4. Lua na Água

A Lua na Água Voador fofo 4493 palavras 2026-07-31 05:07:11

Jiang Lingyue levou meio minuto para processar as relações entre as pessoas presentes na conversa.

A mãe de Meng Shuhuai estava escolhendo um presente para uma jovem chamada "Jing'er". Lin Yiran iria se encontrar hoje à noite com o namorado de sua amiga "Jing'er".

Mesmo sendo um nome comum, sua intuição a levava a crer em uma coincidência. Além disso, mesmo que não houvesse conexão, alguém como Meng Shuhuai dificilmente estaria solteiro. Disposto a escolher pessoalmente um vestido para a namorada, o relacionamento deles deveria ser excelente.

Seu semblante provavelmente não estava dos melhores naquele momento. A agitação emocional que ele havia causado anteriormente já se acalmara, restando apenas uma ponta de inveja — inveja da namorada dele.

Sem esperar pela resposta final de Lu Yajun, Jiang Lingyue virou-se e voltou ao provador para vestir sua própria roupa. O horário já estava avançado e o jantar planejado obviamente não aconteceria. Ela pensou em ir embora, mas, sabendo que Qiao Yi ficaria preocupada, voltou à sala de descanso e esperou pacientemente. A espera durou mais quarenta minutos.

— Desculpe, desculpe, mil desculpas!

Qiao Yi apareceu correndo, ofegante, e se explicou:
— Sinto muito, querida, você teve muito trabalho hoje. Aquela senhora Lu é minha supercliente! Ela avisou que viria e eu não pude me atrasar nem um pouco. Pensei que ela só estivesse dando uma olhada casual, jamais imaginei que você teria que esperar tanto tempo.

Ela abraçou Jiang Lingyue, esfregando o rosto nela em tom de mimo:
— Amanhã eu te levo para jantar, compensando tudo, pode ser?

Jiang Lingyue sorriu, resignada:
— Tudo bem, tudo bem. Como jantar pode ser mais importante do que ver minha amiga ganhando dinheiro? E, aliás, não foi uma espera em vão, não ajudei você no processo?

Ela se afastou um pouco e perguntou:
— E então, qual vestido a senhora Lu comprou no final?

Qiao Yi exibiu subitamente uma expressão de dificuldade, parecendo não estar nada bem. Jiang Lingyue estranhou; afinal, durante a prova, a cliente parecia satisfeita com tudo. Por que aquele semblante de velório agora? Ela perguntou cautelosamente:
— Será que ela comprou apenas o mais barato?

Qiao Yi olhou para ela e respondeu rapidamente:
— Comprou todos.

Ela não ouviu direito:
— O quê?

— Comprou todos! — Qiao Yi elevou o tom de voz ao seu ouvido. — Todos! Oito vestidos! Ela comprou todos!!!

— Sério?!

— Sério!!

Qiao Yi a abraçou, eufórica, e lhe deu um beijo estalado no rosto:
— Querida, você é minha joia, minha fofa, minha preciosa! A senhora Lu ficou extremamente satisfeita com as suas provas hoje!!

Ela puxou Jiang Lingyue até a porta da sala de descanso, onde uma caixa de presente laranja repousava sobre o aparador. Qiao Yi levou a caixa até ela e, alegremente, pediu que a abrisse. Jiang Lingyue, intrigada, obedeceu.

Entre as folhas de papel de seda branco, o vestido de alcinha com franjas, que a senhora Lu havia dito que "não valorizava a silhueta", repousava silenciosamente na caixa.

— Isso é...?

Qiao Yi colocou a caixa nas mãos dela:
— É um presente da senhora Lu para você.

Desta vez, foi Jiang Lingyue quem elevou a voz:
— Para mim?!

Só de lembrar o preço daquele vestido, ela sentiu um frio na espinha.
— Por quê?

— Por que seria? — Qiao Yi lançou-lhe um olhar de esguelha. — Ela viu você vestindo e tirando roupas o tempo todo, ficou com pena de você e gostou de você! O que mais poderia ser?

