16 Reparo do Carro

Eu sou Sakamoto, o que deseja, colega Kudō? Magulu 3713 palavras 2026-07-31 04:53:42

Hagiwara Kenji rapidamente alcançou seu amigo.

— Jinpei — ele não pôde deixar de alertar —, se você quer agradecer, não seria melhor levar um presente?

Matsuda Jinpei finalmente se lembrou, coçando seus cabelos encaracolados:

— … Que tal eu dar a ele o troféu do meu pai?

— … — Hagiwara Kenji torceu ligeiramente a boca —. Pra que alguém iria querer esse troféu? E, com certeza, seu pai vai te dar uma surra.

Vendo a expressão preocupada do amigo, ele não teve escolha a não ser sugerir algo mais razoável:

— Que tal levar alguma especialidade de Kanagawa?

Jinpei relaxou a testa franzida.

*

No fim, dois jovens vestidos com uniformes de outra escola foram parados pelo porteiro enquanto carregavam os presentes.

— Só podem entrar se forem acompanhados por um professor ou aluno da escola — disse o porteiro.

Hagiwara Kenji segurou seu amigo, que tentava escalar o muro:

— Jinpei, a aula vai acabar logo. Vamos esperar um pouco.

Jinpei desistiu e se agachou com olhar ansioso na porta da escola.

Quando o sinal do fim das aulas tocou, ele se levantou e observou atentamente cada pessoa que saía, até que seus olhos fixaram-se em um jovem de cabelos negros brilhantes no meio da multidão. Ele não conseguiu evitar gritar:

— Sakamoto!

Sakamoto e os três jovens ao seu lado se viraram para olhar.

Ao ver o garoto com uniforme estranho correndo em sua direção, Furuya Rei imediatamente colocou-se atrás de Sakamoto:

— Parece que vieram arrumar confusão.

Itadori Yuuji e Zenin Kagehisa, os guarda-costas de Sakamoto, posicionaram-se firmemente para protegê-lo.

Embora os três soubessem muito bem que Sakamoto não precisava de proteção.

O próprio Sakamoto olhou para o jovem de cabelos encaracolados e falou:

— Não se preocupem, são pessoas que conheço.

Assim, os seis jovens sentaram-se em uma confeitaria ao lado da escola.

*

— Lembro-me — Sakamoto quebrou o silêncio primeiro —, você é o Matsuda, certo?

— Sim! — Jinpei assentiu e começou a se apresentar —. Sou Matsuda Jinpei, e este é meu amigo Hagiwara Kenji.

Hagiwara cumprimentou os outros jovens.

— Matsuda… — Furuya Rei teve uma lembrança —, você é filho de Matsuda Joutarou, não é?

— Isso — Jinpei explicou a razão da visita —. Depois daquela vez, meu pai queria agradecê-lo pessoalmente, mas não conseguiu encontrá-lo.

Sakamoto respondeu com calma:

— Parabéns ao seu pai pela vitória. Na verdade, não fiz muita coisa.

— Não, sem você meu pai não teria chegado a tempo da competição — Jinpei falou sério —. Então, se precisar de qualquer coisa, é só pedir! Algum equipamento seu está quebrado? Eu sou ótimo em consertos!

Furuya conversava baixinho com Zenin:

— Se tem algo que o Sakamoto não consegue fazer, acho que ninguém consegue, não é?

Zenin sorriu:

— Mas o Sakamoto provavelmente não quer que eles fiquem sempre lembrando disso.

Certamente ele pediria um favor pequeno.

E, de fato, Sakamoto pensou um pouco e disse:

— Minha prancha de skate está com uma peça meio frouxa. Poderia consertá-la para mim?

— Sem problemas! — Jinpei respondeu sem hesitar.

Itadori Yuuji, sem entender nada, perguntou inocentemente:

— Você conserta qualquer coisa? Minha bicicleta quebrou, dá para arrumar?

