4 Aluna Transferida

Eu sou Sakamoto, o que deseja, colega Kudō? Magulu 3322 palavras 2026-07-31 04:53:27

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Desde pequeno, Rei Furuya nunca acreditou em contos de fadas, monstros ou super-heróis. Ele sempre foi mais maduro que as outras crianças da sua idade. Enquanto seus colegas acreditavam que Ultraman e Superman existiam, Rei cruelmente lhes dizia a verdade:
“O mundo não tem super-heróis! Nem luz!”
Naquela época, Rei desconhecia o conceito de “mentira benevolente” e apenas achava que as crianças que acreditavam naquelas coisas eram tolas.
Se existissem super-heróis no mundo, então por que ainda haveria tanto bullying escolar?
Rei sempre manteve essa opinião, mas agora — ele começou a considerar a possibilidade de que seu colega de carteira fosse mesmo um super-herói.
Caso contrário, como explicar aquelas ações estranhas e quase mágicas? Quanto mais ele pensava, mais certo ficava: seu colega de carteira, Sakamoto, definitivamente não era uma pessoa comum!
“Rei-kun, tem algo no meu rosto?” Uma voz calma, mas curiosa, soou ao lado, fazendo Rei perceber que estava olhando fixamente para seu colega havia muito tempo. Ele rapidamente desviou o olhar, balançou a cabeça e disse:
“Vi sua foto no jornal esta manhã.”
Sakamoto foi fotografado voando ao vento, e na manhã seguinte a imagem já estava nas notícias, com manchete tipo [Chocante! Filho do Vento Aparece!].
A garota na carteira da frente, anotando seriamente, comentou:
“Sakamoto já apareceu no jornal oito vezes este mês, não é à toa que é ele!”
“...” Rei nem quis contestar. Então lembrou do passarinho e perguntou: “O passarinho encontrou os pais dele?”
Sakamoto respondeu prontamente: “Sim, de acordo com o que ele falou.”
Rei já não queria mais pensar em como Sakamoto se comunicava com o passarinho; afinal, para um super-herói, falar com pássaros era normal.
“Ah, ouvi dizer que hoje tem mais um aluno transferido.”
A menina na carteira da frente confidenciou para os dois: “Vi na secretaria, deve chegar a qualquer momento!”
Um novo aluno transferido... Rei não estava muito interessado, pois a pessoa que mais o intrigava estava bem ao seu lado. Enquanto ouvia as meninas discutirem se o novo aluno teria uma cor de cabelo especial, ele se virou para Sakamoto e perguntou:
“Ei, Sakamoto, e seu antigo colega de carteira?”
O olhar de Sakamoto se fixou no assento vazio atrás dele e respondeu: “Pedi para trocar de lugar.”
Rei entendeu. O antigo colega provavelmente tentou fazer Sakamoto passar vergonha, mas acabou se dando mal e, como o aluno do assento atrás deles, pediu para trocar de lugar.
“Pessoal, silêncio!” O professor entrou na sala e o barulho cessou imediatamente. “Este é o novo aluno transferido, Kageaki Jofuku.”
Rei viu um menino parado atrás do professor, cabisbaixo e em silêncio.
“O aluno Jofuku passou por algumas dificuldades em casa e não consegue falar no momento. Espero que vocês o ajudem a ter coragem para voltar a se expressar.”
Após a fala do professor, ele olhou para os assentos e apontou para o lugar vazio atrás de Sakamoto: “Sente-se aí.”
Kageaki Jofuku assentiu levemente e foi até seu lugar.
Enquanto atravessava a sala, ouviu sussurros:
“O que é isso? Veio um mudo.”
“...”
Kageaki congelou, acelerou o passo e se sentou.

*

Após a aula, Kageaki observava cautelosamente as pessoas ao redor. Depois de presenciar a morte dos pais, ele não conseguia se comunicar com ninguém, exceto com o irmão.