— Mas este vestido...

Qiao Yi entendeu o que ela queria dizer. Cento e onze mil não era uma quantia pequena; muita gente levava um ano inteiro para ganhar o valor daquela peça. Segurar um presente tão valioso inevitavelmente trazia inquietação.

No entanto, Qiao Yi a aconselhou:
— Fique tranquila e aceite. Um presente da esposa do presidente do Grupo Yuanyang não é algo que qualquer um consiga. Aos seus olhos, são 111 mil, mas, para a senhora Lu, é apenas um vestido. Já que ela simpatizou com você, seja uma jovem agradável e aceite com alegria. Se você recusar, ela pode até achar que você não gostou do presente.

Ao ouvir Qiao Yi, a lógica de Jiang Lingyue pareceu se ajustar. O olhar que a senhora Lu lhe lançara momentos antes, de fato, demonstrava grande simpatia.

Ela perguntou apressadamente:
— A senhora Lu já foi embora? Eu nem tive a chance de agradecê-la.

Qiao Yi guardou o presente para ela:
— Eles pareciam estar com pressa, provavelmente por algum compromisso urgente. A compra foi finalizada pelo assistente. Mas não faz mal, isso não lhe dá a oportunidade perfeita para agradecê-la pessoalmente no futuro?

Embora as palavras fizessem sentido, o presente ainda pesava em suas mãos, causando-lhe insegurança. Mas, como já haviam partido, não havia mais o que dizer. Ela aceitou o presente com o coração inquieto e, como dissera Qiao Yi, passou a aguardar um próximo encontro.

Mas será que realmente haveria uma próxima vez?

***

Quando Qiao Yi a deixou em casa, já passava da meia-noite. No quarto, ela abriu o presente valioso e, encontrando um cabide acolchoado elegante, pendurou o vestido.

A peça mais cara em seu guarda-roupa custava apenas cinco mil — um casaco de inverno. Pendurar aquele vestido de 111 mil ao lado de suas roupas diárias causava uma sensação de desconexão indescritível. Ela sentia, sinceramente, que aquele vestido deveria estar em um closet espaçoso e refinado, não apertado em seu armário escuro e estreito.

Ela fechou a porta do armário, tentando não pensar mais naquilo.

Pensou que um vestido tão caro seria difícil de usar, mas, no dia seguinte, Qiao Yi exigiu que ela o vestisse para irem a um restaurante francês. Qiao Yi disse que o local era muito concorrido e que só conseguiu a reserva pedindo um favor a um amigo. Acrescentou que, se ela não estivesse bem vestida naquela noite, seria um desrespeito a todo o esforço feito.

Sem conseguir vencer a insistência de Qiao Yi, ela seguiu o pedido e se arrumou para o encontro.

O restaurante ficava às margens do Lago Ruoqu, um refúgio raro de tranquilidade em meio à agitação da cidade. Era uma villa de dois andares com estilo moderno, escondida em meio a uma floresta densa e serena. O gramado à frente estendia-se até a margem do lago, onde a água calma ondulava com a brisa, refletindo luzes fragmentadas que cintilavam na superfície.

O vento do início do outono não trazia mais o calor sufocante, e o ar da noite carregava o aroma do vinho tinto — rico, encorpado e embriagador.

Qi Yan jogou o casaco sobre a mesa e puxou a cadeira, sentando-se à frente de Meng Shuhuai.

— O sol deve ter nascido no oeste hoje. O grande presidente Meng, a quem ninguém consegue convidar, teve tempo de honrar este humilde estabelecimento com sua presença. Sinto-me profundamente honrado.

Meng Shuhuai, fixado no celular, não levantou os olhos:
— Pare com o sarcasmo.

Qi Yan tomou um gole de água e o encarou:
— Será que você não consegue parar de trabalhar nem no seu tempo livre?

