Capítulo doze: Trocar carne de javali por farinha branca para alimentar a jovem esposa

Renascida nos Anos 80: Depois de criar os filhos e enriquecer, fui mimada por todos Literatura clara como um sonho 2378 palavras 2026-07-31 04:43:22

Caçar nas montanhas é uma atividade que consome muita energia, e como ele tinha saído de casa sem tomar café da manhã, não era de se estranhar que devorasse vários pães cozidos no vapor como um lobo faminto.

— Xiao Yun, os pães que você faz são deliciosos. Cacei dois javalis logo cedo; assim que eu terminar de comer, vou levá-los para trocar por mantimentos. Acredito que conseguirei uma boa quantidade de farinha de trigo.

A cooperativa de produção não permitia que os aldeões realizassem vendas diretas, mas trocas mútuas eram permitidas. Como as rações tinham acabado de ser distribuídas, as famílias com mais mão de obra forte tinham recebido uma cota maior. No entanto, esses trabalhadores precisavam de um complemento na dieta e eram muito afeiçoados a carne; se houvesse excedente na aldeia, eles estariam dispostos a trocar grãos por ela. Como a carne de porco distribuída pela cooperativa era insuficiente, Chu Junxi caçava javalis para que os aldeões pudessem ter um bom Ano Novo.

Ele trocava três quilos de carne de javali por um quilo de farinha de trigo. Afinal, a montanha estava cheia de javalis, e como ninguém mais ousava caçá-los, ele era o único a fazê-lo. Com o Ano Novo se aproximando, todos queriam comer mais carne, então ele precisava aproveitar a oportunidade para conseguir mais javalis e, consequentemente, mais mantimentos. Havia um ditado no campo: "com grãos em casa, o coração não se aflige". Ele não estava fazendo aquilo por si, mas por Qin Xiangyun. Como ele passava o ano todo na universidade e não acumulava pontos de trabalho na cooperativa, a família não recebia ração. Se Qin Xiangyun, cuidando das crianças, ficasse sem comida, como ela sobreviveria?

Cada javali pesava cerca de setenta e cinco quilos, então dois javalis renderam pouco mais de cinquenta quilos de farinha de trigo. Chi Hongxuan, ao ver a quantidade de farinha obtida, ficou surpreso:
— Você é bom, rapaz! Em apenas dois dias, conseguiu mais farinha do que nós conseguimos trabalhando o ano inteiro.

A colheita de trigo daquele ano fora péssima, e o próprio capitão da equipe, Chi Hongxuan, abrira mão da sua parte para que os trabalhadores mais produtivos pudessem receber um pouco. Agora, parecia que metade da farinha nas mãos desses trabalhadores tinha ido parar com Chu Junxi; em uma manhã, ele superara a renda anual da força de trabalho da aldeia.

— Hongxuan, vá em casa buscar um saco, vou separar um pouco dessa farinha para você.
— Irmão, está falando sério?
— É claro, eu mentiria para você?

Chu Junxi e Chi Hongxuan eram amigos leais. Durante aquele ano, Hongxuan o ajudara muito, e Junxi era imensamente grato, por isso, sempre que conseguia algo bom, fazia questão de compartilhar. A casa de Hongxuan não ficava longe, e ele foi e voltou em menos de quinze minutos.

— Por que trouxe um saco tão pequeno? Vai caber quase nada de farinha.
— Não é fácil para você conseguir essa farinha caçando, trarei apenas o suficiente para fazermos bolinhos no Ano Novo.
— Fique com essa por enquanto. Assim que eu for caçar mais e conseguir trocar por outra remessa, separo uma parte maior para você.
— Se javalis fossem fáceis de caçar, todos na aldeia já teriam ido. Com essa neve toda, muitos voltam de mãos vazias.
— É porque eles não se afastam o suficiente. Se adentrarem a mata fechada, com certeza encontrarão.
— Você tem coragem de ir onde eles não vão, mas lá há alcateias. Se não conseguir o javali e ainda perder a vida, não valerá o risco.

