14 Modelo Igual

Eu sou Sakamoto, o que deseja, colega Kudō? Magulu 3146 palavras 2026-07-31 04:53:41

Na noite anterior à cerimônia de abertura dos jogos esportivos, Reiji Suguru ainda não conseguia resolver suas preocupações. Apesar de já terem ensaiado a música da abertura várias vezes e ele ter praticado em casa centenas de vezes, durante o ensaio daquele dia, ele cometeu alguns erros. O que aconteceria se ele errasse na apresentação oficial?

Embora seus amigos o tenham tranquilizado dizendo que era apenas um problema pequeno, e mesmo Kageaki Jūfuku tenha assumido a culpa pelo erro, Reiji ainda se sentia culpado. Ele chegou a pensar em desistir, mas se desistisse tão facilmente, não seria mais ele mesmo.

“Bip bip.”

O som da mensagem no celular tocou, e Reiji abriu para ler:

[Reiji, não se preocupe. — de Hiro]

[Não se abale, confie em mim e em todos nós. — do colega de mesa]

[Suguru, com a gente ao seu lado, você certamente não será o mais chamativo! — de Yūji Itadori]

Não sabia se Yūji estava tentando consolá-lo, mas Reiji sorriu sem jeito e, finalmente, suspirou aliviado: ele confiava em todos.

*

No dia seguinte, com o coração apertado, Reiji entrou na sala de ensaio e não encontrou ninguém. Não deveria ser assim. Eles tinham combinado de chegar uma hora antes para ensaiar mais um pouco. Mas nem mesmo Kageaki, que sempre chegava quinze minutos mais cedo, estava lá.

Confuso, Reiji pegou o celular para contatar os outros quando de repente ouviu vozes do lado de fora. Logo reconheceu aquela voz familiar:

“Será que assim eu pareço super masculino?”

“Hmm, muito estiloso.”

“O cabelo verde do Kageaki é muito especial!”

Reiji caminhou até a porta, que foi aberta por alguns amigos de pele escura e cabelos vibrantes.

Reiji ficou boquiaberto.

*

“Q-que... o que vocês estão fazendo?” Reiji ficou parado, surpreso, olhando para o cabelo prateado de Sakamoto, o verde de Kageaki, e finalmente para a pele deles, que estava ainda mais escura que a dele.

Ele rapidamente entendeu o motivo daquela mudança.

Reiji ficou atônito ao ver Yūji se aproximar exibindo-se: “Eu disse que hoje você não seria o mais chamativo, né?”

Então era isso.

Kageaki se aproximou para explicar: “São perucas e bronzeadores descartáveis. Como estávamos com pouco tempo, só conseguimos fazer assim.”

Reiji olhou para os três amigos engraçados à sua frente, riu enquanto os olhos dele se enchiam de lágrimas: “Vocês não acham que a banda vai causar uma impressão estranha?”

Ele olhou para Sakamoto: “Colega de mesa, essa ideia foi sua, não foi?”

Às vezes, Sakamoto conseguia inventar soluções absurdas, mas que faziam sentido.

*

“Sim,” Sakamoto admitiu com naturalidade, “achei que, em vez de tentar resolver a ansiedade do Reiji, seria melhor mudar a percepção dos outros.”

Os preconceitos das pessoas seguiam a opinião da maioria.

“Além disso,” acrescentou Sakamoto, cuja pele originalmente clara estava agora bronzeada, mas ele continuava elegante, “acredito que só passando pela mesma experiência é que realmente se entende a situação dele.”

Todo mundo podia dizer a Reiji para não se importar com sua aparência, mas ninguém tinha vivido a vida dele. Se isso acontecesse com eles, quantos conseguiriam ignorar os olhares alheios?

Reiji sentiu o nariz arder e a visão começar a borrar. Apressadamente, tentou enxugar as lágrimas, mas elas só aumentavam.

No fundo, ele ainda era apenas um estudante do ensino fundamental.

Kageaki rapidamente ofereceu um lenço para confortá-lo: “Reiji, assim você não vai ficar nervoso, né?”

“C-certo, eu não estou nervoso,” Reiji fungou, “só estou preocupado que vocês vão fazer todo mundo rir enquanto eu toco guitarra.”

Yūji sorriu com os olhos curvados: “Agora eu sou Yūji Itadori Black, esse é Kageaki Dark e Sakamoto Black!”

“Puff.”

Todos caíram na gargalhada.

*

Quando finalmente subiram ao palco, a preocupação de Reiji mudou de “será que vou me destacar demais?” para “será que nossa banda vai passar vergonha?”

Mas ele claramente subestimou o efeito de Sakamoto e Yūji.

Sakamoto, o mais famoso da escola, ditava as últimas tendências com cada movimento seu. Já Yūji, extrovertido e simpático, era muito popular desde que se transferira para a escola.

