5 Tornado

Eu sou Sakamoto, o que deseja, colega Kudō? Magulu 4538 palavras 2026-07-31 04:53:31

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Sendo ambos calouros transferidos, Reiji Fushiguro naturalmente cuidava mais de Kagemitsu Morofuku. Além disso, o outro não só conseguiu falar devagar, como também o elogiou sinceramente:
— A cor do seu cabelo é muito bonita!
Reiji Fushiguro, naturalmente, considerou Kagemitsu Morofuku como amigo e o convidou para voltar para casa juntos.
Na verdade, como nunca teve amigos da mesma idade, exceto a Dra. Elena Miyano, que cuidou de seus ferimentos, ele não tinha outros amigos.
Para ele, a definição de “amigo” era simplesmente alguém que não o rejeitasse e o aceitasse.
Por isso, ao receber o elogio, as pontas das orelhas de Reiji Fushiguro ficaram levemente vermelhas e ele anunciou:
— Kagemitsu, a partir de agora somos amigos!
Kagemitsu Morofuku coçou a cabeça confuso, pensando que talvez os tokianos fossem mais calorosos, e sorriu timidamente:
— Hmm!
— E Sakamoto — Reiji Fushiguro lembrou repentinamente de seu colega de carteira e virou a cabeça para ver o lugar ao lado já vazio — …e o Sakamoto?
Embora pudesse falar, Kagemitsu Morofuku respondeu lentamente:
— Parece que teve um imprevisto.
Reiji Fushiguro parou por um momento, coçando a cabeça:
— Como ele saiu e eu não soube de nada?
Ele deveria estar sentado na parte de fora e Sakamoto teria que passar pelo lugar dele para sair, certo?
— Ele — Kagemitsu Morofuku apontou para a janela e explicou — saiu por aqui.
Reiji Fushiguro: ...Agora faz sentido.
Mas essa capacidade de adaptação dos novos alunos não é exagerada? Mostra um pouco de reação normal!

*

Kagemitsu Morofuku, claro, ficou surpreso.
Quem não ficaria chocado ao ver alguém sentado quietinho de repente pular pela janela?
Mas devido às experiências anteriores, suas emoções estavam bastante contidas; por dentro estava muito abalado, mas não demonstrava.
Isso levou Reiji Fushiguro a ter um pequeno mal-entendido sobre ele.
— Então... qual é o nome completo do Sakamoto? — Kagemitsu Morofuku, atento, lembrou de algo.
Ele se lembrava que, na apresentação, Reiji Fushiguro dissera seu nome e mencionara Sakamoto, mas só falou o sobrenome.
Kagemitsu Morofuku pensou que, para fazer amigos, era importante saber o nome, pois o nome era muito importante!
No entanto, o rapaz loiro à sua frente suspirou ao ouvir a pergunta, cobriu o rosto e abaixou a cabeça:
— Desculpe, eu também não sei.
Kagemitsu Morofuku: ???
Será que o relacionamento entre Reiji e Sakamoto não é tão próximo quanto ele imaginava?

*

Reiji Fushiguro e Kagemitsu Morofuku caminhavam para casa, enquanto o primeiro explicava:
— Na sala, não, melhor dizendo, em toda a escola, ninguém sabe o nome do Sakamoto.
Kagemitsu Morofuku abriu um pouco mais os olhos.
— Parece inacreditável, né? — Reiji Fushiguro percebeu sua expressão — Eu já conferi, é verdade.
Quando o professor chama a lista, só é chamado “Sakamoto”.
Até na lista de chamada, nas tarefas e nas provas só aparece o nome “Sakamoto”!
Reiji Fushiguro já não sabia como explicar essa situação.
— Enfim, o nome do Sakamoto é atualmente o maior mistério não resolvido da escola.
Kagemitsu Morofuku: "...Impressionante."
No antigo colégio dele, os mistérios envolviam “choros nos banheiros”, “estátuas que viravam a cabeça na sala de arte” ou “sons de piano na sala de música vazia”, mas na escola deles era “o nome do Sakamoto”.
De certo modo, o aluno Sakamoto era uma existência muito misteriosa, pensou Kagemitsu Morofuku.

*

O misterioso Sakamoto estava agora salvando um gato.
Inicialmente, planejava visitar uma livraria em Kanagawa, mas, ao andar, viu um grupo de pessoas reunidas à frente.
Chegando mais perto, ouviu a conversa:
— O gatinho entrou embaixo do carro, que perigo.
— O dono do carro ainda não foi encontrado?
— Devemos chamar profissionais, né?
Sakamoto parou, atravessou rapidamente a multidão e chegou perto do carro.
Ouviu alguns miados e decidiu agir imediatamente.
— Ei, garoto, o que você está fazendo? — perguntou uma senhora confusa, olhando para o jovem preparado ao lado.
Ela não recebeu resposta, mas sentiu uma rajada de vento.
Vento?
De onde veio esse vento?

