Capítulo 9: Sou eu! Primo

Após Alimentar o Pequeno General, o Filho de Buda Moveu o Coração Mortal Duas mãos grandes. 2630 palavras 2026-07-31 04:45:16

Ao ver Lin Yi comer com tanto gosto, Yan Tingzhi sentiu uma pontada de satisfação; talvez fosse hora de aumentar o salário do cozinheiro.

— Por que você não come carne? Se não está bem de saúde, precisa comer mais carne para se recuperar! — disse Lin Yi, antes de, instintivamente, usar os hashis de servir para colocar um pedaço de carne no prato dele.

Só depois de fazê-lo é que se deu conta de que não estava mais no acampamento militar. Parecera ser generosa demais.

— Ah, me desculpe, foi um hábito.

Qingxin, ao lado, estava quase tendo um ataque. O que havia de errado com aquele homem?

— Não há problema. — Yan Tingzhi pegou a carne e a colocou na boca, engolindo-a sem mastigar.

Um hábito? Para quem ela costumava servir comida? Seria para o General Lin ou para outro homem? Uma sensação de aperto surgiu em seu peito, e o apetite, que já não era grande, desapareceu por completo.

Ao notar que ele parara de comer, Lin Yi apressou-se a devorar o restante da refeição. Em pouco tempo, a mesa foi limpa.

— Está satisfeita? Se não estiver, há mais. — O humor de Yan Tingzhi parecia ter melhorado um pouco.

Lin Yi gesticulou rapidamente:
— Estou satisfeita, sim. Como acabei de me recuperar de uma doença grave, não é bom comer demais.

Qingxin pensou consigo mesmo: "Isso é não comer demais? Se ela comesse muito, seria capaz de devorar meio porco?". Nunca vira ninguém com tanto apetite.

Após a refeição, o assunto principal foi finalmente abordado.

— Você quer dizer que não consegue mais entrar na caverna? — Lin Yi ficou surpresa. Com razão não havia comida lá. Não era que não quisessem levá-la, era simplesmente impossível.

— Tentei por três dias, sem sucesso. — Yan Tingzhi olhou-a com curiosidade. — Como você apareceu na mansão?

— É simples, atravessei a névoa branca na entrada da caverna e vim parar aqui.

— Não existe nenhuma caverna escondida dentro desta propriedade. — Yan Tingzhi era categórico. Qinghe havia inspecionado cada centímetro do local para eliminar qualquer fator incerto.

— Já está muito tarde hoje, amanhã eu levo você lá. — Lin Yi sentiu um leve sono após a refeição. Não havia jeito, seu corpo ainda estava muito debilitado.

— Muito bem. Pedi que preparassem o pátio ao lado para você, pode se instalar lá. — Era exatamente o que Yan Tingzhi desejava.

A noite passou sem incidentes.

Pela manhã, Lin Yi acordou naturalmente. Após ter conseguido se limpar adequadamente na noite anterior, vestir roupas limpas e ter uma noite de sono completa, sentia-se maravilhosamente bem.

Lá fora, o sol brilhava, um contraste absoluto com a escuridão da caverna. Embora tivessem se passado apenas alguns dias, parecia que não via a luz do sol há uma eternidade. Ela se espreguiçou no pátio e olhou para o brilho dourado, semicerrando os olhos. Naquele momento, sentiu-se como se tivesse renascido.

Yan Tingzhi estava parado na entrada do pátio, observando a jovem em silêncio.

Qingxin cutucou Qingmu:
— Irmão, olhe só! Eu não disse que o mestre está agindo de forma estranha com esse homem? Você não acreditava, não é?

Qingmu entendeu o que Qingxin queria dizer; sua expressão também vacilou, e ele teve que se esforçar para manter a compostura. Servia ao mestre há mais de uma década e conhecia bem sua índole. A frieza era a sua essência, e ele nunca guardava ninguém em seu coração. Ao longo dos anos, o mestre vira muitos homens e mulheres belos, mas nunca demonstrara o menor interesse. Afinal, em termos de aparência, quem poderia superar o próprio mestre?

— Você chegou cedo? — Lin Yi perguntou, surpresa ao vê-lo, pois ainda nem havia comido.

— Não tenho pressa.

— Já tomou o desjejum? Quer comer comigo?

— Sim.

Qingxin murmurou para si mesmo: "O mestre pretende tomar o desjejum duas vezes?".

...

— Estranho, deveria ser exatamente aqui. — O grupo, guiado por Lin Yi, deu várias voltas, mas não conseguiu encontrar a entrada da caverna que ela descrevera.

Lin Yi tentou se lembrar e percorreu o caminho novamente, mas o resultado foi o mesmo.

