Capítulo 7: O Décimo Nono Círculo do Inferno 7
Sang Lehe não respondeu. Ele fixou o olhar no tom avermelhado do canto dos olhos de Rong Qianning e lambeu os lábios secos. Quando Yun Ge, sentindo-se desconfortável sob aquele olhar, estava prestes a virar o rosto para se afastar, ele disse subitamente:
— Espere!
O movimento de Yun Ge, que estava prestes a se virar, foi interrompido. Seu coração deu um salto e ela olhou para Sang Lehe com nervosismo, a voz levemente trêmula:
— A-ainda há algo...?
Sang Lehe não respondeu, observando o rosto de Yun Ge com ar pensativo. Aquele olhar, que misturava escrutínio e julgamento, fez com que os nervos de Yun Ge ficassem tensos como uma corda de violão.
Justo quando Yun Ge pensava se ele havia mudado de ideia e planejava levá-la de volta, a voz do homem soou carregada de um sorriso:
— Se não me falha a memória, você é a esposa de Xiao Yi, Yun Ge, não é?
Yun Ge ficou atônita, sentindo o coração voltar ao lugar, e fingiu surpresa:
— Ele falou de mim para você?
— De fato, ele mencionou. Afinal, trabalhávamos no mesmo andar e tínhamos uma boa relação, mas ele se mudou para o quinto andar agora e as oportunidades de nos vermos diminuíram bastante. — Sang Lehe estreitou os olhos, sorrindo, e sua visão percorreu o rosto de Yun Ge com cobiça. — Não esperava que você fosse assim...
Yun Ge inclinou a cabeça, fingindo espanto. Sang Lehe passou a língua pelos dentes:
— Que surpresa agradável.
O rosto de Yun Ge corou e seus cílios densos, como penas de corvo, tremeram levemente:
— Então você e meu marido não estão mais no mesmo andar? Com razão não o vi quando fui ao quinto andar procurá-lo.
O sorriso nos lábios de Sang Lehe se aprofundou.
Pequena mentirosa.
Ele não tinha dito que Xiao Yi estava no quinto andar neste exato momento.
Que interessante.
Yun Ge sentiu agudamente a aura cada vez mais perigosa vindo do fundo dos olhos de Sang Lehe e recuou um passo imediatamente.
Ela disse em voz baixa:
— Obrigada por me acompanhar até aqui embaixo. Não vou mais atrapalhar seu trabalho.
Sang Lehe deu um riso estranho, embora sua voz soasse aberta e calorosa:
— De nada.
Yun Ge não respondeu e retornou rapidamente ao saguão da empresa através da escada de emergência.
A porta da escada se fechou novamente, isolando o olhar ardente e perigoso do homem.
O saguão continuava vazio, e o ar-condicionado causava calafrios. Yun Ge não parou de caminhar em direção à saída, nem sequer ousou olhar para trás.
...
Depois de deixar a empresa, Yun Ge encontrou um hotel nas proximidades para se hospedar temporariamente.
Sua identidade atual era a de um NPC importante destinado a morrer. Sua prioridade era sobreviver ao dia, mas ela ainda não fazia ideia de quem a mataria.
Originalmente, Yun Ge pensou que fosse o vizinho Xi Sinian, que batera em sua porta pela manhã, mas ele a trouxe de casa até a empresa; com uma distância tão longa e uma oportunidade tão boa, ele não agiu, o que a deixou incerta novamente.
A única certeza era que ele era um pervertido disfarçado de homem gentil e educado.
Normalmente, um pervertido não gostaria de ferir algo que deseja, mas este era um "Mundo Infinito" com o qual ela nunca havia tido contato, e ela não sabia se os critérios para um pervertido aqui seriam os mesmos que ela conhecia...
Por enquanto, teria que seguir um passo de cada vez e sobreviver até que os jogadores entrassem na instância.
Yun Ge estava absorta em pensamentos, sua expressão serena e seus traços refinados. Ela estava sentada de pernas cruzadas sobre o edredom branco do hotel; a barra da calça subiu, expondo suas pernas alvas que pareciam brilhar, com tornozelos delicados que facilmente evocavam desejos lascivos e pensamentos mais sórdidos.
No entanto, essa cena não foi vista por ninguém. Algum tempo depois, Yun Ge mudou de posição e o sistema, que estava em silêncio, surgiu de repente.