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Num dia quente de verão, depois de se espremer no supermercado e suar muito, aquela brisa fresca fazia a senhora se sentir aliviada e confortável.
Era mais forte até do que o ventilador de casa.
As pessoas ao redor fecharam os olhos para sentir o vento, mas logo perceberam: de onde viria vento agora?
A temperatura estava em 32 graus, o tufão havia passado dias atrás e o calor era intenso; não deveria haver vento.
Ao abrir os olhos, viram um pequeno tornado à sua frente.
Não, não era isso! Era uma pessoa!
Era o rapaz que, girando rapidamente, se transformava em um tornado!
A velocidade era tão grande que só se via o rastro.
O vento levantou-se, afastando o calor e trazendo frescor, entrando por baixo do carro.
Sentindo o frescor, o gatinho rapidamente saiu debaixo do veículo.
Sakamoto finalmente parou devagar, pegou o gato no colo e, com uma expressão rara de suavidade, disse:
— Senhor Gato, debaixo do carro é perigoso.
Como se entendesse, o gatinho miou para concordar, e Sakamoto acariciou-o satisfeito antes de soltá-lo.
A multidão ainda estava confusa sobre o que havia acontecido e por que o gato saiu sozinho, quando Sakamoto já havia partido com um perfil elegante.
Entre eles, o jovem Kenji Hagiwara, que pensava em chamar os profissionais para desmontar o carro, olhava atônito para as costas do rapaz e refletia:
— Como ele girou tão rápido e os óculos não caíram?

*

— Kenji, por que você está tão distraído hoje? — perguntou Jinpei Matsuda ao amigo.
Kenji suspirou:
— Nada, só encontrei uma pessoa muito estilosa agora pouco.
— Se até você acha estiloso, deve ser mesmo — Jinpei deduziu com razão.
— Mais do que a aparência — Kenji acrescentou — o jeito dele é muito mais estiloso.
Jeito?
Jinpei não entendeu bem, mas viu o amigo pensativo por um tempo, depois se aproximou e sussurrou no ouvido dele:
— Jinpei, acho que...
— Os meninos são feitos de vento.
Dias atrás, o professor disse que as meninas são feitas de água, mas nunca disse do que os meninos são feitos.
Agora, Kenji viu com seus próprios olhos o rapaz se transformar em vento e concluiu:
— Eles são feitos de vento! E de tornado!
Jinpei ficou com os olhos arregalados: ???

*

Quando Sakamoto saiu da livraria já era fim de tarde.
Ao virar a esquina, viu o Senhor Gato sendo alimentado por um senhor.
— Gatinho, se eu te alimentar, você tem que me desejar sorte na final amanhã, hein!
O gato miou como resposta e, ao notar Sakamoto, animou-se e correu até seus pés.
Sakamoto agachou e acariciou sua cabeça.
O senhor olhou resignado para o gato que o abandonava:
— Garoto, esse gato gosta mesmo de você; eu levei um tempão pra conseguir chegar perto dele.
Sakamoto sorriu gentilmente:
— Acho que temos algum tipo de ligação.
Ele suspirou ao ver o habitual gato frio agindo fofinho e rolando no chão, quando ouviu o garoto falar distraidamente:
— Boa sorte na competição.
— Ah, obrigado!

*

[Pequeno tornado aparece em Kanagawa!]
Reiji Fushiguro viu essa notícia logo cedo e comentou com seu colega de carteira:
— Sakamoto, ontem houve um tornado em Kanagawa, que coisa rara.
Sakamoto olhou para a imagem dele no jornal e, prestes a explicar, o telefone começou a vibrar.
Ele atendeu rapidamente.
— Alô, aqui é a polícia de Kanagawa. Temos um caso que precisa da sua ajuda, venha o mais rápido possível.
Sakamoto levantou-se e ouviu a confusão do outro lado:
— Por que não perguntam tudo pelo telefone? De Tóquio até Kanagawa demora pelo menos quarenta minutos, e a competição do meu pai começa em vinte!
— Desculpe, precisamos que a testemunha compareça pessoalmente para provar a inocência do seu pai.
— ...
Sakamoto olhou o relógio e pediu ao colega de carteira:
— Reiji, por favor, peça licença para mim na aula.
Reiji ainda não havia assimilado quando seu colega mais uma vez saltou pela janela, com agilidade e destreza.
— ... — ele olhou para Kagemitsu Morofuku, que deu de ombros e sorriu:
— Você vai se acostumar.
Reiji Fushiguro: ...

