Capítulo 15 Finalmente despertou para a compreensão
Ela seguiu o velho senhor Yan até a mansão da família Lu, chegando ao salão decorado com esmero. Mal sentaram-se, um criado trouxe chá e petiscos. Antes de se retirar, a criada olhou para Lu Xiyue várias vezes, com uma expressão de surpresa misturada com emoção, deixando Lu Xiyue um pouco desconfortável. As pessoas da família Yan pareciam sempre um tanto estranhas.
O velho senhor Yan, que não demonstrava preocupação alguma com Yan Shijing, sorria amavelmente e trocava algumas palavras formais com Lu Xiyue.
— Não sei o que fazem os pais da senhorita Lu? — perguntou ele, durante uma conversa casual.
— Vovô Yan, pode me chamar de Xiyue ou simplesmente Yue’er — respondeu Lu Xiyue sem rodeios, contando resumidamente sobre a família Lu.
Embora tenha sido uma resposta breve, o olhar do velho senhor Yan revelou uma ponta de compaixão.
— Também é uma criança de destino difícil.
— Xiyue, como você conheceu o Shijing? — após mais algumas conversas, ele, fingindo casualidade, perguntou o que realmente queria saber, emocionado por finalmente chegar ao ponto.
— Vovô Yan, na verdade eu e o senhor Yan não nos conhecemos bem... — Lu Xiyue contou sobre o encontro no hospital, omitindo a parte em que repreendeu a mãe e a filha Zhong e o fato de Yan Shijing ter defendido-a.
— Depois, quando voltava para casa, encontrei o senhor Yan por acaso, e ele gentilmente me deu carona, mas no meio do caminho começou a se sentir mal...
— Ah, é assim — disse o velho senhor Yan, com um brilho de compreensão nos olhos e um sorriso ainda mais amável. — Encontrar-se é destino; e encontrar-se duas vezes no mesmo dia é ainda mais raro. Xiyue, venha nos visitar sempre que puder.
Ele conhecia bem seu neto e os outros, e sabia que, com o temperamento de Shijing, se não fossem pessoas próximas, ele nem sequer olharia duas vezes ao encontrá-las, muito menos ofereceria carona. A coincidência do encontro era suspeita. O fato de Shijing se preocupar tanto a ponto de querer levá-la para casa, mesmo com sua dor de cabeça, e ela não ter rejeitado, era algo especial. Nem ele mesmo, o avô, tinha tal tratamento.
Após anos no comércio marítimo, Yan Shenghai se orgulhava em perceber qualquer artimanha. Esse “acaso” não era tão casual assim.
O velho senhor Yan sentiu-se confortado. Seu neto, que por mais de vinte anos não havia amadurecido, finalmente deu sinais de consciência!
Lu Xiyue sentiu-se um pouco estranha ao ouvir que havia destino entre ela e Yan Shijing, mas ao lembrar das duas vezes que ele a ajudou naquele dia, decidiu aceitar o que o avô disse. Afinal, não valia a pena discutir com um ancião por uma simples palavra.
Ela sentou-se ereta, sorrindo com educação enquanto conversava com o velho senhor Yan. Quando sentiu um aroma doce e intenso, seu estômago não pôde deixar de roncar levemente.
Ela lançou um olhar discreto para a bandeja de petiscos sobre a mesa: pequenos pedaços de bolo branco, cobertos com coco ralado, que pareciam macios e apetitosos.
Lu Xiyue engoliu em seco. Que cheiro delicioso.
Quase esqueceu que ainda não havia almoçado. Pela manhã, ao ver a mãe no centro de recuperação, não teve ânimo nem apetite.
— Xiyue, experimente esse bolo de leite de coco, é muito gostoso — disse o velho senhor Yan, sorrindo gentilmente, talvez percebendo o olhar de desejo dela para o doce.
— Obrigada, vovô Yan — respondeu Lu Xiyue sem cerimônia, pegando um garfinho para provar.
Ao primeiro sabor, fechou os olhos de felicidade. Doce na medida certa, derretia na boca, com um suave aroma de leite de coco.
Como algo tão delicioso podia existir?
— Vovô Yan, esse bolo de leite de coco é maravilhoso! — seus olhos brilhavam, e o sorriso era sincero e feliz.
— Hahaha, esse bolo é obra da cozinheira Wang — respondeu o velho senhor Yan, satisfeito por vê-la tão contente com um simples prato.