Todo ano havia pessoas que desapareciam na montanha e nunca mais eram encontradas; agora, era provável que tivessem sido devoradas por lobos. Mas Chu Junxi não temia; para garantir uma vida melhor à sua esposa, ele arriscaria a própria vida sem hesitar.

— Querida, cheguei.
Ao empurrar a porta, ele soltou a frase por instinto, mas logo percebeu o desconforto. Devido a uma briga sobre a origem das crianças, o clima entre eles estava tenso, e Qin Xiangyun até falara em divórcio; aquele "querida" soou, de fato, muito repentino.

Qin Xiangyun acabara de amamentar o bebê e colocá-lo para dormir; preparava-se para cozinhar quando ouviu a voz de Chu Junxi. Ao abrir a porta, viu o marido carregando um grande saco de farinha e um pedaço de carne de javali. Ele não vendera aquela parte, trazendo-a para que pudessem comer bolinhos.

— Xiao Yun, troquei a carne pela farinha. De agora em diante, poderemos comer bolinhos, macarrão e pães todos os dias; não precisaremos mais comer aquelas broas de farinha amarela.

Diante de tanta farinha, seria impossível para Qin Xiangyun não se emocionar. Naquela época, a farinha de trigo era mais valiosa que ouro; as famílias só a usavam para fazer bolinhos no Ano Novo, vivendo o resto do tempo à base de grãos grosseiros.

— Você trocou dois javalis por apenas este saco?
Eram dois javalis enormes! Qin Xiangyun, que nunca tinha provado carne de javali, ficou espantada.
— Sim! A colheita foi ruim e as famílias receberam pouco, então foi o máximo que consegui aqui. Amanhã irei a outras aldeias, talvez consiga trocar por mais.
— Você ainda quer trocar? Já temos comida suficiente. Se caçar mais, guarde para nós comermos.

Embora a farinha fosse preciosa, Qin Xiangyun não queria comer apenas aquilo; ela estava curiosa para provar a carne de javali e comparar com a do porco doméstico.

— A montanha está cheia deles. Se você quiser, caçarei todos os dias.

Não apenas javalis; se ela quisesse a lua no céu, ele faria o possível para alcançá-la. Ele daria tudo o que ela desejasse, contanto que ela não o deixasse. Diante do carinho do homem, Qin Xiangyun ficou sem jeito, com o rosto corado, desviando o olhar para começar a preparar a massa.

Antes que ele terminasse de picar a carne, ela já tinha sovado a massa. Qin Xiangyun, em sua vida anterior, era excelente na cozinha. Seja abrindo a massa ou fechando os bolinhos, tudo era feito com uma destreza que deixou Chu Junxi estupefato. Em menos de meia hora, os bolinhos estavam prontos.

— Que cheiro maravilhoso!
Originalmente, ela planejava comer em sua "transmissão ao vivo" habitual, mas como os bolinhos de javali estavam tão saborosos, decidiu comer ali mesmo. Ela tinha desenvolvido um controle sobre suas incursões ao espaço onírico: se não quisesse entrar, bastava mentalizar que estava satisfeita antes de dormir; se quisesse, mentalizava a fome e, ao fechar os olhos, entrava no banquete dos sonhos. Seu estômago, treinado por aquelas incursões, era capaz de consumir quantidades impressionantes.

Antigamente, Chu Junxi comia mais que ela, mas, para sua surpresa, Qin Xiangyun consumiu cinquenta bolinhos a mais. Ele estava satisfeito com cem, mas aquela mulher, aparentemente tão frágil, devorou cento e cinquenta sem qualquer esforço. Era algo inacreditável.

— Já que gostou tanto, amanhã voltarei à montanha. Não trocarei mais nada, guardarei tudo para fazermos bolinhos para você.

Ao ouvir isso, Qin Xiangyun percebeu que tinha comido muito, mas, estranhamente, sentia que aquilo fora apenas o começo, como se ainda estivesse longe de estar saciada.