Su Meng vivia uma vida comum, até que um dia, ao socorrer inesperadamente uma pequena raposa espiritual ferida, atraiu a atenção de entidades misteriosas do reino espiritual. Em agradecimento pela sal
A névoa da manhã parecia luz da lua despedaçada, deslizando entre os beirais alinhados das casas de Vila Qingwu. Su Meng caminhava sobre as lajes de pedra úmidas; as flores de madressilva em seu cesto de bambu estavam cobertas de orvalho, balançando a cada passo e refletindo um brilho prateado sutil. Ao passar pelo arco na entrada da vila, cuja tinta vermelha descascava, ela inconscientemente tocou o pingente de jade em seu pescoço – aquele calor suave descia de sua clavícula até o coração, enquanto, entre as fendas do arco, musgo crescia apresentando linhas escuras e avermelhadas, semelhantes a teias de aranha.
O riacho serpenteava entre as touceiras de junco como uma Via Láctea despedaçada. O lamento que Su Meng ouvira ao lavar roupas parecia alguém triturando estrelas até virarem pó. Quando afastou as folhas de cálamo cobertas de geada, uma sombra negra, semelhante a uma pena de corvo, passou pelas nervuras das folhas, mas logo sua atenção foi tomada por uma silhueta branca encolhida entre as pedras arredondadas.
Tratava-se de um pequeno animal com a ponta da cauda flamejante de azul e uma marca dourada tênue na testa que pulsava ao ritmo de sua respiração. O mais assustador era o ferimento em sua pata traseira — o sangue azul-escuro, ao tocar as pedras, desabrochava em flores de gelo, cada uma contendo constelações minúsculas em seu centro. Su Meng desprendeu o lenço de linho bordado com orquídeas e, ao tocar o ferimento com a ponta dos dedos, seu campo de visão foi subitamente inundado por um halo âmbar.
Ela viu os ossos da criatura iluminados por