Capítulo 4 Números Pesados, Dor Profunda
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No estúdio de transmissão, houve um silêncio inesperado. Alguns apenas viam Xu Qing derramar lágrimas silenciosas; outros, os jurados, exibiam expressões sérias, com os olhos levemente vermelhos; na plateia, alguns espectadores tinham os olhos marejados, outros limpavam discretamente as lágrimas... As mensagens na tela diminuíram consideravelmente por um momento.
A imagem reapareceu, mostrando novamente duas séries de cálculos numéricos. Todos sabiam que a garotinha estava anotando as contas.
1995-3=1992
1992-8=1984
1984-13=1971
1971-15=1956
Parecia que havia um erro em um dos cálculos, pois havia sinais de correção. Pelos números, dava para perceber que o dinheiro que ela ganhava a cada dia aumentava, mas ainda estava muito longe dos dois mil.
Esses números pareciam apenas números, e a caligrafia era infantil, nada bonita, mas a cada número que diminuía, acompanhava o esforço da garotinha sob o sol escaldante, talvez também enfrentando ventos e chuvas, na beira do rio da vila, trabalhando incessantemente. No entanto, o número 1956 parecia uma meta impossível, como se fosse a margem da felicidade à qual ela nunca poderia chegar.
Naquele instante, aqueles números ingênuos, tão familiares a todos, cortavam o coração como facas, um golpe após o outro.
Não se sabe quando, muitos começaram a ter a visão turva — era lágrima.
Evidentemente, eram apenas números, mas por que eu estou chorando?
Os espectadores atentos notariam que, desde o começo, seja quando a garotinha catava recicláveis, ou quando revirava entulho à procura de algo, o sol sempre brilhava. Mesmo no calor intenso, havia luz, havia esperança.
Isso refletia o coração da menina, que sempre guardava uma centelha de esperança.
Mas naquele momento, a tela escurecia, a luz do sol já não aquecia como antes, como se prenunciasse algo.
A garotinha estava em um campo aberto, gritando “mamãe” com desamparo, sentindo-se muito injustiçada e triste!
Mas ela era sensata e sabia que não podia deixar a mãe ver ou ouvir, e depois de chorar, secava as lágrimas, corria até a torneira, lavava os olhos vermelhos com água e fingia estar contente. Se a mãe perguntasse, ela mentiria dizendo que o vento e a poeira haviam irritado seus olhos.
Ninguém sabia se ela chorava por alguma injustiça sofrida naquele dia, se havia recolhido poucas garrafas e ganhado pouco dinheiro, se se culpava por não ser mais esforçada, ou se lamentava por se esforçar tanto e ainda estar tão longe da meta.
Talvez fosse tudo isso. Qualquer que fosse o motivo, ninguém, nem mesmo os mais duros de coração, conseguia ficar indiferente.
Muitos xingaram Li Huan, a autora daquela história, com a mais intensa indignação.
“Por que tanta crueldade? Por que fazer essa criança tão obediente, tão compreensiva, que deveria ser protegida por todos, passar por tanta injustiça? Maldito Li Huan, analfabeta, você não tem coração!”
Foi a mensagem de um internauta no chat, que expressava o sentimento de incontáveis espectadores.
Li Huan continuou a narrativa.
Quando a noite caiu, a garotinha voltou para casa. Tudo parecia igual: ela preparava a comida, alimentava a mãe, comia, lavava tudo e ajeitava a mãe na cama para dormir. Embora exausta, deitava-se ao lado da mãe com uma felicidade incomensurável.
Talvez aquele momento fosse o mais feliz para ela.
Todos sabiam que, naquele pequeno coração, os desejos eram poucos: apenas poder deitar feliz ao lado da mãe, conversar com ela, sentir o afago da mão da mãe na cabeça, receber um olhar de incentivo...
Claro, se a doença da mãe melhorasse, seria o ideal.
Mas uma tosse forte quebrou novamente aquele momento de felicidade.
Ela sabia que a doença da mãe piorava.
Sempre que a mãe tossia, ela ajudava massageando as costas, confortando, conversando para acalmar...
Mas naquele dia, ela não fez isso. Estava nervosa, até com medo de respirar alto, então, com as pequenas mãos, abriu cuidadosamente o caderno onde anotava as contas: 1809-9=1800.
Era um número simples, a caligrafia infantil, não bonita, e o caderno tinha marcas de correção.
