Capítulo 2: Pedi para você escrever sobre negócios, e você faz o protagonista vender sucata?

Deixe você escrever a transação, você faz o protagonista vender sucata Leigo pequeno negro 3709 palavras 2026-07-31 05:06:13

— Não acha que esse tema é amplo demais?

— É bem abrangente, mas o importante é que é para o grupo de curtas. Os participantes vão ter que se esforçar.

— Fácil de entender, difícil de dominar. Que desafio curioso!

— O melhor é esperar para ver.

— Concordo, ao menos é melhor que aqueles temas estranhos.

Com o início oficial do programa, uma multidão de espectadores invadiu a plataforma de transmissão ao vivo. Assim que leram o título, começaram a discutir animadamente.

— Muito bem, professores júri, têm algo a dizer aos participantes? — perguntou Zhou Guo, sorrindo conforme o costume da competição, dirigindo-se aos quatro avaliadores.

— Esse título... digamos que é convencional. Não é difícil encaixar no tema, o difícil é se destacar — respondeu Wang Shuo, sorrindo.

— E você, professora Xu Qing? — Zhou Guo perguntou.

— Acho que o tema é bem amplo, não? Comércio também é uma transação, há troca de bens físicos, virtuais, de sentimentos, de tantas coisas... Mas, como disse o professor Wang, o difícil é fazer algo brilhante. Pelo menos eu não consigo pensar em nada excepcional — disse Xu Qing.

— Eu considero esse tema muito complicado — agora era a vez de Xu Kun, que comentou com as sobrancelhas franzidas.

— Se dependesse de mim, não conseguiria pensar em uma ideia realmente boa em pouco tempo. Só posso dizer: força!

— Força! — Yu Zheng afirmou calmamente.

— Certo, agora os participantes podem entrar nas salas de criação correspondentes ao seu nome. Cada um tem até duas horas para preparar sua obra. Quando estiverem prontos, basta apertar o botão na mesa para iniciar!

Rapidamente, Li Huan e os demais se dirigiram aos seus respectivos espaços de criação.

A infraestrutura dos quartos era completa, e a produção do programa, atenciosa, forneceu café, cigarros, chá, lanches e outras comodidades aos participantes.

Li Huan fez uma rápida inspeção, pegou um maço de cigarros e sentou-se diante do computador, começando a buscar a ideia adequada em sua mente.

Enquanto os participantes se preparavam, o programa continuava transmitindo ao vivo, então era preciso evitar qualquer monotonia.

Nesse momento, o apresentador e os jurados começaram a conversar.

— Os participantes estão se preparando. Professores, em quem apostam para esta final? — Zhou Guo perguntou.

— Liu Bin, talvez. Vi seu trabalho na última rodada dos dez melhores, achei muito bom! Tem inspiração e criatividade — respondeu Wang Shuo.

— Eu acho...

Cada jurado deu sua opinião sobre o favorito.

Eles estavam ali como avaliadores, naturalmente tinham feito o dever de casa, e conheciam bem as obras anteriores dos dez finalistas, afinal eram apenas curtas e não exigiam muito tempo para serem assistidos.

Mas esse bate-papo sem grandes novidades não despertava o interesse do público. Foi então que Zhou Guo perguntou de repente:

— Entre os dez finalistas, há um caso especial: Li Huan. O que pensam dele, professores?

Ao ouvir isso, os espectadores que acompanhavam a transmissão ficaram atentos.

— Li Huan? O rapaz é bonito, mas sinceramente não sei como chegou à final. Afinal, nosso concurso não é sobre aparência, não é mesmo? — Wang Shuo brincou.

— Hahaha, Wang Shuo continua o mesmo, não poupa ninguém!

— Para quê dar crédito? Li Huan merece?

— Como chegou à final? Fácil, só arranjar alguém pra escrever por ele.

— Não é bom falar isso. Talvez seja porque a produção precisa dele? Sem ele, esse tempo de espera seria ainda mais entediante, não acham?

Xu Kun comentou com seriedade:

— Na verdade, ser bonito é uma vantagem. Alguns espectadores só assistem pelo rosto.

— Você está falando de si mesmo, não é? — Yu Zheng, familiarizado com Xu Kun, brincou.

— Hahaha!

— Na verdade, estou curioso — naquele momento, Xu Qing interveio.

Todos se voltaram para ela.

— Mas, professora Xu, você sempre preferiu talento a aparência, vai mudar de opinião agora? — Wang Shuo, conhecido por sua língua afiada, provocou.

Xu Qing revirou os olhos:

— Gosto de pessoas talentosas, claro. Mas se alguém tem talento e é bonito, não é melhor ainda? Nem começamos a competir e já estão julgando com preconceito. Não é injusto para ele?

Wang Shuo ia retrucar, mas então um som de campainha ecoou: alguém estava pronto.

— Quem é? Tão rápido? — Wang Shuo ficou surpreso.

Na tela apareceu o rosto extraordinariamente belo de Li Huan.

— Uau!

— Li Huan?

— Só pode ser brincadeira!

— Será que ele comprou uma obra e deu sorte?

