15 Aviso de Procura de Pessoa
A velocidade com que as notícias se espalham na escola é sempre impressionante.
Lá em Kanagawa, Kenji Hagiwara ouviu logo cedo as meninas animadamente discutindo sobre um “príncipe da banda”.
“Minha amiga me enviou um vídeo ontem! Que banda tão especial!”
“Banda?” Kenji entrou naturalmente na conversa das garotas. “Sobre o que vocês estão falando? Posso escutar também?”
“Claro que pode,” responderam elas, felizes em compartilhar. “É a banda de uma escola em Tóquio.”
Uma delas mostrou uma foto para explicar.
Kenji Hagiwara imaginava que uma banda tão popular entre as garotas fosse composta por jovens ensolarados e bonitos, mas o que viu na imagem foram quatro manchas escuras e confusas.
Kenji: ? O que é isso?
Não só a pele era escura, como os cabelos eram multicoloridos, quase ofuscando a vista.
Kenji ficou em silêncio por alguns segundos, duvidando se estava mesmo por dentro das tendências.
Mas Tóquio sempre esteve na vanguarda da moda, então talvez fosse normal ele não acompanhar tudo.
“Esse tom de pele saudável é que demonstra masculinidade! Dá uma sensação de segurança,” disseram as garotas.
“Eu pesquisei na internet, esse estilo de cabelo já foi super popular do outro lado do mar! Acho que se chama ‘alternativo’,” explicou uma menina de óculos.
“Que estilo único!” exclamaram as garotas, e ao notar a expressão sutil de Kenji, acrescentaram: “Mas você, Hagiwara-kun, também não fica atrás!”
“Sim! Kenji também é um príncipe encantador!”
Ao ouvir os elogios, ele sorriu para elas: “É uma honra ser elogiado por garotas tão bonitas.”
Conseguindo fazê-las rir, ele olhou para seu companheiro abatido que estava debruçado sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha:
“Jinpei, você também quer que eu te elogie?”
Jinpei Matsuda coçou a cabeça: “Kenji, você sabe algum jeito rápido de encontrar alguém?”
“Encontrar alguém?” Kenji olhou para o papel na mesa dele. “Jinpei, quem você está procurando? Será que é aquela garota por quem você se apaixonou à primeira vista?!”
“Não!” Jinpei girava a caneta enquanto tentava se lembrar e desenhava: “Estou procurando o deus que ajudou meu pai.”
Kenji então se lembrou da história, olhou para o desenho do super-herói feito por seu amigo e sorriu de lado: “Com esse retrato, não vai achar ninguém, não.”
Quem usa uma capa vermelha e desce brilhando do céu?
“É assim que eu me lembro!” Jinpei rebateu com firmeza. “De qualquer forma, meu pai quer agradecer pessoalmente.”
Depois de conquistar o campeonato, Jotaro Matsuda, que só pensava em boxe, percebeu a mudança rápida na atitude dos vizinhos.
Na noite anterior, ainda cochichavam que ele era um “assassino”, mas na noite seguinte chegaram com sorrisos falsos para parabenizá-lo pelo título. E se ele não tivesse chegado a tempo para a luta? Será que ele teria se tornado um assassino e seu filho, que era “filho do campeão de boxe”, teria virado “filho do assassino”?
Jotaro ficou apreensivo e, depois de reclamar por uma hora com seu filho na delegacia, decidiu que precisava agradecer bem aquele jovem que mudou seus destinos.
Kenji suspirou: “O mundo dos adultos é assim mesmo.”
“Eu nunca serei um adulto assim!” Jinpei prometeu para si mesmo.
Kenji voltou ao assunto: “Aquele jovem foi depor na delegacia, certo? Eles devem ter registrado os dados pessoais dele.”
Jinpei ficou irritado ao contar: “Meu pai e eu fomos perguntar, mas disseram que a polícia não pode revelar informações pessoais!”
Kenji deu um tapinha no ombro do amigo e, quando ele se acalmou, falou: “A polícia não tem esse direito, mas o nome dele, pelo menos, eles devem poder informar.”
É compreensível que não revelem telefone ou endereço, mas só saber o nome para provar sua inocência não deveria ser um problema.
Jinpei fez uma careta: “Deram o nome, mas só o sobrenome!”
“...?” Kenji piscou intrigado. “Por quê?”
