Capítulo Dez: Encontrei um Pequeno Gourmet
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Chi Hongxuan liderava um grupo carregando esterco para preparar a terra para o plantio do próximo ano. O ano tinha sido difícil, e nenhuma família recebeu muita comida; os créditos de trabalho não eram suficientes para gastar, então os moradores do vilarejo trabalhavam arduamente no inverno rigoroso, na esperança de ganhar mais dinheiro para passar um bom ano novo.
— Não temos mais comida em casa, vou à cooperativa trocar por um pouco de mantimentos. Depois do almoço, vou trabalhar com você. Espere por mim! — disse uma voz.
— Você acabou de voltar e já quer trabalhar na cooperativa? Não vai descansar alguns dias?
— Na escola eu tenho uma vida tranquila, tenho energia sobrando que não sei onde gastar! Estou ansioso para pagar uma dívida; aquele dinheiro de trinta yuans do meu bom amigo, você não vai abrir mão, né?
— Como eu poderia? Esses trinta yuans eu já antecipei com a cooperativa, não tenho tanto dinheiro assim.
— Espere por mim, já já vou te encontrar.
Chu Junxi não carregava uma enxada há muito tempo, mas ele vinha de uma família de agricultores, e ficar muito tempo sem trabalhar o deixava inquieto.
Na cooperativa, comprou dez quilos de farinha branca, cinquenta quilos de grãos grossos e um litro de óleo de soja. O óleo estava muito escasso naquele ano; não vendiam em grandes quantidades, só era permitido comprar um litro por vez.
Gastou dois yuans com essas compras e guardou os oito restantes para comprar roupas novas e comidas gostosas para Qin Xiangyun durante o Ano Novo.
Ele já havia prometido que Qin Xiangyun teria uma vida melhor, e essa promessa certamente cumpriria.
Assim que voltou, Chu Junxi começou a se ocupar. Antes de ir para a universidade, ele nunca deixava Qin Xiangyun fazer trabalhos pesados; sempre lhe dava as melhores comidas e a tratava com muito carinho e cuidado.
Chu Junxi era bastante eficiente em tudo que fazia; em pouco tempo, preparou duas grandes tigelas de macarrão e um prato de carne assada.
— Xiangyun, venha comer! — chamou ele.
Qin Xiangyun, que havia saído para o campo, quase vomitou ao ver uma tigela cheia de macarrão e o prato de carne. Ela havia comido mais de cem espetinhos assados naquela manhã durante a transmissão ao vivo, e agora, diante daquela carne, não conseguia comer nada.
— O que está olhando? Coma logo! — disse Chu Junxi, comendo a grandes bocados. Ele sabia que naquele semestre na escola não tinha acesso a refeições assim; havia emagrecido de fome e, ao ver a carne, seus olhos brilhavam.
Mesmo com tanta vontade, ele não quis comer muito e deixou a maior parte da carne para Qin Xiangyun.
— Chu Junxi, eu acho essa carne muito gordurosa, você deve comer tudo! Eu só quero uma tigela de macarrão, já estou satisfeita.
— Essa carne não é gordurosa, eu a preparei com muito sabor, experimente.
Ele colocou um pedaço no prato de Qin Xiangyun e ficou olhando fixamente até que ela o comesse.
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Qin Xiangyun pensou que ia vomitar, mas o sabor da carne despertou seu apetite e ela comeu cinco pedaços seguidos.
Quando não conseguiu mais, acenou com a mão e deixou o resto para Chu Junxi, que não tinha se satisfeito com a tigela de macarrão; Qin Xiangyun dividiu metade da sua para que ele pudesse se saciar.
Depois do almoço, Chu Junxi foi trabalhar na cooperativa, deixando para trás a metade da tigela de macarrão, que deixou Qin Xiangyun preocupada.
Na verdade, o tamanho da tigela era como uma pequena bacia, pois os moradores do campo gostavam de comer e beber em recipientes grandes. Com uma tigela dessas, qualquer um ficava satisfeito.
— Dona Chu, você viu minha mãe? — perguntou uma menina suja que veio da casa ao lado procurando pela mãe, que havia saído e não voltara a manhã toda.
