Capítulo 15: Na Casa dos Virtuosos, a Fortuna Sempre Permanece

A Pequena Sortuda da Aldeia Deserta, os Nobres da Corte Enlouqueceram de Inveja Mei Changxue 2447 palavras 2026-07-31 04:53:04

Página 1/3

Ainda não havia chegado a época movimentada do plantio da primavera, e as mulheres da aldeia não conseguiam ficar paradas. Sempre que se reuniam, gostavam de comentar os assuntos da família alheia, falando tanto dos acertos quanto dos defeitos de cada casa.

Naquele dia, o assunto era a família Lin.

— Vocês viram hoje? A aparência do velho senhor Lin parece mesmo bem melhor que antes. Talvez desta vez consigam alguma solução quando forem à cidade.

— Se ele está melhor ou não, não cabe a nós dizer. É preciso que o médico o examine. Mas é claro que esperamos que ele melhore. Todos vimos como a família Lin, velhos e jovens, tem sofrido nestes últimos anos, não vimos?

— Se esperam que ele melhore, então parem de falar coisas tão desanimadoras, que acabam com o ânimo dos outros. Eu, por outro lado, acho que a sorte da família Lin começou a mudar. Primeiro, receberam quinze taéis como recompensa por capturarem bandidos da montanha, e agora o corpo do velho, que permanecia paralisado, também começou a dar sinais de melhora. A boa sorte chegou batendo à porta!

— Isso não confirma aquele velho ditado? Na casa dos virtuosos sempre haverá bênçãos. Eles acolheram Bai Xiang, que não tinha para onde ir. O Céu viu que aquela família era bondosa e lhes concedeu felicidade.

— Nisso eu acredito! Minha casa fica ao lado da família Lin e parece que também fui contagiada por um pouco dessa sorte. Consigo dormir profundamente a noite inteira e acordar revigorada. Durante o dia, por mais que trabalhe, continuo cheia de energia. Antes, depois de meio dia de trabalho, eu precisava descansar um tempão para me recuperar!

— Ora, será verdade? Tia Li, se você está dizendo que sim, esta noite vou dormir na sua casa para ver se também consigo aproveitar um pouco dessa sorte e dormir bem. Não sei se é por causa da idade, mas, além de dormir pouco, meu sono anda tão leve!

— Ah, deixe disso! Estávamos apenas conversando, e você já está levando a sério? Assim a história vai ficando cada vez mais fantástica...

As risadas e conversas despreocupadas não chegaram ao pátio da família Lin.

Bai Xiang e os dois irmãos estavam agachados sob o beiral do salão principal. Cada um apoiava o queixo nas mãozinhas, observando o tio mais novo varrer o pátio. Seus olhares acompanhavam, sem perceber, o movimento da vassoura.

O avô e a avó tinham ido à cidade. A mãe e a segunda tia estavam limpando a horta e cortando os repolhos.

O pátio da casa ficou subitamente silencioso. Sem ouvir a voz da avó, sempre elevada e cheia de energia, nem as risadas baixas da mãe e da tia, Bai Xiang acabou sentindo certa estranheza.

Lin Huaisong e Lin Huaibai também tinham suas pequenas preocupações.

As três crianças, quase da mesma idade, estavam agachadas em fila, franzindo as sobrancelhinhas ao mesmo tempo.

Bai Xiang virou-se para olhar os dois irmãos e suspirou, imitando os adultos:

— Vocês não estão felizes?

— Como poderíamos estar felizes? — disse Lin Huaibai, com a voz abatida. — Desde que o avô ficou doente, ele permanece deitado... Desta vez vão levá-lo à cidade para consultar um médico. Não sabemos se ele poderá ser curado.

Lin Huaisong pensava quase o mesmo que o irmão:

— Eu quero que o avô melhore. Se ele for ao médico e não ficar melhor, a vovó e os outros vão ficar tristes de novo. Eu também vou ficar triste.

Era justamente isso que preocupava Bai Xiang.

— O avô com certeza vai melhorar. Pena que eu não sei preparar remédios. Se soubesse, ele poderia se recuperar mais depressa.

Ela conseguia combinar de inúmeras formas os efeitos medicinais de todas as ervas para tratar ferimentos e doenças. Infelizmente, não entendia de fórmulas medicinais e não sabia, como dizia o pai, escolher o remédio de acordo com a doença. Caso contrário, o avô certamente melhoraria muito mais rápido.

Página 2/3

Quando o avô se recuperasse, não precisaria mais tomar tantos remédios, e a avó, o pai e a mãe também não teriam de se preocupar o tempo todo com o dinheiro para comprá-los.

Pensando nisso, Bai Xiang olhou para o vapor verde que se enroscava em sua palma. De repente, sentiu que aquelas coisas não eram tão úteis assim. Irritada, começou a amassar e puxar o vapor no ar com as duas mãos, transformando-o em bolas e depois em fios, até finalmente arremessá-lo para longe.

Em poucos instantes, o ar sobre o pátio da família Lin ficou repleto de bolas e fitas verdes de formas estranhas. Algumas tinham cores mais claras, outras mais escuras, mas todas irradiavam uma vitalidade exuberante.

Entretanto, ninguém além da própria Bai Xiang conseguia vê-las.

Lin Jiang ouviu as palavras infantis das crianças e, ao erguer a cabeça, viu as três fazendo exatamente as mesmas expressões e movimentos adoráveis. Não conseguiu conter o riso.