— Vamos parar por aqui hoje. O ferimento no seu pé ainda não sarou, não é bom caminhar tanto. — Yan Tingzhi sugeriu.

Lin Yi assentiu, sem alternativa. No entanto, para uma general acostumada a campanhas militares, perder-se era algo um tanto peculiar. Ela sempre confiara no seu senso de direção; onde estaria o problema?

À tarde, Yan Tingzhi estava sentado em posição de lótus sobre uma almofada, mas, antes que pudesse terminar de recitar o sutra, foi interrompido. Qinghe estava ao lado, com uma expressão envergonhada e inquieta.

— O que houve?

Qinghe não queria incomodar o mestre, mas a atenção que ele vinha dedicando à família Jiang ultimamente o obrigava a relatar.

— Você diz que Jiang Yu enviou um convite?

— Sim. A família Jiang tem uma residência secundária a pouco mais de dez quilômetros da mansão. Jiang Yu chegou ontem e enviou uma mensagem hoje pedindo para vê-lo.

Girando as contas do rosário, Yan Tingzhi assentiu.
— Que ele venha. Será uma boa oportunidade para Jiang Yi também se encontrar com ele.

...

Lin Yi tomou um gole de chá, sem entender as intenções de Cang Ting. Acompanhá-lo para encontrar um visitante? O que isso significava? Ao recordar o comportamento de Cang Ting, a expressão de Lin Yi tornou-se pouco natural. Ele não poderia estar querendo que ela se tornasse seu "esposo principal", poderia? Pelos céus!

— Irmão Cang, acabei de me lembrar de que talvez eu tenha feito uma curva errada. Por que você não atende o convidado enquanto eu tento procurar a entrada da caverna novamente?

Yan Tingzhi manteve a calma:
— Não se preocupe, não será tarde demais para procurar amanhã.

Isso... Lin Yi ainda tentava encontrar uma desculpa quando ouviu passos se aproximando.

— Jovem mestre, peço desculpas pela interrupção. — Jiang Yu entrou, sendo muito cortês. Ao olhar para o lado e ver Lin Yi, ele sorriu educadamente.

— Senhor Jiang, seja bem-vindo. — Yan Tingzhi disse calmamente, convidando-o a sentar-se.

Lin Yi levantou a cabeça abruptamente. "Senhor Jiang"? A reação dela foi tão súbita que o olhar de Jiang Yu se voltou para ela. Os dois se encararam. O coração de Jiang Yu deu um salto; aquela pessoa parecia familiar.

— Algum problema, irmão Jiang? Vocês se conhecem? — Yan Tingzhi perguntou com um sorriso enigmático, parando de girar as contas do rosário.

Lin Yi pensou rapidamente: o que Cang Ting pretendia? Será que Jiang Yu a reconhecera? A última vez que vira seu primo fora há três anos.

— Primo, o que você faz aqui? — Lin Yi disparou. Ela precisava que a família Jiang soubesse que ela não estava morta.

— Primo? — Jiang Yu manteve a compostura, mas, por dentro, sentia uma tempestade. Como seu primo, que deveria ter morrido na fronteira sul, poderia estar na capital? E ainda por cima dentro da Mansão Canglong?

— Sou eu, primo, Jiang Yi, o neto mais novo do segundo tio. Nós nos vimos há alguns anos.

Jiang Yu compreendeu instantaneamente e assentiu levemente:
— Como você veio parar aqui? Por que está na Mansão Canglong?

Mansão Canglong? Desta vez, foi a vez de Lin Yi perder a compostura. Embora não vivesse na capital, isso não significava que nada sabia sobre ela. A Mansão Canglong era um retiro imperial onde vivia o "filho ilegítimo" do imperador. Isso significava que Cang Ting era...?

Yan Tingzhi a observava fixamente. Estava claro que ela descobrira sua identidade.

— Você é Yan Tingzhi? Então, por que você...? — Ela não terminou a frase, afinal, ela mesma não estava usando seu nome verdadeiro.

— Cang Ting é meu nome religioso, dado pelo Mestre Cangmu. — Yan Tingzhi não mostrou qualquer nervosismo, respondendo calmamente. Ele não estava mentindo; apenas poucas pessoas conheciam seu nome religioso.

Ah, isso? Lin Yi sentiu que ele fizera aquilo de propósito. Será que ele ainda suspeitava que o nome dela também era falso?

— Jovem mestre, meu primo é um tanto leviano e causou-lhe problemas. Vou levá-lo de volta agora. Peço perdão pelo incômodo. — Jiang Yu tentou se despedir. Ele só queria levar Lin Yi embora o mais rápido possível para descobrir o que estava acontecendo.

— Espere um pouco.