6 Poderes Sobrenaturais

Eu sou Sakamoto, o que deseja, colega Kudō? Magulu 3520 palavras 2026-07-31 04:53:36

Faltava um minuto para o início da competição.

Naquela disputa de campeonato com oito participantes, apenas sete haviam comparecido; um ainda não dera as caras.

E, justamente quando todos contavam os sessenta segundos finais e já achavam que aquele competidor havia desistido—

Bang!

A porta do recinto se abriu, e uma silhueta disparou para dentro.

A velocidade era tão absurda que nem o rosto se podia distinguir.

A figura de negro saltou, apoiou-se na borda do skate, deu uma volta no ar e pisou no tail para frear o tablado, parando exatamente diante do funcionário do credenciamento. Em seguida, apontou para trás, para o rapaz que ainda se equilibrava tonto sobre o skate.

“Olá. O competidor Jotaro Matsuda chegou.”

“Eh...” o responsável pelo credenciamento hesitou ao falar. “O local da competição de skate é na sala ao lado.”

Jotaro Matsuda enfim reagiu e correu à frente para explicar, apressado: “Eu sou competidor de boxe! Olha, esta é a minha credencial!”

“De fato”, disse o responsável, depois de conferir várias vezes e finalmente confirmar. “Se se atrasasse mais um minuto, não poderia competir. Vá logo aquecer para a disputa.”

Os olhos de Matsuda brilharam, e ele assentiu depressa.

“Certo!”

Mal deu alguns passos, lembrou-se de algo, virou-se para o rapaz e inclinou-se num cumprimento:

“Obrigado!”

Então voltou a se lançar ao seu campo de batalha, com o coração em chamas.

Sakamoto ajustou os óculos. Ao notar o olhar ardente de alguém ao lado, virou a cabeça; a pessoa lhe enfiou um cartão de visita na mão e, com sinceridade, disse:

“Jovem, tem interesse em se tornar um skatista?”

*

“Então...” Fujimiya Zero olhou repetidas vezes para o contato da Associação Japonesa de Skate em sua mão. “Numa única aula, você foi até Kanagawa para testemunhar um caso, depois foi a uma academia de boxe e, lá, recebeu um convite da Associação Nacional de Skate... e ainda comprou aquela sobremesa para a qual a fila demora horrores?”

A cada palavra, aquilo lhe parecia mais inacreditável.

Antes de tudo, como alguém conseguia fazer tanta coisa em uma só aula? E por que um convite da associação de skate teria sido recebido numa academia de boxe?

Mas o cartão de visita em sua mão claramente não era falso, e Sakamoto também não parecia o tipo de pessoa que brincasse com isso.

“Sim. A sobremesa para você”, disse Sakamoto, imperturbável, estendendo a caixa de doces que tinha nas mãos para Zero.

Zero piscou, atônito, e então entendeu que a sobremesa era um agradecimento por ele ter ajudado a justificar a falta. Como jamais recebera um presente, piscou os olhos rapidamente.

“Foi só uma coisinha, eu só ajudei de passagem.”

Sakamoto respondeu:

“Foi apenas por acaso que passei por lá.”

...Mas aquela confeitaria ficava absurdamente longe! Que caminho era esse, afinal?

Vendo que Sakamoto insistia, Zero aceitou a sobremesa.

“Falando nisso, Sakamoto, você também anda de skate?”

Depois que Sakamoto assentiu, Zero registrou imediatamente a informação em seu caderno de dados.

— O caderno de dados, a princípio, servia para reunir informações sobre todos, mas, como o colega ao lado era insondável, o Diário de Dados Cotidianos de Zero acabou virando um Caderno de Informações Sobre o Colega de Carteira.

Depois de anotar o novo dado, ergueu a cabeça e perguntou:

“E o resultado da competição?”

Sakamoto não respondeu; a garota sentada à frente respondeu por ele:

“Ele ganhou!”

Zero ficou muito curioso.

“Como você sabe qual pessoa foi?”

