002 — As intenções de Simão Zhao

Transmigrando para a República da China, a garota delicada abre uma fábrica, ganha dinheiro e vence de lavada Ela é Huahua. 2678 palavras 2026-07-31 04:59:17

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A expressão de Qin Ruorong enfim melhorou um pouco, mas logo ela perguntou, cautelosa:

— Quem você vai procurar? Não me diga que é Zhou Yixin?

Tang Baozhu balançou a cabeça.

— A senhorita Lin Ruoshui, na esquina do Beco do Gafanhoto Ocidental, na cidade de Suhe.

Qin Ruorong ficou ligeiramente surpresa. Lin Ruoshui fora uma cortesã no passado. Mais tarde, contraíra uma doença venérea e, algum tempo antes, depois de perambular de um lado para outro, chegara da cidade de Hucheng à cidade de Suhe. Desde então, morava no Beco do Gafanhoto Ocidental. Atormentada pela doença e rejeitada e desprezada pelos vizinhos, quase nunca saía de casa e vivia praticamente na miséria, sem ter sequer o que comer.

Certa vez, Tang Baozhu e Qin Ruorong brincavam na Rua do Gafanhoto Ocidental quando encontraram Lin Ruoshui desmaiada. As duas lhe deram algumas moedas de prata.

Qin Ruorong franziu as sobrancelhas.

— Para que procurá-la?

Tang Baozhu se lembrou das promessas repetitivas de Zhou Yixin no romance original. Um leve arco surgiu no canto de seus lábios, formando um sorriso cheio de significado.

— Zhou Yixin jurou certa vez que, se me traísse, morreria de uma doença venérea. Quero ver se ele vai mesmo morrer.

Qin Ruorong ainda sentia pena da pobre donzela, que fora maltratada por alguém, mas, ao ver a expressão de Tang Baozhu, percebeu que ela já devia ter tudo planejado.

— Ora, sua danada! Eu estava morrendo de preocupação com você, e afinal você já sabia como Zhou Yixin realmente era?

— Eu também só descobri hoje. Ao que parece, ele manteve escondida no interior uma antiga paixão de infância com quem se ama mutuamente. Mas papai já aceitou a carta de noivado dele, e agora Zhou Yixin e eu estamos oficialmente comprometidos. Se eu romper o noivado precipitadamente e Zhou Yixin decidir criar problemas, os negócios e a reputação da Fábrica de Seda da família Tang serão afetados.

Qin Ruorong arregalou os olhos, tomada pela incredulidade.

— O quê? Ele ainda escondia uma mulher no interior? Por dinheiro, perdeu completamente a vergonha!

Antes que Qin Ruorong terminasse de falar, o portão foi escancarado com um estrondo. Tang Baojun entrou vestindo uma longa túnica branca de linho, elegante e erudita. Seus traços bonitos eram bastante parecidos com os de Tang Baozhu, embora tivessem algo mais duro. Apesar da aparência refinada, seus modos eram extremamente grosseiros. Arregaçando as mangas, ele esbravejou:

— Esse desgraçado do Zhou Yixin! Eu já sabia que ele não prestava. Se soubesse antes, teria dado uma surra nele até fazer seus dentes voarem por toda parte!

Só depois de invadir o quarto Tang Baojun percebeu o quanto fora abrupto. Parou no lugar e olhou para Tang Baozhu com certo acanhamento, ainda segurando nas mãos um frango assado recheado, especialidade do restaurante Ma.

— Eu... não estava espionando de propósito. Ouvi dizer que minha irmã não come há vários dias, então comprei especialmente este frango assado do restaurante Ma.

Tang Baozhu observou Tang Baojun por um instante. Aquele devia ser o irmão mais novo da antiga dona daquele corpo.

Depois dos pais, ele era quem mais a amava. Anos antes, para comprar castanhas assadas com açúcar para a irmã, enfrentara uma forte nevasca e fora até a Rua Oeste para ficar na fila. Como queria que ela comesse as castanhas ainda quentes, manteve-as junto ao peito o tempo todo.

Mas a antiga Tang Baozhu sempre desprezara Tang Baojun, considerando-o um inútil, preguiçoso e um herdeiro mimado e inconsequente.

Além disso, influenciada por um irmão de sobrenome diferente, a antiga dona daquele corpo não sabia distinguir as pessoas. Sempre tratara Tang Baojun com frieza e indiferença, chegando a nutrir preconceito contra ele.

Mais tarde, quando a família Tang foi arruinada pela Companhia Comercial Sakuragi, dos invasores japoneses, o irmão de sobrenome diferente em quem Tang Baozhu mais confiava vendeu-a aos japoneses. Já Tang Baojun foi capturado pelos credores e transformado em trabalhador forçado. Morreu de exaustão no cais, pensando nela até o último suspiro e desejando resgatá-la.

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Quando lera essa parte do romance original, Tang Baozhu chorara copiosamente, enquanto xingava a antiga dona daquele corpo por não saber reconhecer quem realmente a amava.

Antes de entrar no livro, Tang Baozhu era órfã. Crescera independente e, contando apenas com os próprios esforços, tornara-se estilista de uma marca de roupas de pequeno porte. Nunca experimentara o calor do afeto familiar. Agora, ao olhar para Tang Baojun, sentiu inesperadamente uma corrente cálida se espalhar em seu peito. Abrandando a voz, disse:

— Estou sem apetite. Não consigo comer. Obrigada.

Ao ouvir que a irmã não pretendia repreendê-lo e que falava com tanta suavidade, Tang Baojun sentiu uma alegria incontida. Era a primeira vez que os dois conversavam com tranquilidade.