Mas ao ver aquele número, muitos não conseguiram conter as lágrimas.
1800! Um número comum para muitos, para os jurados, para os telespectadores, para quem quer que fosse — talvez o troco de um salário, o preço de uma refeição, ou um presente de aniversário...
Mas ali, era um número dolorosamente evidente.
O vídeo não explicou quantos dias haviam se passado; ninguém sabia quantas dificuldades, quantas injustiças, quantas tristezas e sofrimentos ela havia enfrentado.
Esse número comum se transformou em um número assustador, gigantesco para uma criança daquela idade. O que ela deveria fazer?
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Será que a mãe aguentaria até ela juntar os dois mil?
Mas mesmo que conseguisse, e daí?
Seria apenas um novo mergulho da esperança em um abismo ainda mais profundo de desespero.
Ela era tão pequena, como poderia suportar tanto desespero, uma e outra vez?
As emoções de todos eram confusas: desejavam que Li Huan continuasse a contar a história, mas também queriam que terminasse ali.
Porque as lágrimas já turvavam a visão de todos.
Todos estavam imersos no mundo daquela garotinha; e quanto aos outros? Ninguém pensava neles naquele momento.
Finalmente, a imagem reapareceu.
Era manhã.
A luz do sol voltou a iluminar.
Aquela menininha tão obediente e compreensiva surgiu novamente ao lado da torneira no quintal.
Em sintonia com o começo, parecia também prenunciar algo.
Diferente do início, ela pegou um espelho e, depois de tantos dias, pela primeira vez lavou o rosto com cuidado, olhando-se atentamente no espelho, ajeitando com a mão pequena a franja que caía bagunçada na testa.
Ver seu rosto limpo e bonito, o amor natural de uma menina pela beleza a alegrou, ainda que essa alegria fosse passageira.
Pois, sensata, ela sabia que não podia se vangloriar como as outras crianças da sua idade...
Essa cena deixou todos os espectadores, jurados e plateia, inexplicavelmente ansiosos.
Por quê?
Ela não deveria estar pegando garrafas?
Criança, vá! Vá logo!
Por que olhar no espelho? Por que ajeitar a franja? Por que estar limpa e bonita?
Por quê?
Nesse instante, muitos se sentiram confusos; por que ela agia assim?
No banco dos jurados, Wang Shuo pareceu perceber algo, arregalou os olhos e fixou-se na tela.
Na imagem, a garotinha, depois de lavar o rosto, ajeitou o cabelo da mãe deitada na cama, limpou seu rosto e arrumou seus cabelos bagunçados...
Mas a mãe, que tossira a noite toda, não abriu os olhos. Estava exausta, a doença a consumia.
A menina olhou com mais atenção do que nunca o rosto jovem, porém envelhecido e pálido da mãe, vendo as rugas que ali surgiam.
Era a mãe, essa face ela conhecia como a palma da mão, era a mãe que ela mais amava, e não cansava de olhar para ela. Mas por que hoje era assim?
Parecia que ela estava se despedindo da mãe.
Não a despedida comum ao sair para catar garrafas, mas uma despedida definitiva, como se nunca mais fosse vê-la. Para onde iria? Para onde poderia ir?
A menina apertou os lábios, levantou-se, parou por um momento e olhou demoradamente para a mãe. Apesar da tristeza, ela abriu a porta e saiu.
Xu Qing soltou um grito de surpresa.
Todos no banco dos jurados se viraram para olhar.
Xu Qing lembrou da advertência da mulher da vila: “O traficante de pessoas do lado oeste da vila acabou de ser solto, não vá brincar por lá!”
Um arrepio percorreu seu corpo, seu coração apertou.
Tráfico!
Tráfico!
Antes, como todos, ela pensava que o “tráfico” era apenas a venda de recicláveis para pagar o tratamento da mãe, mas naquele instante, entendeu.
O tráfico não era o que ela imaginava, todos estavam enganados.
Tudo sobre a menina fazia sentido: por que ela olhava no espelho, por que lavava o rosto, por que se despedia da mãe?
Não era vaidade ou melancolia; ela estava se preparando para vender a si mesma!
Na verdade, não só Xu Qing, mas muitos já tinham suspeitas naquele momento.
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E, de fato, quando a imagem reapareceu, suas suspeitas foram confirmadas!