Mesmo sendo fã de Sakamoto, não era possível saber com tanta precisão assim; havia muitos competidores japoneses no torneio de boxe.

A garota balançou o celular.

“Olhem esta notícia.”

Zero se inclinou para ver.

[Campeão! O boxeador que veio sobre um skate! A história por trás do campeão que você não conhece!]

Faltava um minuto para o início da competição.

*

“Ouvi dizer que o tio Matsuda foi campeão”, disse Hajime Hagiwara, que tinha ido até o amigo assim que soube da notícia. “Então o pequeno Jõho não vai me pagar o jantar hoje?”

Shinji Matsuda baixou o olhar.

“Outro dia.”

Vendo que o amigo não estava tão empolgado quanto o esperado, Hagiwara o observou, intrigado.

Em tese, se o pai de Matsuda havia conquistado o título, pela personalidade do amigo ele deveria estar anunciando isso ao mundo inteiro.

Mas o outro nem sequer compartilhara a boa notícia com ele de imediato; ao contrário, parecia... aliviado por pouco? Ou até assustado?

“O que aconteceu?” Hagiwara não pôde deixar de perguntar. “Seu pai ganhou o campeonato; não era para você estar feliz?”

Shinji fechou o punho mais uma vez. Sabia bem o quanto o título do pai fora conquistado com esforço. Se aquele rapaz não tivesse aparecido a tempo...

Shinji não conseguia imaginar as consequências.

E, por ter sido levado pela polícia, ainda que o pai não fosse assassino nenhum, os vizinhos continuariam a falar pelas costas; e, para piorar, a polícia sequer quis se pronunciar para esclarecer que seu pai era inocente.

Inspirou fundo e, com um ar extraordinariamente sério, disse a Hagiwara:

“Reni, eu vou virar policial!”

“?” Sem entender como o assunto tinha ido parar ali, Hagiwara conferiu com atenção se o amigo não havia sido trocado por outra pessoa, e só então se tranquilizou. “Policial é uma profissão boa, mas por quê?”

Ainda outro dia, quando o professor mandara a turma escrever sobre “meu sonho”, aquele sujeito ao lado escrevera que queria se tornar o Rei dos Piratas.

“Porque...” Shinji lembrou-se dos policiais dizendo algo sobre ser uma determinação do chefe da polícia, e bufou com desdém. “Eu vou bater no chefe da polícia!”

“...” Um motivo bem singular.

Hagiwara até quis ironizar, mas, como era a primeira vez que via o amigo preguiçoso tão sério e resoluto, em vez disso o encorajou:

“Certo, eu apoio você virar policial para depois espancá-lo!”

Satisfeito com o apoio, Shinji relaxou. Pensou um pouco e acrescentou, de modo misterioso:

“Tem mais uma coisa. Só vou contar para você, hein.”

Hagiwara aguçou os ouvidos.

“O quê? O quê?”

“Hoje eu...” Mesmo sussurrando, a excitação ainda transbordava em sua voz.

“Encontrei um deus de coração mole!”

Hagiwara: ...Hã?

*

Shinji Matsuda exagerou com gosto ao descrever tudo o que acontecera naquele dia.

Enfatizou várias vezes que, no momento de seu desespero, a divindade desceu dos céus sobre um skate.

Hagiwara não conseguiu deixar de interrompê-lo:

“...Espere aí. Por que um deus usa skate?”

Shinji pensou por um segundo e concluiu sem hesitar:

“Porque era o deus do skate!”

Hagiwara: ...

*

[A probabilidade de o colega de carteira ser um deus é de 30%; a de ser um super-homem é de 70%.]

Depois de anotar essa linha no caderno, Zero virou-se para o colega de carteira e fez um convite:

“Sakamoto, eu e Mitsu vamos ao novo fliperama. Quer ir conosco?”

No dia anterior, ao passar por lá, vira gente indo brincar em grupos, e sentira certa inveja.

Como não tinha amigos, nunca entrara num fliperama; no passado, depois das aulas, sempre voltava para casa sozinho.

Sakamoto encontrou o olhar expectante dos olhos violáceos do colega ao lado e assentiu:

“Certo.”