Ele estava preocupado com isso o dia todo, e levar a bicicleta à oficina sairia caro.

— Minha família tem uma oficina de carros — explicou Hagiwara —. Se o dano não for muito grave, posso dar uma olhada.

— Ah — Itadori coçou a cabeça e perguntou cautelosamente ao especialista —. Será que uma bicicleta que se desmontou toda é um dano grave?

Hagiwara ficou em silêncio por alguns segundos e perguntou:

— Por que ela se desmontou?

Itadori explicou envergonhado:

— Eu estava pedalando muito rápido esta manhã.

*

Hagiwara pensou em silêncio que velocidade seria necessária para desmontar uma bicicleta assim e concluiu mentalmente:

Ser amigo do Sakamoto realmente não é coisa de gente normal.

*

— Sabemos que Itadori Yuuji corre a 12 m/s, então pedalando deve ser — Furuya Rei tirou a lição de matemática para explicar a Zenin —, uns 20 m/s, talvez.

Espera aí, isso é mais rápido que uma motocicleta! Deve ser brincadeira!

Hagiwara pensava isso enquanto perguntava ao jovem de cabelo rosa:

— Onde está sua bicicleta?

— Está ali perto — Itadori apontou para não muito longe —. Vocês realmente podem consertar?

— Claro — Jinpei confiava muito nas habilidades do amigo —. Eu e Kenji já desmontamos e montamos carros várias vezes!

… Isso nem parece algo para se orgulhar, pensou Hagiwara, querendo avisar o amigo descuidado, mas ele já estava contando os veículos que desmontara ao longo dos anos.

Após ouvir um pouco, Hagiwara o interrompeu:

— Vamos dar uma olhada na bicicleta do Itadori?

Finalmente conseguiu parar o amigo de continuar com suas histórias de desmontagem.

*

A bicicleta estava realmente toda desmontada, felizmente com as peças intactas.

Hagiwara examinou por um momento:

— Dá para consertar, mas não trouxemos ferramentas.

Eles tinham até faltado à aula para estar ali e só tinham o celular consigo.

— A oficina da minha família fica longe daqui — Jinpei acrescentou.

— Ferramentas? — Sakamoto falou de repente —. Deixem comigo e com Itadori.

— ? — Hagiwara olhou confuso, e Itadori concordou com a cabeça —. Onde vocês apontarem, a gente desmonta!

— Espera — Jinpei pulou rápido —. Ferramentas que falamos são chave inglesa, chave de fenda, alicate e tal...

— Sei disso — Itadori bateu no peito —. Desmontar é comigo, montar é com meu mestre!

… Não, você não sabe! Como alguém pode substituir ferramentas humanas?!

Hagiwara e Jinpei gritaram mentalmente juntos.

Furuya Rei comentou por trás:

— Confia neles, as ferramentas talvez nem sejam tão úteis quanto eles.

Embora nunca tenha visto seu colega consertar algo, quando precisou de uma chave de fenda, ele pegou uma barra de ferro e, esfregando como se fosse acender fogo, conseguiu fazer uma chave improvisada!

Na verdade, era até melhor que uma chave de fenda.

— Você disse que ia tirar o banco, certo? — Itadori, cheio de energia, confirmou antes de, na frente de Hagiwara, tirar o banco da bicicleta com facilidade.

Tudo com as mãos, sem esforço.

— … — Hagiwara ficou boquiaberto e explicou para os dois onde cada peça deveria ser colocada.

Depois de ver que eles rapidamente remontaram a bicicleta, virou-se para Jinpei e disse:

— Jinpei, então é isso que significa ser um “cara das ferramentas”!

Jinpei ficou sem palavras.

Parecia que as ideias do Kenji estavam cada vez mais abstratas.

*

Embora a bicicleta estivesse consertada, Hagiwara sentia que não ajudara em nada.