— Vocês são tão pequenos. De onde vêm tantas preocupações? Como diz o ditado, a doença chega como uma montanha que desaba, mas vai embora como um fio de seda sendo puxado. O velho já está visivelmente melhor, e isso é o que importa. Quanto ao tempo necessário para se recuperar, é claro que haverá um processo. Precisamos ter paciência e não nos apressar. Se vocês passarem os dias felizes, o avô certamente ficará de bom humor ao vê-los. E, quando o coração está alegre, a doença melhora mais depressa.

Lin Huaisong e Lin Huaibai ergueram os pequenos peitos, cheios de determinação.

— Entendido! Todos os dias vamos rir bem alto em casa. O avô com certeza vai nos ouvir. Papai disse que precisamos continuar felizes e animados como antes, para que o avô tome os remédios direitinho e cuide da saúde!

Eles estavam obedecendo direitinho.

Bai Xiang inclinou a cabeça.

Então era assim.

Ela também passaria a rir bem alto todos os dias.

— Vocês são mesmo crianças muito obedientes — elogiou Lin Jiang, sem poupar elogios.

Depois de terminar de varrer o pátio, ele guardou a vassoura sob o beiral e, por hábito, começou a massagear o pulso direito, que estava dolorido.

Ao notar o movimento, Bai Xiang agitou o dedo mínimo. Um fio de vapor verde envolveu espontaneamente o pulso de Lin Jiang, penetrou pouco a pouco pelos poros e desapareceu.

Sentindo a dor e o inchaço no pulso desaparecerem rapidamente, acompanhados por uma leve pontada, Lin Jiang ficou pasmo por um instante e abaixou os olhos para examiná-lo.

Não era impressão sua. A dor que normalmente precisava suportar à força desaparecera depressa, como se tivesse surgido e desaparecido num piscar de olhos.

E não era a primeira vez. Aquilo vinha acontecendo havia algum tempo.

— Tio, quando vamos poder vender as ervas medicinais? — perguntou a voz macia da menina, interrompendo as suspeitas que começavam a se formar na mente de Lin Jiang.

Como não conseguia entender aquela estranheza por enquanto, ele não insistiu em pensar no assunto. Aproximou-se da menina, curvou-se e acariciou sua cabecinha.

— Não tenham pressa. Ainda precisamos esperar. Primeiro, temos de aguardar boas notícias do governo local.

Lin Huaisong bateu no próprio peito, demonstrando que compreendia muito bem.

— Eu sei, eu sei! Primeiro é preciso esperar que o governo capture todos os bandidos escondidos nas montanhas!

Lin Jiang curvou os lábios num sorriso e também bagunçou os cabelos do menino.

— Muito inteligente!

Em seguida, baixou a voz e fez um gesto pedindo silêncio.

— Mas não podem sair espalhando isso aos gritos. As florestas profundas das montanhas são perigosas. Se os moradores ouvirem falar e correrem para lá sem pensar, tudo bem se nada acontecer; mas, se alguém se machucar, nossa consciência ficará pesada. Além disso, quando se trata de ganhar dinheiro, é melhor manter certa discrição, para não atrair olhares indesejados.

As crianças entenderam apenas parte daquilo. Mas havia algo de que tinham certeza: eram muito obedientes. Imediatamente, cobriram a boca com as mãos e assentiram vigorosamente.

Página 3/3

Lin Jiang sentiu que todas as crianças da casa eram adoráveis, e o sorriso em seu rosto se tornou ainda mais afetuoso.

Na verdade, ele não temia que alguém ouvisse falar do método de ganhar dinheiro e se antecipasse a eles.

Na aldeia, nem todos conheciam a trepadeira das estrelas companheiras ou as estrelas antigas. E, mesmo entre os que conheciam, eram poucos os que teriam coragem de se aventurar nas profundezas da Montanha da Deusa.

Enquanto não estivessem desesperados, os camponeses não arriscariam a vida com facilidade.

Mas e se? Se algum morador da aldeia realmente sofresse um acidente por causa disso, a família deles acabaria tendo uma relação indireta com o ocorrido. O pai e a mãe certamente não conseguiriam ficar em paz.

Além disso, havia de fato a questão de não ostentar a própria riqueza.

A família acabara de receber quinze taéis pela captura dos bandidos da montanha e já começava a chamar atenção. Não era conveniente tornar-se ainda mais ostensiva.

A menos que chegasse o dia em que tivessem recursos suficientes para não precisar mais se preocupar com esse tipo de coisa.

Bai Xiang era pequena e não possuía pensamentos tão tortuosos. Enquanto a venda das ervas medicinais não desse errado, ela já estava feliz.

Então também precisava começar a se preparar!

Bai Xiang levantou-se e começou a andar pelo pátio com as mãos escondidas atrás das costas.

As frestas de terra junto ao muro do pátio eram ótimas.

A parte sob o beiral do salão principal, onde a quina havia desmoronado, também era um bom lugar.

Dos dois lados do portão poderiam nascer algumas ervas verdes.

Ah! A família também tinha uma horta. Era igualmente um lugar onde se podiam cultivar ervas medicinais!

Hihihi...

Ela plantaria em todos esses lugares!

Só depois de ganhar dinheiro poderia comprar comidas deliciosas para o avô e a avó, para o pai, a mãe, os tios e as tias, além de guloseimas para os irmãos e para si mesma!