Pensando um pouco, acrescentou: — Wang faz muitos outros doces deliciosos. Se você gostar, Xiyue, venha sempre; eu pedirei para ela preparar para você.
— Sim, obrigado, vovô Yan!
Absorvida no sabor do doce, Lu Xiyue não percebeu o sorriso reconfortante do velho e o olhar cheio de significado em seus olhos.
Ah, Shijing, é raro ver você despertar, e o vovô está te dando uma força!
...
— Vovô Yan, tem visita? — perguntou Lu Xiyue, que já havia se divertido bastante e pensava em se despedir, quando alguém entrou.
Um homem da mesma idade de Yan Shijing, com cabelos castanhos levemente longos cobrindo a testa, feições profundas e marcantes, olhos cor-de-pêssego com um toque de desdém, trajando um terno branco casual que realçava sua elegância sem parecer formal demais.
— Qingchen, este é o amigo do Shijing, a senhorita Lu — disse o velho senhor Yan, ficando sério. — Como está o Shijing?
Mò Qingchen olhou para Lu Xiyue com um olhar profundo, assentiu e respondeu:
— Não muito bem.
O rosto do velho senhor Yan ficou imediatamente grave, e Lu Xiyue se surpreendeu.
— A dor está mais forte e dura mais tempo. Ele acabou de tomar remédios e fazer acupuntura, mas parece que não fez efeito — disse Mò Qingchen, olhando para Lu Xiyue de forma intencional.
Ela se sentiu um pouco culpada. Talvez o atraso tenha sido porque Yan Shijing insistiu que Shi Lang a levasse para casa primeiro?
— Vou dar uma olhada — disse o velho senhor Yan.
Ele ficou em silêncio por um momento e então se levantou, seu sorriso desapareceu, substituído por uma expressão séria.
— Xiyue... você também vai? — perguntou.
— ...Tudo bem, vovô Yan — respondeu ela, sem coragem para se despedir naquele momento.
Diante da situação de Yan Shijing, não podia simplesmente sair sem dar uma olhada.
Mò Qingchen arqueou a sobrancelha, lançou um olhar enigmático para Lu Xiyue e seguiu o velho senhor Yan.
Os três subiram silenciosamente a escada caracol central da mansão até o quarto de Yan Shijing no segundo andar.
O quarto era amplo, uma suíte, decorado em tons de preto e cinza, com poucos enfeites.
Lu Xiyue lançou um olhar superficial.
Sim, o quarto refletia exatamente a personalidade de Yan Shijing: sério e sombrio.
Ao entrar, Yan Shijing estava deitado na cama, vestindo apenas uma camisa branca, coberto por um edredom cinza fino, com os olhos fechados, aparentemente em sono profundo.
Talvez por estar dormindo, não exalava aquela fria hostilidade típica.
Ele estava quieto, sem aparentar sofrimento, mas as grossas sobrancelhas negras estavam franzidas, e as mãos ao lado do corpo cerradas, mostrando a dor que suportava.
O velho senhor Yan se aproximou, observou o rosto pálido de Yan Shijing e franziu o cenho, suspirando.
— O Shijing está dormindo agora?
— Está com muita dor, remédios e acupuntura não o aliviam, acho que não consegue dormir — respondeu Mò Qingchen, igualmente preocupado.
Ele também estava impotente.
Com medo de preocupar o velho senhor Yan, não disse a verdade: Yan Shijing não estava exatamente dormindo, mas desmaiado pela dor, meio acordado, meio inconsciente.
Lu Xiyue ficou alguns passos atrás do velho senhor Yan, olhando para Yan Shijing na cama, silenciosa.
Embora só o conhecesse há poucas horas e tivesse visto Yan Shijing duas vezes, ela se sentia grata por sua ajuda em ambas as ocasiões.
Agora, vendo-o assim, ela também se sentia mal.
O velho senhor Yan contou que essa dor de cabeça atormentava Yan Shijing desde a infância.
Apesar das inúmeras tentativas da família Yan com os melhores médicos, a causa nunca foi descoberta; sempre que a dor aparecia, era insuportável, e só restava aliviar o sofrimento como podiam.
— O senhor Yan parece estar sofrendo muito — pensou Lu Xiyue.
— Tomara que pudéssemos ajudá-lo — desejou em seu coração.