15. Falsa acusação

Após Renascer como o Bebê Odiado por Todos Crepúsculo para a paz 4195 palavras 2026-07-31 05:11:06

O vaso de porcelana branca tocou o chão e se despedaçou num instante. Os lírios-do-vale que estavam dentro se espalharam por toda parte, ainda com gotas de água presas às pétalas.

O barulho despertou imediatamente Mingqing, que dormia ali perto. Ele soltou um grito, sentou-se na cama e correu para acender a luz.

A claridade fria e esbranquiçada expulsou a escuridão do quarto, iluminando Mingyu, que estava não muito longe dali.

Assim que Mingqing viu o “culpado”, seu medo se transformou em fúria.

— Mingyu, o que você está fazendo?!

Por causa da luz que se acendera de repente sobre sua cabeça, Mingyu fechou os olhos, desconfortável. Ao ouvir a voz de Mingqing, fingiu então ter acabado de acordar e abriu os olhos, como se só naquele momento tivesse recobrado a consciência.

— Irmão? — disse Mingyu, olhando ao redor com uma expressão de surpresa. — Como vim parar aqui?

— Você ainda tem coragem de fingir?! — Mingqing ficou ainda mais furioso. Jogou a coberta para o lado, desceu da cama e apontou para os cacos no chão. — Pare de fingir! Foi você quem quebrou isso, não foi? O que estava fazendo no meu quarto no meio da noite? Quem deixou você entrar?

Mingyu continuou olhando para ele com ar confuso.

— Não sei. Será que eu estava sonâmbulo?

— Sonâmbulo? Você é mesmo bom em inventar desculpas. Vou chamar a mamãe agora mesmo e dizer que você não dormiu no meio da noite, veio ao meu quarto e quebrou minhas coisas.

Mingqing se virou para sair.

Mingyu não tentou impedi-lo. Esperou até que ele estivesse quase chegando à porta para falar de repente, assumindo uma expressão de súbita compreensão:

— Já me lembrei.

Mingqing parou e olhou para trás.

— Lembrou-se de quê?

— Lembrei por que vim parar aqui.

Mingyu caminhou até ele.

— Por quê? — perguntou Mingqing, lançando um olhar ao vaso de porcelana branca quebrado no chão.

Aquele vaso havia sido comprado por ele justamente para incriminar Mingyu. Não imaginava que, antes mesmo de ter a chance de agir, Mingyu o quebraria por conta própria. Aquilo se encaixava perfeitamente em seus planos.

Mingqing sentiu uma alegria secreta, mas não a demonstrou. Em vez disso, fechou a expressão de propósito e disse:

— Mingyu, é melhor você me dar uma explicação razoável. Caso contrário, vou contar à mamãe agora mesmo que você se atreveu a quebrar meu vaso de porcelana branca. Você sabe como ele era caro? Mesmo que vendessem você, não conseguiriam pagar a indenização.

Mingyu pareceu confuso.

— Era caro? Mas não foi você que o encontrou num mercado de antiguidades?

Mingqing esperava que Mingyu se assustasse e começasse a chorar, implorando seu perdão. Não imaginava que ele responderia daquela maneira e, por alguns instantes, ficou sem reação.

Só depois de um bom tempo conseguiu recuperar os sentidos. Um calafrio percorreu-lhe subitamente as costas.

— Como você sabe disso?

Mingyu sabia que Mingqing era covarde e acreditava profundamente em histórias sobre fantasmas e espíritos. Ainda se lembrava de que, quando Mingqing estava no oitavo ano, fora com alguns amigos até um prédio antigo abandonado nos arredores da cidade para provar que era corajoso. Naquela mesma noite, assustara-se tanto que acabou ficando doente. Por isso, na vida anterior, quando Mingyu morava com a família, jamais assistira a filmes de terror.