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*

Jinpei Matsuda estava frustrado e impotente.
Seu pai fora acusado de um crime de repente, e mesmo com a competição prestes a começar, a polícia não dava trégua, dizendo que ele só poderia sair após a investigação.
Como filho, Jinpei sabia o quanto aquela competição era importante para o pai e acreditava firmemente em sua inocência.
Mas a polícia, sem ouvir razão, suspeitava dele só porque ele passara perto da cena do crime e porque a vítima tinha a mesma profissão que ele.
A única pessoa que poderia provar a inocência do pai era um jovem que estudava em Tóquio.
Mas, vindo de Tóquio para cá, a competição já teria começado.
Ou seja, de qualquer forma, seu pai perderia a competição.
— Pai! — Jinpei ainda tentava algo — Não desanime! Tente argumentar mais!
Joutarou Matsuda abaixou a cabeça:
— Jinpei, não adianta.
Sem provas, eles não vão deixar eu sair.
— Malditos! — Jinpei fechou o punho — Será que a polícia pode prender alguém assim, sem provas?
Mas seu pai, que para ele era um exemplo e parecia invencível, abaixou a cabeça, cheio de desespero.
Jinpei cerrou os dentes e olhou para o relógio.
Faltavam dez minutos para a competição começar, e dali até o local dava exatamente dez minutos.
Não dava tempo.
Ele sabia claramente que ele e o pai não poderiam fazer nada e só poderiam assistir impotentes a competição começar sem eles.
— Deus, por favor, ajude-nos. — Jinpei derramou lágrimas de frustração.
Três segundos após seu pedido, uma figura apareceu no céu.
Um jovem de óculos girou algumas vezes no ar e aterrissou suavemente diante dele, a barra da roupa esvoaçava, os movimentos eram fluídos. Pela luz contra ele e um brilho nos olhos, para Jinpei parecia um deus descendo do céu.
O jovem brilhante guardou o skate e olhou fixamente:
— Não cheguei atrasado, né?
O pai de Jinpei levantou-se de imediato da cadeira.
O deus realmente apareceu!
Jinpei olhou para o jovem de cabelos negros e para o pai emocionado, atônito.

*

— Isso mesmo, ontem às oito e meia da noite eu o vi alimentando o gato.
— Tem certeza? O horário está correto?
— Aqui está o recibo da minha compra, com o horário exato. Naquele momento, ele estava comigo, impossível estar envolvido na briga.
O jovem foi lógico e convincente, provando rapidamente a inocência de Joutarou Matsuda.
Faltavam seis minutos para a competição começar.
— Pai, rápido! Ainda dá tempo! — Jinpei gritou apressado.
Não havia mais tempo para hesitar!
Sakamoto olhou o relógio e apontou para seu skate:
— Se não se importar, posso levá-lo até o local.
Levá-lo? Joutarou Matsuda olhou com dúvida para o skate, quando o jovem acrescentou:
— De Tóquio a Kanagawa, só levei dez minutos.
Joutarou Matsuda: !!!
Ele concordou imediatamente.
Quando o pai subiu no skate e abraçou a cintura do jovem, Sakamoto ajeitou os óculos e disse:
— Técnica secreta: skate antigravidade.
Em seguida, ele se moveu como um dançarino, girando e saltando, deslizando pela rua com graça.
O skate formava um arco elegante no chão e sumiu rapidamente de sua vista como uma flecha disparada.
Joutarou Matsuda, em cima do skate, sentiu isso profundamente.
No começo, quando o jovem disse que era perigoso e pediu para segurá-lo firme, ele não levou muito a sério.
Um skate rápido não poderia ser tão perigoso, certo?
Até sentir que estava voando.
O instinto de sobrevivência o fez agarrar o jovem com força, o vento assobiava, e Joutarou Matsuda mal conseguiu abrir os olhos.
Ele viu os carros embaixo.
...Espera! Por que os carros estavam debaixo dele?
Demorou um pouco para entender que estava no ar, o skate raspava as paredes, e o jovem aterrissava suavemente, desviando dos obstáculos com movimentos fluidos, como se voasse no vento, passando pela multidão.
Ele até passou pela loja de conveniência, onde o jovem lhe entregou um bolinho de arroz.
Enquanto comia o bolinho para recuperar as energias, Joutarou Matsuda pensava:
— Hoje os carros estão muito lentos, né?