[Missão de NPC 1 liberada: Entregue o almoço para seu marido, Xiao Yi.]
Yun Ge ficou chocada. Ela piscou, incrédula: [Por que ainda existem missões de NPC?!]
Ela tinha acabado de fugir de Xi Sinian e agora teria que voltar para cair na armadilha?
A voz fria e inorgânica do sistema apareceu: [Derivado automaticamente de acordo com o desenvolvimento da trama.]
Talvez por achar a expressão atônita de Yun Ge lamentável demais, o sistema explicou, algo inédito:
[O NPC deve seguir sua própria personalidade; arcará com as consequências caso haja descaracterização (OOC). A personagem original soube pelo superior que o marido estava exausto e sob pressão ultimamente e, por amor e preocupação, ela mesma levaria o almoço para ele.]
[Além disso, este é um critério de avaliação para julgar se um jogador está interpretando bem o NPC.]
Yun Ge ficou com o rosto inexpressivo, incapaz de rebater.
Então, seguindo a personalidade da original, se ela entregava o almoço ao meio-dia, como poderia não voltar para casa à noite?
Contudo...
[Seguindo a personalidade da original, ela alugaria um quarto de hotel sozinha?]
O sistema não respondeu desta vez, apenas disse friamente: [Por favor, explore por conta própria, jogador.]
Definitivamente não.
Yun Ge sabia, sem precisar explorar, que, com a natureza dócil e caseira da original, ela jamais faria algo que causasse mal-entendidos, como alugar um quarto de hotel.
Portanto, ela alugou o quarto e não foi notificada de nenhuma descaracterização. Ou o sistema a estava protegendo, ou comportamentos que não fossem conhecidos pelas pessoas ao seu redor não trariam consequências negativas.
Considerando que sua relação com o sistema não era tão boa quanto imaginava, Yun Ge concluiu imediatamente que era a segunda opção.
Ela sorriu.
Então, contanto que ela escondesse isso daqueles que a conheciam, não importava se agisse fora do personagem.
Ao esclarecer a questão da personalidade e da descaracterização, Yun Ge sentiu-se muito mais aliviada.
Até aquele momento, ela ainda queria viver, então fechou o aplicativo de delivery, foi a um estabelecimento próximo ao hotel, comprou algo para comer e, com uma marmita térmica que pediu ao atendente, guardou a comida.
Ela chegou novamente à entrada da empresa e, vendo que o saguão estava vazio, preparou-se para apertar o botão do elevador.
Assim que tocou no botão, Yun Ge notou que o painel do elevador mostrava o andar 1.
Alguém estava descendo?!
Yun Ge instintivamente quis se esconder na escada de emergência, mas a porta do elevador abriu antes, e ela se viu, subitamente, cara a cara com a pessoa que estava dentro.
O homem vestia um terno impecável e emanava uma aura culta. Por coincidência, era exatamente Xi Sinian.
O corpo de Yun Ge ficou tenso instantaneamente.
O homem belo e refinado estava parado na porta do elevador, bloqueando exatamente o caminho de Yun Ge.
Ele a encarava fixamente, com um sorriso enigmático:
— Srta. Yun?
Yun Ge apertou os lábios, sentindo as orelhas queimarem. Independentemente de ele ser um pervertido ou não, aquela situação era realmente constrangedora.
Sob o olhar do homem, Yun Ge cumprimentou com dificuldade:
— Sr. Xi.
Xi Sinian sorriu, deu um passo em direção a ela e disse com segundas intenções:
— Achei que a Srta. Yun estivesse insatisfeita com nossa empresa e não pretendesse voltar. Eu até pensava em procurá-la após o expediente para entender o motivo.
Uma pessoa normal não deveria se afastar educadamente ao saber que o outro está insatisfeito?
Yun Ge manteve a cabeça baixa, parecendo um pouco envergonhada:
— Você entendeu mal. Eu apenas me lembrei de um assunto urgente e precisei sair; não tenho nenhuma insatisfação com a sua empresa.
— Que ótimo, então. — Xi Sinian deu uma risadinha, seus olhos observando profundamente a nuca alva da bela mulher. — Perguntei a Xiao Yi, ele apoia muito que você trabalhe aqui. Srta. Yun, por que não sobe comigo agora para assinar o contrato?