A menina, com fome, não conseguia mais esperar e saiu para procurar a mãe e pedir que fizesse comida para ela.
Qin Xiangyun achou a menina familiar e lembrou que era sua vizinha, então a convidou para entrar.
— Menina, está tão frio e você está tão pouco agasalhada, entre logo.
Ao entrar, a menina viu a tigela de macarrão na mesa e começou a salivar.
Ela não comia macarrão há muito tempo; em casa só tinha pão e bolinhos de milho, e estava desnutrida.
Mas naquela época, não havia outra solução; todas as famílias passavam pela mesma dificuldade, crianças e idosos comiam apenas grãos grosseiros para se manter.
Qin Xiangyun percebeu que a menina estava faminta pelo olhar fixo na tigela e, contente, empurrou o prato para ela com um sorriso:
— Menina, pare de olhar e venha comer!
A menina hesitou, pois sua mãe lhe dissera para não aceitar coisas de estranhos para não ser enganada.
— Dona Chu, eu não vou comer. Se minha mãe não está aqui, eu vou embora.
Ela tentou sair apressadamente, mas Qin Xiangyun a segurou:
— Menina, sua mãe ainda não voltou. Não tem ninguém para preparar comida para você; que tal comer um pouco aqui e depois esperar sua mãe?
A sinceridade de Qin Xiangyun tocou a menina, que não resistiu ao macarrão e começou a comer com gosto.
Morando tão perto uma da outra, era fácil para a menina aceitar a comida. Qin Xiangyun notou que ela comia com talento, digno de uma futura blogueira de gastronomia.
Infelizmente, naquela época não havia internet, e esse talento ficaria oculto entre as multidões.
— Beba um pouco de água e coma devagar, ninguém vai tirar sua comida, é toda sua. Eu nem sei seu nome ainda!
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A menina bebeu água, ofegante, e respondeu:
— Meu nome é Xia Yue, porque nasci numa noite de verão, minha mãe me deu esse nome.
— Nascer numa noite de verão e se chamar Xia Yue, que nome cheio de significado.
— É verdade! Minha mãe é muito boa para dar nomes. Muitas pessoas ao redor pedem para ela escolher nomes para seus filhos, e todos são muito bonitos.
Enquanto falava, a menina terminou o macarrão rapidamente.
— Dona Chu, muito obrigada pelo macarrão, estava delicioso. Quando minha mãe voltar, vou pedir para ela fazer uns bolinhos pegajosos para você; ela faz os melhores.
Mesmo tão jovem, a menina já sabia retribuir, certamente seria uma pessoa notável no futuro.
— Não precisa fazer bolinhos para mim. Daqui para frente, venha comer aqui todos os dias. Esse segredo é só nosso, não conte para ninguém, pode ser?
Chu Junxi certamente prepararia comida para ela todos os dias; se ela parasse de comer por um ou dois dias, tudo bem, mas se parasse por muito tempo, ele desconfiaria.
Assim, a menina resolveria um grande problema, já que sua mãe frequentemente trabalhava na cooperativa e ela em casa passava muitas vezes fome. Guardar comida para ela era perfeito.
— Tudo bem, assim não vou passar fome toda hora.
Com um lugar para comer de graça, a menina ficou muito feliz, e Qin Xiangyun satisfeita com sua reação.
— Combinado então, vou guardar comida para você. Sempre que estiver com fome, venha comer.
— Dona Chu, você é muito boa comigo.
Dizendo isso, Xia Yue beijou Qin Xiangyun no rosto e correu para casa.
Quando Chu Junxi voltou à noite, viu que a tigela de macarrão de Qin Xiangyun estava vazia e ficou bastante satisfeito. Em seguida, começou a preparar o jantar.
Depois de trabalhar a tarde toda, sentia os músculos relaxados; seu corpo se sentia melhor no vilarejo.
Se não fosse pela vontade de se destacar na vida, ele achava que passar a vida trabalhando na terra seria muito bom.
Depois de preparar o jantar, percebeu que Qin Xiangyun ainda não tinha saído e perguntou curioso:
— Xiangyun, o que você está fazendo aí dentro?