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Um cabelo loiro reluzente chamou a atenção de Kageaki, que manteve o olhar fixo por um bom tempo. O loiro virou-se gentilmente e disse:
“Olá, sou Rei Furuya, também cheguei aqui há pouco.”
Kageaki não conseguiu emitir som algum, apenas apertou os lábios e forçou um sorriso.
Rei apontou para o rapaz ao lado: “Esse é o Sakamoto. Se precisar de algo, pode contar com a gente.”
Kageaki olhou na direção indicada e viu um garoto de cabelos negros e lisos que, ao cruzar o olhar com ele, disse:
“Olá.”
Apesar da voz fria, não havia hostilidade. Kageaki assentiu com a cabeça.
Depois de conversar com o novo aluno, Rei confidenciou para seu colega: “Acho que isso se chama afasia.”
Ele havia lido que a afasia é uma disfunção cerebral que torna muito difícil para a pessoa conseguir falar.
Rei ainda pensava sobre a explicação quando ouviu os gritos das garotas atrás:
“Ahhh! Tem uma cobra!”
Ele se virou imediatamente e viu uma cobra subindo lentamente por uma árvore ao lado do prédio, chegando até o parapeito da janela da sala.
Havia muitas árvores próximas à sala de aula, e Rei deduziu que foi por uma delas que seu colega havia entrado naquela manhã.
No verão, as janelas ficam abertas, o que dava chance para a cobra entrar. Rei respirou fundo e se preparava para acalmar os colegas e sugerir que saíssem da sala, quando viu Sakamoto se levantar.
Antes que pudesse entender, Sakamoto já estava ao lado da cobra.
Rei, preocupado, alertou: “Sakamoto, fica longe dela!”
Mesmo sendo poderoso, ele sabia que uma cobra não era algo que um leigo pudesse enfrentar.
Kageaki também olhava nervoso.
Sakamoto se aproximou da cobra com olhar firme e concentrado. Em meio ao medo geral, ele estendeu a mão com velocidade e precisão inacreditáveis, segurou a cabeça da cobra e a pegou pelo pescoço com um gesto elegante e decidido.
Depois, pressionou a boca da cobra com o polegar e a ergueu, enquanto o réptil se enrolava naturalmente em seu braço.
Se fosse qualquer outro, provavelmente teria desmaiado de susto, mas Sakamoto não.
Ele mantinha a expressão calma, o olhar sereno, e seus dedos deslizavam pelas laterais do corpo da cobra. Sob sua condução, o réptil se desenrolava lentamente, ora subindo em espiral, ora mergulhando para baixo. A postura de Sakamoto mudava junto com os movimentos da cobra, que girava no ar enquanto ele rodopiava graciosamente. A cena era magnífica.
A sala explodiu em aplausos.
Rei, ainda atônito, observava aquela dança entre seu colega e a cobra.
Primeiro ele pega a cobra com as mãos nuas, e agora está dançando com ela?!
Ele reclamava mentalmente, mas já estava muito mais acostumado do que na primeira vez. Pensando que o novo aluno talvez estivesse vendo aquilo pela primeira vez, Rei foi até ele e explicou baixinho:
“É, acostume-se.”
Kageaki, que sofria de afasia, perdeu o foco do olhar e murmurou, admirado:
“Incrível...”
Rei: ! Ele falou, falou mesmo!

*

Ao ouvir o novo aluno falar, Rei ergueu as sobrancelhas surpreso:
“Você falou agora, não foi?”

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Kageaki, ainda processando a situação, também ficou chocado e exclamou:
“Ah!”
Ele conseguiu falar!
Tentou mais uma vez e percebeu que ainda não conseguia formar frases completas em velocidade normal, mas já podia emitir sons intermitentes!
Sua felicidade era visível; queria ligar para o irmão e contar tudo naquele instante.
Rei especulou ao lado:
“Deve ter sido um choque tão grande que ele falou sem perceber...”
Ele pensava que, em casos como o de Kageaki, seria necessário um processo gradual de incentivo para que ele voltasse a falar.
Mas, para sua surpresa, em apenas um dia, Sakamoto já tinha feito o garoto se expressar.
Rei entregou a Sakamoto o spray desinfetante que tirou da mochila, olhando-o com uma expressão complexa, enquanto o garoto devolvia a cobra ao seu lugar.
Kageaki olhava para Sakamoto com olhos brilhantes e, ao perceber que o colega não entendia, disse emocionado e trêmulo:
“Obrigado!”
Sakamoto: ?

*

Hoje era o primeiro dia de aula do irmão mais novo em Tóquio.
Kagemitsu Jofuku estava preocupado de que o irmão, incapaz de falar, pudesse sofrer bullying na escola. Embora sempre fizesse questão de parecer severo, dizendo para o irmão ser forte e corajoso, ele se preocupava nos dias em que não podiam se ver.
Kageaki, de personalidade gentil e reservada, desenvolvera afasia devido ao trauma, o que inevitavelmente atraía olhares estranhos.
Após muito tempo preocupado, Kagemitsu não resistiu e ligou para o irmão.
Ele geralmente permitia apenas uma ligação por mês, mas naquele mês já era a terceira vez.
Após alguns segundos, a ligação foi atendida. Ele tentou esconder a ansiedade e perguntou:
“Já está se acostumando na nova escola?”
Na verdade, Kagemitsu já sabia a resposta: não seria nada fácil para o irmão, que não conseguia falar, se enturmar.
“Sim!” Para sua surpresa, ouviu a voz animada do irmão do outro lado da linha: “Hoje eu falei!”
Kagemitsu ficou surpreso e repetiu:
“Falou?”
Sua voz subiu alguns tons, revelando espanto.
“Sim, graças ao meu colega de carteira. Vi ele dançando com uma cobra e não resisti, falei.”
... Dançando com uma cobra?
Kagemitsu, embora estivesse ouvindo em japonês, não entendeu o que o irmão queria dizer.
Mas, desta vez, foi Kageaki quem desligou primeiro, contrariando o costume de não querer encerrar a ligação:
“Irmão, vou voltar para casa com os colegas, desligo aqui.”
“...” Kagemitsu ficou em silêncio, segurando o telefone, pensando se o irmão estaria apresentando algum sintoma de estresse pós-traumático, como alucinações.
Será que deveria procurar um médico?