Capítulo Quatorze: As Armadilhas Profundas da Cidade

Gerenciando uma Fazenda de Criação de Dragões, Começando com Apenas Três Ovos de Dragão Feng Xiao Ai 2431 palavras 2026-07-31 05:03:47

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O velho abriu furtivamente o sobretudo, revelando nada menos que mais de dez livros escondidos ali dentro.

“Compêndio da Harmonia Suprema”, “Qualquer um Pode Alcançar o Grau Terrestre”, “Guia de Criação de Harlong”, “Arte Inicial do Grande Um”, “Catálogo Básico das Raças Dracônicas”, “O Grande Método do Cultivo da Resistência”, “A História que Preciso Contar Sobre Mim e a Garota das Orelhas de Coelho”...

Chen Fan fitou o velho com uma expressão estranha.

Aquilo era um vendedor de livros falsificados?

Não havia como negar: o cheiro era familiar, e a receita, a mesma de sempre.

— Por quanto você vende esses livros? — perguntou Chen Fan em voz baixa, saltando de cima do Negrinho.

— Hehe, não são caros, não são caros. Vinte moedas de cobre cada — respondeu o velho com um sorriso.

— Vinte moedas?

Chen Fan ergueu uma sobrancelha. De fato, aquele preço era muito mais baixo que o das livrarias.

Era preciso saber que um exemplar do Catálogo Básico das Raças Dracônicas custava pelo menos oitenta moedas de cobre numa livraria.

Com o pouco dinheiro que tinha, ele sequer conseguiria comprar um único livro.

Depois de hesitar por um momento, Chen Fan pensou que, já que iria ler de qualquer maneira, que diferença fazia ser original ou falsificado? Na vida passada, ele não havia lido poucos livros falsificados.

Cerrou os dentes e disse:

— Está bem. Dê-me um livro sobre resistência... Cof, cof! Dê-me um exemplar do Catálogo Básico das Raças Dracônicas.

— Pois não.

O velho assentiu repetidas vezes, entregou o livro a Chen Fan, recebeu as moedas de cobre e virou-se para ir embora.

Chen Fan começou a folhear delicadamente o Catálogo Básico das Raças Dracônicas. O livro era um pouco mais fino que o exemplar que vira na livraria. Talvez fosse por causa do papel.

Montou novamente no Negrinho, indicando-lhe que seguisse em frente, enquanto ele começava a ler.

Muitos dos conteúdos do livro fizeram Chen Fan compreender certas coisas de repente. No íntimo, ele não pôde deixar de admirar a extraordinária variedade das raças dracônicas existentes naquele mundo.

Por fim, Chen Fan terminou de examinar o livro inteiro e o fechou suavemente.

Foi então que percebeu, de repente, que havia uma linha de letras minúsculas, quase invisível, impressa na última página.

Chen Fan esfregou os olhos e olhou com atenção. Quanto mais lia, pior ficava sua expressão.

Na última página estava escrito:

“Este livro é pura conversa fiada. Não o leve a sério!”

Apenas dez palavras, mas elas despedaçaram o coração de Chen Fan.

O que significava “não o leve a sério”? Aquilo queria dizer que o livro era como um romance, inteiramente fictício e sem o menor valor!

E pensar que ele havia gastado vinte moedas de cobre — o equivalente à metade de todo o seu patrimônio!

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Chen Fan sentia que estava prestes a chorar, mas o que poderia fazer? O velho já havia fugido sem deixar o menor rastro!

Cerrou os dentes, apertou as trinta moedas de cobre que lhe restavam, deu um tapinha no Negrinho e foi até a loja de artigos gerais.

Comprou algumas sementes de alimentos, depois adquiriu um pouco de carne e, em seguida, deixou que o Negrinho o levasse de volta.

No caminho, Chen Fan olhou para as sementes em suas mãos e depois para o Negrinho. Seus pensamentos retornaram ao problema de antes.

Se o Negrinho e o Cinzento continuassem ao seu lado, talvez realmente tivessem de suportar para sempre uma situação como aquela.

Além disso, se ele jamais vendesse dragões, talvez um dia o criadouro de dragões acabasse falindo por completo.

Quando esse dia chegasse, para onde o Negrinho e o Cinzento poderiam ir?

Ao pensar nisso, Chen Fan sentiu o coração contrair-se levemente.

Por fim, guiado pelo Negrinho, Chen Fan voltou ao criadouro de dragões. O Cinzento ouviu o som e correu apressadamente para fora.

O Cinzento inclinou a cabeça e ficou circulando o Negrinho e Chen Fan, como se procurasse alguma coisa.