Mais tarde, conforme cresceu, Mingqing finalmente se tornou um pouco mais corajoso. Infelizmente, porém, agora tinha apenas doze anos e ainda estava na idade de acreditar cegamente nessas coisas. Por isso, Mingyu decidiu conduzir a conversa deliberadamente para o terreno dos fantasmas.

— Foi... — Mingyu coçou a cabeça e também assumiu uma expressão confusa. — Uma criança vestida de vermelho me contou.

— Uma criança vestida de vermelho?

— Sim. Eu a vi à noite, mas ela desapareceu pouco depois.

Enquanto falava, Mingyu olhou para o vaso quebrado no chão e disse, com uma expressão arrependida:

— Irmão, eu realmente não quebrei esse vaso de propósito. Acho que aquela criança entrou no meu corpo. Foi ela quem o quebrou.

— Você está inventando isso — disse Mingqing, ainda descrente. Mesmo assim, olhou imediatamente ao redor, e seu rosto empalideceu.

— Não estou.

De repente, Mingyu ficou completamente imóvel, rígido no lugar.

— O que aconteceu? Mingyu, pare de fingir que está possuído! O que foi?

Mingqing deu um passo à frente, como se quisesse tocá-lo, mas não se atreveu. Apenas continuou falando, esforçando-se para parecer corajoso:

— Se continuar assim, vou chamar a mamãe!

Ao ouvir isso, Mingyu ergueu a cabeça de repente.

Mingqing levou um susto e recuou sem conseguir controlar o próprio corpo.

— Você está doente?!

Mingyu pareceu só então voltar a si. Olhou para ele com os olhos cheios de tristeza.

— Irmão, ele acabou de entrar no meu corpo.

— Você... você... pare de falar bobagens!

— Não estou falando bobagens. Ele me contou que você comprou este vaso para me incriminar.

— Você...!

Ao ouvir aquilo, as pupilas de Mingqing se dilataram instantaneamente. Ele olhou para Mingyu, incrédulo, com o corpo inteiro parecendo o de uma galinha sufocada. Até respirar se tornou difícil.

— Ele disse que você e seus amigos compraram este vaso de porcelana branca no mercado de antiguidades. Depois, você fingiria que estava me dando o vaso e mentiria, dizendo que era um presente de aniversário que a mamãe havia dado a você. Assim que eu o aceitasse, você esperaria até eu não estar por perto para quebrá-lo e colocaria a culpa em mim, dizendo que eu havia roubado suas coisas.

Mingyu continuou caminhando em sua direção.

As pupilas de Mingqing estavam arregaladas. Ele permanecia imóvel, os lábios tremendo sem parar, mas não conseguia dizer uma única palavra.

— Esse vaso não vale absolutamente nada, mas você pretendia dizer que era muito caro para fazer a mamãe pagar uma indenização maior. Assim, ela me castigaria com mais severidade, não é?

Mingqing já não conseguia falar. Seus pensamentos haviam sido completamente desvendados por Mingyu.

A luz fria iluminava os fragmentos do vaso de porcelana branca no chão. O brilho refletido projetava-se sobre o corpo de Mingyu, fazendo sua pele parecer fria como jade.

Seus olhos negros o encaravam sem piscar, como uma faca que o cortava pouco a pouco, de dentro para fora, não lhe deixando lugar algum para se esconder.

Mas... como aquilo era possível?

Mingyu não estivera em casa na noite anterior. Só havia voltado naquele dia. O plano fora combinado com os amigos naquela mesma tarde, e o vaso também acabara de ser comprado.

Eles sequer haviam tido tempo de colocar o plano em prática. Como Mingyu poderia saber?

Seria mesmo aquela criança vestida de vermelho?

Mas de onde teria vindo uma criança vestida de vermelho?

Roupas vermelhas eram usadas, em geral, apenas por espíritos vingativos. Será que aquela criança morrera sem conseguir descansar em paz?