Ao ouvir isso, Meng Shuhuai finalmente deixou o celular de lado. As famílias Meng e Qi eram amigas de longa data. A linhagem dos Qi era nobre, e poucos se aventuravam nos negócios. Qi Yan tinha uma natureza selvagem e não servia para "coisas sérias", mas, felizmente, seu irmão mais velho assumira as responsabilidades da família, permitindo que seus pais o encarregassem de aprender sobre negócios com Meng Zhenying.

Durante anos, Meng Zhenying tratou Qi Yan como um filho, e ele e Meng Shuhuai, compartilhando interesses comuns, eram mais próximos que irmãos.

— Diga-me, segundo irmão, você não aparece cedo nem tarde, escolhe justamente o momento em que Cheng Jing'er não está aqui. Não tem medo de ferir os sentimentos dela se souberem?

Meng Shuhuai sorriu levemente:
— Se o simples fato de eu não jantar com ela fere sentimentos, então eu já teria ferido muitos nesta vida.

Qi Yan riu também:
— Sua irmã é realmente persistente. Essa Cheng Jing'er deve ser a... — ele tentou se lembrar — a nona que ela apresenta a você, não é?

Meng Shuhuai batia ritmicamente a ponta do dedo na haste da taça de vinho:
— Se ela gosta de se dar ao trabalho, que assim seja.

Qi Yan recostou-se na cadeira, olhando para o andar de baixo, e suspirou:
— Tantos anos de esforço, e tudo o que conseguiu foi impedir que você tivesse um relacionamento decente. Se continuar assim, o destino de morrer sozinho não está longe. E tem a madrinha também, sabendo que sua irmã só lhe apresenta essas moças para te irritar, ela insiste em ajudar a marcar os encontros. Anos se passaram e nenhum resultado. Ela não fica ansiosa?

Meng Shuhuai respondeu:
— Fica. Mas não adianta nada.

Ele olhou para Qi Yan, deixando a implicação clara. Em famílias como a deles, grandes decisões como o casamento nunca dependiam de uma única pessoa. Enquanto o patriarca da família Meng estivesse vivo, nem seus pais tinham poder de decisão sobre seu matrimônio. Por isso, por mais que Meng Shulan se esforçasse, era trabalho desperdiçado.

— Sua irmã deve estar voltando para o país em breve, não é? — perguntou Qi Yan.

— Mais ou menos isso.

— Desta vez, após concluir a fusão da Nuofan, quando ela retornar à Yuanyang, estará em pé de igualdade com você. — Qi Yan soltou um estalo com a língua. — Pela personalidade dela, prevejo que você não terá dias de paz daqui para frente.

Meng Shuhuai curvou os lábios:
— Você diz isso como se meus dias atuais fossem tranquilos.

Qi Yan perdeu o sorriso e perguntou:
— Você realmente não se preocupa com ela ocupando o cargo de CEO?

Meng Shuhuai olhou para ele e disse calmamente:
— Somos todos da mesma família, por que se preocupar?

— Mas... — Qi Yan hesitou. — Deixe para lá, vou abrir outra garrafa de vinho.

As pessoas de fora apenas comentavam sobre a sorte de Meng Zhenying por ter filhos tão talentosos, prevendo que o Grupo Yuanyang continuaria a brilhar sob a liderança dos dois. Ninguém sabia, porém, que os irmãos estavam em conflito há anos, travando uma disputa silenciosa por décadas. Sempre que as portas se fechavam, Meng Shulan nunca dispensava um bom tratamento a Meng Shuhuai.

Com o cargo de CEO vago, Meng Shulan queria desesperadamente superar o irmão. Seus projetos recentes pareciam impecáveis, e muitos na empresa especulavam que o cargo acabaria nas mãos dela.

Qi Yan suava frio pelo amigo. Meng Shulan era implacável, decidida e não deixava margem para sentimentos, além de carregar um profundo ressentimento contra Lu Yajun e seu filho. Se ela assumisse o poder, certamente não facilitaria a vida de Meng Shuhuai.