Chen Fan olhou para o Negrinho, exibiu um sorriso amargo e balançou a cabeça.

— Cinzento, não precisa mais procurar. Yejun foi embora. Ela não voltou.

Ao ouvir as palavras de Chen Fan, o Cinzento ergueu a cabeça às pressas e fitou-o com incredulidade.

— Roooar!

Naquele momento, o Negrinho também soltou uma série de rosnados baixos, como se estivesse contando ao Cinzento o que havia acontecido.

Depois de ouvir os rosnados do Negrinho, o Cinzento baixou lentamente a cabeça e voltou desanimado para dentro.

O Negrinho e o Cinzento sempre haviam vivido no criadouro de dragões. Embora não tivessem convivido muito tempo com Yejun, no fundo do coração já a consideravam uma familiar.

Chen Fan suspirou, saltou das costas do Negrinho e deu-lhe um tapinha nas costas.

— Está bem. Vá fazer companhia ao Cinzento. Eu também estou um pouco cansado.

Depois de dizer isso, Chen Fan voltou ao próprio quarto, colocou de lado as coisas que comprara e deitou-se na cama, olhando em silêncio para o teto.

O céu foi escurecendo pouco a pouco. Naquela noite, o Negrinho e o Cinzento não entraram no quarto. Em vez disso, ficaram aconchegados um ao outro, sem que se soubesse o que estavam pensando.

Depois de refletir por um longo tempo, Chen Fan sentou-se na cama e saiu do quarto.

Olhou para o Negrinho e o Cinzento, ainda abraçados, e foi até o tanque de água.

Ao ver Chen Fan se aproximar, a Tenca Dourada também saiu da água e o encarou com seus grandes olhos.

— Ei, no que está pensando?

Nesse instante, uma voz veio de trás dele.

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O corpo de Chen Fan estremeceu, e sua cabeça se virou lentamente para trás, incrédula.

Uma figura de beleza serena estava parada à entrada do criadouro de dragões. A luz pura da lua espalhava-se sobre ela, fazendo-a parecer uma deusa descida dos céus.

— Você voltou?

Chen Fan ficou atordoado por um longo tempo antes de sorrir e falar.

— Sim, voltei.

A recém-chegada era justamente Yejun. Ela entrou devagar no criadouro de dragões.

— Mas, desta vez, não sou mais sua prisioneira. Sou uma hóspede.

— Sim, exatamente!

Chen Fan assentiu.

— Seja bem-vinda, senhorita Yejun. Quer que este humilde servo lhe faça companhia na cama esta noite?

— Você, hein...

Yejun cobriu o rosto com o véu e começou a rir.

— Esqueça. Ainda não cheguei ao ponto de gostar de você.

— Negrinho! Cinzento!

Yejun sorriu e chamou suavemente:

— Voltei. Não vão sair depressa para me receber? Eu trouxe presentes para vocês!

— Tum! Tum!

Assim que sua voz cessou, o chão começou a tremer violentamente. Só então o Negrinho e o Cinzento correram para lá, olhando para Yejun com o rosto cheio de entusiasmo e balançando as caudas de um lado para o outro, como dois cachorros.

...

Três linhas negras surgiram na testa de Chen Fan, e ele suspirou em seu coração:

“Esses são os dragões... digo, os cachorros que criei...”

— Bons meninos!

Yejun acariciou a cabeça do Negrinho e do Cinzento. Em seguida, tirou do peito duas pílulas do tamanho da unha do polegar e colocou uma na boca de cada um.

— Esta é a Pílula do Espírito Bestial. Embora o talento de vocês já seja muito forte, talvez ela ainda possa ser útil.

Pílula do Espírito Bestial?

Ao ouvir aquele nome, os olhos de Chen Fan brilharam.

Ele havia visto aquela substância no falsificado Catálogo Básico das Raças Dracônicas. Diziam que era uma pílula milagrosa capaz de aumentar a inteligência das feras mágicas.

A de nível mais baixo era a Pílula do Espírito Bestial; a de nível mais alto, a Pílula do Espírito Dracônico.

Até mesmo a Pílula do Espírito Bestial custava uma fortuna, e o preço da Pílula do Espírito Dracônico era simplesmente astronômico.

— Hehe.

Chen Fan correu depressa até Yejun, esticou a língua e deixou os braços pendurados diante do corpo.

— Irmã Yejun, e o meu presente?

— Que menino obediente.

Yejun caiu na gargalhada com a provocação de Chen Fan. Então pegou, ao lado da porta, uma sacola e a entregou a ele.

— Isto é para você.

— O que é?

Chen Fan recebeu a sacola e a abriu. Suas pupilas se contraíram de imediato...

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