A pequena figura apareceu no lado oeste da vila. Tremendo e hesitante, ela chamou um homem de costas, que usava uma camiseta preta e estava trabalhando na terra: “Tio!”
O homem parou, virou o rosto e a avaliou dos pés à cabeça...
Mas seu olhar não parecia o de alguém vendo uma pessoa, e sim o de alguém vendo uma mercadoria, deixando claro a identidade dele para todos.
Era, sem dúvida, o traficante que a mulher da vila mencionara.
Naquele instante, todos ficaram apreensivos.
Xu Qing levantou-se abruptamente, desejando poder ir até ela e segurá-la, dizendo: “Criança, que tolice! Aquele é o traficante! Você prometeu não ir para o lado oeste da vila, por que está sendo tão ingênua?”
A menina apertava as mãos nervosamente, os dedos inquietos, mas pensando na mãe, levantou o rosto marcado pelas lágrimas e disse, chorando: “Tio, me venda, por favor. Ainda faltam mil e oitocentos para o tratamento da mamãe!”
Ninguém sabe de onde ela tirou coragem para dizer aquilo, uma frase inocente, embargada pela voz infantil, sem tristeza ou pesar, apenas ingenuidade e determinação.
Se antes alguém ainda resistia, aquela frase quebrou todas as defesas.
Ela foi como uma faca afiada cravada no último muro de pedra dos corações, destruindo-os.
Muitos choraram copiosamente, outros tampavam a boca para não chorar alto.
Essa criança tola não sabia o que a esperava se fosse vendida, não imaginava as dores que sofreria, nem que talvez nunca mais veria sua mãe querida.
Não, todos sabiam que ela sabia. A despedida em casa, o olhar cheio de apego e tristeza, mostravam que ela havia pensado nisso, mas ainda assim foi.
Porque aquele número a desesperava. Ela sabia que a mãe não podia esperar até ela juntar todo o dinheiro, pois a doença piorava e sua última esperança se desvanecia.
Naquele instante, quem poderia imaginar a dor, a tristeza, o desespero dela?
Além de se vender, não havia outra saída.
O traficante ouviu, ficou em silêncio, apoiou-se na enxada e virou-se de costas novamente...
O silêncio tomou conta.
Os espectadores e jurados ficaram mudos, apenas soluços silenciosos e lágrimas rolavam incessantemente.
Depois, houve uma sequência de cenas em flashback.
Todos secaram os olhos para não perderem a visão turva e puderam ver a pequena criança marcando sua altura com giz no batente da porta velha.
Na primeira vez que essa cena apareceu, poucos se emocionaram, mas agora entendiam.
Ela esperava crescer rápido, pois assim talvez pudesse ganhar mais dinheiro para tratar a mãe.
Depois a viram, escondida sob uma árvore velha na vila, limpando secretamente as lágrimas.
A mãe adoentada na cama, e a pequena criança era o único pilar da família. Mas ela era tão pequena, o que poderia fazer?
O balde de arroz vazio a fez conter o choro, que só derramava em segredo, longe da porta de casa.
Ela sabia que não podia deixar a mãe ouvir, pois ela já estava exausta.
Sob o sol quente, ela colocava uma garrafa de água mineral após outra em sacos plásticos — essa era sua pequena esperança!
No parapeito da janela, contava o dinheiro, calculava com os dedos, anotava com cuidado a primeira renda... Ao ver os números diminuírem, seu coração se enchia de ansiedade, mas também de esperança — ao menos o número estava caindo.
Mas, criança, mesmo que consiga juntar os dois mil que para você são uma fortuna, não mudará esse destino cruel!
Talvez não juntar os dois mil fosse, na verdade, a última misericórdia do destino, pois ao menos mantinha a esperança!
Viram-na comendo perto do fogão enquanto lia um livro... Sensata, ela sempre quis ser como as outras crianças, poder estudar numa sala ampla e iluminada.
Até o último dia, quando arrumou a franja da mãe, sabia que aquela partida poderia ser definitiva — tão compreensiva, tão dolorosamente madura.
Se não fosse tão sensata... talvez não teria que suportar tanto peso. Mas não há talvez!
A obra de Li Huan terminou, o curta acabou.
Mas naquele momento, o coração de todos estava vazio, e em suas mentes só ecoava aquela garotinha compreensiva: seu sorriso, suas lágrimas, suas injustiças, seu desespero, e aquela frase que quebrou a última barreira em todos:
“Tio, me venda, por favor!”