Na última vez em que espiara a irmã às escondidas, fora expulso de casa. Ela ainda o acusara de ter ido ali apenas para rir dela. Tang Baojun ficara profundamente magoado. Sua irmã só gostava de Song Shaoguang. E quem poderia culpá-la? Song Shaoguang era inteligente, capaz e querido por todos.

— Irmã, então o que você quer comer? Posso sair para comprar.

Tang Baozhu balançou a cabeça.

— Não precisa.

— Está bem, então. Irmã, fique tranquila. Eu certamente vou dar uma lição naquele canalha do Zhou Yixin.

Tang Baojun não era mau por natureza. Apenas agia de maneira impulsiva e era um tanto ignorante e indolente. Se tivesse sido capaz de assumir responsabilidades naquela época, a família Tang talvez não tivesse chegado àquela situação. Tang Baozhu precisava fazê-lo amadurecer e assumir o peso que carregava sobre os ombros. Porém, a prioridade naquele momento era romper o noivado com Zhou Yixin.

— Não aja por impulso. Eu mesma tenho uma maneira de resolver isso. Primeiro, ajude-me a acalmar papai e mamãe. Eles ainda estão furiosos e não querem falar comigo.

Tang Baojun fez um bico.

— Também, depois de você tentar acabar com a própria vida, queria que eles não ficassem furiosos?

— Está bem, eu sei que errei. Mais tarde vou pedir desculpas a eles. Agora preciso sair com Ruorong.

Os olhos de Tang Baojun percorreram o corpo da irmã, desconfiados.

— Você não está planejando sair escondida para encontrar Zhou Yixin, está? Papai e mamãe já aprovaram o casamento de vocês. Só não querem que você faça nada exagerado. Por que ainda pretende sair para vê-lo?

Tang Baozhu levou a mão à testa, exausta. Até Tang Baojun desconfiava dela. Não fazia ideia de quão obstinada a antiga dona daquele corpo havia sido para deixar toda a família tão vigilante.

— De fato, vou encontrá-lo, mas por outro motivo.

O rosto de Tang Baojun ficou vermelho de raiva.

— Mesmo depois de tudo isso, você ainda vai procurá-lo?

— Se eu não o encontrar, como poderei revelar suas verdadeiras intenções?

Vendo que Tang Baojun ainda estava meio convencido e meio desconfiado, Tang Baozhu continuou:

— Daqui a pouco, vá à cidade e reserve um quarto de primeira classe na Pousada Montanhas e Rios. Diga que é para receber um convidado ilustre da família Tang.

Enquanto falava, Tang Baozhu tirou do bolso sob o travesseiro um maço de moedas de prata.

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— Depois, compre algumas joias luxuosas, adornos, rouge e pó facial. Seria melhor providenciar também alguns vestidos ocidentais curtos.

Tang Baojun ficou atônito, sem entender nada.

— Para que comprar tudo isso?

Tang Baozhu sorriu e colocou as moedas na palma da mão dele.

— Você só precisa fazer o que pedi.

Tang Baojun guardou o dinheiro. Era a primeira vez que a irmã lhe confiava uma tarefa. Jurou secretamente que faria tudo direito, mas não conseguiu conter a curiosidade.

— Irmã, conte para mim. Se você não me disser, vou ficar morrendo de curiosidade.

Tang Baozhu soltou um suspiro discreto.

— Você conhece o senhor Ning, da cidade de Hucheng?

Ao ouvir isso, Tang Baojun e Qin Ruorong ficaram ainda mais confusos. Os dois assentiram.

— É claro. Ele é o patriarca da família Ning, uma família centenária que tem enorme prestígio em Hucheng. O clã começou com o transporte fluvial em barcos de areia e, mais tarde, passou a administrar bancos e a investir no desenvolvimento imobiliário. Seus negócios abrangem finanças, imóveis, ferrovias, seguros, navegação e transportes. O hipódromo de Hucheng, o Salão Bai Le e o Hotel Baodalin pertencem a ele. Além disso, ele é presidente da Câmara Geral de Comércio de Hucheng, diretor do Banco de Hucheng e um dos homens mais ricos da cidade.

Qin Ruorong assentiu repetidamente.

— Todo mundo que trabalha com comércio o conhece. Quem não trabalha também. Por que você está falando dele? É alguém completamente fora do nosso alcance.

Entre todos os personagens do romance original, o senhor Ning era o favorito de Tang Baozhu. Sempre que pensava nele, imaginava o rosto nobre de Ning Jinchuan. Então se lembrou de uma passagem do livro:

Seus dedos, claros e longos, de articulações bem definidas, seguraram o ombro de Tang Baozhu. As contas budistas em seu pulso roçaram-lhe de leve a pele. Ning Jinchuan a encostou contra o canto da parede e acariciou seus lábios. Seus olhos claros, da cor de chá, pareciam rasgar tudo ao redor.

Sua voz rouca trazia alguns fios de loucura.

— Eu não a tratei bem? Tang Baozhu, sua ingrata!

Depois de dizer isso, Ning Jinchuan soltou uma risada suave. De repente, apertou com violência, ignorando a expressão aterrorizada de Tang Baozhu, e quebrou-lhe o pescoço. Quando terminou, limpou lentamente as mãos com um lenço e ordenou aos subordinados ao seu lado:

— Levem-na. Piquem-na em pedaços e deem-na aos cães.

Seu belo rosto estava parcialmente banhado pelo brilho escarlate das lamparinas; a outra metade permanecia escondida na escuridão.