— Li Huan, o iletrado, está tão ansioso por críticas?

Se fosse qualquer outro participante, não causaria tanto espanto. Mas sendo Li Huan, não havia como não surpreender.

Li Huan digitou o título do roteiro: “Transação”!

— Esse título é bem direto!

— Sem criatividade, como era de se esperar de você, Li Huan.

— Deusa, olhe bem, ele só tem o rosto mesmo.

O título em si não era problemático, mas o rosto de Li Huan era tão chamativo que, por inveja ou ciúme, a maioria das mensagens era carregada de sarcasmo.

Os jurados, por outro lado, permaneceram em silêncio, afinal as palavras de Xu Qing ainda ecoavam, e haveria oportunidades para criticar depois.

Em seguida, Li Huan começou a digitar rapidamente.

Ele também estava curioso, pois essa era uma forma de criação de roteiros que jamais vira em sua vida anterior: descrevendo palavras, o software de IA gerava personagens e cenários virtuais, permitindo uma apresentação mais visual do conteúdo. Isso explicava o sucesso explosivo dos roteiristas de audiovisual nesse mundo.

Logo, após Li Huan terminar o primeiro trecho de “Transação” e enviar ao software de IA, o programa exibiu rapidamente a cena.

Um pátio modesto, o sol radiante, uma menina, o som da água correndo, roupas secando ao ar livre, compondo um quadro harmonioso de uma manhã rural.

A câmera se aproxima: a menina observa a água enchendo o balde, enxuga o suor da testa sob o sol.

A cena muda: um fogão de barro simples, relíquia para quem nunca esteve numa vila pobre.

Só mesmo em regiões rurais carentes se encontra esse tipo de fogão.

A menina põe água, acende o fogo e logo prepara o arroz.

A câmera mostra então a mãe, acamada, que recebe o prato e olha para a filha suja de terra, com olhos cheios de ternura, sem saber o que dizer, apenas acaricia a cabeça da menina, escondendo a tristeza e esboçando um sorriso de encorajamento no rosto pálido.

Depois de alimentar a mãe, a menina a ajudou a deitar e só então foi comer.

No modesto fogão, sentou-se, comeu enquanto lia.

Esse trecho terminou.

Como Li Huan ainda não havia escrito o próximo, a discussão naturalmente começou.

— A menina é comovente, mas o que isso tem a ver com transação?

— Tema dado ao vivo, não é fácil adivinhar antes. Então, faz sentido não haver relação direta.

— Vamos continuar a assistir, achei esse começo promissor.

— Isso mesmo, minha deusa já disse: não devemos julgar com preconceito.

Não era de estranhar as dúvidas do público, pois o tema era “transação”, mas o início não parecia ter relação com isso.

— Talvez devêssemos alertar os participantes? Nosso critério é, antes de tudo, abordar o tema, depois avaliar o conteúdo. Senão, o desafio perde o sentido — sugeriu Xu Kun entre os jurados.

Mas antes que qualquer um pudesse responder, Li Huan já havia digitado o segundo trecho.

A protagonista continuava sendo a menina, que estava na porta desgastada, marcando sua altura com giz branco.

Naquele batente, as marcas de giz mostravam claramente que não era a primeira vez que media sua altura.

Talvez, na inocência de seu coração, ela desejasse crescer logo.

E por quê?

Somando as cenas anteriores, era fácil deduzir.

Ainda assim, as dúvidas persistiam, e os espectadores continuavam confusos: o que aquilo tinha a ver com “transação”?

Mas como a trama continuava, não houve mais discussão.

Logo, a resposta apareceu na tela.

A menina, com o balde de arroz, queria preparar o jantar, mas percebeu que o arroz estava no fim, mal o suficiente para uma refeição.

Ela ficou triste e desamparada, mas não podia deixar a mãe perceber. A mãe estava doente, não podia preocupá-la.

Sua maturidade era comovente.

Especialmente ao vê-la, sozinha, com o balde vazio, sentada sob a velha árvore da vila, enxugando as lágrimas escondida.

Tão pequena, e até para chorar precisava se esconder.

Os jurados homens ficaram sérios, a expressão antes descontraída desapareceu.

A única jurada, Xu Qing, não pôde evitar que seus olhos se enchessem de lágrimas.

As mensagens de deboche diminuíram.

A história prosseguia: muito tempo depois, a menina ainda encarava o balde vazio de arroz. Mas o que poderia fazer?

Ao entardecer, sob a luz amarelada do sol, ela passou a mão na parede de tijolos e retornou cabisbaixa para casa.

Quando estava desanimada, passou pela loja de reciclagem da vila e, sem querer, viu alguém vendendo sucata. De repente, seus olhos brilharam, como se tivesse encontrado esperança.

Talvez esperança de ganhar dinheiro para comprar arroz, ou quem sabe juntar o suficiente para tratar sua mãe.

De qualquer forma, naquele instante, seus olhos se iluminaram!

Naquele momento, a inocência deu lugar ao entusiasmo.

Mas esse trecho animou novamente os críticos do chat.