No entanto, o interessado mantinha uma postura serena e indiferente. De que adiantava a ansiedade de Qi Yan?

Ele se levantou e, ao olhar para a entrada do restaurante, viu duas silhuetas graciosas. Qi Yan se surpreendeu:
— Uau, a aparência daquelas duas moças é muito amigável aos meus olhos, vou lá dar uma conferida. Tome seu vinho devagar, segundo irmão.

Ao ver moças bonitas, a ideia de abrir outra garrafa de vinho desapareceu; conversar com garotas era muito mais agradável do que beber com um iceberg.

Jiang Lingyue entrou de braço dado com Qiao Yi. A iluminação do restaurante era suave e intimista, com música leve fluindo como água. Não havia muitos clientes, mas o local parecia cheio. Cada mesa tinha seu espaço, e os sussurros ou risadas não quebravam a atmosfera romântica — um relaxamento raro na cidade agitada.

Qiao Yi comentou, inclinando-se para ela:
— Ouvi dizer que o dono deste restaurante voltou da França e tem uma compreensão única da culinária francesa. Todos dizem que é maravilhoso, quero ver se é tudo isso mesmo.

Ao entrarem, deram de cara com o olhar sorridente de Qi Yan, que se aproximou:
— Boa noite, as senhoritas têm reserva?

Qiao Yi mostrou a confirmação, e Qi Yan as conduziu solícito para o andar superior. Assim que pisou no terraço, Jiang Lingyue parou bruscamente.

A noite ainda não estava densa; o céu era azul-escuro e as luzes eram douradas. O olhar profundo daquele homem encontrou o dela instantaneamente, fazendo-a lembrar da noite anterior. Havia um quê de franqueza e zombaria na forma como ele a observara.

Qiao Yi achou que ela tinha tropeçado e perguntou o que houve. Ela balançou a cabeça, negando, e sentou-se na outra extremidade do terraço como se nada tivesse acontecido.

De costas para Meng Shuhuai, ela não podia ver o olhar dele, mas sentiu um calor estranho nas costas enquanto o vento noturno soprava.

Qi Yan chamou o garçom para que elas fizessem o pedido e, enquanto explicava o cardápio, sentou-se ao lado de Jiang Lingyue e disse com um sorriso:
— Recebemos um lote de vinhos excelentes hoje. Como vocês têm sorte, que tal bebermos uma taça?

— É mesmo? — Qiao Yi sorriu. — Então me mostre que vinho é esse.

Jiang Lingyue não costumava beber e nunca provara vinhos finos. Ela não sabia como entrar no assunto, especialmente com aquele homem sentado logo atrás. Ela mal conseguia articular uma palavra.

Qi Yan notou seu silêncio e direcionou a conversa a ela:
— Esta...

Qiao Yi respondeu:
— Jiang Lingyue.

Ele sorriu:
— Senhorita Jiang, por que parece tão desanimada?

Sem saber como explicar sua atitude, ela levantou os olhos e viu Meng Shuhuai se dirigindo ao interior do restaurante. Ela se levantou apressada:
— Com licença, conversem à vontade, eu já volto.

Jiang Lingyue ignorou Qi Yan, o que fez Qiao Yi rir. Ela não se importou com o rapaz; só queria alcançar o homem e pedir que ele transmitisse seus agradecimentos. No entanto, o layout interno era cheio de curvas e, em um piscar de olhos, Meng Shuhuai desapareceu.

Guiada pela intuição, ela caminhou em direção aos fundos da villa. A porta de vidro da varanda estava aberta, e o vento soprava suavemente as cortinas brancas, trazendo um leve aroma de tabaco.

Ela parou. Não sabia se deveria prosseguir ou o que dizer se o encontrasse. Arrependia-se da impulsividade. Ali parada, sem saber se entrava ou recuava, sentiu-se em um dilema.

Quando hesitou em se virar, uma voz grave surgiu na escuridão:
— A senhorita Jiang veio me procurar?