— Irmão. — Ao ver aquela expressão, Mingyu percebeu que Mingqing já acreditava nele e decidiu pressioná-lo ainda mais. — Você realmente me odeia tanto assim? A ponto de usar um método desses contra mim? Quando ele me contou, eu também não acreditei. Foi por isso que ele entrou no meu corpo e me trouxe até aqui.

— Você realmente pretendia me incriminar, irmão?

— Eu...

Mingyu avançava passo a passo, e Mingqing só conseguia recuar. Logo, porém, suas costas tocaram a porta. Não havia mais para onde fugir.

Mingqing quis se virar, abrir a porta e correr, mas suas pernas já estavam moles demais. Ele não conseguia sequer girar a maçaneta.

Mingyu diante dele ainda era Mingyu. No entanto, por algum motivo, Mingqing sentia como se realmente conseguisse enxergar outra pessoa através dele.

— Ming... Mingyu...

Mingqing queria contestá-lo, mas tudo o que Mingyu dizia correspondia exatamente ao que ele escondera no coração. Por isso, não conseguia pronunciar palavra alguma.

— Eu...

Assim que Mingqing abriu a boca, Mingyu sorriu de repente.

A luz fria incidia sobre seu rosto. Por um instante, Mingqing teve a impressão de que o rosto de Mingyu era tão branco e brilhante quanto o vaso de porcelana que ele comprara. Os lábios se curvaram lentamente, e o contorno de sua boca lembrava os fragmentos do vaso quebrado no chão.

Passos soaram ao longe. Ao que tudo indicava, o barulho finalmente despertara Lan Xingying e Ming Chaoxing.

Mingyu, porém, não demonstrou o menor sinal de pânico. Continuou se aproximando lentamente de Mingqing.

— Irmão. — Mingyu parou diante dele e levantou o rosto, oferecendo-lhe um sorriso. — A mamãe está vindo. Você ainda pretende me acusar de ter roubado seu vaso de porcelana branca?

Embora Mingyu sorrisse, Mingqing não encontrou o menor vestígio de alegria em seus olhos.

Ele não se parecia nem um pouco com Mingyu.

Não. Ele não era Mingyu.

Então quem era?

Antes que pudesse descobrir, Mingyu o chamou novamente:

— Irmão, você ainda não respondeu à minha pergunta.

— Ainda pretende me incriminar?

— Não... não...

Mingqing não aguentou mais. Soltou um grito e desmaiou.

***

Quando Lan Xingying e Ming Chaoxing entraram no quarto, viram Mingqing caído no chão.

Os dois entraram imediatamente em pânico. Correram para colocá-lo na cama e chamaram uma ambulância.

A ambulância chegou rapidamente. Depois de uma série de exames no hospital, porém, não encontraram nada de errado.

Mingqing logo despertou. Assim que abriu os olhos, agarrou-se a Lan Xingying e gritou:

— Fantasmas! Há fantasmas!

Ao ver o estado do filho, Lan Xingying começou a chorar de preocupação e perguntou repetidamente o que havia acontecido.

Mingqing, no entanto, não dizia nada. Apenas continuava abraçado a ela, como se tivesse acabado de passar por algo aterrorizante.

Depois de finalmente se acalmar, voltou para casa com a família. Mingyu estava esperando por eles na sala de estar.

Assim que os viu, Mingyu se levantou e foi recebê-los. Mal conseguiu dizer:

— Irmão...

Mingqing soltou um grito, escondeu-se atrás de Lan Xingying e voltou a ter um ataque de pânico.

Na noite anterior, Lan Xingying não tivera tempo de investigar o assunto a fundo. Agora que finalmente estava livre, chamou Mingyu para o quarto de hóspedes e começou a interrogá-lo.

Mingyu, porém, dizia não saber de nada.

— Você não sabe? Então por que estava no quarto de Mingqing ontem à noite?

— Acho que estava sonâmbulo. Enquanto caminhava dormindo, quebrei sem querer o vaso do meu irmão. Parece que ele ficou assustado e depois desmaiou.

