o equilíbrio, ainda sob o choque. Ao olhar para o lado, viu os dedos longos do homem, brancos como jade esculpido, e um rosário de sândalo em seu pulso. Ao subir o olhar, notou um colar de contas de jade no colarinho do homem; uma aura de riqueza e autoridade emanava dele.
O homem soltou seu braço. Tang Baozhu, ainda atordoada, teve tempo de ver quem era. Não o conhecia, mas ele era um colírio para os olhos. O perfil do homem era afiado sob a sombra, com uma expressão fria. O cabelo penteado para trás deixava cair algumas mechas sobre a testa. Seus olhos eram distintos, com pupilas cor de chá que pareciam um poço antigo; ele a encarava com um olhar gélido e distante.
— Com licença.
A voz era grave e clara. Um aroma suave de sândalo pairava no ar. Tang Baozhu percebeu que ela e Qin Ruorong bloqueavam a passagem e, instintivamente, deu um passo para o lado, dizendo em pânico:
— Peço desculpas.
Aquele homem era bonito demais; ela quase perdeu o fio da meada. De repente, sentiu que zombar da vulgaridade de Zhou Yixin era um erro, pois, de fato, existiam pessoas que, ao primeiro olhar, pareciam divinas.
O homem passou por ela, alto e esguio, fazendo Tang Baozhu parecer minúscula. Atrás dele, seguiam dois homens: um mais velho, de terno chinês, com ar sóbrio, e outro mais jovem, vestido como um guarda-costas, cujos movimentos firmes denunciavam um lutador treinado.
Ao passar, o homem de terno chinês sorriu levemente:
— Nos encontramos de novo, senhorita.