Quando Itadori agradeceu, ele respondeu com cara séria:

— Não, não foi ajuda nenhuma.

Depois olhou para a bicicleta um pouco desgastada e acrescentou:

— Da próxima vez, posso trocar as peças por novas.

Itadori olhou para ele com um olhar de gratidão.

Jinpei também recebeu o skate de Sakamoto e prometeu seriamente:

— Vou consertar seu skate!

— Já está ficando tarde — Hagiwara olhou no relógio —. Jinpei, acho que é hora de voltarmos.

*

Itadori lembrou que eles não moravam em Tóquio e apontou para sua bicicleta:

— Que tal eu levar vocês de volta?

A bicicleta consertada finalmente poderia ser usada!

— Isso é complicado demais — Hagiwara começou a recusar, mas os amigos do garoto de cabelo rosa interromperam:

— O Yuuji é muito rápido, vai ser muito mais rápido que vocês de carro.

Ele engoliu a recusa porque estava curioso para ver quão rápido ele realmente era.

Sentou-se na garupa da bicicleta e deu um endereço. Antes que pudesse perceber, “vruum”!

A paisagem ao redor passou rapidamente, como se estivesse em velocidade acelerada. A bicicleta disparou.

Hagiwara exclamou:

— !

Que velocidade!

Tão rápido que ele não conseguia enxergar o que havia ao redor! Até os semáforos pareciam deixar rastros!

Espere, parecia que faíscas estavam pulando.

Hagiwara segurou firme a borda da jaqueta do garoto e olhou para baixo; era o próprio pedalando tão rápido que faiscava contra o chão!

Hagiwara pensou: (°O°;

Ele achava que sua velocidade era rápida, mas tem gente que é ainda mais!

Mal teve tempo de se surpreender, o garoto parou, o deixou no chão e disse:

— Chegamos! Já vou buscar seu amigo!

E com um “whoosh”, desapareceu.

— … — Hagiwara sentiu o vento no rosto e piscou, olhando para as costas cor-de-rosa de Itadori com os olhos brilhando.

Que legal! Ele também queria aprender.

*

Furuya Rei, vendo o garoto de cabelo rosa sair disparado e voltar para levar o encaracolado atônito embora, não pôde deixar de perguntar:

— Por que ele precisa de bicicleta para ir à escola?

Com a velocidade que ele corre, não precisaria de meio de transporte, não é?

— O Yuuji disse que usa a bicicleta para facilitar as visitas ao avô nas férias — explicou Zenin —. O avô mora na província de Miyagi, bem longe de Tóquio.

Como o irmão dele que mora em Nagano, eles só se veem nas férias, mas Yuuji vai visitar o avô sempre que pode.

— O Itadori também não tem vida fácil — comentou baixinho Furuya.

No começo, ele pensava que uma pessoa tão radiante e alegre como Itadori vivia em um ambiente acolhedor, florescendo sob o sol como uma flor Itadori, mas na verdade, Itadori era uma planta muito resistente.

— É — Zenin concordou —. Ouvi dizer que ele nem planejava vir estudar em Tóquio.

Mas a escola o procurou por causa de seu talento esportivo, oferecendo até bolsa integral, e Itadori só veio depois de muita insistência do avô.

— A propósito — Furuya olhou para Sakamoto —, você nunca falou sobre sua família, não é?

— Meus pais saíram em viagem — Sakamoto respondeu.

— Viagem? E te deixaram sozinho em Tóquio? — Furuya ficou surpreso —. Isso é irresponsável demais.

Embora ele não duvidasse da capacidade de Sakamoto de viver sozinho.

Zenin perguntou:

— Para onde foram?

Nunca tinha ouvido Sakamoto mencionar os pais; será que foram para muito longe?

— Acho que… — Sakamoto ajustou os óculos e disse com naturalidade algo surpreendente —, para fora da Terra.

Furuya Rei e Zenin Kagehisa: ?!