*

Assim, os três caminharam lado a lado até o fliperama.

Antes mesmo de decidirem qual brinquedo experimentar, uma garotinha de duas marias-chiquinhas, ali perto, fazia manha:

“Eu quero aquele coelhinho!”

Ela apontava para um boneco de coelho fofinho dentro da máquina de pelúcia.

A pessoa que a acompanhava suspirou, um tanto impotente:

“Não tem jeito. Não consigo pegar.”

A menina fez beicinho, virou-se e então avistou os três rapazes na entrada. Correu até eles, ofegante.

Estendeu a palma da mão e, segurando algumas fichas de jogo, ergueu-as diante de Hiroki:

“Maninho, você pode me ajudar a pegar o coelhinho?”

Diante do pedido da garotinha, Hiroki não conseguiu recusar e apenas assentiu. Zero, confiante como sempre, disse:

“Deixa com a gente. Vamos conseguir esse coelho para você!”

Então os três ficaram diante da máquina de pelúcia.

“Um pouquinho para a esquerda, passou, passou, volta um pouco!” Zero ajudou medindo com os olhos. “Pronto, essa posição é perfeita!”

Falando com segurança, Hiroki apertou o botão. Os nervos à flor da pele, observou a garra descer. Ela agarrou o coelho, mas, antes de três segundos passarem, soltou-se rapidamente.

Zero coçou a cabeça.

“...Não foi bem como eu imaginei.”

Hiroki explicou baixinho em seu ouvido:

“Na verdade, existe uma taxa de captura.”

A máquina de pelúcia depende muito mais da sorte; por mais técnica que se tenha, ainda é preciso encontrar o agarrão forte aleatório para segurar o boneco com firmeza.

Zero entendeu logo, mas a garotinha atrás deles olhava o coelho com olhos cheios de expectativa. Um minuto antes ele havia se gabado; recuar agora seria realmente vergonhoso.

Além disso, Zero jamais recuava.

Então respirou fundo e avançou com duas fichas na mão.

Inseriu a moeda, moveu a garra, alinhou-a.

Depois de confirmar que a posição da garra certamente levantaria o boneco, apertou com calma.

Alguns segundos depois, o boneco de coelho caiu de novo, e o sorriso em seu rosto parecia zombar dele.

Depois de mais duas tentativas fracassadas, Zero virou-se para Hiroki e perguntou:

“Quanto custa quebrar essa máquina?”

Hiroki: “...C-calma!”

Enquanto os dois discutiam uma forma violenta de obter o brinquedo, a máquina foi acionada mais uma vez.

Zero olhou, e seu colega de carteira estava diante da máquina, movendo a garra com toda a seriedade.

“Sakamoto, isso é difícil”, avisou Zero de antemão. “A garra é frouxa demais, não vai pegar de jeito nenhum!”

Ainda nem terminara de reclamar, e Sakamoto já apertara o botão. Zero esperou a repetição da história, o boneco caindo... mas a garra não soltou.

Não só isso: ela levantou dois coelhos de pelúcia de uma vez.

Zero e Hiroki se entreolharam, ambos com a mesma expressão de choque, enquanto Sakamoto já retirava os dois bonecos e os entregava à menina.

“Maninho, você é incrível!”

Ao finalmente receber o coelho que tanto desejava, a garotinha abriu um sorriso.

Zero, ao lado, questionava a própria existência.

“Hiroki, por que isso aconteceu?”

Hiroki balançou a cabeça, dizendo que também não sabia.

*

Ao ver Sakamoto conseguir pegar o boneco, Zero renovou o ânimo e voltou a se postar diante da máquina de pelúcia. Tentou algumas vezes, mas o resultado continuou sendo o mesmo: fracasso.

Sakamoto, ao mesmo tempo, acionou duas máquinas de pelúcia, operando as duas mãos de uma vez, e chegou até a pegar um boneco de olhos fechados.

Zero: ...

Poderes sobrenaturais! Só pode ser poder sobrenatural!!!