Então, quando os quatro de pele escura subiram ao palco, a reação da plateia foi:

“Sakamoto-kun está cheio de charme masculino!”

“Que estiloso! Quem diria que a pele bronzeada é tão radiante!”

“Aquele é o Suguru, né? Nunca tinha reparado que ele é tão bonito!”

“O de cabelo verde é Kageaki da nossa turma, ele é muito gentil e, olha só, é baixista!”

“...”

Para surpresa deles, receberam uma recepção calorosa.

Ao fim da música, aplausos efusivos ecoaram, e Reiji, olhando para as pessoas aplaudindo, ficou meio atordoado.

Era a primeira vez que sentia o calor de olhares sinceros e sem maldade. Percebeu que as pessoas não odiavam sua cor de pele.

Ele desviou o olhar, sentindo uma onda de calor subir pelo peito. Com os olhos marejados, viu os amigos se aproximarem e colocarem os braços sobre seus ombros:

“Mandou bem.”

Reiji declarou que aquele verão seria o mais inesquecível de sua vida.

*

Após a apresentação da cerimônia de abertura, os jogos esportivos começaram oficialmente.

Reiji percebeu que os olhares se fixavam nele e nos amigos pela cidade. Exceto Kageaki, que parecia um pouco desconfortável, os outros dois estavam tranquilos.

“Reiji, você não está tendo vida fácil,” Kageaki comentou baixinho ao seu ouvido.

Ele ainda recebia apenas olhares curiosos, era difícil imaginar o quanto a situação dos amigos tinha sido difícil antes.

“Agora está tudo bem,” respondeu Reiji, encarando uma garota que o observava. Ele sorriu levemente, e ela rapidamente corou.

*

Não podia negar que ter os amigos com a pele ainda mais escura ao seu lado lhe dava uma grande confiança.

Além disso, ele havia amadurecido em relação a algumas coisas.

“Antes, quando me chamavam de macaco, eu ficava muito bravo,” disse Reiji, olhando para Yūji, que participava da corrida, “agora acho que é uma comparação muito vívida.”

Quando Yūji fazia barra fixa, parecia um macaco ágil.

E quando ouviu isso, ele ainda assentiu orgulhoso: “Estão elogiando minha força, né!”

Reiji ficou sem palavras.

O espírito de Yūji era algo a se admirar.

*

Nos jogos esportivos, os quatro não se destacaram só pela aparência, mas também pelo desempenho.

No tênis, os três venceram facilmente. Yūji quebrou o recorde de corrida novamente. Sakamoto, reserva do basquete, impressionou a todos com uma cesta de três pontos no último minuto. Reiji ganhou o prêmio de “melhor participação”, tendo participado quase de todas as provas, quase sempre ficando entre os três primeiros. Kageaki brilhou nas competições em equipe, mostrando ótima sintonia com os companheiros.

Os quatro conquistaram muitos fãs após o término dos jogos.

Além disso, surgiu uma onda de bronzeamento na escola. No dia seguinte, Reiji viu vários colegas com a pele escurecida, e até ouviu olhares de admiração: “Que sorte, Suguru nasceu com essa cor de pele.”

Reiji ficou sem jeito.

Era a primeira vez na vida que alguém invejava sua cor de pele.

*

O sucesso da banda não se devia apenas à pele.

“Reiji,” disse Kageaki ao entrar na sala, entregando o jornal escolar, “dá uma olhada nisso.”

Reiji pegou o jornal e seus olhos foram atraídos por letras enormes: [F4 da Escola! Sempre há um príncipe para fazer seu coração bater mais forte!]

F4 da escola?

Confuso, Reiji continuou lendo e encontrou uma descrição rebuscada e exagerada:

[Ele, desde que entrou na escola, chamou atenção com seu estilo cool, cooler, coolest! Sempre elegante, a qualquer hora, em qualquer lugar! Ele é—Sakamoto!]

Surpreendentemente, a descrição combinava muito com Sakamoto...

Reiji ria, mas logo parou.

[Ele, com seu cabelo loiro de príncipe e pele bronzeada, é tão charmoso quanto sua cor é intensa! Parece um personagem saído de um mangá, e é o colega de mesa e guitarrista de Sakamoto — o príncipe mestiço Reiji Suguru!]

“...?”

Reiji leu com atenção várias vezes para ter certeza de que não havia ninguém com o mesmo nome na escola. Suas mãos tremiam segurando o jornal.

Seguindo, havia menções ao príncipe gentil Kageaki e ao príncipe solar Yūji.

Não sabia se devia se alegrar por todos os amigos estarem na lista.

Com os dedos quase apertando o jornal como se fosse um castelo, Reiji o deixou de lado e perguntou:

“Por que nós três somos príncipes e Sakamoto não?”

Kageaki deu de ombros: “Disseram que Sakamoto é o rei.”

Reiji ficou em silêncio.

Fazia todo sentido.