“Não sei,” Jinpei desconfiou que os policiais estavam contra eles. “Só sei que o sobrenome é Sakamoto, ele estuda em Tóquio, e é só isso que sabemos.”
Só ter um sobrenome para procurar alguém é como procurar uma agulha no palheiro.
Kenji também se sentiu impotente; com apenas o sobrenome, seria quase impossível encontrar a pessoa.
“Ouvi vocês falando em Sakamoto,” uma colega se aproximou da conversa. “Jinpei, você conhece esse Sakamoto?”
“...Quem?” Jinpei ficou confuso por um instante, até ouvir a apresentação da garota: “Ele era uma figura famosa na minha antiga escola. Quando fui a Tóquio, vi ele fazendo ginástica no campo de tênis de rua! E ele é o tecladista da banda que estávamos falando.”
Ginástica no campo de tênis de rua?
Jinpei não entendeu a lógica, mas balançou a cabeça: “Acho que não é a mesma pessoa.”
Kenji concordou: “O Sakamoto que Jinpei conhece tem cabelo preto e pele bem clara.”
A garota pensou um pouco e perguntou: “Qual o nome completo do Sakamoto que vocês conhecem?”
“...Eu não sei,” Jinpei respondeu desanimado.
Ao ouvir isso, a garota confirmou com a cabeça: “Então provavelmente estamos falando da mesma pessoa!”
Jinpei: ? Será que perdi alguma parte da conversa?
Kenji: ? Como ela chegou a essa conclusão?
“Porque eu também não sei o nome completo do senhor Sakamoto!” a garota respondeu com convicção, e logo completou: “Na verdade, ninguém sabe o nome completo dele.”
“Hã?” Jinpei duvidou que ela estivesse brincando. “Como assim?”
“Quanto ao senhor Sakamoto,” a garota falou como uma devota, com um ar misterioso, “tudo é possível.”
Jinpei não resistiu e contou mais sobre seu “Sakamoto”: “O meu Sakamoto desceu do céu andando de skate! Muito maneiro!”
“Então é ele mesmo,” a garota disse convicta. “Uma vez fiquei presa numa sala de aula abandonada e ele veio me salvar pulando numa gangorra.”
Kenji duvidou da possibilidade de voar com uma gangorra e perguntou: “Você tem fotos dele?”
Ela balançou a cabeça: “Claro! Tenho muitas fotos do senhor Sakamoto no meu celular!”
Ela logo pegou o telefone e abriu o álbum; quando estava prestes a elogiar, Jinpei olhou as fotos, levantou-se de repente e apontou:
“Kenji! É ele!”
Kenji achou o jovem de cabelo preto e óculos muito familiar e logo se lembrou, exclamando surpreso: “É ele?!”
“?” Jinpei olhou para o amigo ainda mais surpreso: “Kenji, você também já viu o deus do skate?”
Kenji balançou a cabeça: “Não, ele é um furacão!”
A garota que os observava ficou confusa:
...Espera, não estávamos falando do Sakamoto?
Com a informação recebida de que o benfeitor era um “furacão”, Jinpei ficou ainda mais certo:
“Ele é definitivamente um deus! Só um deus pode ser tão incrível!”
Dessa vez Kenji não negou; ao invés disso, começou a folhear as fotos, e, ao perceber que eram muitas, olhou para a colega com uma expressão complexa:
“Isso já não é só tirar fotos, né?”
Ela suspirou: “No começo eram fotos escondidas, mas o Sakamoto logo descobriu, e não só não ficou bravo, como me deixou fotografar abertamente. Que pessoa tão bonita e gentil!”
Kenji queria comentar, mas viu a garota começar a chorar:
“Eu não consigo mais encarar o excelente Sakamoto depois disso, então decidi transferir de escola...”
Ele tentou consolá-la, e logo ela se animou de novo:
“Não posso desistir, vou me esforçar para ficar perto do senhor Sakamoto de novo. Nem os garotos conseguem resistir ao charme dele!”
“Espera, eu e Jinpei não temos esse tipo de sentimento pelo Sakamoto...” Kenji tentou explicar.
Mas a garota não o ouviu e apontou para a cadeira vazia na frente:
“Hagiwara-kun, Matsuda-kun já saiu. Se você não for logo, vai perder a vez! A ordem de entrada no amor é muito importante!”
Kenji só então percebeu que seu amigo havia desaparecido e suspirou resignado:
“Por favor, peça licença para nós dois.”
“Pode deixar comigo!”