Nova Tempestade — Capítulo Dezessete: O Plano
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No campo de treinamento, a poeira e a fumaça começaram a se dissipar. Mu Tian fitou Lin Xuan, como se vislumbrasse nele a possibilidade de um futuro extraordinário.
As pessoas ao redor estavam boquiabertas. Até mesmo Mu Tian se mostrava abalado pelo golpe de Lin Xuan. Um praticante comum da Seita dos Cinco Venenos jamais conseguiria refinar e controlar sua força com tamanha maestria, muito menos empregá-la em um ataque de média ou longa distância.
Um traço de admiração cintilou nos olhos de Mu Tian. Ele se aproximou lentamente de Lin Xuan e bateu de leve em seu ombro.
— Se não estou enganado, esse golpe é a Bala Devoradora de Almas. Ela possui um poder destrutivo tão intenso e, ainda assim, não perde em precisão nem em velocidade. É realmente impressionante.
Ele ergueu a cabeça e olhou para o horizonte, como se pudesse enxergar um campo de batalha muito mais vasto.
— Naquela época, Chu Qianjie tornou-se famoso no mundo marcial graças a esse golpe. Mas agora vejo em você um poder semelhante — talvez até superior. Seu potencial está longe de se limitar a isso.
Lin Xuan sorriu levemente e, com um firme salto mortal para trás, pousou no chão com segurança, parecendo um superguerreiro no qual força, velocidade e determinação se fundiam em perfeita harmonia.
Mu Tian virou-se para Meng Yi e disse em voz baixa:
— Este Lin Xuan é, de fato, um talento promissor. Com um pouco de treinamento, talvez consiga superar o Grande Tigre de antigamente!
Em seguida, voltou-se para Lin Xuan e continuou:
— Se não se importar, poderia permanecer ao meu lado e trabalhar comigo.
Lin Xuan sempre desprezara os burocratas, considerando-os insignificantes. Ele ainda não conhecia a Sociedade dos Heróis, tampouco Mu Tian. Só aceitara aquela proposta por causa da ordem do capitão Meng. No entanto, nem Lin Xuan nem Mu Tian imaginavam que, no fim, acabariam sendo a maior força a impulsionar um ao outro.
Ao mesmo tempo, no distante Reino Mágico de Liuli, em um território envolto por névoas e cercado de mistérios, o Segundo Dragão repousava tranquilamente no ponto mais alto de um majestoso palácio.
Através das enormes janelas que iam do chão ao teto, seu olhar alcançava a cidade distante, coberta pela escuridão. Aquele era o território recém-conquistado pelos guerreiros sob seu comando.
Dentro do palácio, as chamas das velas tremulavam, entrelaçando luz e sombra e tornando o rosto do Segundo Dragão ainda mais sombrio e profundo. Vestia uma longa túnica negra e trazia no peito uma pedra de criptônio que cintilava com um brilho gélido — símbolo de seu poder e de sua posição. Em uma das mãos, segurava uma taça de vinho tinto. O líquido balançava suavemente, semelhante a uma poça de sangue em movimento.
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O Segundo Dragão levou o vinho aos lábios e sorveu um pequeno gole, sentindo o sabor intenso se espalhar pela língua. Um sorriso satisfeito surgiu em seu rosto, como se já pudesse antever a glória do futuro. Atrás dele, um grupo de guardas leais permanecia em silêncio, protegendo aquele poderoso líder e aguardando sua próxima ordem.
Ele estalou os dedos, e todo o palácio pareceu estremecer.
Um dos guardas imediatamente se curvou e avançou com passos apressados, mantendo a cabeça baixa e sem ousar encarar os olhos do Segundo Dragão. Sabia que, embora aquele líder parecesse calmo como a superfície de um lago, em seu íntimo escondia um incêndio impossível de extinguir.
— Meu rei, quais são suas ordens?
A voz do guarda era grave e respeitosa, como se temesse perturbar o silêncio do palácio.
O Segundo Dragão não respondeu de imediato. Em vez disso, voltou a contemplar a cidade escura ao longe, enquanto uma luz fria e cruel brilhava em seus olhos. Lentamente, pousou a taça sobre a mesa. O fundo do recipiente tocou a madeira com um nítido tilintar, cujo eco se espalhou pelo vasto salão.
— Transmita a ordem. Quero que o general Coração de Lâmina venha à minha presença.
Com a ordem do Segundo Dragão, o ar dentro do palácio pareceu congelar por um instante.
O guarda endireitou-se imediatamente e retirou-se com uma reverência. Seus passos ecoaram pelo salão vazio até desaparecerem ao longe.
Pouco depois, um general trajando a Armadura do Trovão Oculto e empunhando a Lança do Vento Ardente entrou apressadamente no palácio.
Sua armadura cintilava com um brilho gélido sob a luz do sol, e o sangue na lâmina ainda não havia secado. Era evidente que acabara de retornar do campo de batalha.
O general atravessou o salão e ajoelhou-se diante do Segundo Dragão. Sua voz soou firme e poderosa:
— Meu rei, o general Coração de Lâmina veio prestar contas!
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O Segundo Dragão se levantou e examinou o general com um olhar penetrante. Desceu lentamente os degraus, aproximou-se dele e bateu de leve em seu ombro.
— Lâmina, você trabalhou duro. Como está a batalha do Salão da Longevidade?
— Nossas forças principais foram completamente destruídas. Restam apenas alguns grupos remanescentes, que ainda resistem desesperadamente. Acredito que em breve teremos notícias!
O Segundo Dragão assentiu, satisfeito, e fez um leve gesto com a mão, indicando ao general Coração de Lâmina que se levantasse.
Com as mãos nas costas, o Segundo Dragão caminhou lentamente até as enormes janelas e contemplou o horizonte.
— Descanse bem por alguns dias. Em seguida, voltaremos nossa atenção para a Cidade das Nuvens. Ela é a última fortaleza e também o maior desafio. Mas, assim que a conquistarmos, nosso plano estará próximo do sucesso!
A cena mudou para uma vista panorâmica da Cidade das Nuvens. Suas muralhas elevadas pareciam solenes e imponentes sob o brilho crepuscular. Dentro da cidade, colunas de fumaça subiam suavemente das chaminés e se misturavam à névoa distante, formando uma paisagem grandiosa. Por trás daquela tranquilidade, porém, uma tempestade prestes a se desencadear começava a se formar em silêncio.
— Sim, meu rei!
O general fez uma profunda reverência e então se virou, preparando-se para partir.
Aquele general Coração de Lâmina era um dos responsáveis pelo infame Caso do Extermínio da Família Queda de Neve, que certa vez abalara todo o mundo. Também era o líder da Organização das Sombras, sob cujo comando serviam inúmeros especialistas. Era conhecido como um dos Dez Grandes Mestres do País da Lua Apontada. Em sua juventude, tivera uma ligação profundamente estreita com a Cidade das Nuvens. Como uma bomba-relógio, poderia a qualquer momento incendiar as correntes e contracorrentes do mundo marcial.
O Segundo Dragão acompanhou com os olhos a silhueta do general Coração de Lâmina afastar-se até desaparecer nas profundezas do palácio.
Seus dedos deslizaram suavemente sobre a pedra de criptônio em seu peito. Aquele era o artefato mais poderoso de todo o mundo — e o plano deles consistia justamente em reunir essas pedras.
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