Mano, você está bem?

Minha Irmã e Meu Irmão Me Mimam Tanto Hubimidi 1542 palavras 2026-07-31 04:49:20

O sinal marcando o fim da primeira aula mal havia soado e o burburinho na sala ainda não se dissipara completamente quando Hélio Sun e alguns colegas altos saíram sorrateiramente do recinto. Meu coração apertou de repente, pressentindo que algo estava errado. E, como eu temia, ao entrar no banheiro, eles já estavam lá, bloqueando minha passagem.

Eles formaram um círculo ao meu redor, com olhares carregados de provocação e escárnio. Hélio Sun ficou à frente, ostentando um sorriso de satisfação no canto dos lábios, e estendeu o braço para me impedir: “Então, quer fugir?”

Tentei manter a calma, mas meu coração batia acelerado, impossível de controlar. Nesse momento, passos apressados ecoaram pelo corredor e Aurora Gouveia e Sofia Hay apareceram na porta. Sua chegada foi como um raio de luz, dissipando o medo que me consumia.

Aurora Gouveia tinha o olhar afiado como o de uma águia; avançou, colocando-se entre mim e Hélio Sun. Sua figura imponente emanava uma autoridade inquestionável, parecendo uma montanha intransponível. Sofia Hay veio logo atrás, os olhos brilhando com uma determinação firme e os punhos apertados, pronta para agir a qualquer momento.

“Hélio Sun, o que vocês estão fazendo aqui?” A voz de Aurora era grave e cheia de poder, cada palavra ressoando como um golpe certeiro no coração de Hélio Sun. Ele ficou imóvel, claramente surpreso com a presença de Aurora. Tentou responder com provocação, mas engoliu as palavras antes de dizê-las.

Sofia Hay não esperou pela resposta; avançou com determinação e declarou em voz alta: “Aqui é uma escola, não é lugar para brigas. Saia já daqui, ou não teremos piedade!” Sua voz era clara e firme, carregada de uma força incontestável. Hélio Sun e seus colegas trocaram olhares, hesitaram e, por fim, saíram do banheiro, derrotados.

Ao fim da tarde, depois das aulas, a luz dourada do pôr do sol inundava o campo, estendendo a sombra de Aurora Gouveia sobre o gramado. Vestindo um uniforme azul de esportes, o suor colava sua camiseta às costas. Eu e Sofia Hay estávamos à margem da quadra, observando-o em silêncio.

Ele segurava a bola com ambas as mãos, os olhos concentrados e penetrantes. Saltou levemente, arremessando a bola ao alto e, num movimento perfeito de enterrada, lançou-a com força na cesta. Os aplausos ecoaram ao redor, mas Aurora parecia alheio, apenas acenando discretamente com um sorriso confiante nos lábios.

A bola descreveu um arco gracioso no ar, retornando às suas mãos. Ele driblava com velocidade, rompendo a defesa adversária e passando a bola com precisão ao companheiro. No campo, Aurora era como um rei dominando tudo, seus movimentos repletos de força e beleza.

Mais uma vez, Aurora Gouveia avançou, ágil como um leopardo. Porém, de repente, seu passo vacilou; seu rosto mostrou uma expressão de dor. Logo depois, sua perna fraquejou e ele caiu pesadamente no chão. A bola rolou para longe e o silêncio tomou conta do campo.

Eu e Sofia Hay ficamos alarmadas e corremos para a quadra. Aurora estava sentado no chão, segurando firmemente o tornozelo direito, o suor brotando em sua testa. Ajoelhei-me ao seu lado e perguntei baixinho: “Aurora, está bem?” Ele me olhou e forçou um sorriso: “Não se preocupe, acho que só torci o pé.”

Ajudamos Aurora a se levantar rapidamente; seu rosto estava pálido, mas ele se esforçava para não demonstrar fraqueza. Sofia Hay, preocupada, correu para buscar sua mochila, e juntas o apoiamos cuidadosamente até a enfermaria.

O pôr do sol projetava nossas sombras longas, como se deixasse no caminho nossas angústias e inquietações. Os passos de Aurora eram pesados e lentos, cada movimento parecia um desafio. Segurei firme seu braço, sentindo o suor frio e o leve tremor em sua mão.

Ao chegar à enfermaria, o médico da escola examinou Aurora rapidamente. Ao tocar seu tornozelo, Aurora franziu o cenho, evidenciando a dor. O médico também ficou sério e nos disse em voz baixa: “Não houve fratura, mas há uma lesão grave nos ligamentos. É preciso fazer compressa fria e levá-lo ao hospital para exames detalhados.”

A noite já avançava e a casa estava iluminada. Relatei aos meus pais tudo o que aconteceu com Aurora no campo. Meu pai levantou-se de imediato, com o semblante sério e preocupado; telefonou ao hospital, agendando consulta e transporte. Minha mãe, por sua vez, preparava os itens necessários e nos tranquilizava suavemente: “Não se preocupem, Aurora será bem cuidado no hospital.”

Pouco depois, o carro de meu pai parou em frente à casa. Ele desceu, abriu o porta-malas e retirou uma cadeira de rodas, acomodando Aurora nela com atenção. Segui logo atrás, segurando com força a mochila de Aurora, rezando silenciosamente para que ele se recuperasse rapidamente.