Lan Xingying naturalmente não acreditou. No entanto, por mais que perguntasse, Mingyu repetia apenas aquela versão. Não conseguiu arrancar dele nenhuma outra informação.

Como não conseguia obter respostas de Mingyu, ela foi perguntar a Mingqing.

Mas também não conseguiu descobrir nada com ele. O que acontecera, porém, era que Mingqing parecia ter desenvolvido um medo repentino de Mingyu.

Quando Mingyu não estava por perto, tudo ficava bem. Mas, assim que aparecia, Mingqing gritava imediatamente e se escondia atrás dela.

Depois de vários dias, Lan Xingying já estava exausta. Afinal, os dois moravam sob o mesmo teto e inevitavelmente se encontravam o tempo todo. Se aquela situação continuasse, ninguém naquela casa teria paz.

Lan Xingying sentia que havia algo estranho naquela história. No entanto, não encontrara nada de anormal em casa, a explicação de Mingyu parecia razoável e Mingqing se recusava a contar qualquer coisa. Por algum tempo, ela não soube sequer por onde começar a investigar.

Mesmo assim, não se conformava em deixar o assunto terminar daquela maneira. Por isso, depois de acalmar Mingqing mais uma vez, não resistiu e perguntou:

— O que aconteceu naquela noite? Mingqing, conte à mamãe. Foi Mingyu quem assustou você?

Ao ouvir o nome de Mingyu, Mingqing se lembrou imediatamente do que acontecera naquela noite. Seu corpo inteiro estremeceu involuntariamente, mas ele ainda balançou a cabeça.

— Não foi... Mingyu.

— O que quer dizer com “não foi Mingyu”? — perguntou Lan Xingying, sem entender.

Mingqing também não sabia como explicar.

Se dissesse que havia um fantasma no corpo de Mingyu, Lan Xingying certamente não acreditaria e exigiria uma explicação.

Mas o fantasma havia falado sobre o plano que ele arquitetara para incriminar Mingyu. Como poderia contar aquilo à mãe?

Por isso, só conseguiu dizer:

— Mãe, você pode mandar Mingyu embora? Não deixe que ele continue morando aqui.

— Como isso seria possível? Ele tem apenas seis anos. Para onde você quer que o mandemos?

— Para o interior? Para um orfanato? Ou para a casa daquele amigo dele. Não importa, apenas não o deixe ficar aqui. Ele traz azar.

Lan Xingying não queria concordar. No entanto, nos últimos dias, Mingqing estivera tão assustado que não conseguia ir à escola e precisava tê-la ao lado a todo instante. Ela realmente estava esgotada.

Além disso, ao ver como o rosto dele havia emagrecido, sentia-se profundamente angustiada.

Assim, acabou começando a considerar a possibilidade de mandar Mingyu embora.

Seus pais não estavam no país, e os avós de Mingyu haviam falecido. Mandá-lo para a casa de algum parente ou amigo também estava fora de questão, pois eles não queriam demonstrar favoritismo diante de pessoas de fora.

A única alternativa era deixar Mingyu continuar morando na casa daquele chamado “amigo”.

Para os outros, poderiam dizer que a escola era longe demais e que, por isso, ele ficaria temporariamente na casa de um amigo. Além do mais, a escola era tão boa que ninguém encontraria motivo para criticar a decisão.

Era uma pena que ele tivesse tanta sorte. Lan Xingying ainda guardava certo ressentimento pelo fato de Mingyu estudar numa escola melhor que a de Mingqing. Mas, naquele momento, não havia outra solução. Só lhe restava concordar.

No dia em que foi mandado embora, Mingyu abraçou sua mochila em forma de patinho e olhou para a mansão onde vivera durante doze anos na vida anterior.

Pensou que, afinal, realmente sabia prever tudo.

Quando precisaram escolher entre ele e Mingqing, eles de fato haviam abandonado a ele.